sexta-feira, setembro 21, 2012

O ASSASSINATO DO POETA CONCRETO

O poeta concreto não saía mais
de seu apartamento.
O mundo ficara pequeno.
Sala, quarto.
Corredor, janela.
Piano, privada.
Ala sul, Zurique.
Nada. Rien.
Nenhum piquenique suficiente
ao poeta concreto,
para trazê-lo, zeloso e com zelo,
a um parque neozelandês,
por exemplo.
E o que se diria
de qualquer outro templo
como sempre o é a natureza?
O poeta concreto
não falava mais
(nem menos)
do que o
estritamente necessário.
Menos, talvez, do que convinha
àquela sua atitude contida,
total, absoluta, demasiado
comedida. Consigo amasiado
o poeta concreto sua própria
e sempre mesma piada pronta.
Outra vez.
E de novo. E novamente.
Mas pelo menos o poeta concreto
ainda comporta piadas,
e uma compota de poetas,
quaisquer poetas, mistos,
vale por uma biblioteca
de velhos prosadores barrigudos
com suas fãzinhas bundudinhas
esbanjando sacadas.
---Bang!

ijs

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