- acréscimo em 23/06:
Resposta da questã 01: Thadeu postou este no blog dele, e acrescentou um título matador, o qual está agora acrescentado aqui: qualquer dúvida, leiam os comentários desta postagem...
*
O CÉU QUE ME TRAGA
eu fumo porque sei que vou virar fumaça
jamais enfrentarei filas no INPS
sete palmos abaixo e a terra me esquece
o poeta é a estrela cadente que passa
nesta terra de reis sou cego em meio à messe
de todo esse tabaco o qual vicia a massa
e me faz abusar do corpo que ultrapassa
a terra o mar o céu no eterno sobe e desce
e como tudo no universo se desfaz
faço de mim a brasa e também combustível
deixo de ser concreto pra ser invisível
em fogo em fúria som silêncio guerra e paz
como num verso que nenhum poeta fez
a estas constelações convergindo outra vez
Antônio Thadeu Wojciechowski
Ivan Justen Santana
segunda-feira, junho 21, 2010
quarta-feira, junho 16, 2010
Em celebração ao Bloomsday:
*
SUPEREGO EM REDONDILHA
Meu prezado e caro Ivan:
tua inspiração é vã;
larga mão de ser pedante,
pois ninguém abrigou Dante;
e não sejas cabotino:
ninguém lê Tomás de Aquino;
vê se não desce o sarrafo:
é: ninguém decifra Safo;
nenhum épico é um idílio:
ninguém quer rever Vergílio;
isto não saiu em vídeo:
ninguém assistiu Ovídio;
sim, é amargo o shake: inspira:
ninguém interpreta Shakespeare;
duplamente o caso é vil:
ninguém viu quem foi o Will;
sem Camões nem bem te espantes:
ninguém ri mais com Cervantes;
larga todos estes poetas:
ninguém curte tais estetas;
na poesia há quem se arrisque:
mas ninguém relê Leminski;
bem trovato não é vero:
quem (ninguém!) recorda Homero?
Pata de asno só dá coice:
afinal ninguém leu Joyce;
assim, enfim, tu também:
Ivan, teu nome é Ninguém.
SUPEREGO EM REDONDILHA
Meu prezado e caro Ivan:
tua inspiração é vã;
larga mão de ser pedante,
pois ninguém abrigou Dante;
e não sejas cabotino:
ninguém lê Tomás de Aquino;
vê se não desce o sarrafo:
é: ninguém decifra Safo;
nenhum épico é um idílio:
ninguém quer rever Vergílio;
isto não saiu em vídeo:
ninguém assistiu Ovídio;
sim, é amargo o shake: inspira:
ninguém interpreta Shakespeare;
duplamente o caso é vil:
ninguém viu quem foi o Will;
sem Camões nem bem te espantes:
ninguém ri mais com Cervantes;
larga todos estes poetas:
ninguém curte tais estetas;
na poesia há quem se arrisque:
mas ninguém relê Leminski;
bem trovato não é vero:
quem (ninguém!) recorda Homero?
Pata de asno só dá coice:
afinal ninguém leu Joyce;
assim, enfim, tu também:
Ivan, teu nome é Ninguém.
terça-feira, junho 15, 2010
Revelando as fênix
Hoje é dia de jogo do Brasil na copa do mundo, mas tem outra coisa muito mais importante (pelo menos pra mim:)
é aniversário do meu pai -- feliz aniversário, Sr. Rui!
Ontem palestrei sobre Joyce e o Ulysses, no Centro Feminino (vide aqui), e amanhã haverá mais Bloomsday aqui em Curitiba (maiores informações, vide aqui o blog do meu prezado amigo Felipe).
Assim, prospectivamente eu postei o poema de Rilke sobre Odisseu e as sereias, e agora largo aqui a versão que eu e meu camarada William Crosué Teca fizemos para a folclórica balada anglo-irlandesa Finnegan´s Wake, a qual inspirou Joyce a escrever um catatauzinho aí que vocês devem saber qual é...
VELANDO TIM
(Finnegan´s Wake, em versão brasileira dos Dublês de Dublin)
Tim Finnegan vivia na Rua do Passeio,
um gentil irlandês muito esquisitão;
tinha uma língua cheia de asseio
e pra subir na vida ele usava um formão.
Tinha um jeitinho de quem bebia,
o uísque deixava Tim tantã,
e a fim de firmar o pulso a cada dia
bebia um traguinho toda manhã.
(refrão:)
Truque na morte, dance comigo,
varra o soalho, chacoalhe pra mim;
é ou não é assim como eu digo
uma grande bagunça velando Tim!?
Certa manhã Tim já tava torrado,
a cabeça pesada o fez bambear;
caiu da escada e quebrou seu crânio
e o levaram pra casa a fim de o velar.
Enrolaram Tim num lençol limpinho
e o deitaram na cama de revés,
à sua cabeça um barril de vinho
e um galão de uísque a seus pés.
(refrão:)
Os amigos vieram para velá-lo
e a viúva Finnegan dava um caldo,
primeiro ela trouxe chá com bolinhos,
depois uísque, tabaco e cachimbos.
Biddy O´Brien pôs-se a chorar:
"Um cadáver tão limpo jamais se viu!
Tim, camarada, por que nos deixar?"
"Ah, fecha essa matraca!" disse Paddy McGill!
(refrão:)
Aí Maggie O´Connor ganhou controle,
"Biddy," disse ela, "por certo você erra!"
Mas Biddy pregou-lhe o cinto na goela
e deixou-a no chão, esticada e grogue.
Então no velório o pau quebrou,
e foi homem a homem, mulher a mulher,
a lei da pancada ali se instalou,
salvem morto e feridos quem puder!
(refrão:)
Aí Mickey Malone sentiu o drama
quando um copo de uísque voou assim:
tirou-lhe uma fina e caindo na cama
o copo derrama-se sobre Tim!
Tim revive! Ele ressuscita!
Timothy vindo de volta, eu vi,
diz: "Vamos beber toda essa birita!
Almas do diacho, acham que eu morri?"
(refrão:)
é aniversário do meu pai -- feliz aniversário, Sr. Rui!
Ontem palestrei sobre Joyce e o Ulysses, no Centro Feminino (vide aqui), e amanhã haverá mais Bloomsday aqui em Curitiba (maiores informações, vide aqui o blog do meu prezado amigo Felipe).
Assim, prospectivamente eu postei o poema de Rilke sobre Odisseu e as sereias, e agora largo aqui a versão que eu e meu camarada William Crosué Teca fizemos para a folclórica balada anglo-irlandesa Finnegan´s Wake, a qual inspirou Joyce a escrever um catatauzinho aí que vocês devem saber qual é...
VELANDO TIM
(Finnegan´s Wake, em versão brasileira dos Dublês de Dublin)
Tim Finnegan vivia na Rua do Passeio,
um gentil irlandês muito esquisitão;
tinha uma língua cheia de asseio
e pra subir na vida ele usava um formão.
Tinha um jeitinho de quem bebia,
o uísque deixava Tim tantã,
e a fim de firmar o pulso a cada dia
bebia um traguinho toda manhã.
(refrão:)
Truque na morte, dance comigo,
varra o soalho, chacoalhe pra mim;
é ou não é assim como eu digo
uma grande bagunça velando Tim!?
Certa manhã Tim já tava torrado,
a cabeça pesada o fez bambear;
caiu da escada e quebrou seu crânio
e o levaram pra casa a fim de o velar.
Enrolaram Tim num lençol limpinho
e o deitaram na cama de revés,
à sua cabeça um barril de vinho
e um galão de uísque a seus pés.
(refrão:)
Os amigos vieram para velá-lo
e a viúva Finnegan dava um caldo,
primeiro ela trouxe chá com bolinhos,
depois uísque, tabaco e cachimbos.
Biddy O´Brien pôs-se a chorar:
"Um cadáver tão limpo jamais se viu!
Tim, camarada, por que nos deixar?"
"Ah, fecha essa matraca!" disse Paddy McGill!
(refrão:)
Aí Maggie O´Connor ganhou controle,
"Biddy," disse ela, "por certo você erra!"
Mas Biddy pregou-lhe o cinto na goela
e deixou-a no chão, esticada e grogue.
Então no velório o pau quebrou,
e foi homem a homem, mulher a mulher,
a lei da pancada ali se instalou,
salvem morto e feridos quem puder!
(refrão:)
Aí Mickey Malone sentiu o drama
quando um copo de uísque voou assim:
tirou-lhe uma fina e caindo na cama
o copo derrama-se sobre Tim!
Tim revive! Ele ressuscita!
Timothy vindo de volta, eu vi,
diz: "Vamos beber toda essa birita!
Almas do diacho, acham que eu morri?"
(refrão:)
terça-feira, junho 08, 2010
A ILHA DAS SEREIAS
*
Quando, atendendo a seus anfitriões,
após o dia inteiro de trabalho, narrava
suas viagens marítimas e tribulações
em voz calma, nem sequer suspeitava
como apavorá-los, e quais intempestivas
palavras usar para que, como ele viu
naquele tranquilo arquipélago anil,
também os ofuscasse o brilho áureo das ilhas
cuja mera visão traz novamente
o perigo, e não mais em repuxos
de fúria em tumulto, como sempre;
mas sem um som toma os marujos
que sabem: algumas vezes se ouve
uma canção daquelas ilhas douradas –
e eles se lançam aos remos como se
estivessem cercados
pelo silêncio que no espaço imenso
existe, e nos seus ouvidos insiste,
como se ao reverso fosse o denso
canto a que nenhum mortal resiste.
Rainer Maria Rilke
Versão brasileira:
Ivan Justen Santana
Quando, atendendo a seus anfitriões,
após o dia inteiro de trabalho, narrava
suas viagens marítimas e tribulações
em voz calma, nem sequer suspeitava
como apavorá-los, e quais intempestivas
palavras usar para que, como ele viu
naquele tranquilo arquipélago anil,
também os ofuscasse o brilho áureo das ilhas
cuja mera visão traz novamente
o perigo, e não mais em repuxos
de fúria em tumulto, como sempre;
mas sem um som toma os marujos
que sabem: algumas vezes se ouve
uma canção daquelas ilhas douradas –
e eles se lançam aos remos como se
estivessem cercados
pelo silêncio que no espaço imenso
existe, e nos seus ouvidos insiste,
como se ao reverso fosse o denso
canto a que nenhum mortal resiste.
Rainer Maria Rilke
Versão brasileira:
Ivan Justen Santana
domingo, junho 06, 2010
PRA TODAS AS PESSOAS QUE CONHEÇO E QUE GOSTAM SIM DE POESIA...
(qualquer dúvida sobre o título e a quem este poema é dedicado, reportar-se à lista de blogues aqui ao lado para maiores referências imediatas...)
*
Sim, eu também já fui daqueles chatos de galocha
pra quem nenhum verso, nenhuma frase prestava.
E agora, por não querer ser mais um crica broxa,
talvez eu sofra, ao inverso, de complacência brava.
Enfim: minha visão crítica (seja rígida, seja frouxa)
não melhora nem piora as artes da palavra,
e estes dísticos aqui, com essas rimas de trouxa,
contam pouco ou nada à poesia que hoje se grava.
Mas quero e vou celebrar assim, nas coxas,
as tantas maravilhas lidas por mim, sem trava.
Por mais que pegue e largue métrica (era nenhuma),
rimas (névoas-nadas de vaidades, truques e firulas)
– e ainda que achem que só aumento o cordão
dos puxa-sacos – destaco que a poesia está à solta:
sim, assim como as bruxas, a violência e o horror,
tem cada vez mais poetas, cada vez mais arte ao redor,
cada vez mais merda e lixo, sim, mas cada vez mais
são mais motivações e mais razões e mais canções
pra criar mais alegria: multiplicar o prazer
e assassinar a dor.
*
Sim, eu também já fui daqueles chatos de galocha
pra quem nenhum verso, nenhuma frase prestava.
E agora, por não querer ser mais um crica broxa,
talvez eu sofra, ao inverso, de complacência brava.
Enfim: minha visão crítica (seja rígida, seja frouxa)
não melhora nem piora as artes da palavra,
e estes dísticos aqui, com essas rimas de trouxa,
contam pouco ou nada à poesia que hoje se grava.
Mas quero e vou celebrar assim, nas coxas,
as tantas maravilhas lidas por mim, sem trava.
Por mais que pegue e largue métrica (era nenhuma),
rimas (névoas-nadas de vaidades, truques e firulas)
– e ainda que achem que só aumento o cordão
dos puxa-sacos – destaco que a poesia está à solta:
sim, assim como as bruxas, a violência e o horror,
tem cada vez mais poetas, cada vez mais arte ao redor,
cada vez mais merda e lixo, sim, mas cada vez mais
são mais motivações e mais razões e mais canções
pra criar mais alegria: multiplicar o prazer
e assassinar a dor.
quarta-feira, junho 02, 2010
JOVEM PRA SEMPRE
(Forever Young, Bob Dylan)
Que Deus te benza e guarde sempre,
Que os teus desejos se realizem,
Que faças sempre o bem aos outros
E deixe-os fazer bem a ti.
E que uma escada até as estrelas
Construas para percorrê-la,
Que tu prossigas jovem sempre,
Jovem pra sempre, jovem pra sempre,
Que tu prossigas jovem sempre.
Que amadureças à justiça,
Que amadureças à verdade,
Que saibas sempre discernir
E as luzes ver em torno a ti.
Que tenhas sempre mais coragem,
Que te ergas alto e sejas forte,
Que tu prossigas jovem sempre,
Jovem pra sempre, jovem pra sempre,
Que tu prossigas jovem sempre.
Que tuas mãos sempre se ocupem,
Que teus pés sempre sejam ágeis,
Que tuas bases sejam firmes
Quando vierem vendavais.
Que o coração sempre te anime,
E sempre cantem tua canção,
Que tu prossigas jovem sempre,
Jovem pra sempre, jovem pra sempre,
Que tu prossigas jovem sempre.
Versão brasileira: Ivan Justen Santana
Que Deus te benza e guarde sempre,
Que os teus desejos se realizem,
Que faças sempre o bem aos outros
E deixe-os fazer bem a ti.
E que uma escada até as estrelas
Construas para percorrê-la,
Que tu prossigas jovem sempre,
Jovem pra sempre, jovem pra sempre,
Que tu prossigas jovem sempre.
Que amadureças à justiça,
Que amadureças à verdade,
Que saibas sempre discernir
E as luzes ver em torno a ti.
Que tenhas sempre mais coragem,
Que te ergas alto e sejas forte,
Que tu prossigas jovem sempre,
Jovem pra sempre, jovem pra sempre,
Que tu prossigas jovem sempre.
Que tuas mãos sempre se ocupem,
Que teus pés sempre sejam ágeis,
Que tuas bases sejam firmes
Quando vierem vendavais.
Que o coração sempre te anime,
E sempre cantem tua canção,
Que tu prossigas jovem sempre,
Jovem pra sempre, jovem pra sempre,
Que tu prossigas jovem sempre.
Versão brasileira: Ivan Justen Santana
terça-feira, junho 01, 2010
UMA NÊNIA A WILSON BUENO
*
Nossa Santa já não pode mais ser Cândida
Nossa vida assassinada e cada vez mais bandida
Facada que vem sem nem falar pra que vinha
Mas as frases não acabam no final da linha
Um sangue de poeta grava toda a escrivaninha
*
Nossa Santa já não pode mais ser Cândida
Nossa vida assassinada e cada vez mais bandida
Facada que vem sem nem falar pra que vinha
Mas as frases não acabam no final da linha
Um sangue de poeta grava toda a escrivaninha
*
quarta-feira, maio 26, 2010
A SEREIA DO RIO IVO
Havia uma sereia numa cava do Rio Ivo:
tinha curvas deslumbrantes e olhar verde furtivo.
Quando a viu, à luz da lua,
flutuando na foz, nua,
Ivo disse a ela: “por ti, eu fluo e vivo.”
Mas um dia Ivo ouviu uma pedra filosofal,
segundo a qual a monogamia não seria normal:
“um rio não molha a mesma sereia duas vezes”
dizia a pedra em suas heráclitas, dialéticas teses.
A sereia também cairia naquela conversa, porém
já havia sido vítima do último viral
e abalara-se, em desabalada carreira fluvial,
a se esbaldar nas badaladas baladas do Rio Belém.
tinha curvas deslumbrantes e olhar verde furtivo.
Quando a viu, à luz da lua,
flutuando na foz, nua,
Ivo disse a ela: “por ti, eu fluo e vivo.”
Mas um dia Ivo ouviu uma pedra filosofal,
segundo a qual a monogamia não seria normal:
“um rio não molha a mesma sereia duas vezes”
dizia a pedra em suas heráclitas, dialéticas teses.
A sereia também cairia naquela conversa, porém
já havia sido vítima do último viral
e abalara-se, em desabalada carreira fluvial,
a se esbaldar nas badaladas baladas do Rio Belém.
segunda-feira, maio 24, 2010
SEMPRENOVOQUANDO
(pra Gianna Roland)
enquanto eu fico aqui parado na parada
enquanto você foca ali parada nalgum prado
enquanto a gente sai pela direita ou pela esquerda
ou sai daquela uma e vai nessa pelada
ou empacota ou tem um treco e larga ao lado
ou fala um troço sério e alguma bela merda
em ganho ou perda
em detestado estado
em pleno pelo duma gata parda na calada
enquanto tudo e nada:
a vida vem ventando
inventa e cria em contrabando
um mesmo nunca velho e sempre novo quando
enquanto eu fico aqui parado na parada
enquanto você foca ali parada nalgum prado
enquanto a gente sai pela direita ou pela esquerda
ou sai daquela uma e vai nessa pelada
ou empacota ou tem um treco e larga ao lado
ou fala um troço sério e alguma bela merda
em ganho ou perda
em detestado estado
em pleno pelo duma gata parda na calada
enquanto tudo e nada:
a vida vem ventando
inventa e cria em contrabando
um mesmo nunca velho e sempre novo quando
quarta-feira, maio 19, 2010
Rendendo homenagens

Tem um sujeito na nossa turma de amigos que eu vou falar pra vocês, é um cara que merece homenagens e condecorações.
É o tipo mais animado e divertido que eu conheço.
Eu o considero uma lenda viva da contracultura curitibana.
Ele organizou a primeira e maior exposição mundial de fanzines dessa cidade.
Ele teria diversos motivos para ser amargurado e agressivo, mas prefere ser simplesmente feliz.
E ainda por cima, formou-se em filosofia pela UFPR, em plena ditadura militar.
Édson de Vulcanis, também conhecido como "Aranha" e "Michael Édson", feliz proprietário dos blogs Aranha Céu, Dê dinheiro ao poeta, Ideias aracnídeas e Noções unidas.
Em sua própria definição, Édson é um anarcovigarista do bem.
Inigualável frasista trocadilheiro, Édson foi um dos poetas que abrilhantaram o evento Curitiba 12 Horas.
Prometi ao Édson traduzir uma canção de John Lennon (e Yoko Ono), uma canção que Édson gosta de cantar e cuja mensagem dá o que pensar.
Hoje, finalmente, cumpro essa promessa, feliz.
Aí está, Édson!:
A MULHER É O CRIOULO DO PLANETA
(WOMAN IS THE NIGGER OF THE WORLD,
by John Lennon & Yoko Ono)
A mulher é o crioulo do planeta
Sim ela é... pense sobre isso
A mulher é o crioulo do planeta
Pense sobre isso... ou aja sobre isso
Fazemos ela pintar o rosto e dançar
Se não é uma escrava, dizemos que ela não nos ama
Se ela é verdadeira, dizemos que está tentando ser homem
Enquanto a rebaixamos, fingimos que ela está acima de nós
A mulher é o crioulo do planeta
Se não acredita em mim, olhe a que está com você
A mulher é a escrava dos escravos
Ah, sim... melhor gritar sobre isso
Fazemos ela suportar e educar nossas crianças
E então a largamos de vez por ser uma velha mãe gorducha
Dizemos que o lar é o único lugar para ela
E aí reclamamos que ela não é companhia civilizada
A mulher é o crioulo do planeta
Se não acredita em mim, olhe a que está com você
A mulher é a escrava dos escravos
Ah, sim... (pense sobre isso)
Insultamos ela todo dia na TV
E cogitamos por que ela não tem confiança
Quando é jovem, matamos seu desejo de ser livre
E enquanto dizemos para ela não ser inteligente demais
Rebaixamos ela por ser muito tolinha
A mulher é o crioulo do planeta
Sim ela é... se não acredita em mim,
Olhe a que está com você
A mulher é a escrava dos escravos
Sim ela é... se você acredita em mim,
É melhor gritar sobre isso
Fazemos ela pintar o rosto e dançar
Fazemos ela pintar o rosto e dançar
Fazemos ela pintar o rosto e dançar
É o tipo mais animado e divertido que eu conheço.
Eu o considero uma lenda viva da contracultura curitibana.
Ele organizou a primeira e maior exposição mundial de fanzines dessa cidade.
Ele teria diversos motivos para ser amargurado e agressivo, mas prefere ser simplesmente feliz.
E ainda por cima, formou-se em filosofia pela UFPR, em plena ditadura militar.
Édson de Vulcanis, também conhecido como "Aranha" e "Michael Édson", feliz proprietário dos blogs Aranha Céu, Dê dinheiro ao poeta, Ideias aracnídeas e Noções unidas.
Em sua própria definição, Édson é um anarcovigarista do bem.
Inigualável frasista trocadilheiro, Édson foi um dos poetas que abrilhantaram o evento Curitiba 12 Horas.
Prometi ao Édson traduzir uma canção de John Lennon (e Yoko Ono), uma canção que Édson gosta de cantar e cuja mensagem dá o que pensar.
Hoje, finalmente, cumpro essa promessa, feliz.
Aí está, Édson!:
A MULHER É O CRIOULO DO PLANETA
(WOMAN IS THE NIGGER OF THE WORLD,
by John Lennon & Yoko Ono)
A mulher é o crioulo do planeta
Sim ela é... pense sobre isso
A mulher é o crioulo do planeta
Pense sobre isso... ou aja sobre isso
Fazemos ela pintar o rosto e dançar
Se não é uma escrava, dizemos que ela não nos ama
Se ela é verdadeira, dizemos que está tentando ser homem
Enquanto a rebaixamos, fingimos que ela está acima de nós
A mulher é o crioulo do planeta
Se não acredita em mim, olhe a que está com você
A mulher é a escrava dos escravos
Ah, sim... melhor gritar sobre isso
Fazemos ela suportar e educar nossas crianças
E então a largamos de vez por ser uma velha mãe gorducha
Dizemos que o lar é o único lugar para ela
E aí reclamamos que ela não é companhia civilizada
A mulher é o crioulo do planeta
Se não acredita em mim, olhe a que está com você
A mulher é a escrava dos escravos
Ah, sim... (pense sobre isso)
Insultamos ela todo dia na TV
E cogitamos por que ela não tem confiança
Quando é jovem, matamos seu desejo de ser livre
E enquanto dizemos para ela não ser inteligente demais
Rebaixamos ela por ser muito tolinha
A mulher é o crioulo do planeta
Sim ela é... se não acredita em mim,
Olhe a que está com você
A mulher é a escrava dos escravos
Sim ela é... se você acredita em mim,
É melhor gritar sobre isso
Fazemos ela pintar o rosto e dançar
Fazemos ela pintar o rosto e dançar
Fazemos ela pintar o rosto e dançar
domingo, maio 16, 2010
Revivificação do Credoencial das Águas Claras
Neste fim de semana, tivemos eu & Gianna Roland o prazer de receber em nossa casa o poeta e meu amigo-irmão William Crosué Teca, proprietário do blog TECATATAU.
Entre outras estripulias, articulamos a volta dos Dublês de Dublin, que deve ocorrer nas comemorações do próximo Bloomsday em Curitiba.
Aguardem maiores informações...
Por enquanto, fiquem com o texto da maviosa versão que fizemos desta emblemática canção do Creedence Clearwater Revival -- quem conhece pode cantar junto...:
*
NASCEU NO BANHADO
(Born on the Bayou, John Fogerty /
Creedence Clearwater Revival)
Quando eu era só um piá de bosta,
Da altura do pé do meu pai – ali,
O pai disse “filho, não durma de touca
Do jeito que eu dormi.”
Não se perca aí...
Não se perca por aí...
E um sete de setembro, eu me lembro,
Correndo lá no bosque, nu,
Ainda escuto meu velho guapeca
Latindo atrás de um vodu.
Latindo atrás de um vodu.
Nasceu no Banhado;
Nasceu no Banhado;
Nasceu no Banhado.
Queria chegar de volta ao banhado,
Rolasse uma princesa na mão,
Como se fosse um biarticulado
Descendo até o Boqueirão.
Descendo até o Boqueirão.
Nasceu no Banhado;
Nasceu no Banhado;
Nasceu no Banhado.
Versão brasileira:
Ivan Justen Santana & William Crosué Teca
Entre outras estripulias, articulamos a volta dos Dublês de Dublin, que deve ocorrer nas comemorações do próximo Bloomsday em Curitiba.
Aguardem maiores informações...
Por enquanto, fiquem com o texto da maviosa versão que fizemos desta emblemática canção do Creedence Clearwater Revival -- quem conhece pode cantar junto...:
*
NASCEU NO BANHADO
(Born on the Bayou, John Fogerty /
Creedence Clearwater Revival)
Quando eu era só um piá de bosta,
Da altura do pé do meu pai – ali,
O pai disse “filho, não durma de touca
Do jeito que eu dormi.”
Não se perca aí...
Não se perca por aí...
E um sete de setembro, eu me lembro,
Correndo lá no bosque, nu,
Ainda escuto meu velho guapeca
Latindo atrás de um vodu.
Latindo atrás de um vodu.
Nasceu no Banhado;
Nasceu no Banhado;
Nasceu no Banhado.
Queria chegar de volta ao banhado,
Rolasse uma princesa na mão,
Como se fosse um biarticulado
Descendo até o Boqueirão.
Descendo até o Boqueirão.
Nasceu no Banhado;
Nasceu no Banhado;
Nasceu no Banhado.
Versão brasileira:
Ivan Justen Santana & William Crosué Teca
quinta-feira, maio 13, 2010
E lá vai mais um poema de uma rima só, solando pela blogosfera...
*
ORA ORA ORA
Ora bolas – ora, ora:
se você vai indo embora
sem esporro senta espora
sempre nunca mais agora
na esperança da demora
e na fé que ao demo ora
minha cor já se descora.
Ora bolas – ora, ora:
hora que passou da hora,
verso que ficou na escora
e esta estrofe não melhora.
Rainha do frevo é Dora
mas se a Carmen mira e chora
eu sou mais ouvir a Aurora.
Ora bolas – ora, ora:
se mexer o molho gora
e não chega a Bora Bora.
Abra a caixa de Pandora:
se a canção você decora
na filosofia mora
e talhou sozinha a tora
por que busca dar o fora?
ORA ORA ORA
Ora bolas – ora, ora:
se você vai indo embora
sem esporro senta espora
sempre nunca mais agora
na esperança da demora
e na fé que ao demo ora
minha cor já se descora.
Ora bolas – ora, ora:
hora que passou da hora,
verso que ficou na escora
e esta estrofe não melhora.
Rainha do frevo é Dora
mas se a Carmen mira e chora
eu sou mais ouvir a Aurora.
Ora bolas – ora, ora:
se mexer o molho gora
e não chega a Bora Bora.
Abra a caixa de Pandora:
se a canção você decora
na filosofia mora
e talhou sozinha a tora
por que busca dar o fora?
terça-feira, maio 11, 2010
Ainda repercutindo o Curitiba 12 Horas...
Ainda estou vibrando com as energias do fim de semana. Convido vocês a passarem lá no blog do meu poeta camarada Luiz Felipe Leprevost, que também postou a respeito.
Pra quem não sabe do que estou falando: por gentileza, veja o texto e leia as fotos da postagem anterior.
E pra quem quer mais (sempre tem mais, e eu quero sempre maaaais!...), e também pra quem está chegando aqui pela primeira vez (dobrou a visitação deste blog: mais um dos efeitos-Curitiba-12-Horas:)
aí vai um poema inédito, que estreou no Paço Municipal, mas teve boa aceitação no Cajuru e no Bairro Novo...
PASSAGEM NEM SEQUER DE IDA...
Tudo começou como sempre no meio do caminho:
Eu estava ali feito quem não quer nada, sozinho.
Nada se acabava em quase nunca, mas era uma vez:
Só podia ser assim, falando em bom português –
A viagem via-se em muitos mapas, e não tinha escolta:
E daí? Daí eu vi que não ia mais ter volta.
O sim seria sim, sem sinsalabins nem abracadabras,
Portas e janelas se abriam com ou sem pés de cabras –
As guilhotinas caíam, as rotinas repetiam: era outono –
A brincadeira me dizia das dez tinas dum pão sem dono –
O ponto final não valia mais que uma frase solta:
E daí? Daí eu vi que não ia mais ter volta.
Achei Shakespeare, e também umas sereias em minha vida:
As mesmas trilhas de chegada também foram as de ida.
Por Camões nunca Dantes lidos, Homero em safa Safo se acabava
E meu cotovelo sempre ali, sofrendo de coceira brava.
Eu dormi conservador, acordei cheio de revolta:
E daí? Daí eu vi que não ia mais ter volta.
Sem mais enrolações, sem mais para o momento,
Li Orgulho e Preconceito, Guerra e Paz, o Tempo e o Vento –
Ri com James Joyce à sombra das mocinhas em flor
E Razão e Sensibilidade me trouxeram de novo ao amor.
Fui sabendo estar sujeito a mais alguma reviravolta:
E daí? Daí eu vi que não ia mais ter volta.
Faço ideia da cultura, do plantio e da colheita, de outra
Forma de dizer: fiz a semeadura e farei a recolta –
E daí?
Daí, no ensejo, ainda vejo: não vai mesmo ter mais volta.
Pra quem não sabe do que estou falando: por gentileza, veja o texto e leia as fotos da postagem anterior.
E pra quem quer mais (sempre tem mais, e eu quero sempre maaaais!...), e também pra quem está chegando aqui pela primeira vez (dobrou a visitação deste blog: mais um dos efeitos-Curitiba-12-Horas:)
aí vai um poema inédito, que estreou no Paço Municipal, mas teve boa aceitação no Cajuru e no Bairro Novo...
PASSAGEM NEM SEQUER DE IDA...
Tudo começou como sempre no meio do caminho:
Eu estava ali feito quem não quer nada, sozinho.
Nada se acabava em quase nunca, mas era uma vez:
Só podia ser assim, falando em bom português –
A viagem via-se em muitos mapas, e não tinha escolta:
E daí? Daí eu vi que não ia mais ter volta.
O sim seria sim, sem sinsalabins nem abracadabras,
Portas e janelas se abriam com ou sem pés de cabras –
As guilhotinas caíam, as rotinas repetiam: era outono –
A brincadeira me dizia das dez tinas dum pão sem dono –
O ponto final não valia mais que uma frase solta:
E daí? Daí eu vi que não ia mais ter volta.
Achei Shakespeare, e também umas sereias em minha vida:
As mesmas trilhas de chegada também foram as de ida.
Por Camões nunca Dantes lidos, Homero em safa Safo se acabava
E meu cotovelo sempre ali, sofrendo de coceira brava.
Eu dormi conservador, acordei cheio de revolta:
E daí? Daí eu vi que não ia mais ter volta.
Sem mais enrolações, sem mais para o momento,
Li Orgulho e Preconceito, Guerra e Paz, o Tempo e o Vento –
Ri com James Joyce à sombra das mocinhas em flor
E Razão e Sensibilidade me trouxeram de novo ao amor.
Fui sabendo estar sujeito a mais alguma reviravolta:
E daí? Daí eu vi que não ia mais ter volta.
Faço ideia da cultura, do plantio e da colheita, de outra
Forma de dizer: fiz a semeadura e farei a recolta –
E daí?
Daí, no ensejo, ainda vejo: não vai mesmo ter mais volta.
domingo, maio 09, 2010
Todos os espetáculos de ontem...
Hoje só posso registrar momentos mágicos:
no Parque dos Peladeiros, os casais dançando,
os Eles Mesmos detonando,
mesmo com o ginásio semivazio,
meus três comparsas poetas e eu,
mandando bala e nos divertindo
com aquela minoria esmagadora.
Depois, no Parque do Semeador,
chegamos e Batista de Pilar estava lá,
sacudindo a massa, comandando a festa.
Subimos ao palco, nós, é bom que se registre:
Jorge Barbosa (o do Irajá)
Edson de Vulcanis,
Luiz Felipe Leprevost
e este que vos escreve --
e o povo disse: sim, a gente gosta de poesia!
Posteriormente, assistimos à Relespública,
que realmente quebrou tudo,
subimos de novo ao palco e, por nossa vez,
também quebramos tudo de novo.
E veio o Blindagem, com o novo vocalista
reencarnando o Ivo e quebrando tudo novamente,
e então,
depois de tantos instantes impressionantes,
vieram os Mutantes, com os originais integrantes
Serginho na guitarra,
Dinho Paes Leme nas baquetas,
e os novos atualmente Mutantes
(tem um curitibano nessa parada)
e agora só posso terminar com o poema imediato
feito pelo Fábio Elias e por este que aqui delira
com pé firme na realidade:
A VIDA EM CURITIBA
pro Leminski, foi meio que uma pedreira.
A vida em Curitiba já foi um Prado Velho,
mas hoje está que é um Bairro Novo,
e nenhum Sítio Cercado,
nenhuma Barreirinha
nos impedirão de abrir este Portão:
Curitiba evolui a cada segundo
e hoje o símbolo da cidade
é o Novo Mundo!

Minha filha Rúbia e Sérgio Dias Baptista (foto: Gianna Roland)

Edson de Vulcanis, Jorge Barbosa, Luiz Felipe Leprevost e Ivan Justen Santana, no palco do Parque do Semeador, em Curitiba: a poesia é boa e o povo gosta! (foto: Gianna Roland)

Eu & Gianna (foto: Ivan)

Tietagem no camarim: Serginho e Gianna, após o espetáculo. (foto: Rúbia)
no Parque dos Peladeiros, os casais dançando,
os Eles Mesmos detonando,
mesmo com o ginásio semivazio,
meus três comparsas poetas e eu,
mandando bala e nos divertindo
com aquela minoria esmagadora.
Depois, no Parque do Semeador,
chegamos e Batista de Pilar estava lá,
sacudindo a massa, comandando a festa.
Subimos ao palco, nós, é bom que se registre:
Jorge Barbosa (o do Irajá)
Edson de Vulcanis,
Luiz Felipe Leprevost
e este que vos escreve --
e o povo disse: sim, a gente gosta de poesia!
Posteriormente, assistimos à Relespública,
que realmente quebrou tudo,
subimos de novo ao palco e, por nossa vez,
também quebramos tudo de novo.
E veio o Blindagem, com o novo vocalista
reencarnando o Ivo e quebrando tudo novamente,
e então,
depois de tantos instantes impressionantes,
vieram os Mutantes, com os originais integrantes
Serginho na guitarra,
Dinho Paes Leme nas baquetas,
e os novos atualmente Mutantes
(tem um curitibano nessa parada)
e agora só posso terminar com o poema imediato
feito pelo Fábio Elias e por este que aqui delira
com pé firme na realidade:
A VIDA EM CURITIBA
pro Leminski, foi meio que uma pedreira.
A vida em Curitiba já foi um Prado Velho,
mas hoje está que é um Bairro Novo,
e nenhum Sítio Cercado,
nenhuma Barreirinha
nos impedirão de abrir este Portão:
Curitiba evolui a cada segundo
e hoje o símbolo da cidade
é o Novo Mundo!
Minha filha Rúbia e Sérgio Dias Baptista (foto: Gianna Roland)
Edson de Vulcanis, Jorge Barbosa, Luiz Felipe Leprevost e Ivan Justen Santana, no palco do Parque do Semeador, em Curitiba: a poesia é boa e o povo gosta! (foto: Gianna Roland)
Eu & Gianna (foto: Ivan)
Serginho, em lótus espiritual com a guitarra, a meio metro de nós, encantando a multidão. (foto: Gianna)
Eu, incrédulo e em êxtase, naquele instante-Mutante. (foto: Gianna)
Tietagem no camarim: Serginho e Gianna, após o espetáculo. (foto: Rúbia)
terça-feira, maio 04, 2010
Pangur Bán, um felino trilíngue...
O poema original foi escrito em gaélico, e é atribuído a um monge irlandês, do século IX.
A tradução em inglês foi feita por Robin Flower.
Terminei esta versão brasileira hoje. Dedico a versão e a postagem a Ana Guimarães e seu blog O GOZO DA LETRA, no qual conheci este magnífico poema.
Pangur Bán
Pangur Bán
Pangur Ban
Messe agus Pangur Bán,
cechtar nathar fria shaindán:
bíth a menmasam fri seilgg,
mu menma céin im shaincheirdd.
I and Pangur Bán my cat
`Tis a like task we are at:
Hunting mice is his delight,
Hunting words I sit all night.
Eu e meu felino Pangur Ban,
Eis nossa filosofia vã:
Caçar ratinhos é seu deleite,
Caçando letras eu passo a noite.
Caraimse fos, ferr cach clú
oc mu lebrán, léir ingnu;
ní foirmtech frimm Pangur bán
caraid cesin a maccdán
Better far than praise of men
`Tis to sit with book and pen;
Pangur bears me no ill will
He too plies his simple skill
Muito melhor que aplauso mortal
É estar aqui com livro e penal;
Pangur concorda que a escolha é boa:
Na caça também se aperfeiçoa.
Ó ru biam, scél gan scís
innar tegdais, ar n-óendís,
táithiunn, díchríchide clius
ní fris tarddam ar n-áthius
'Tis a merry thing to see
At our tasks how glad are we,
When at home we sit and find
Entertainment to our mind.
Dá gosto ver a paixão feroz
Que dedicamos, os dois a sós,
Quando nos pomos alegremente
A contentar nosso corpo e mente.
Gnáth, húaraib, ar gressaib gal
glenaid luch inna línsam;
os mé, du-fuit im lín chéin
dliged ndoraid cu ndronchéill
Oftentimes a mouse will stray
In the hero Pangur`s way;
Oftentimes my keen thought set
Takes a meaning in its net.
Frequentemente um ratinho sói
Passar em frente a Pangur, o herói;
Frequentemente meu pensamento
Captura a ideia de um argumento.
Fúachaidsem fri frega fál
a rosc, a nglése comlán;
fúachimm chéin fri fégi fis
mu rosc réil, cesu imdis.
`Gainst the wall he sets his eye
Full and fierce and sharp and sly;
`Gainst the wall of knowledge I
All my little wisdom try.
Colado à parede, o gato vê
Com raro olho vivo, agudo em V;
Colado à parede do saber,
A percepção eu tento estender.
Fáelidsem cu ndéne dul
hi nglen luch inna gérchrub;
hi tucu cheist ndoraid ndil
os mé chene am fáelid.
When a mouse darts from its den,
O how glad is Pangur then!
O what gladness do I prove
When I solve the doubts I love!
Quando um ratinho surge da fresta
Ah, que alegria Pangur infesta!
Mesma alegria infesta meu eu
Se alguma questão se resolveu!
Cia beimmi a-min nach ré
ní derban cách a chéile
maith la cechtar nár a dán;
subaigthius a óenurán
So in peace our tasks we ply,
Pangur Bán, my cat, and I;
In our arts we find our bliss,
I have mine and he has his.
Assim, tranquilos, em santa paz,
Eu e Pangur, meu felino audaz,
Fruímos nossa iluminação,
Eu, no silêncio; ele, na ação.
Hé fesin as choimsid dáu;
in muid du-ngní cach óenláu;
du thabairt doraid du glé
for mu muid céin am messe.
Practice every day has made
Pangur perfect in his trade;
I get wisdom day and night
Turning darkness into light
A prática diária do exercício
Fez Pangur perfeito em seu ofício;
E, noite e dia, o saber me aduz
A transformar as trevas em luz.
Aistrithe ag Robin Flower
Translated by Robin Flower
Versão brasileira: Ivan Justen Santana
A tradução em inglês foi feita por Robin Flower.
Terminei esta versão brasileira hoje. Dedico a versão e a postagem a Ana Guimarães e seu blog O GOZO DA LETRA, no qual conheci este magnífico poema.
Pangur Bán
Pangur Bán
Pangur Ban
Messe agus Pangur Bán,
cechtar nathar fria shaindán:
bíth a menmasam fri seilgg,
mu menma céin im shaincheirdd.
I and Pangur Bán my cat
`Tis a like task we are at:
Hunting mice is his delight,
Hunting words I sit all night.
Eu e meu felino Pangur Ban,
Eis nossa filosofia vã:
Caçar ratinhos é seu deleite,
Caçando letras eu passo a noite.
Caraimse fos, ferr cach clú
oc mu lebrán, léir ingnu;
ní foirmtech frimm Pangur bán
caraid cesin a maccdán
Better far than praise of men
`Tis to sit with book and pen;
Pangur bears me no ill will
He too plies his simple skill
Muito melhor que aplauso mortal
É estar aqui com livro e penal;
Pangur concorda que a escolha é boa:
Na caça também se aperfeiçoa.
Ó ru biam, scél gan scís
innar tegdais, ar n-óendís,
táithiunn, díchríchide clius
ní fris tarddam ar n-áthius
'Tis a merry thing to see
At our tasks how glad are we,
When at home we sit and find
Entertainment to our mind.
Dá gosto ver a paixão feroz
Que dedicamos, os dois a sós,
Quando nos pomos alegremente
A contentar nosso corpo e mente.
Gnáth, húaraib, ar gressaib gal
glenaid luch inna línsam;
os mé, du-fuit im lín chéin
dliged ndoraid cu ndronchéill
Oftentimes a mouse will stray
In the hero Pangur`s way;
Oftentimes my keen thought set
Takes a meaning in its net.
Frequentemente um ratinho sói
Passar em frente a Pangur, o herói;
Frequentemente meu pensamento
Captura a ideia de um argumento.
Fúachaidsem fri frega fál
a rosc, a nglése comlán;
fúachimm chéin fri fégi fis
mu rosc réil, cesu imdis.
`Gainst the wall he sets his eye
Full and fierce and sharp and sly;
`Gainst the wall of knowledge I
All my little wisdom try.
Colado à parede, o gato vê
Com raro olho vivo, agudo em V;
Colado à parede do saber,
A percepção eu tento estender.
Fáelidsem cu ndéne dul
hi nglen luch inna gérchrub;
hi tucu cheist ndoraid ndil
os mé chene am fáelid.
When a mouse darts from its den,
O how glad is Pangur then!
O what gladness do I prove
When I solve the doubts I love!
Quando um ratinho surge da fresta
Ah, que alegria Pangur infesta!
Mesma alegria infesta meu eu
Se alguma questão se resolveu!
Cia beimmi a-min nach ré
ní derban cách a chéile
maith la cechtar nár a dán;
subaigthius a óenurán
So in peace our tasks we ply,
Pangur Bán, my cat, and I;
In our arts we find our bliss,
I have mine and he has his.
Assim, tranquilos, em santa paz,
Eu e Pangur, meu felino audaz,
Fruímos nossa iluminação,
Eu, no silêncio; ele, na ação.
Hé fesin as choimsid dáu;
in muid du-ngní cach óenláu;
du thabairt doraid du glé
for mu muid céin am messe.
Practice every day has made
Pangur perfect in his trade;
I get wisdom day and night
Turning darkness into light
A prática diária do exercício
Fez Pangur perfeito em seu ofício;
E, noite e dia, o saber me aduz
A transformar as trevas em luz.
Aistrithe ag Robin Flower
Translated by Robin Flower
Versão brasileira: Ivan Justen Santana
sexta-feira, abril 30, 2010
Um coração pulsando em verso alexandrino
Um dia uma mulher comeu meu coração
Mas aparentemente sem deglutição
Cuspido o coração mascado recobrou-se
Tanto fez tanto fosse acabar-se o seu doce.
Uma noite, num bar, novamente docinho,
Meu coração topou com outra no caminho:
Aquela era uma pedra mais suave, aguda,
E o coração ainda sem razão que acuda
De novo devorado amanheceu mais morto
Que vivo amortalhado em trapo roto e torto.
Mas hoje de manhã bateu que assim ou não
Pra sempre vai pulsar meu tolo coração...
Mas aparentemente sem deglutição
Cuspido o coração mascado recobrou-se
Tanto fez tanto fosse acabar-se o seu doce.
Uma noite, num bar, novamente docinho,
Meu coração topou com outra no caminho:
Aquela era uma pedra mais suave, aguda,
E o coração ainda sem razão que acuda
De novo devorado amanheceu mais morto
Que vivo amortalhado em trapo roto e torto.
Mas hoje de manhã bateu que assim ou não
Pra sempre vai pulsar meu tolo coração...
terça-feira, abril 27, 2010
HISTÓRIA UNIVERSAL DA VIRTUDE
No princípio era preguiça:
arregala-se de gula,
variando pra avareza,
sobe bárbara à soberba
mas mal raia as raias da raiva
vê que a inveja vinha da ira
chamejando de luxúria.
Já roxa, cheia de úmida humildade,
chega ao meio do caminho:
topa a tempo a temperança,
pensa e passa à sapiência,
confortável fortaleza,
onde ajusta-se,
justiça.
Por fim, descansa.
Esperança, cara a cara
com a cara caridade,
com amor sente-se fé:
virtude como nunca,
como nunca está
simplesmente é.
arregala-se de gula,
variando pra avareza,
sobe bárbara à soberba
mas mal raia as raias da raiva
vê que a inveja vinha da ira
chamejando de luxúria.
Já roxa, cheia de úmida humildade,
chega ao meio do caminho:
topa a tempo a temperança,
pensa e passa à sapiência,
confortável fortaleza,
onde ajusta-se,
justiça.
Por fim, descansa.
Esperança, cara a cara
com a cara caridade,
com amor sente-se fé:
virtude como nunca,
como nunca está
simplesmente é.
sexta-feira, abril 23, 2010
Aproveitando o ensejo da data, um soneto-atletiba...
Hoje é aniversário de William Shakespeare. Como deixei passarem batidos o Tiradentes e o Achamento do Brasil, postarei um soneto dialogado em homenagem indireta ao bardo inglês (pois versa-se aqui sobre o "rude esporte bretão", o velho futeba, para os íntimos, que não chamam a bola de senhora...).
Este soneto tem a seguinte breve história: meu grande amigo Thadeu, em toda a sua grande perfeição poética, possui o grave defeito de ser um coxa-branca (torcedor do Coritiba F.C.).
Eu, Atleticano (do Clube Atlético Paranaense), constatei o seguinte soneto no blog do Thadeu, e resolvi replicar, tanto mais que, quando ameacei, ele riu: "Quanto à resposta ao soneto, acho que não deixei brecha. Hehehehe…."
Portanto, aqui vai a resposta, Thadeu: aproveitando cada brecha, de cada verso...
______Atletiba
Não sei quase nada sobre isso tudo:
___Sem essa! Sei que você sabe tudo:
carrões, grana, poder. Sei da amizade,
___manja carrões, poder, grana e amizade.
essa alma gêmea do amor, da verdade.
___Divagando mais sobre amor, verdade
Com o resto, cansei e não me iludo.
___e o resto, você ilude como iludo.
Sou coxa-branca todo mundo sabe.
___O atleticano aqui realmente sabe.
Se sou louco de pedra e nunca mudo
___Louco de pedra? Quase fiquei mudo...
é porque com um pouco mais de estudo
___Agora melhorou: fala de estudo –
não tinha tanto porco na cidade.
___mas traz mais porcaria pra cidade.
A porcarada torce o nosso rabo
___Os próprios porcos torcem vosso rabo:
e na mesma medida nós, o dela.
___vossa torcida paga a boca dela,
Uma sem a outra e as duas vão a cabo.
___vossa pocilga é que foi quase ao cabo.
Torço e distorço, mas de sentinela,
___Da distorção, não senti nada nela,
pois um pouco de sarro, de bom grado,
___mas realmente o sarro, de bom grado,
cabe aos dois times de meia-tigela!
___cabe aos dois times de meia-tigela!
Antonio Thadeu Wojciechowski
___Ivan Justen Santana
Este soneto tem a seguinte breve história: meu grande amigo Thadeu, em toda a sua grande perfeição poética, possui o grave defeito de ser um coxa-branca (torcedor do Coritiba F.C.).
Eu, Atleticano (do Clube Atlético Paranaense), constatei o seguinte soneto no blog do Thadeu, e resolvi replicar, tanto mais que, quando ameacei, ele riu: "Quanto à resposta ao soneto, acho que não deixei brecha. Hehehehe…."
Portanto, aqui vai a resposta, Thadeu: aproveitando cada brecha, de cada verso...
______Atletiba
Não sei quase nada sobre isso tudo:
___Sem essa! Sei que você sabe tudo:
carrões, grana, poder. Sei da amizade,
___manja carrões, poder, grana e amizade.
essa alma gêmea do amor, da verdade.
___Divagando mais sobre amor, verdade
Com o resto, cansei e não me iludo.
___e o resto, você ilude como iludo.
Sou coxa-branca todo mundo sabe.
___O atleticano aqui realmente sabe.
Se sou louco de pedra e nunca mudo
___Louco de pedra? Quase fiquei mudo...
é porque com um pouco mais de estudo
___Agora melhorou: fala de estudo –
não tinha tanto porco na cidade.
___mas traz mais porcaria pra cidade.
A porcarada torce o nosso rabo
___Os próprios porcos torcem vosso rabo:
e na mesma medida nós, o dela.
___vossa torcida paga a boca dela,
Uma sem a outra e as duas vão a cabo.
___vossa pocilga é que foi quase ao cabo.
Torço e distorço, mas de sentinela,
___Da distorção, não senti nada nela,
pois um pouco de sarro, de bom grado,
___mas realmente o sarro, de bom grado,
cabe aos dois times de meia-tigela!
___cabe aos dois times de meia-tigela!
Antonio Thadeu Wojciechowski
___Ivan Justen Santana
sábado, abril 17, 2010
Como Uma Pedra Rolante
você vestida de xadrez
mão de vaca pros mendigos
sendo eleita a miss do mês
diga?!
o povo todo já xaveca
"te cuida aí, boneca,
tua caranga um dia breca"
você achava isso meleca
inveja das amigas
você só
gargalhava
das pessoas
suas escravas
e agora a sua voz sumiu
e agora o seu tom vazio
vem naquela velha fala
que prossegue na batalha
pelo próximo filé
como é que é?!
como é que é!?
ser sem terra em transe
completamente mutante
como uma pedra rolante
você foi aluna
da melhor escola
Senhorita Solitária
contudo já não cola
você sabe só ficava lá
enchendo a cara
ninguém nunca mostrou
como viver longe do lar
e agora você vê que vai ter
que se acostumar a
você sempre dizia
que jamais se renderia
pro malaco do mistério
e agora você nem pia
vê que ele não vende
qualquer guia
e sob os olhos vazios
você somente espia
perguntando sobre o trato
quanto você quer
como é que é?!
como é que é!?
ser sem terra em transe
sem caminho adiante
completamente mutante
como uma pedra rolante
você nunca olhou em volta
pra notar a cara torta
dos palhaços da patota
quando vinham fazer
truques pra você
nunca compreendeu
que não fez o seu
e não tinha um Romeu
pra Julieta que você quis ser
você cavalgava um hipocromo
com o seu diplomata
o qual levava nos ombros
uma gata acrobata
e agora você percebe
como a vida é ingrata
não tinha selo ou moeda
aquele numismata
que levou de você tudo que pôde
até mesmo a fé
como é que é?!
como é que é!?
ser sem terra em transe
sem caminho adiante
completamente mutante
como uma pedra rolante
a princesa está na torre
e o povo lindo quase morre
nesta festa bebe e pensa
que se garantiu por cima
vai trocando todo o tipo
de presentes e coisinhas
mas segure o bracelete
empenhe esse diamante, mina
você costumava
ficar tão encantada
com o Napoleão dos farrapos
e as frases que ele usava
vá pra ele agora
compareça à sua chamada
quando você não tem nada
você não tem nada a perder
você é invisível agora
não restou nenhum segredo em pé
como é que é?!
como é que é!?
ser sem terra em transe
sem caminho adiante
completamente mutante
como uma pedra rolante
(Like a Rolling Stone,
de Bob Dylan,
em versão brasileira de
Ivan Justen Santana)
quarta-feira, abril 14, 2010
ETERNA FEMININA
A mulher, a que afresca o teto do meu crânio
E algarismou meu alfabeto extemporâneo,
A sempiterna e carinhosa companhia
Cujo espinho de cor-de-rosa me amacia
E me amalgama o barro em lava incandescente –
Se me chama, me amarro, sem trava aparente;
Se me incita, e excita a cítara mais avara,
Ela compartilha o todo que amealhara –
Feliz combinação de forma e de intenção:
Um triz de distração na norma rigorosa,
Um quê de seriedade em meio à desrazão,
Um O de boca, um U de bunda, um A de rosa,
__Um E de bela, um I de indecisivamente,
__Que ilude, molha, frisa e ameniza a mente.
Francisco Cardoso
Ivan Justen Santana
E algarismou meu alfabeto extemporâneo,
A sempiterna e carinhosa companhia
Cujo espinho de cor-de-rosa me amacia
E me amalgama o barro em lava incandescente –
Se me chama, me amarro, sem trava aparente;
Se me incita, e excita a cítara mais avara,
Ela compartilha o todo que amealhara –
Feliz combinação de forma e de intenção:
Um triz de distração na norma rigorosa,
Um quê de seriedade em meio à desrazão,
Um O de boca, um U de bunda, um A de rosa,
__Um E de bela, um I de indecisivamente,
__Que ilude, molha, frisa e ameniza a mente.
Francisco Cardoso
Ivan Justen Santana
terça-feira, abril 13, 2010
A GRANDE VERDADE (curta-metragem)
mentira tem perna curta
porém cabeça imensa
que pensa que pensa
mentira tem perna curta
mas chuta a tua canela
machuca, esfola, esgoela
estupra, assassina, furta
mentira tem perna curta
mas se procuro a verdade
também acho
minha perna meio curta
e se eu forçar minha cabeça
esta
pequena e tensa
nem sequer pensa que pensa:
dispensa a pretensa presença
despreza sua força abrupta
esquece qualquer perna curta
fica sem nenhuma sentença
semissuspensa
e surta
porém cabeça imensa
que pensa que pensa
mentira tem perna curta
mas chuta a tua canela
machuca, esfola, esgoela
estupra, assassina, furta
mentira tem perna curta
mas se procuro a verdade
também acho
minha perna meio curta
e se eu forçar minha cabeça
esta
pequena e tensa
nem sequer pensa que pensa:
dispensa a pretensa presença
despreza sua força abrupta
esquece qualquer perna curta
fica sem nenhuma sentença
semissuspensa
e surta
sexta-feira, abril 09, 2010
VERSOS AOS VIVOS
Eu não consigo acreditar muito em morte
mas creio sim no delírio retrospectivo:
então hoje acordei, tirei a sorte,
vi que ainda tem sim muita wood no estoque
e que, feito o Leminski, o Ivo continua vivo.
mas creio sim no delírio retrospectivo:
então hoje acordei, tirei a sorte,
vi que ainda tem sim muita wood no estoque
e que, feito o Leminski, o Ivo continua vivo.
segunda-feira, abril 05, 2010
DIÁLOGO PARA A CONVERSÃO DE CASSIANO RICARDO
terça-feira, março 30, 2010
UM CASO IMPACTANTE E SURPREENDENTE
*
Há muito tempo, numa galáxia bem, bem distante,
vivia uma era-uma-vez com um feliz-para-sempre.
Os dois faziam um casal bem bacana e elegante,
e tinham um rebento extremamente inteligente.
Mas entretanto porém contudo não inobstante
e todavia outrossim apesar de tão somente,
a criança deles cresceu totalmente demente,
pois se tratava de um verdadeiro clichê ambulante
e lá eles abusavam dos clichês constantemente...
Há muito tempo, numa galáxia bem, bem distante,
vivia uma era-uma-vez com um feliz-para-sempre.
Os dois faziam um casal bem bacana e elegante,
e tinham um rebento extremamente inteligente.
Mas entretanto porém contudo não inobstante
e todavia outrossim apesar de tão somente,
a criança deles cresceu totalmente demente,
pois se tratava de um verdadeiro clichê ambulante
e lá eles abusavam dos clichês constantemente...
segunda-feira, março 29, 2010
MAIS VERSINHOS AOS VINTE E NOVE DE MARÇO
Curitímida Curitilônia,
Culturistúbula Romiritiba,
Pinheiralma Ipecedônia:
A tua alma maldita de Medeia
Ainda guarda algo de Palas Ateneia
E ainda se escuta aqui – penal, vina, leite quente –
Nesta urbe experimental que tem um cu na frente.
Curitímida Curitilônia,
Culturistúbula Romiritiba,
Pinheiralma Ipecedônia:
Entre uma Pindamonhangaba e uma Paris,
Tu continuas Curitiba por um triz –
E este piá, que já te viu branca de neve,
Hoje é mais um poeta que te escreve –
Feliz aniversário.
Culturistúbula Romiritiba,
Pinheiralma Ipecedônia:
A tua alma maldita de Medeia
Ainda guarda algo de Palas Ateneia
E ainda se escuta aqui – penal, vina, leite quente –
Nesta urbe experimental que tem um cu na frente.
Curitímida Curitilônia,
Culturistúbula Romiritiba,
Pinheiralma Ipecedônia:
Entre uma Pindamonhangaba e uma Paris,
Tu continuas Curitiba por um triz –
E este piá, que já te viu branca de neve,
Hoje é mais um poeta que te escreve –
Feliz aniversário.
sexta-feira, março 26, 2010
PALINCEPSESTO SOBRE 'O PRADO E A FADA'
posso escrever sobre um
poema _ ser suficiente
algum verso parente
amanhandrágora agora
osgas de picuinhos securibudos
sempre menos tudo
augures, emerges
Atlântida volta ao mundo
algum mais um
opaco
aquário de arcos
asteroides
tudo, sempre menos a hipótese
o sentido
estação do pânico
que flutua pela balaustrada:
já estamos juntos em Astrália
poema _ ser suficiente
algum verso parente
amanhandrágora agora
osgas de picuinhos securibudos
sempre menos tudo
augures, emerges
Atlântida volta ao mundo
algum mais um
opaco
aquário de arcos
asteroides
tudo, sempre menos a hipótese
o sentido
estação do pânico
que flutua pela balaustrada:
já estamos juntos em Astrália
****
Zoe e demais leitoras e leitores deste blog:
considerem este poema um convite e uma intimação para comparecerem, neste Sábado (27/03), às 16h, ao café do Paço da Liberdade (o novo SESC em Curitiba, no edifício histórico restaurado na Praça Generoso Marques), para conferir a récita que faremos eu e o poeta Rodolfo Jaruga. Quem chegar por último é mulher do padre!
considerem este poema um convite e uma intimação para comparecerem, neste Sábado (27/03), às 16h, ao café do Paço da Liberdade (o novo SESC em Curitiba, no edifício histórico restaurado na Praça Generoso Marques), para conferir a récita que faremos eu e o poeta Rodolfo Jaruga. Quem chegar por último é mulher do padre!
quarta-feira, março 24, 2010
UM CASO TELEVISIVO (projeto de poemaconto)
Era uma vez um relacionamento amoroso
do tipo "telenovela de ótima qualidade":
mais raro do que o choro do palhaço Bozo,
hoje casos assim só existem na saudade.
O cara, um sujeito lampeiro e faceiro,
pulava a cerca e posava de Roque Santeiro.
A garota, por sua vez, retorcia a saia
e ficava ali com uma cara de Saramandaia.
Mas apesar da grande audiência babando ovo,
nenhum dos dois valia a pena ver de novo.
O horário nobre, óbvio, cada vez mais pobre.
E tudo acabou sem casamento nem sim.
Fim.
do tipo "telenovela de ótima qualidade":
mais raro do que o choro do palhaço Bozo,
hoje casos assim só existem na saudade.
O cara, um sujeito lampeiro e faceiro,
pulava a cerca e posava de Roque Santeiro.
A garota, por sua vez, retorcia a saia
e ficava ali com uma cara de Saramandaia.
Mas apesar da grande audiência babando ovo,
nenhum dos dois valia a pena ver de novo.
O horário nobre, óbvio, cada vez mais pobre.
E tudo acabou sem casamento nem sim.
Fim.
segunda-feira, março 22, 2010
UM POETA JÁ CÉLEBRE CELEBRA SEU CAMARADINHA ANIVERSARIANTE, QUE ASSIM DEVOLVE A SAUDAÇÃO...
Versos ao Poeta
Para Ivan Justen
Certo, ninguém podia adivinhar,
Nasceu com dom, elã divino,
Mescla de dor e riso, som de sino
E água, palavra, menino a sonhar.
Coisa feita, de berço, solto no ar,
Como se o poeta fosse um caminho
Que por estar entre a flor e o espinho
A grande maioria quer desviar.
Estamos sós, mas isso é o de menos,
A mão do poeta escreve mesmo torto,
Quando seus versos não são pequenos.
Sei, pra ressuscitar esteve morto.
Mas, agora, andando sobre as mágoas,
O poeta, como um deus, ri de suas lágrimas!
Antonio Thadeu Wojciechowski
***
Devolvendo o toque de bate-pronto...
Devolvendo o toque de bate-pronto,
ainda sob o efeito deste soneto,
(ou foi sob o soneto deste efeito?)
que me deixou (e já sou) meio tonto,
confesso que fiquei até sem jeito
pra agradecer da maneira que encontro
mais própria a tão grande amigo. Aqui apronto
este poema de metro suspeito,
que não chega nem perto da catega
à qual a homenagem acima chega.
Tributo a mim? Na verdade, não faço
jus a tais versos. Neles, o Thadeu
refletiu, além do tempo e do espaço,
a poesia, que aqui agradeceu.
Ivan Justen Santana
Para Ivan Justen
Certo, ninguém podia adivinhar,
Nasceu com dom, elã divino,
Mescla de dor e riso, som de sino
E água, palavra, menino a sonhar.
Coisa feita, de berço, solto no ar,
Como se o poeta fosse um caminho
Que por estar entre a flor e o espinho
A grande maioria quer desviar.
Estamos sós, mas isso é o de menos,
A mão do poeta escreve mesmo torto,
Quando seus versos não são pequenos.
Sei, pra ressuscitar esteve morto.
Mas, agora, andando sobre as mágoas,
O poeta, como um deus, ri de suas lágrimas!
Antonio Thadeu Wojciechowski
***
Devolvendo o toque de bate-pronto...
Devolvendo o toque de bate-pronto,
ainda sob o efeito deste soneto,
(ou foi sob o soneto deste efeito?)
que me deixou (e já sou) meio tonto,
confesso que fiquei até sem jeito
pra agradecer da maneira que encontro
mais própria a tão grande amigo. Aqui apronto
este poema de metro suspeito,
que não chega nem perto da catega
à qual a homenagem acima chega.
Tributo a mim? Na verdade, não faço
jus a tais versos. Neles, o Thadeu
refletiu, além do tempo e do espaço,
a poesia, que aqui agradeceu.
Ivan Justen Santana
quarta-feira, março 17, 2010
DICIONÁRIO ANALÓGICO DE RIMAS PRA LÍVIA & OS PIÁ DE PRÉDIO
Um dia conheci um poeta andarilho chamado Édio,
Édio Vargas – comprei o livreto dele, ligeiro meio-médio,
mas agora versarei pra banda Lívia e os piá de prédio.
Não quero dar alívio a nenhum ouvido médio,
nem ceder a alguma acídia ou a qualquer assédio,
pois meu verso em melodia mixolídia o próprio metro mede-o.
Remedeia minha ideia uma Medeia morta de tédio,
mastigando um serôdio sorédio e um cipripédio epimédio,
muito nítido e nédio, como um argumento em promédio.
Essa Medeia me instiga sobremaneira a ser seu estapédio
evitando, entretanto, um patropédio, um monoginopédio
ou ainda mesmo (Parcas me acudam!) um patroginopédio.
Minha Medeia inspiradora devoraria um osteopédio
mas também casar-se-ia, se ele fosse um litopédio,
com um ursinho teddy boy marino durante um quinquédio.
Desse casamento poderia surgir um fruto lacepédio,
com um pé de escamédio e um androceu selenipédio,
sobre o qual voaria um coleóptero pentâmero ampédio.
Se eu reunisse esses delírios em forma de macédio
(digamos, neste “poemacédio") e em caractere palamédio
descrevesse tudo isso sob ponto de vista planipédio,
eu mostraria domínio linguístico mais que intermédio,
pois sempre chamei center-half de centromédio
e ao futebol prefiro o cognome arcaico: ludopédio.
Assim, fingindo e fazendo, esgotadas as rimas em -édio,
não me resta outra saída e realmente “não tem mais remédio”:
o piá poeta aqui rendeu tributo a Lívia e os piá de prédio.
Édio Vargas – comprei o livreto dele, ligeiro meio-médio,
mas agora versarei pra banda Lívia e os piá de prédio.
Não quero dar alívio a nenhum ouvido médio,
nem ceder a alguma acídia ou a qualquer assédio,
pois meu verso em melodia mixolídia o próprio metro mede-o.
Remedeia minha ideia uma Medeia morta de tédio,
mastigando um serôdio sorédio e um cipripédio epimédio,
muito nítido e nédio, como um argumento em promédio.
Essa Medeia me instiga sobremaneira a ser seu estapédio
evitando, entretanto, um patropédio, um monoginopédio
ou ainda mesmo (Parcas me acudam!) um patroginopédio.
Minha Medeia inspiradora devoraria um osteopédio
mas também casar-se-ia, se ele fosse um litopédio,
com um ursinho teddy boy marino durante um quinquédio.
Desse casamento poderia surgir um fruto lacepédio,
com um pé de escamédio e um androceu selenipédio,
sobre o qual voaria um coleóptero pentâmero ampédio.
Se eu reunisse esses delírios em forma de macédio
(digamos, neste “poemacédio") e em caractere palamédio
descrevesse tudo isso sob ponto de vista planipédio,
eu mostraria domínio linguístico mais que intermédio,
pois sempre chamei center-half de centromédio
e ao futebol prefiro o cognome arcaico: ludopédio.
Assim, fingindo e fazendo, esgotadas as rimas em -édio,
não me resta outra saída e realmente “não tem mais remédio”:
o piá poeta aqui rendeu tributo a Lívia e os piá de prédio.
segunda-feira, março 15, 2010
DOIS POEMAS DUMA RIMA SÓ, EVOCATIVOS E PREPARATÓRIOS...
*
*
*
PORQUE EU SEMPRE QUIS USAR ESTA RIMA:
nem a rima assim camufla
a tristeza que se insufla
quando uma asa torta rufla
_______________________
LISTRA SINISTRA
você já não se administra
quando uma vozinha sinistra
ao modo daquela ministra
diz: te risquei da minha listra...
*
*
PORQUE EU SEMPRE QUIS USAR ESTA RIMA:
nem a rima assim camufla
a tristeza que se insufla
quando uma asa torta rufla
_______________________
LISTRA SINISTRA
você já não se administra
quando uma vozinha sinistra
ao modo daquela ministra
diz: te risquei da minha listra...
quarta-feira, março 10, 2010
MAIS UM POEMA PARA CURITIBA

(Foto: Lina Faria - Não lugar)
À ESTÁTUA DE CURITIBA NO PAÇO DA LIBERDADE
(também dedicado à fotógrafa Lina Faria
e a Bárbara Kirchner e seu
Curitiba é um copo vazio cheio de frio)
Estáutua de Curitiba,
(ou melhor, antes, por outra:)
estátua de Curitiba,
única representação antropomórfica
da nossa cidade, tão querida e antiga
Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais,
conforme versou Leminski rezando,
ou antes, melhor, por outra:
conforme rezou Leminski versando:
imprecisa premissa
(alguma coisa em mim também
não quer que Curitiba mude)
tende piedade de nós!
Prezada Estáutua:
eu te vi e te mostrei a uma criança,
e disse: “olhe, aquela é uma Afrodite Nikeia,
uma Vênus vencedora, uma Palas Ateneia
após a vitória sobre os gigantes,
sentada num trono,
portando a tocha olímpica da liberdade
e da verdade”,
e isso é mesmo verdade:
mais que um arco, é um triunfo,
o fofo triunfo final da inteligência
dominando a força bruta.
Querida Estáutua,
eu só queria te dizer:
nossa Curitiba tem andado muito bruta,
mas continua bonita
e agora mais animada
também por enquanto,
enquanto como uma fruta.
E até este meu trocadilho idiota
enfeita tua vida
que faria muita falta,
ó Curitiba,
minha linda e sábia estáutua.
Eu quis muito te dizer isto
nesta radiosa e azul manhã.
De um dos teus poetas,
o vadio e operoso
Ivan
segunda-feira, março 08, 2010
E MAIS UM DYLAN PROMETIDO A UM CAMARADA...
o mui prezado r.m. pediu:
então aqui estão
MINHAS CONTRACAPAS
(MY BACK PAGES)
_____________Bob Dylan
Flamas carmesins entre as orelhas
Trançando armadilhas maquiavélicas
Fogo me caçou em flamejantes estradas
Usava como mapas as minhas ideias
“Logo bateremos de frente”, eu disse
O orgulho as faces ardentes provem.
Mas eu era tão mais velho então
E agora sou muito mais jovem.
Pulou adiante um preconceito semidestruído
“Rasgue o ódio até a raiz”, eu urrei
Mentiras da vida ser em preto e branco
Falaram de dentro do meu crânio. Sonhei
Fatos românticos de mosqueteiros
Com profundas bases que os promovem.
Mas eu era tão mais velho então
E agora sou muito mais jovem.
Faces de garotas formaram o caminho
Partindo da inveja fingida
Até memorizar toda a política
Contida na história antiga
Despejada por evangelistas-cadáveres
Que no inconsciente das massas se dissolvem.
Mas eu era tão mais velho então
E agora sou muito mais jovem.
Uma língua de professor autodiplomado
Muito séria pra qualquer enrolação
Jorrou que a liberdade é
Só igualdade na educação
“Igualdade”, eu disse a palavra
Como votos nupciais que se renovem.
Mas eu era tão mais velho então
E agora sou muito mais jovem.
Em pose de soldado, apontei o braço
Aos vira-latas da pregação
Sem temer me tornar meu inimigo
No instante em que fizesse o sermão
Meu caminho guiado por confusos barcos
Motins de popa a proa o comovem.
Mas eu era tão mais velho então
E agora sou muito mais jovem.
Sim, fiquei alerta às ameaças abstratas
Nobres demais pra desperceber
Elas me iludiram um dia a cogitar
Que eu tinha alguma coisa a proteger
Bem e mal, defino-os com clareza:
De algum jeito esses termos se resolvem.
Mas eu era tão mais velho então
E agora sou muito mais jovem.
Versão brasileira: Ivan Justen Santana
então aqui estão
MINHAS CONTRACAPAS
(MY BACK PAGES)
_____________Bob Dylan
Flamas carmesins entre as orelhas
Trançando armadilhas maquiavélicas
Fogo me caçou em flamejantes estradas
Usava como mapas as minhas ideias
“Logo bateremos de frente”, eu disse
O orgulho as faces ardentes provem.
Mas eu era tão mais velho então
E agora sou muito mais jovem.
Pulou adiante um preconceito semidestruído
“Rasgue o ódio até a raiz”, eu urrei
Mentiras da vida ser em preto e branco
Falaram de dentro do meu crânio. Sonhei
Fatos românticos de mosqueteiros
Com profundas bases que os promovem.
Mas eu era tão mais velho então
E agora sou muito mais jovem.
Faces de garotas formaram o caminho
Partindo da inveja fingida
Até memorizar toda a política
Contida na história antiga
Despejada por evangelistas-cadáveres
Que no inconsciente das massas se dissolvem.
Mas eu era tão mais velho então
E agora sou muito mais jovem.
Uma língua de professor autodiplomado
Muito séria pra qualquer enrolação
Jorrou que a liberdade é
Só igualdade na educação
“Igualdade”, eu disse a palavra
Como votos nupciais que se renovem.
Mas eu era tão mais velho então
E agora sou muito mais jovem.
Em pose de soldado, apontei o braço
Aos vira-latas da pregação
Sem temer me tornar meu inimigo
No instante em que fizesse o sermão
Meu caminho guiado por confusos barcos
Motins de popa a proa o comovem.
Mas eu era tão mais velho então
E agora sou muito mais jovem.
Sim, fiquei alerta às ameaças abstratas
Nobres demais pra desperceber
Elas me iludiram um dia a cogitar
Que eu tinha alguma coisa a proteger
Bem e mal, defino-os com clareza:
De algum jeito esses termos se resolvem.
Mas eu era tão mais velho então
E agora sou muito mais jovem.
Versão brasileira: Ivan Justen Santana
sábado, março 06, 2010
MAIS UMA CELEBRAÇÃO CURITIBANA...
______GIANNA
______MARIA
_____NADOLNY
______ROLAND:
minha inspiração não se engana
mesmo fazendo assim essa poesia
ao seu nome. Tu és um sol, “ni-
versariando” hoje, iluminan-
do meu dia e minha semana,
mês e ano, me dando alegria
(mesmo sem rima legal ao nome)
e me fazendo o mais feliz Ivan
de todos os Ivans do mundo:
um beijo sincero e longo e profundo
(como não daria poeta algum) do
seu amado Ivan
para você: Gianna Maria Nadolny Roland
______MARIA
_____NADOLNY
______ROLAND:
minha inspiração não se engana
mesmo fazendo assim essa poesia
ao seu nome. Tu és um sol, “ni-
versariando” hoje, iluminan-
do meu dia e minha semana,
mês e ano, me dando alegria
(mesmo sem rima legal ao nome)
e me fazendo o mais feliz Ivan
de todos os Ivans do mundo:
um beijo sincero e longo e profundo
(como não daria poeta algum) do
seu amado Ivan
para você: Gianna Maria Nadolny Roland
domingo, fevereiro 28, 2010
BOB DYLAN, VOLTANDO AQUI EM GRANDE ESTYLAN...
(ou melhor: EM GRANDE ESTILO, desculpem pelo trocadallen robertado de zimmerman...)
Esta postagem é dedicada a Luiz Felipe Leprevost, que sugeriu e depois cobrou:
– Lepre, taí o que você queria... Que tal?
A ALA DOS DESCONSOLADOS
(DESOLATION ROW)
_________________Bob Dylan
Vendem-se postais do enforcamento
Pintam-se os passaportes de marrom
O salão de beleza lotou de marinheiros
E esses dias o circo chegou
Lá vem o comissário cego
Mantido em transe permanente
Uma mão atada ao cara da corda bamba
A outra nas suas calças de sempre
E a tropa de choque está inquieta
Precisam ser movimentados
Enquanto Lady e eu observamos
Da Ala dos Desconsolados
Cinderela parece tão acessível
“Os iguais se reconhecem”, sorri ela
E põe as mãos nos bolsos de trás
Feito uma Bette Davis Cinderela
Entra Romeo, gemendo queixas
“Acho que eu sou teu proprietário”
E alguém diz, “Lugar errado, amigo,
Saia sem pagar de otário”
E o único som que sobra
Após sirenes e ossos quebrados
É Cinderela fazendo a faxina
Na Ala dos Desconsolados
Agora a lua está quase oculta
Estrelas se velam em segredo
Mesmo a dama que lê a sorte
Levou suas coisas pra dentro
Todos menos Caim e Abel
E o corcunda de Notre Dame
Todos estão fazendo amor
Ou esperando a tempestade
E o Bom Samaritano veste-se
Tomando todos os cuidados
Ele vai sair no desfile desta noite
Na Ala dos Desconsolados
Ofélia está embaixo da janela
Confesso que temo muito por ela
Após completar vinte e dois anos
Já é uma solteirona velha
Pra ela, a morte é bem romântica
E ela veste um colete blindado
Sua profissão é a sua religião
Sua inação é o seu pecado
E embora ao arco-íris de Noé
Os olhos dela estejam fixados
Ela gasta seu tempo espreitando
A Ala dos Desconsolados
Einstein, disfarçado de Robin Hood
Leva as memórias num baú
Passou por aqui uma hora atrás
Com seu amigo, um monge cru
Parecia tão imaculadamente assustador
Enquanto filava um cigarro
E aí saiu farejando canos de esgoto
E recitando um ABC bizarro
Você nem se incomodaria em vê-lo
Mas ele já foi famoso por esses lados
Tocava um violino elétrico
Na Ala dos Desconsolados
O Dr. Sujeira mantém seu mundo
Dentro dum caneco de couro
E todos os seus pacientes sem sexo
Querem estourar aquele couro
A enfermeira, uma triste qualquer
Administra o cianureto aos traumas
Ela também guarda os cartões que dizem
“Tende piedade desta alma”
Eles todos brincam com apitinhos
Pode-se ouvi-los a soprá-los
Se esticar a cabeça pra fora o suficiente
Da Ala dos Desconsolados
Do outro lado da rua, pregam cortinas
E se preparam prum bacanal
Pois então é o Fantasma da Ópera
A perfeita imagem sacerdotal
Alimentam Casanova às colheradas
Pra ele se sentir mais à vontade
E aí o matarão de autoconfiança
Depois de o envenenarem com frases
E o Fantasma grita às magricelas
“Sumam daqui os que ficaram abalados
Pois Casanova foi punido por ter ido
À Ala dos Desconsolados”
À meia-noite todos os agentes
E a equipe de super-homens
Saem à cata de todas as pessoas
Que sabem mais que os supers podem
Então levam-nas até a fábrica
Onde a máquina de enfarte
É afivelada aos ombros delas
E logo depois eles trazem
O querosene dos castelos
E dos Seguros os homens magros
Vêm conferir que ninguém escapa
Da Ala dos Desconsolados
Seja louvado o Netuno de Nero
O Titanic navega à aurora
E agora todo mundo grita
“De qual lado você mora?”
E Ezra Pound e T. S. Eliot
Lutam na torre de controle
Enquanto calipsocantores riem deles
E pescadores trazem flores
Ali entre as janelas do oceano
Onde sereias têm seus prados
E ninguém precisa pensar muito
Na Ala dos Desconsolados
Sim, recebi sua carta ontem
(Foi quando quebrou a maçaneta)
Me perguntar se estou indo bem
Foi algum tipo de brincadeira?
Todos esses que você menciona
Sim, eu conheço, são uns toscos
Tive que lhes dar nomes diferentes
E rearranjar todos os seus rostos
Agora eu já não leio mais tão bem
Não mande mais estes seus recados
A não ser que sejam remetidos
Da Ala dos Desconsolados
Versão brasileira:
Ivan Justen Santana
Esta postagem é dedicada a Luiz Felipe Leprevost, que sugeriu e depois cobrou:
– Lepre, taí o que você queria... Que tal?
A ALA DOS DESCONSOLADOS
(DESOLATION ROW)
_________________Bob Dylan
Vendem-se postais do enforcamento
Pintam-se os passaportes de marrom
O salão de beleza lotou de marinheiros
E esses dias o circo chegou
Lá vem o comissário cego
Mantido em transe permanente
Uma mão atada ao cara da corda bamba
A outra nas suas calças de sempre
E a tropa de choque está inquieta
Precisam ser movimentados
Enquanto Lady e eu observamos
Da Ala dos Desconsolados
Cinderela parece tão acessível
“Os iguais se reconhecem”, sorri ela
E põe as mãos nos bolsos de trás
Feito uma Bette Davis Cinderela
Entra Romeo, gemendo queixas
“Acho que eu sou teu proprietário”
E alguém diz, “Lugar errado, amigo,
Saia sem pagar de otário”
E o único som que sobra
Após sirenes e ossos quebrados
É Cinderela fazendo a faxina
Na Ala dos Desconsolados
Agora a lua está quase oculta
Estrelas se velam em segredo
Mesmo a dama que lê a sorte
Levou suas coisas pra dentro
Todos menos Caim e Abel
E o corcunda de Notre Dame
Todos estão fazendo amor
Ou esperando a tempestade
E o Bom Samaritano veste-se
Tomando todos os cuidados
Ele vai sair no desfile desta noite
Na Ala dos Desconsolados
Ofélia está embaixo da janela
Confesso que temo muito por ela
Após completar vinte e dois anos
Já é uma solteirona velha
Pra ela, a morte é bem romântica
E ela veste um colete blindado
Sua profissão é a sua religião
Sua inação é o seu pecado
E embora ao arco-íris de Noé
Os olhos dela estejam fixados
Ela gasta seu tempo espreitando
A Ala dos Desconsolados
Einstein, disfarçado de Robin Hood
Leva as memórias num baú
Passou por aqui uma hora atrás
Com seu amigo, um monge cru
Parecia tão imaculadamente assustador
Enquanto filava um cigarro
E aí saiu farejando canos de esgoto
E recitando um ABC bizarro
Você nem se incomodaria em vê-lo
Mas ele já foi famoso por esses lados
Tocava um violino elétrico
Na Ala dos Desconsolados
O Dr. Sujeira mantém seu mundo
Dentro dum caneco de couro
E todos os seus pacientes sem sexo
Querem estourar aquele couro
A enfermeira, uma triste qualquer
Administra o cianureto aos traumas
Ela também guarda os cartões que dizem
“Tende piedade desta alma”
Eles todos brincam com apitinhos
Pode-se ouvi-los a soprá-los
Se esticar a cabeça pra fora o suficiente
Da Ala dos Desconsolados
Do outro lado da rua, pregam cortinas
E se preparam prum bacanal
Pois então é o Fantasma da Ópera
A perfeita imagem sacerdotal
Alimentam Casanova às colheradas
Pra ele se sentir mais à vontade
E aí o matarão de autoconfiança
Depois de o envenenarem com frases
E o Fantasma grita às magricelas
“Sumam daqui os que ficaram abalados
Pois Casanova foi punido por ter ido
À Ala dos Desconsolados”
À meia-noite todos os agentes
E a equipe de super-homens
Saem à cata de todas as pessoas
Que sabem mais que os supers podem
Então levam-nas até a fábrica
Onde a máquina de enfarte
É afivelada aos ombros delas
E logo depois eles trazem
O querosene dos castelos
E dos Seguros os homens magros
Vêm conferir que ninguém escapa
Da Ala dos Desconsolados
Seja louvado o Netuno de Nero
O Titanic navega à aurora
E agora todo mundo grita
“De qual lado você mora?”
E Ezra Pound e T. S. Eliot
Lutam na torre de controle
Enquanto calipsocantores riem deles
E pescadores trazem flores
Ali entre as janelas do oceano
Onde sereias têm seus prados
E ninguém precisa pensar muito
Na Ala dos Desconsolados
Sim, recebi sua carta ontem
(Foi quando quebrou a maçaneta)
Me perguntar se estou indo bem
Foi algum tipo de brincadeira?
Todos esses que você menciona
Sim, eu conheço, são uns toscos
Tive que lhes dar nomes diferentes
E rearranjar todos os seus rostos
Agora eu já não leio mais tão bem
Não mande mais estes seus recados
A não ser que sejam remetidos
Da Ala dos Desconsolados
Versão brasileira:
Ivan Justen Santana
sábado, fevereiro 27, 2010
MAIS UMA POESIA FICÇÃO CIENTÍFICA PROFÉTICA REALIDADE ABSOLUTA
(só que dessa vez é distopia, porque o frio me secou a euforia)
O MUSEU DO MAUSOLÉU
esse é o desenho foto filme
animação jogo virtual
do nosso tempo
estamos no museu do mausoléu
não tema:
a morte não existe mais
e acabou-se o fim de tudo
tudo está e será sempre
novamente registrado
como nunca
essa é a nova lei
ou melhor
o velho postulado:
já não existe mais morte possível
todo cadáver será exumado
tudo que importa e não importa
será razão de sobra e ao lado
pra consagrar a alguma academia
e superar todo mal entendido
tudo merece a atenção
de quem quer que seja
e nada mais se perderá
pois alguém sempre quer rever de novo
basicamente todo mundo
qualquer coisa pode ser importante
contanto que seja qualquer coisa
o corpo é descartável
e a alma sumiu
mas ninguém mais acha
ninguém mais acha necessária
a morte já morreu
a indesejada foi assassinada
pela permanência eterna de tudo
mas principalmente de nada
o epílogo de tudo nada disso
não é inferno purgatório ou paraíso
e nem sequer é um mero céu
já não seria mais que um não epílogo
reencenando este nem não diálogo
de mim comigo e com um de mim eu
fazendo a dança de nenhum véu
aqui
no museu
do mausoléu
O MUSEU DO MAUSOLÉU
esse é o desenho foto filme
animação jogo virtual
do nosso tempo
estamos no museu do mausoléu
não tema:
a morte não existe mais
e acabou-se o fim de tudo
tudo está e será sempre
novamente registrado
como nunca
essa é a nova lei
ou melhor
o velho postulado:
já não existe mais morte possível
todo cadáver será exumado
tudo que importa e não importa
será razão de sobra e ao lado
pra consagrar a alguma academia
e superar todo mal entendido
tudo merece a atenção
de quem quer que seja
e nada mais se perderá
pois alguém sempre quer rever de novo
basicamente todo mundo
qualquer coisa pode ser importante
contanto que seja qualquer coisa
o corpo é descartável
e a alma sumiu
mas ninguém mais acha
ninguém mais acha necessária
a morte já morreu
a indesejada foi assassinada
pela permanência eterna de tudo
mas principalmente de nada
o epílogo de tudo nada disso
não é inferno purgatório ou paraíso
e nem sequer é um mero céu
já não seria mais que um não epílogo
reencenando este nem não diálogo
de mim comigo e com um de mim eu
fazendo a dança de nenhum véu
aqui
no museu
do mausoléu
terça-feira, fevereiro 23, 2010
INSPIRANDO-ME... (O TÍTULO NÃO COUBE AQUI, ENTÃO ESTE É O PRÉ-TÍTULO) ...
INSPIRANDO-ME NUM HIPOTÉTICO FUTURO TURISMO LÍTERO-POÉTICO, QUANDO PEREGRINOS DE TODAS AS PLAGAS DA GALÁXIA VIRIAM (VIRÃO?) A CURITIBA PARA CONHECER A TERRA EM QUE PONTIFICARAM MARCOS PRADO, DALTON TREVISAN, PAULO LEMINSKI, DARIO VELLOZO, EMILIANO PERNETA ET CATERVA (SEM ESQUECER AS DAMAS, HELENA KOLODY À FRENTE DAS MOCINHAS DA CIDADE...), E TAMBÉM DIANTE DAS ABSOLUTAS REVELAÇÕES EPIFÂNICAS QUE TIVE EM NOSSO CARNAVALZINHO MULTITUDINÁRIO DOS GARIBALDIS & SACIS (AOS DOMINGOS DE JANEIRO E FEVEREIRO NO LARGO DA ORDEM) E NA GALANTÍSSIMA FESTA POPULAR (A QUADRA CULTURAL) NA RUA PAULA GOMES, NO DIA 20/02/2010, QUANDO, PARA CELEBRAR A MEMÓRIA DE PENA BRANCA, O MUI BATUTA "MAGRÃO" ARLINDO VENTURA ORQUESTROU INSOFISMÁVEIS E ESMERADOS ARTISTAS – ESPINHO DA ROSEIRA, FABIO ELIAS, GENTE BOA DA MELHOR QUALIDADE, LAMARÃO & A BANDA DE UM DIA, ÍRIA BRAGA & MULUNGU, PAULINHO CATARINENSE & VIOLEIROS DA CANJA DE VIOLA, O POETA PAULO BEARZOTI FILHO, O ATOR E CINEASTA JOTA ÊME (OU MELHOR, ROBERTO CARLOS), OS VIOLONISTAS ARNALDO FREITAS & RAFAEL SCHIMIDT, VIOLA QUEBRADA, IRMÃS GALVÃO – AOS QUAIS HOMENAGEIO TODOS NA PESSOA DE MEU XARÁ IVAN GRACIANO, PROGÊNIE DE BELARMINO & GABRIELA –, ENFIM, INSPIRANDO-ME EM TODOS ESSES E TUDO ISSO, EU, IVAN JUSTEN SANTANA, CURITIBANO, ESCREVO OS SEGUINTES VERSOS DE CONVITE UNIVERSAL A ESTA CIDADE DE CURITIBA (versos mimicrizados em estilo e modos do poeta SÉRGIO VIRALOBOS)
Vocês querem Prado?
Velho Dalton? Lema? Dario não?
De artistas que tais assim há necessidade?
Não dou nem um dado:
Passo logo uma procuração:
Distribuo o molho de chaves da cidade:
Usem com cuidado,
Apreciem com moderação,
E saboreiem com responsabilidade...
Vocês querem Prado?
Velho Dalton? Lema? Dario não?
De artistas que tais assim há necessidade?
Não dou nem um dado:
Passo logo uma procuração:
Distribuo o molho de chaves da cidade:
Usem com cuidado,
Apreciem com moderação,
E saboreiem com responsabilidade...
quarta-feira, fevereiro 17, 2010
ARCO-ÍRIS NA QUARTA-FEIRA DE CINZAS
A foto ilustrativa desta postagem veio das lentes de Gilson Camargo, fotógrafo que mantém o belo blog Olhar Comum.
Gilson captou Thadeu puxando o Rancho das Flores, no desfile de domingo de carnaval, em Curitiba.
Já eu, captei a foto do Gilson e muito atrasado lhe dou o devido crédito...
Quando fazem um scaps assim com alguma tradução eu fico uma arara, então vou fazer atos de contrição nesta quaresma, pelo meu saque imperdoável ao Gilson...
Nosso grande amigo Antonio Thadeu Wojciechowski nos dedicou hoje um poema inefável - desvanecidos replicamos lá e repostamos aqui:
fênix para uma quarta-feira de cinzas
ao ivan e gianna
perguntam-me quem sou
coração? mente? sol? soul?
e sei, sou de tudo um pouco
poeta, santo, profeta, louco
artífice de mim, me conheço
me faço onde me aconteço
são os outros minha ternura
e não a minha envergadura
amigos fiz para toda a vida
ida na subida e na descida
e aconteça o que acontecer
todo dia será dia de colher
sim, abri mão das sementes
como os versos estão contentes!
e já que estamos aqui nessa lida
vamos brindar à nossa vida!
um tanto mais de luz e céu
e deciframos a língua de babel
hoje, juntos, damos as tintas
arco-íris na quarta-feira de cinzas!
Antonio Thadeu Wojciechowski
- QUERIDO AMIGO THADEU:
com versos em tão humana língua angelical
você nos fez muito mais que um carnaval -
eu rio dessas rimas que aqui engancho
ao perceber você aí puxando o rancho -
sua poesia vem de cima, e no entanto atinge
todos, ilumina e decifra toda e qualquer esfinge -
só nos resta fazer nossas as suas lindas
palavras descabeladoras de ranzinzas -
“hoje, juntos, damos as tintas
arco-íris na quarta-feira de cinzas!”
Ivan & Gianna
Gilson captou Thadeu puxando o Rancho das Flores, no desfile de domingo de carnaval, em Curitiba.
Já eu, captei a foto do Gilson e muito atrasado lhe dou o devido crédito...
Quando fazem um scaps assim com alguma tradução eu fico uma arara, então vou fazer atos de contrição nesta quaresma, pelo meu saque imperdoável ao Gilson...
Nosso grande amigo Antonio Thadeu Wojciechowski nos dedicou hoje um poema inefável - desvanecidos replicamos lá e repostamos aqui:
fênix para uma quarta-feira de cinzas
ao ivan e gianna
perguntam-me quem sou
coração? mente? sol? soul?
e sei, sou de tudo um pouco
poeta, santo, profeta, louco
artífice de mim, me conheço
me faço onde me aconteço
são os outros minha ternura
e não a minha envergadura
amigos fiz para toda a vida
ida na subida e na descida
e aconteça o que acontecer
todo dia será dia de colher
sim, abri mão das sementes
como os versos estão contentes!
e já que estamos aqui nessa lida
vamos brindar à nossa vida!
um tanto mais de luz e céu
e deciframos a língua de babel
hoje, juntos, damos as tintas
arco-íris na quarta-feira de cinzas!
Antonio Thadeu Wojciechowski
- QUERIDO AMIGO THADEU:
com versos em tão humana língua angelical
você nos fez muito mais que um carnaval -
eu rio dessas rimas que aqui engancho
ao perceber você aí puxando o rancho -
sua poesia vem de cima, e no entanto atinge
todos, ilumina e decifra toda e qualquer esfinge -
só nos resta fazer nossas as suas lindas
palavras descabeladoras de ranzinzas -
“hoje, juntos, damos as tintas
arco-íris na quarta-feira de cinzas!”
Ivan & Gianna
terça-feira, fevereiro 09, 2010
CARRASCO DE SI E DE MIM
Assim como depois do sol a tempestade
Encharca muito mais – feito ébrio que recai
E estraga o carnaval no abuso da vontade –
Assim degringolou o filho de meu pai.
Não sei quem fui que fez, só sei que sei de cor
A dor de me perder e ser quem mais não sou,
Pois meu saber foi mal, dos bons foi o pior
Se eu errei por querer e acertei no meu gol.
Seria necessário o sim virar um não
Ao beque tão mané que quebra o próprio pé,
Se achando algum herói – pagando de vilão:
Espectador basbaque, em fila atrás de si,
Repete lá e ali, repete a si e a ré
Como quem diz de novo: esse filme eu já vi.
Encharca muito mais – feito ébrio que recai
E estraga o carnaval no abuso da vontade –
Assim degringolou o filho de meu pai.
Não sei quem fui que fez, só sei que sei de cor
A dor de me perder e ser quem mais não sou,
Pois meu saber foi mal, dos bons foi o pior
Se eu errei por querer e acertei no meu gol.
Seria necessário o sim virar um não
Ao beque tão mané que quebra o próprio pé,
Se achando algum herói – pagando de vilão:
Espectador basbaque, em fila atrás de si,
Repete lá e ali, repete a si e a ré
Como quem diz de novo: esse filme eu já vi.
sexta-feira, janeiro 29, 2010
DE NATAL A JOÃO PESSOA – DE JOÃO PESSOA A NATAL
Chegamos a Natal em mês de festa
Pois Natal vive em festa o ano inteiro:
Suas paisagens são feito seresta
E mais não fosse de Janeiro o mês
Todo mês em Natal é mês festeiro,
Todo dia em Natal, dia de Reis.
A chegada a Natal, para quem chega
E se depara com a Ponta Negra,
A quem, parco poeta, flagra ali
O mar de Cotovelo e Pirangi,
E redescobre em si sua alma a nu,
Sentindo o quanto o coração se agita
Subindo as dunas de Genipabu,
Perlustrando as pedras de Santa Rita,
Enfim, a este verboso cantador,
Que no Nordeste purgou com suor
A dor de ser assim seja onde for,
Essa ideia-rima vem tão banal
Mas nunca surgiria diferente
Pois, do passado ao futuro, Natal
É realmente bem mais que um presente.
Neste estado do Rio Grande do Norte
Ficamos eu e minha nega Gianna
Em êxtase por esta enorme sorte
De vosso bardo Ivan Justen Santana,
Pois lá tivemos um tão grande aporte
Da parte do pai da dita Gianna:
Márcio Roland, anfitrião galante
E então feliz aniversariante.
Márcio e sua bela Waleska Maux
Nos receberam com comes e bebes –
Cervas, caranguejos, nada faltou
Para tornar nossas almas mais leves.
Já os corpos... Bem, foram repletos
Na hospitalidade dos muitos tetos:
Nos lares de Artúnio, pai de Waleska,
E Herildo, bom amigo desta mestra.
Merece uma menção especial
A praia em que ficamos por dois dias,
Após sair saudosos de Natal:
Foi lá que vi falésias, fantasias
De paisagens, de miragens, e as fadas
Flutuando pelas casas e pousadas –
Lá o azul era um azul mais azul:
Na Praia da Pipa, em Tibau do Sul.
Lá, sorvendo sururus e cervejas,
Confesso que sofri certas invejas
Pois à mesa chegou um cantador
Cujo nome, disse ele, era Saraiva.
Cantou tão bem este improvisador
Que, sorrindo, no fundo senti raiva,
Largada agora, ao provar meu valor
Nestes versos, em vã arte maior.
Agora vou falar de outra cidade
Onde curtimos muitos bons momentos
E quando eu tiver mais felicidade
Versarei ainda mais sobre tais tempos.
Mas chega de versar e rimar em decassílabos
Que já cansei de oitavações que tais –
As rimas podem ficar lá com os ílabos
Das sílabas dos vates ancestrais.
João Pessoa é uma cidade linda,
Não pela específica pessoa deste João,
Mas por todas e quaisqueres – as de lá – pessoas,
Afinal, para este alguém que sim também
Pois não e pois então sou um Ivan,
Sou um Jean, sou um Johann, e sou um John,
Sou Giovanni, Iokanan, e sou João.
João Pessoa é uma cidade linda
Assim também por sua maneira brejeira,
No som com que seu nome ressoa
E a faz ser ainda mais que capital da Paraíba
Pois lá, a este modesto cidadão de Curitiba,
A vida foi tão bela, tão bela e tão boa
Naquela dita cidadela de João Pessoa.
Lá curtimos de relance um show de Pitty –
E por mais que essa lembrança à Gianna irrite
Vou confessar: a mim esta cantora
Revela-se simples, requintada compositora.
Declaro então, emprestando dum seu refrão
Uma palavra que, fofa ou feia, não me incomoda:
A Pitty é realmente muito foda.
E assim eu verso respeitando a regra
Ou mesmo me largando dela sem arranco,
Compondo em forma que ao ouvido alegra
Seja em sonora rima, seja em verso branco.
E ainda que a consoante perca a prega
Ou que as palavras se repitam, o final é franco:
Salve a beleza potiguar na Ponta Negra –
Salve o sossego paraibano em Cabo Branco!
Pois Natal vive em festa o ano inteiro:
Suas paisagens são feito seresta
E mais não fosse de Janeiro o mês
Todo mês em Natal é mês festeiro,
Todo dia em Natal, dia de Reis.
A chegada a Natal, para quem chega
E se depara com a Ponta Negra,
A quem, parco poeta, flagra ali
O mar de Cotovelo e Pirangi,
E redescobre em si sua alma a nu,
Sentindo o quanto o coração se agita
Subindo as dunas de Genipabu,
Perlustrando as pedras de Santa Rita,
Enfim, a este verboso cantador,
Que no Nordeste purgou com suor
A dor de ser assim seja onde for,
Essa ideia-rima vem tão banal
Mas nunca surgiria diferente
Pois, do passado ao futuro, Natal
É realmente bem mais que um presente.
Neste estado do Rio Grande do Norte
Ficamos eu e minha nega Gianna
Em êxtase por esta enorme sorte
De vosso bardo Ivan Justen Santana,
Pois lá tivemos um tão grande aporte
Da parte do pai da dita Gianna:
Márcio Roland, anfitrião galante
E então feliz aniversariante.
Márcio e sua bela Waleska Maux
Nos receberam com comes e bebes –
Cervas, caranguejos, nada faltou
Para tornar nossas almas mais leves.
Já os corpos... Bem, foram repletos
Na hospitalidade dos muitos tetos:
Nos lares de Artúnio, pai de Waleska,
E Herildo, bom amigo desta mestra.
Merece uma menção especial
A praia em que ficamos por dois dias,
Após sair saudosos de Natal:
Foi lá que vi falésias, fantasias
De paisagens, de miragens, e as fadas
Flutuando pelas casas e pousadas –
Lá o azul era um azul mais azul:
Na Praia da Pipa, em Tibau do Sul.
Lá, sorvendo sururus e cervejas,
Confesso que sofri certas invejas
Pois à mesa chegou um cantador
Cujo nome, disse ele, era Saraiva.
Cantou tão bem este improvisador
Que, sorrindo, no fundo senti raiva,
Largada agora, ao provar meu valor
Nestes versos, em vã arte maior.
Agora vou falar de outra cidade
Onde curtimos muitos bons momentos
E quando eu tiver mais felicidade
Versarei ainda mais sobre tais tempos.
Mas chega de versar e rimar em decassílabos
Que já cansei de oitavações que tais –
As rimas podem ficar lá com os ílabos
Das sílabas dos vates ancestrais.
João Pessoa é uma cidade linda,
Não pela específica pessoa deste João,
Mas por todas e quaisqueres – as de lá – pessoas,
Afinal, para este alguém que sim também
Pois não e pois então sou um Ivan,
Sou um Jean, sou um Johann, e sou um John,
Sou Giovanni, Iokanan, e sou João.
João Pessoa é uma cidade linda
Assim também por sua maneira brejeira,
No som com que seu nome ressoa
E a faz ser ainda mais que capital da Paraíba
Pois lá, a este modesto cidadão de Curitiba,
A vida foi tão bela, tão bela e tão boa
Naquela dita cidadela de João Pessoa.
Lá curtimos de relance um show de Pitty –
E por mais que essa lembrança à Gianna irrite
Vou confessar: a mim esta cantora
Revela-se simples, requintada compositora.
Declaro então, emprestando dum seu refrão
Uma palavra que, fofa ou feia, não me incomoda:
A Pitty é realmente muito foda.
E assim eu verso respeitando a regra
Ou mesmo me largando dela sem arranco,
Compondo em forma que ao ouvido alegra
Seja em sonora rima, seja em verso branco.
E ainda que a consoante perca a prega
Ou que as palavras se repitam, o final é franco:
Salve a beleza potiguar na Ponta Negra –
Salve o sossego paraibano em Cabo Branco!
sexta-feira, janeiro 22, 2010
POSTANDO POR POSTAR (ou UM CABRA DA PESTE NO NORDESTE...)
quarta-feira, janeiro 06, 2010
segunda-feira, dezembro 28, 2009
UM PRESENTE AO MEU AMIGO FILIPPO, QUE PEDIU E VAI LEVAR
Subterrâneo Banzo Blues
Johnny no subsolo
Manipula os ingredientes
Enquanto eu aqui no térreo
Penso em nossos governantes
O homem do capote
Sem emblema nem emprego
Diz que o troço só deu tosse
Exige troco ou arrego
Cuidado, guri
Você fez alguma aqui
Aprontou sabe Deus quando
E outra vez vem me enrolando
Melhor agachar no beco
Pra ver se acha um novo amigo
O homem do chapéu felpudo
Muita pinta e bem marrudo
Quer trocar nota graúda
Você só tem dez miúdas
Maga vem ligeira
Cara cheia de fuligem
Diz que um x-9 de aplique
Plantou miques no tabique
Mas já tem grampo na linha
Maga tá de conversinha
Que eles vinham em tal dia
Ordens da promotoria
Cuidado, guri
Não estamos nem aí
Ande na ponta dos pés
Sem rebite no café
Melhor evitar manés
Jatos d’água e boa fé
Mantenha o nariz limpo
Verifique o figurino
Não precisa olhar pra cima
Pra saber qual é o clima
Fique ruim, fique bom
Cole lá no poço ou
Toque um som, nesse tom
Pode ser que venda algum
Tente mais, tome um baile
Volte atrás, escreva em Braille
Seja preso, fuja triste
Se falhar então se aliste
Cuidado, guri
Ainda atiram em ti
Usuários, salafrários
Perdedores perdulários
Enchem cines e teatros
Garota em redemoinho
Já procura outro cretino
Não confie em sufrágios
Saiba os preços dos pedágios
Nasça, cresça, se aqueça e não esqueça
Calça curta, escaramuça
Num romance dance rumba
Troque a roupa, faça a crisma
Tente vencer nesta vida
Presenteie ambos os sexos
Com bilhetes em anexo
Não furte nas lojas
Vinte anos de escola
E você ganha essa esmola
Cuidado, guri
Dissimulam mas eu vi
Pule logo num esgoto
Acenda incensos de sândalo
Não use sandálias, evite os escândalos
Não queira ser um pixote
Antes sim mascar chiclete
A bomba não funciona
Foi depredada pelos bandos de vândalos
Bob Dylan
Subterranean Homesick Blues,
versão brasileira:
Ivan Justen Santana,
em oferenda a Filippo Mandarino
...
(outro link recomendável, a propósito)
Johnny no subsolo
Manipula os ingredientes
Enquanto eu aqui no térreo
Penso em nossos governantes
O homem do capote
Sem emblema nem emprego
Diz que o troço só deu tosse
Exige troco ou arrego
Cuidado, guri
Você fez alguma aqui
Aprontou sabe Deus quando
E outra vez vem me enrolando
Melhor agachar no beco
Pra ver se acha um novo amigo
O homem do chapéu felpudo
Muita pinta e bem marrudo
Quer trocar nota graúda
Você só tem dez miúdas
Maga vem ligeira
Cara cheia de fuligem
Diz que um x-9 de aplique
Plantou miques no tabique
Mas já tem grampo na linha
Maga tá de conversinha
Que eles vinham em tal dia
Ordens da promotoria
Cuidado, guri
Não estamos nem aí
Ande na ponta dos pés
Sem rebite no café
Melhor evitar manés
Jatos d’água e boa fé
Mantenha o nariz limpo
Verifique o figurino
Não precisa olhar pra cima
Pra saber qual é o clima
Fique ruim, fique bom
Cole lá no poço ou
Toque um som, nesse tom
Pode ser que venda algum
Tente mais, tome um baile
Volte atrás, escreva em Braille
Seja preso, fuja triste
Se falhar então se aliste
Cuidado, guri
Ainda atiram em ti
Usuários, salafrários
Perdedores perdulários
Enchem cines e teatros
Garota em redemoinho
Já procura outro cretino
Não confie em sufrágios
Saiba os preços dos pedágios
Nasça, cresça, se aqueça e não esqueça
Calça curta, escaramuça
Num romance dance rumba
Troque a roupa, faça a crisma
Tente vencer nesta vida
Presenteie ambos os sexos
Com bilhetes em anexo
Não furte nas lojas
Vinte anos de escola
E você ganha essa esmola
Cuidado, guri
Dissimulam mas eu vi
Pule logo num esgoto
Acenda incensos de sândalo
Não use sandálias, evite os escândalos
Não queira ser um pixote
Antes sim mascar chiclete
A bomba não funciona
Foi depredada pelos bandos de vândalos
Bob Dylan
Subterranean Homesick Blues,
versão brasileira:
Ivan Justen Santana,
em oferenda a Filippo Mandarino
...
(outro link recomendável, a propósito)
segunda-feira, dezembro 14, 2009
COMO UM DYLAN DEPOIS DO OUTRO...
– Isso não é coisa que se Dylan,
mas eu adylanmito: sou um dylantante
e curto Cobain ficar me fazendo de Bob...
Afinal, Dylan-me com quem Thomas
e Roberte-ei quem és...
– Argh, Ivan! Não faça aZimmerman...
– Tá bom, então, já que like a rolling estou,
juro que este é o último dos trocadylans...
[E aqui vai mais um Dylan (di)vertido a vocês:]
AMOR MENOS ZERO / INFINITO
(LOVE MINUS ZERO/NO LIMIT)
O meu amor, ela fala silenciosamente,
sem ideais, pacificamente,
não precisa ser abertamente fiel.
Igual ao gelo, igual ao fogo ela fala–
tem pessoas que fazem um escarcéu:
rosas, promessas, bilhetes,
e o meu amor, ela ri em ramalhetes–
paqueradores não podem comprá-la.
Nos pontos de ônibus e nas lojas de conveniência
as pessoas se enchem mutuamente a paciência,
leem livros, repetem poetas,
tiram conclusões em excesso.
Alguns falam como se fossem profetas
e o meu amor, ela delicadamente anota:
–nenhum sucesso é mais que a derrota
e a derrota não é nenhum sucesso.
O romântico chora e se descabela,
a madame acende uma vela–
nas promoções da cavalaria
até os peões amargam desilusões.
Estátuas feitas com palitinhos
desabam umas sobre as outras.
Meu amor pisca e nem se incomoda,
ela sabe demais pra achar as razões.
A ponte à meia-noite balança,
o médico rural vagueia e se cansa,
a sobrinha do banqueiro busca o sublime,
esperando reis magos virem presenteá-la.
O vento uiva como um crime.
A noite é fria e o dia, chuvoso.
E meu amor, ela é como um corvo
de asa quebrada pousado na minha sala.
Bob Dylan
Versão brasileira: Ivan Justen Santana
mas eu adylanmito: sou um dylantante
e curto Cobain ficar me fazendo de Bob...
Afinal, Dylan-me com quem Thomas
e Roberte-ei quem és...
– Argh, Ivan! Não faça aZimmerman...
– Tá bom, então, já que like a rolling estou,
juro que este é o último dos trocadylans...
[E aqui vai mais um Dylan (di)vertido a vocês:]
AMOR MENOS ZERO / INFINITO
(LOVE MINUS ZERO/NO LIMIT)
O meu amor, ela fala silenciosamente,
sem ideais, pacificamente,
não precisa ser abertamente fiel.
Igual ao gelo, igual ao fogo ela fala–
tem pessoas que fazem um escarcéu:
rosas, promessas, bilhetes,
e o meu amor, ela ri em ramalhetes–
paqueradores não podem comprá-la.
Nos pontos de ônibus e nas lojas de conveniência
as pessoas se enchem mutuamente a paciência,
leem livros, repetem poetas,
tiram conclusões em excesso.
Alguns falam como se fossem profetas
e o meu amor, ela delicadamente anota:
–nenhum sucesso é mais que a derrota
e a derrota não é nenhum sucesso.
O romântico chora e se descabela,
a madame acende uma vela–
nas promoções da cavalaria
até os peões amargam desilusões.
Estátuas feitas com palitinhos
desabam umas sobre as outras.
Meu amor pisca e nem se incomoda,
ela sabe demais pra achar as razões.
A ponte à meia-noite balança,
o médico rural vagueia e se cansa,
a sobrinha do banqueiro busca o sublime,
esperando reis magos virem presenteá-la.
O vento uiva como um crime.
A noite é fria e o dia, chuvoso.
E meu amor, ela é como um corvo
de asa quebrada pousado na minha sala.
Bob Dylan
Versão brasileira: Ivan Justen Santana
domingo, novembro 29, 2009
TÁ TUDO CERTO, MÃE (SÓ ESTOU SANGRANDO)
(It´s Alright, Ma, I´m Only Bleeding)
Ao raiar do meio-dia, a escuridão
Assombra até a lâmina feita à mão,
A colher de prata, o bebê e o balão,
Eclipsa a lua e o sol no chão,
Não adianta nem buscar razão:
Você sabe que não está entendendo.
Ameaças agudas lançadas ao ar,
Declarações suicidas a se rasgar,
Porta-voz de ouro-de-tolo a cornetar
Palavras gastas que só vêm provar:
Quem não está nascendo por lá
Está ocupado ali morrendo.
O pajem da tentação sai pela janela,
Você vai atrás e se acha em guerra,
A cascata piedosa rosna e berra,
Você quer berrar, mas não é mais aquela
Pessoa que achava que você era,
É só mais um gemendo.
Então se um ruído esquisito
Ressoar aí no seu ouvido
Tá tudo certo, mãe, é só meu lamento.
Alguns cantam glória e outros, derrota,
Grandes ou não, razões sempre próprias
São vistas nos olhos daqueles que forçam
E arrastam as pessoas pra serem mortas
Enquanto outros dizem: somente o ódio
Deve ser odiado.
Palavras cínicas disparam em uivos
De deuses humanos criando seus mundos
Com armas de brinquedo feitas pra adultos
E Cristos coloridos que brilham no escuro,
É fácil perceber, sem procurar muito:
Hoje nada mais é sagrado.
Pregadores pregam um destino infeliz,
Professores professam o saber da raiz,
O mapa da mina no quadro de giz,
A bondade se esconde na própria matriz
Mas até o presidente de um grande país
Às vezes precisa andar pelado.
E se a regra do jogo está fora de alcance
É só se desviar de quem faz o lance
E tá tudo certo, mãe, dou conta do recado.
Propagandas te levando a mal,
A pensar que só você é que é o tal
Que pode mais que qualquer mortal
E que merece o mais sensacional
Enquanto isso a vida vai normal
E você nem vê.
Você se perde e se encontra de novo,
Súbito quer ser um pouco mais corajoso,
Sozinho você vai pra longe do povo
Quando uma voz em tom cavernoso
Surpreende o seu ouvido em repouso
E diz achar mesmo que achou você.
Uma pergunta bate à sua porta
Mas você sabe que não tem resposta
Pra assegurar que algo ainda importa,
Pra que a verdade seja toda exposta:
Não há coisa ou pessoa, viva ou morta
A quem você deva pertencer.
E apesar dos senhores fazerem os planos
Aos homens sábios e aos insanos
Nada me obriga, mãe, a corresponder.
Aos que precisam bater continência
À lei que desprezam em sã consciência
E odeiam o que fazem, não têm paciência,
Invejam quem é livre na sua ausência,
Cultivam as flores dessa experiência
Somente como algo a investir.
Enquanto outros, batizados em princípios
A laços estreitos, ideias e partidos,
Clubes restritos disfarçam contidos,
Aqueles que escondem o senso crítico
Só falam em quais devem ser os ídolos
E depois “Deus abençoe aquele ali”.
Enquanto quem canta com a língua em chamas
Gargareja num coral de falsos dramas,
Torto pela sociedade e suas tramas
Não luta pra tirar os seus pés da lama
Mas sim pra arrastar à mesma lama
Todos que passem por ali.
Mas não quero mal nem aponto defeito
A qualquer sujeito que viva sujeito
E tá tudo certo, mãe, se eu fizer ele sorrir.
Velhas senhoras observam casais,
Limitadas no sexo, julgam-se as tais,
Desprezam baseadas em falsas morais
E a grana não fala, xinga e grita mais
Obscenidade em todos os canais,
Propaganda é isso aí, hipocrisia.
Enquanto defende-se o que nem se vê
Com orgulho assassino, e é assim que
As certezas estupidificam você,
E aos que não conseguem nem perceber
A verdade natural de que vão morrer
Deve ser bem solitária a vida.
Meus olhos colidem em cheio em cheios
Cemitérios, deuses vazios, não creio
Na mesquinhez que se impõe no meio,
Vou de ponta-cabeça, algemado, sem freio,
Catando cavaco e enfim, já cheio,
Digo O.K., você disse a que veio,
Tem outro lance na partida?
E se vissem o que minha mente imagina
Provavelmente me condenavam à guilhotina
Mas tá tudo certo, mãe, é a vida, é só a vida.
Bob Dylan
versão brasileira: Ivan Justen Santana
Ao raiar do meio-dia, a escuridão
Assombra até a lâmina feita à mão,
A colher de prata, o bebê e o balão,
Eclipsa a lua e o sol no chão,
Não adianta nem buscar razão:
Você sabe que não está entendendo.
Ameaças agudas lançadas ao ar,
Declarações suicidas a se rasgar,
Porta-voz de ouro-de-tolo a cornetar
Palavras gastas que só vêm provar:
Quem não está nascendo por lá
Está ocupado ali morrendo.
O pajem da tentação sai pela janela,
Você vai atrás e se acha em guerra,
A cascata piedosa rosna e berra,
Você quer berrar, mas não é mais aquela
Pessoa que achava que você era,
É só mais um gemendo.
Então se um ruído esquisito
Ressoar aí no seu ouvido
Tá tudo certo, mãe, é só meu lamento.
Alguns cantam glória e outros, derrota,
Grandes ou não, razões sempre próprias
São vistas nos olhos daqueles que forçam
E arrastam as pessoas pra serem mortas
Enquanto outros dizem: somente o ódio
Deve ser odiado.
Palavras cínicas disparam em uivos
De deuses humanos criando seus mundos
Com armas de brinquedo feitas pra adultos
E Cristos coloridos que brilham no escuro,
É fácil perceber, sem procurar muito:
Hoje nada mais é sagrado.
Pregadores pregam um destino infeliz,
Professores professam o saber da raiz,
O mapa da mina no quadro de giz,
A bondade se esconde na própria matriz
Mas até o presidente de um grande país
Às vezes precisa andar pelado.
E se a regra do jogo está fora de alcance
É só se desviar de quem faz o lance
E tá tudo certo, mãe, dou conta do recado.
Propagandas te levando a mal,
A pensar que só você é que é o tal
Que pode mais que qualquer mortal
E que merece o mais sensacional
Enquanto isso a vida vai normal
E você nem vê.
Você se perde e se encontra de novo,
Súbito quer ser um pouco mais corajoso,
Sozinho você vai pra longe do povo
Quando uma voz em tom cavernoso
Surpreende o seu ouvido em repouso
E diz achar mesmo que achou você.
Uma pergunta bate à sua porta
Mas você sabe que não tem resposta
Pra assegurar que algo ainda importa,
Pra que a verdade seja toda exposta:
Não há coisa ou pessoa, viva ou morta
A quem você deva pertencer.
E apesar dos senhores fazerem os planos
Aos homens sábios e aos insanos
Nada me obriga, mãe, a corresponder.
Aos que precisam bater continência
À lei que desprezam em sã consciência
E odeiam o que fazem, não têm paciência,
Invejam quem é livre na sua ausência,
Cultivam as flores dessa experiência
Somente como algo a investir.
Enquanto outros, batizados em princípios
A laços estreitos, ideias e partidos,
Clubes restritos disfarçam contidos,
Aqueles que escondem o senso crítico
Só falam em quais devem ser os ídolos
E depois “Deus abençoe aquele ali”.
Enquanto quem canta com a língua em chamas
Gargareja num coral de falsos dramas,
Torto pela sociedade e suas tramas
Não luta pra tirar os seus pés da lama
Mas sim pra arrastar à mesma lama
Todos que passem por ali.
Mas não quero mal nem aponto defeito
A qualquer sujeito que viva sujeito
E tá tudo certo, mãe, se eu fizer ele sorrir.
Velhas senhoras observam casais,
Limitadas no sexo, julgam-se as tais,
Desprezam baseadas em falsas morais
E a grana não fala, xinga e grita mais
Obscenidade em todos os canais,
Propaganda é isso aí, hipocrisia.
Enquanto defende-se o que nem se vê
Com orgulho assassino, e é assim que
As certezas estupidificam você,
E aos que não conseguem nem perceber
A verdade natural de que vão morrer
Deve ser bem solitária a vida.
Meus olhos colidem em cheio em cheios
Cemitérios, deuses vazios, não creio
Na mesquinhez que se impõe no meio,
Vou de ponta-cabeça, algemado, sem freio,
Catando cavaco e enfim, já cheio,
Digo O.K., você disse a que veio,
Tem outro lance na partida?
E se vissem o que minha mente imagina
Provavelmente me condenavam à guilhotina
Mas tá tudo certo, mãe, é a vida, é só a vida.
Bob Dylan
versão brasileira: Ivan Justen Santana
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