*
Ao Paulo de Toledo
desistir é mais fácil
e mesmo assim difícil
se até o que fosse fóssil
detona como míssil
*
quinta-feira, setembro 26, 2013
segunda-feira, setembro 16, 2013
SOL DOS INSONES!
[SUN OF THE SLEEPLESS! George Gordon, Lord Byron]
Sol dos insones! melancólico astro!
Teu raio de lágrima ao longe é um rastro,
Mostrando à treva, a qual não esconjuras,
Quão semelhante és às lembranças puras!
Brilha assim o passado, luz de outrora,
Que não aquece a quem atinge agora;
Brasa que a Angústia vela, findo o dia,
Distinta e distante — clara — mas fria!
versão brasileira: Ivan Justen Santana
-----------------------------
Sol dos insones! melancólico astro!
Teu raio de lágrima ao longe é um rastro,
Mostrando à treva, a qual não esconjuras,
Quão semelhante és às lembranças puras!
Brilha assim o passado, luz de outrora,
Que não aquece a quem atinge agora;
Brasa que a Angústia vela, findo o dia,
Distinta e distante — clara — mas fria!
versão brasileira: Ivan Justen Santana
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terça-feira, setembro 10, 2013
NOSSA VILA (PUXA VIDA, CURITIBA)
*
nossa vila tem as taras de costume
e outros podres gestos menos ou mais nobres
dos poderes que a controlam com seus cobres
das mamatas que inda causam muito ciúme
nesta festa tem também a classe artística
com autistas quase gênios quase monstros
produzindo em jorros obras feitas mênstruos
feitas frases mísseis de fatal balística
mas bombando estão as forças repressoras
civilização-barbárie: são conceitos
tão semelhos que nem sei bem se eu aceito-os
como aceito que haja raivas ruivas loiras
e eu faria até canções semiambiatômicas
tipo aquela Desolation Row do Dylan
só filando esse filé que tantos filam
junto às nossas priscas juventudes sônicas
mas o simples se tornou aqui complexo
se estes versos não te soam bem: meus pêsames
pois o idioma que não fiz nessa hora pesa-me:
sexo é nexo --- nexo é plexo --- plexo é sexo
da linguagem tu leitor que assim mereças
largo então estreitas pistas pelos pés
recalcando as babas prontas dos manés
e imortalizando-os mesmo que às avessas
se puderem compreender coisas como essas
IJS
....................
nossa vila tem as taras de costume
e outros podres gestos menos ou mais nobres
dos poderes que a controlam com seus cobres
das mamatas que inda causam muito ciúme
nesta festa tem também a classe artística
com autistas quase gênios quase monstros
produzindo em jorros obras feitas mênstruos
feitas frases mísseis de fatal balística
mas bombando estão as forças repressoras
civilização-barbárie: são conceitos
tão semelhos que nem sei bem se eu aceito-os
como aceito que haja raivas ruivas loiras
e eu faria até canções semiambiatômicas
tipo aquela Desolation Row do Dylan
só filando esse filé que tantos filam
junto às nossas priscas juventudes sônicas
mas o simples se tornou aqui complexo
se estes versos não te soam bem: meus pêsames
pois o idioma que não fiz nessa hora pesa-me:
sexo é nexo --- nexo é plexo --- plexo é sexo
da linguagem tu leitor que assim mereças
largo então estreitas pistas pelos pés
recalcando as babas prontas dos manés
e imortalizando-os mesmo que às avessas
se puderem compreender coisas como essas
IJS
....................
sexta-feira, agosto 30, 2013
PARA A ANIVERSARIANTE FAENA FIGUEIREDO ROSSILHO
*
Hoje é o teu aniversário,
porém eu estou pobrinho,
então uso lá do William
(e da bárbara tradutora)
um soneto de presente
do teu Ivanzinho ardente...
SONETO 116 DE WILLIAM SHAKESPEARE, VERTIDO POR BARBARA HELIODORA
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma, para a eternidade.
__Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
__Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Hoje é o teu aniversário,
porém eu estou pobrinho,
então uso lá do William
(e da bárbara tradutora)
um soneto de presente
do teu Ivanzinho ardente...
SONETO 116 DE WILLIAM SHAKESPEARE, VERTIDO POR BARBARA HELIODORA
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma, para a eternidade.
__Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
__Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
terça-feira, agosto 27, 2013
NÃO: NÃO FOI AQUI (ÚNICO EPITÁFIO JAMAIS ESCRITO)
*
Não, não foi aqui,
nem era nada disso.
Não: eu não morri.
Só estou brincando de
sumiço.
IJS
Não, não foi aqui,
nem era nada disso.
Não: eu não morri.
Só estou brincando de
sumiço.
IJS
segunda-feira, agosto 26, 2013
BALDES DE CHUVA (DE BOB DYLAN, EM VERSÃO BRASILEIRA DE IVAN JUSTEN SANTANA)
BUCKETS OF RAIN
(Bob Dylan, Blood On The Tracks, 1974)
vb: ijs
Buckets of rain
Buckets of tears
Got all them buckets comin’ out of my ears
Buckets of moonbeams in my hand
You got all the love, honey baby
I can stand
Baldes de chuva
Baldes de lágrimas
Tantos baldes saindo pela minha cara
E nas minhas mãos, baldes de luares
Você tem todo o amor, doçura
Que eu posso aturar
I been meek
And hard like an oak
I seen pretty people disappear like smoke
Friends will arrive, friends will disappear
If you want me, honey baby
I’ll be here
Eu fui fraco
E duro qual carvalho
Já vi belas pessoas sumir qual fumaça
Amigos virão, amigos vão sumir
Se você me quiser, doçura
Eu estarei aqui
Like your smile
And your fingertips
Like the way that you move your lips
I like the cool way you look at me
Everything about you is bringing me
Misery
Feito seu sorriso
E as pontas dos dedos
Feito o jeito que você movimenta os quadris
Eu gosto do jeito que você olha pra mim
Tudo em você já me deixa triste
Assim
Little red wagon
Little red bike
I ain’t no monkey but I know what I like
I like the way you love me strong and slow
I’m takin’ you with me, honey baby
When I go
Vagãozinho rubro
Bicicleta rubra
Não sou nenhum macaco mas sei da doçura
Eu gosto do jeito que você me ama forte e lenta
Vou te levar comigo, doçura
Quando for a hora certa
Life is sad
Life is a bust
All ya can do is do what you must
You do what you must do and ya do it well
I’ll do it for you, honey baby
Can’t you tell?
A vida é triste
A vida é um rolo
Cheia de deveres e não tem consolo
Faça o que precisa e faça isso muito bem
Posso fazer por você, doçura
Já não deu pra perceber?
(Bob Dylan, Blood On The Tracks, 1974)
vb: ijs
Buckets of rain
Buckets of tears
Got all them buckets comin’ out of my ears
Buckets of moonbeams in my hand
You got all the love, honey baby
I can stand
Baldes de chuva
Baldes de lágrimas
Tantos baldes saindo pela minha cara
E nas minhas mãos, baldes de luares
Você tem todo o amor, doçura
Que eu posso aturar
I been meek
And hard like an oak
I seen pretty people disappear like smoke
Friends will arrive, friends will disappear
If you want me, honey baby
I’ll be here
Eu fui fraco
E duro qual carvalho
Já vi belas pessoas sumir qual fumaça
Amigos virão, amigos vão sumir
Se você me quiser, doçura
Eu estarei aqui
Like your smile
And your fingertips
Like the way that you move your lips
I like the cool way you look at me
Everything about you is bringing me
Misery
Feito seu sorriso
E as pontas dos dedos
Feito o jeito que você movimenta os quadris
Eu gosto do jeito que você olha pra mim
Tudo em você já me deixa triste
Assim
Little red wagon
Little red bike
I ain’t no monkey but I know what I like
I like the way you love me strong and slow
I’m takin’ you with me, honey baby
When I go
Vagãozinho rubro
Bicicleta rubra
Não sou nenhum macaco mas sei da doçura
Eu gosto do jeito que você me ama forte e lenta
Vou te levar comigo, doçura
Quando for a hora certa
Life is sad
Life is a bust
All ya can do is do what you must
You do what you must do and ya do it well
I’ll do it for you, honey baby
Can’t you tell?
A vida é triste
A vida é um rolo
Cheia de deveres e não tem consolo
Faça o que precisa e faça isso muito bem
Posso fazer por você, doçura
Já não deu pra perceber?
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quinta-feira, agosto 22, 2013
SIM, LEMINSKI:
*
sim leminski
o graffiti
é o limite
não tem poeta
que não imite
não tem selva
que não acre
dite
na página concreta
da cidade perversa
quem não tem mal
que evite
quem não tem pau
que apite
quem não tem sal
que edite
ijs
______________
sim leminski
o graffiti
é o limite
não tem poeta
que não imite
não tem selva
que não acre
dite
na página concreta
da cidade perversa
quem não tem mal
que evite
quem não tem pau
que apite
quem não tem sal
que edite
ijs
______________
sábado, julho 27, 2013
HORIZONTAL NA VERTICAL
Fermento
zen
sem
bemol
solta
a
valer
asa
e
vela
num
parto:
momento
em
que
o
sol
volta
a
bater
na
janela
do
quarto.
ijs
zen
sem
bemol
solta
a
valer
asa
e
vela
num
parto:
momento
em
que
o
sol
volta
a
bater
na
janela
do
quarto.
ijs
sábado, julho 20, 2013
PARA FAENA FIGUEIREDO ROSSILHO
Você reclama dos meus silêncios
Enquanto tiro o pranto pro canto;
Não pense nesses preços: pense-os
Feito feitiço pedindo encanto
Feito feitiço pedindo encanto
Enquanto o planeta se revolta
Acelerando – só acelerando,
Só planejando uma grande volta
Quando ninguém mais está esperando.IJS
quarta-feira, julho 10, 2013
A HARD RAIN'S A-GONNA FALL
UMA DURA CHUVA QUE VAI CAIR
Bob Dylan
Ah, onde você esteve, meu filho de olhar azul?
Ah, onde você esteve, minha pequena aqui do sul?
Eu tropecei nas neblinas de doze montanhas
Eu andei – rastejei – seis estradas estranhas
Pisei pelo meio de sete florestas tristes
Estive em frente a uma dúzia de oceanos mortos
Estive por dez mil milhas na boca das covas
E é uma dura, e é uma dura, é uma dura, é uma dura
E é uma dura chuva que vai cair
Ah, o que você viu, meu filho de olhar azul?
Ah, o que você viu, minha pequena aqui do sul?
Vi um recém-nascido com os lobos selvagens
Vi uma estrada de diamantes sem carros que passem
Vi uma árvore negra com sangue pingando
Vi uma sala com homens, seus martelos sangravam
Vi uma escada branca coberta de água
Vi dez mil oradores, línguas todas quebradas
Vi armas e espadas afiadas nas mãos de crianças
E é uma dura, e é uma dura, é uma dura, é uma dura
E é uma dura chuva que vai cair
E o que você ouviu, meu filho de olhar azul?
E o que você ouviu, minha pequena aqui do sul?
Ouvi o som de um trovão que rugia um alerta
Ouvi o rugido de uma onda que afogaria o mundo todo
Ouvi cem bateristas, suas mãos estavam em chamas
Ouvi dez mil sussurrando e ninguém escutando
Ouvi um morto de fome e escutei muitos rindo
Ouvi a canção de um poeta que morreu na sarjeta
Ouvi o som de um palhaço que gritou no beco
E é uma dura, e é uma dura, é uma dura, é uma dura
E é uma dura chuva que vai cair
E quem você cruzou, meu filho de olhar azul?
Quem você cruzou, minha pequena aqui do sul?
Cruzei uma criancinha com seu pônei morto
Cruzei um branco levando um cão preto a passeio
Cruzei uma mulher jovem, seu corpo queimava
Cruzei uma menininha, ela me deu um arco-íris
Cruzei um homem que estava ferido de amor
Cruzei outro homem que estava ferido de ódio
E é uma dura, e é uma dura, é uma dura, é uma dura
E é uma dura chuva que vai cair
Ah, o que fazer agora, meu filho de olhar azul?
Ah, o que fazer agora, minha pequena aqui do sul?
Eu vou voltar antes que esta chuva dura desabe
Eu vou a pé às profundezas da floresta negra
Onde as pessoas são muitas, suas mãos tão vazias
Onde as pastilhas de veneno já inundam suas águas
Onde a casa no vale atola na prisão imunda
Onde o rosto do agente é sempre bem escondido
Onde a fome é mais feia e as almas se esquecem
Onde preto é a cor e nenhum é o número
E eu vou dizer e pensar e falar respirando
E refletir das montanhas pra toda alma enxergar
E vou andar pelo mar até que as pernas afundem
Mas saberei minha canção antes de começá-la
E é uma dura, e é uma dura, é uma dura, é uma dura
E é uma dura chuva que vai cair
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
terça-feira, junho 18, 2013
QUEM LIDERARIA OS ANTILÍDERES?
nenhum sociólogo
nenhuma cientista política
nem qualquer comentarista pontual
demonstram entender
que porra está acontecendo
exatamente porque não sabem
o que é um movimento anárquico --
a política deles está em conceitos
de esquerda ou direita
e só entendem de fracasso
ou de sucesso
-- pouca gente nota
que nosso mote positivista
carrega os opostos:
caos e regresso--
nenhuma cientista política
nem qualquer comentarista pontual
demonstram entender
que porra está acontecendo
exatamente porque não sabem
o que é um movimento anárquico --
a política deles está em conceitos
de esquerda ou direita
e só entendem de fracasso
ou de sucesso
-- pouca gente nota
que nosso mote positivista
carrega os opostos:
caos e regresso--
quinta-feira, junho 06, 2013
Depois do depois de
Depois de garimpar [já tinha feito isso na "vida real"] na rede isso aqui [traduções feitas por Leminski publicadas na revista Remate de Males, da Unicamp], resolvo transcrever um dos poemas, porque deslizaram na transcrição e não respeitaram um "enjambement" [quando um verso continua no outro] -- é uma tradução de um soneto enigmático do italiano Antonio Malatesti (1610-1672), da centúria de sonetos La Sfinge, publicada originalmente em Florença, em 1643. Teorias sobre o significado do poema serão muito bem-vindas nos comentários...
eu vi em terra um homem fazer dona
depois de uma tela ter por terra
e de mostrar, por homem, a terra
sob terra tela e sobre terra dona
não era mais que sombra enfim a dona
mais que sombra e que tela enfim a terra
quem vive de sombra e tela na terra
é quem fazia em tela sombra à dona
tal força com sombras tinha este homem
que transformava dona, terra e tela
no loiro metal que contenta ao homem
quero ver se é possível que uma tela
intrincada, destrinchar saiba um homem
que diga quem a dona, a terra, a tela
Malatesti vertido por Leminski
________________________________
eu vi em terra um homem fazer dona
depois de uma tela ter por terra
e de mostrar, por homem, a terra
sob terra tela e sobre terra dona
não era mais que sombra enfim a dona
mais que sombra e que tela enfim a terra
quem vive de sombra e tela na terra
é quem fazia em tela sombra à dona
tal força com sombras tinha este homem
que transformava dona, terra e tela
no loiro metal que contenta ao homem
quero ver se é possível que uma tela
intrincada, destrinchar saiba um homem
que diga quem a dona, a terra, a tela
Malatesti vertido por Leminski
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segunda-feira, junho 03, 2013
A FASE & AS FRASES
de ijs a ffr:
A fase é difícil, como sempre foi e foram de outro modo as outras fases, e as frases demoram ou às vezes nem saem para ver o clima que está fazendo. A poesia engata nos interstícios, dissolve-se nos interlúdios, ou fica com aquela cara do que podia ter sido, porque a fase é difícil, e as frases ainda não se recuperaram das dores de garganta, mas até que às vezes um verso volta a insistir em ser feito. De seu lado, a prosa até que funciona, mas as frases se enrolam ou não se desenrolam, o que se diz e o que deveria ter sido dito às vezes até coincide, mas a fase é... Pois é: talvez nem assim tão difícil, mas é estimulante também só para ver se o ânimo mais singelo volta e completa o que ficou por ser explicado, ou estabelecido, ou só existe sem muitas questões a respeito. E os versos querem ser escritos, mas... Mas vão ter que sair assim mesmo:
Nem o problema da física mais complexa,
nem outra dificuldade insuperável já transposta,
nada resolve uma proposta ainda não proposta,
nenhuma ação ou liberdade ou coisa mais desconvexa:
tudo isso só seria uma mera enrolação
se não fosse mais que importante pra ti e pra mim, assim:
a diferença entre os nãos que só querem ser não
e a palavra simples que nos dizemos um ao outro: sim.
...
A fase é difícil, como sempre foi e foram de outro modo as outras fases, e as frases demoram ou às vezes nem saem para ver o clima que está fazendo. A poesia engata nos interstícios, dissolve-se nos interlúdios, ou fica com aquela cara do que podia ter sido, porque a fase é difícil, e as frases ainda não se recuperaram das dores de garganta, mas até que às vezes um verso volta a insistir em ser feito. De seu lado, a prosa até que funciona, mas as frases se enrolam ou não se desenrolam, o que se diz e o que deveria ter sido dito às vezes até coincide, mas a fase é... Pois é: talvez nem assim tão difícil, mas é estimulante também só para ver se o ânimo mais singelo volta e completa o que ficou por ser explicado, ou estabelecido, ou só existe sem muitas questões a respeito. E os versos querem ser escritos, mas... Mas vão ter que sair assim mesmo:
Nem o problema da física mais complexa,
nem outra dificuldade insuperável já transposta,
nada resolve uma proposta ainda não proposta,
nenhuma ação ou liberdade ou coisa mais desconvexa:
tudo isso só seria uma mera enrolação
se não fosse mais que importante pra ti e pra mim, assim:
a diferença entre os nãos que só querem ser não
e a palavra simples que nos dizemos um ao outro: sim.
...
sexta-feira, maio 24, 2013
TARA MELA
*
TARA MELA
INSIRA CURA
TINTA CLAQUE
ATAQUE DURA
OGRO MALA
EM MERDA LIRA
TANTO BOTE
A TOQUE FIRA
FRÁGUA GULA
ENCERA FALA
TONTA CIFRA
ATÉ QUE NÃO
ijs
TARA MELA
INSIRA CURA
TINTA CLAQUE
ATAQUE DURA
OGRO MALA
EM MERDA LIRA
TANTO BOTE
A TOQUE FIRA
FRÁGUA GULA
ENCERA FALA
TONTA CIFRA
ATÉ QUE NÃO
ijs
quarta-feira, maio 08, 2013
NÃO BANKSY O LEMINSKI
*
NÃO BANKSY O LEMINSKI
FATURE O FUTURO ASSIM QUE
O TERROR OSSO RISO E AFLORA
E AGORA QUEM NÃO EMBOLORA?
QUEM É QUE TE MATA NO PEITO?
SINCERO SEM SER O AMOR DOMO SUSPEITO?
QUEM PIXO? QUAL DESPACHO? QUANDO?
CAMINHOS PELOS CABELOS: VOANDO
SOU MAIS O PIXO DO QUE O LIXO DO CONSUMO
SUMA DO FISCO E FIQUE COM O SUMO
ijs
____________________________________
NÃO BANKSY O LEMINSKI
FATURE O FUTURO ASSIM QUE
O TERROR OSSO RISO E AFLORA
E AGORA QUEM NÃO EMBOLORA?
QUEM É QUE TE MATA NO PEITO?
SINCERO SEM SER O AMOR DOMO SUSPEITO?
QUEM PIXO? QUAL DESPACHO? QUANDO?
CAMINHOS PELOS CABELOS: VOANDO
SOU MAIS O PIXO DO QUE O LIXO DO CONSUMO
SUMA DO FISCO E FIQUE COM O SUMO
ijs
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sábado, abril 20, 2013
quarta-feira, abril 17, 2013
CADA MANÉ (COM SUA FÉ)
palpite
o grafite
é o limite
p.leminski
o grafite
é o limite
p.leminski
cada mané
com sua fé
cada maria
com sua mania
cada josé
com seu pelé
cada joanete
com sua elisabete
cada centavo
com seu escravo
cada arbusto
com seu augusto
cada pateta
com seu poeta
cada poeta vagau
com sua treta sacal
cada gata
com sua pata
cada cara pálida
com sua tara esquálida
cada corno manso
com sua dor no ganso
cada cinema
com seu poema
cada fraldinha
com sua maminha
cada fervo
com seu frevo
cada consulta
com sua jurisconsulta
cada pato
com seu sapato
cada extrato
com seu abstrato
cada pacto
com seu compacto
cada cabeça besta
com sua sentença funesta
cada crítico
com seu diacrítico
cada crítico raquítico
com seu tríptico sifilítico
cada paga pau
com seu não apaga nem a pau
cada cova rasa
com sua escova da nasa
cada arte de rua
com sua parte de sua
cada porte de arma
com seu capote de alma
cada sol
com seu lençol
cada gógol
com seu google
cada bacilo
com seu vacilo
cada pinote
com seu vinhote
cada velha seita
com sua cela estreita
cada cela estreita
com sua tela suspeita
cada celacanto provoca maremoto
com seu acalanto sem controle remoto
IJS (com parceria de FFR)
...
terça-feira, abril 09, 2013
Mais Byron, logo antes do arremate do Canto I do Childe Harold's Pilgrimage
PARA INEZ
1.
Não, não sorrias
a meu cenho,
Que eu já sorrir posso mais não:
E os Céus evitem
que tu venhas
Chorar alegremente em vão.
2.
Perguntas qual
secreta dor
Suporto sobre a Juventude?
E queres, vã,
saber sabor
De ardor que tu curar não podes?
3.
Não é o amor,
tampouco é o ódio,
Ou parcas honras de Ambição,
Que deixam podre
este meu pódio,
E me dispersam na amplidão:
4.
É o tal cansaço
que desponta
De todos que já ouvi e já vi:
A Beleza me
desaponta;
Teus olhos são sem charme a mim.
5.
É o tal eterno
tédio fundo
Que o Judeu Errante aturava;
Que nada vê a
não ser a tumba,
Mas vive agitação escrava.
6.
Que Exílio de si
mesmo existe?
A Zonas mais e mais remotas,
E inda assim me
persegue o chiste –
Na Mente o Demo toma notas.
7.
Mas outros parecem gozar,
Saboreando o que
larguei;
Ah, possam inda
assim sonhar
Sem acordar como acordei!
8.
Por tantos
climas vai meu fado,
Com tantas maldições e dores,
Que meu alívio é
este ditado:
“Venha o que vier, já estive em piores.”
9.
Mas quais piores? Nem perguntes –
Por piedade aqui
te abstenhas:
Sorria – as
peças jamais juntes
Do peito
humano: Inferno e brenhas.
versão brasileira: Ivan Justen Santana
versão brasileira: Ivan Justen Santana
quinta-feira, abril 04, 2013
O MACHISTE & A EFEMINISTA
I
Era um sonho num consultório dentário,
Dantesco, extravagau, alucinário:
Numa poltrona não namoradeira,
A Efeminista aguardava, à beira
De um ataque de nervos, a sua vez;
O Machiste, também dali velho freguês,
Folheava uma revista fiu-fiu-menina,
Em busca de consolo a sua triste sina.
Entreolhavam-se, de instante a instante,
Amor de fábula, muito inconstante,
Enquanto lá dentro, sentada na cadeira
Quase elétrica do dentista, uma confreira
Submetia-se a um tratamento de canal:
Esperemos que a história não acabe mal.
II
Ninguém suspeitava que o dentista
Era uma orangotanga sofrendo da vista.
ijs
______________________
Era um sonho num consultório dentário,
Dantesco, extravagau, alucinário:
Numa poltrona não namoradeira,
A Efeminista aguardava, à beira
De um ataque de nervos, a sua vez;
O Machiste, também dali velho freguês,
Folheava uma revista fiu-fiu-menina,
Em busca de consolo a sua triste sina.
Entreolhavam-se, de instante a instante,
Amor de fábula, muito inconstante,
Enquanto lá dentro, sentada na cadeira
Quase elétrica do dentista, uma confreira
Submetia-se a um tratamento de canal:
Esperemos que a história não acabe mal.
II
Ninguém suspeitava que o dentista
Era uma orangotanga sofrendo da vista.
ijs
______________________
CHOCOLATES SÃO PRESENTES
*
Chocolates são presentes
mais amargos quando são
envolvidos inocente-
mente em temas sem questão.
Mas a Páscoa já passou---
sexta-feira foi Paixão:
ou nos tomam por mim ou
não sei mais pronome não.
ijs
________________________
Chocolates são presentes
mais amargos quando são
envolvidos inocente-
mente em temas sem questão.
Mas a Páscoa já passou---
sexta-feira foi Paixão:
ou nos tomam por mim ou
não sei mais pronome não.
ijs
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