segunda-feira, abril 16, 2007

Assim não fica mais fácil?

Ariadne was wandering distraught along the lonely wave-beaten shores of Naxos.
Scarce had sleep departed from her eyes, and she wore but an airy shift;
her feet were bare and her fair tresses were blowing about her shoulders.
To the heedless billows she was crying wildly for her Theseus,
and tears flowed in torrents down her cheeks.
She cried aloud and wept at the same time.
But both enhanced her beauty.
"Oh, the faithless one," she cried, beating her tender bosom again and again,
"he has abandoned me. Oh, what will become of me! What will be my fate!"
She spake. And on a sudden, drums and cymbals
beaten and tossed by frenzied hands resounded along the shore.
Stricken with terror, she fell gasping out a few broken words,
and the blood faded from her lifeless corpse.
But lo, the Mænads, with their hair floating wildly out behind them,
and the light-footed Satyrs, the rout that leads the procession of Apollo,
came upon the scene. Behold, old Silenus, reeling-ripe as usual,
who can scarce keep his seat on the ass that staggers beneath the heavy burden.
He pursues the Mænads, who flee from him and mock him as they flee,
and as he belabours his long-eared beast with his staff,
the unskilful cavalier tumbles head-foremost from his steed.
And all the Satyrs shout, "Up with you, old man Silenus, up with you again!"
Meanwhile from his lofty chariot with vine branches all bedecked,
the god, handling the golden reins, drives on his team of tigers.
The girl, in losing Theseus, had lost her colour and her voice.
Thrice she attempted flight, thrice did fear paralyse her steps;
she shuddered, she trembled like the tapering stem or the slender reed that sways at the slightest breath.
"Banish all thy fears," cried the god. "In me thou findest a tenderer, more faithful lover than Theseus. Daughter of Minos, thou shalt be the bride of Bacchus. Thy guerdon shall be a dwelling in the sky; thou shalt be a new star and thy bright diadem shall be a guide to the pilot uncertain of his course." So saying he leapt from his chariot lest his tigers should affright her. The sand yielded beneath his feet. Clasping to his breast the swooning, unresisting girl, he bore her away. For a god may do as he wills, and who shall say him nay.

http://www.sacred-texts.com/cla/ovid/lboo/lboo58.htm

quinta-feira, abril 05, 2007

A imagem é a única pista: decifre o texto e indique autor e obra, se for capaz...

CNOSIS.IN.IGNOTIS.AMENS.ERRABAT.ARENIS
QVA.BREVIS.AEQVOREIS.DIA.FERITVR.AQVIS
VIQVE.ERAT.E SOMNO.TVNICA.VELATA.RECINCTA
NVDA.PEDEM.CROCEAS.IRRELIGATA.COMAS
THESEA.CRVDELEM.SVRDAS.CLAMABAT.AD.VNDAS
INDIGNO.TENERAS.IMBRE.RIGANTE.GENAS
CLAMABAT.FLEBATQVE.SIMVL.SED.VTRVMQVE.DECEBAT
NON.FACTA.EST.LACRIMIS.TVRPIOR.ILLA.SVIS
IAMQVE.ITERVM.TVNDENS.MOLISSIMA.PECTORA.PALMIS
PERFIDVS.ILLE.ABIIT.QVID.MIHI.FIET.AIT
QVID.MIHI.FIET.AIT.SONVERVNT.CYMBALA.TOTO
LITORE.ET.ATTONITA.TYMPANA.PVLSA.MANV
EXCIDIT.ILLA.METV.RVPITQVE.NOVISSIMA.VERBA
NVLLVS.IN.EXANIMI.CORPORE.SANGVIS.ERAT
ECCE.MIMALLONIDES.SPARSIS.IN.TERGA.CAPILLIS
ECCE.LEVES.SATYRI.PRAEVIA.TURBA.DEI
EBRIVS.ECCE.SENEX.PANDO.SILENVS.ASELLO
VIX.SEDET.ET.PRESSAS.CONTINET.ARTE.IVBAS
DVM.SEQVITVR.BACCHAS.BACCHAE.FVGIVNTQVE.PETVNTQVE
QVADRVPEDEM.FERVLA.DVM.MALVS.VRGET.EQVES
INCAPVT.AVRITO.CECIDIT.DELAPSVS.ASELLO
CLAMARVNT.SATYRI.SVRGE.AGE.SVRGE.PATER
IAM.DEVS.IN.CVRRV.QVEM.SVMMVM.TEXERAT.VVIS
TIGRIBVS.ADIVNCTIS.AVREA.LORA.DABAT
ET.COLOR.ET.THESEVS.ET.VOX.ABIERE.PVELLAE
TERQVE.FVGAM.PETIIT.TERQVE.RETENTA.METV.EST
HORRVIT.VT.STERILES.AGITAT.QVAS.VENTVS.ARISTAS
VT.LEVIS.IN.MADIDA.CANNA.PALVDE.TREMIT
CVI.DEVS.EM.ADSVM.TIBI.CVRA.FIDELIOR.INQVIT
PONE METVM.BACCHI.GNOSIAS.UXOR.ERIS
MVNVS.HABE.CAELVM.CAELO.SPECTABERE.SIDVS
SAEPE.REGET.DVBIAM.CRESSA.CORONA.RATEM
DIXIT.ET.E.CVRRV.NE.TIGRES.ILLA.TIMERET
DEISILIT.IMPOSITO.CESSIT.ARENA.PEDE
IMPLICITANQVE.SINU.NEQVE.ENIM.PVGNARE.VALEBAT
ABSTVLIT.IN.FACILI.EST.OMNIA.POSSE.DEO

segunda-feira, abril 02, 2007

Tradução de hoje

Quando o Homem Entra na Mulher

Anne Sexton

Quando o homem
entra na mulher,
como a onda mordendo a costa,
de novo e de novo,
e a mulher abre a boca de prazer
e seus dentes brilham
como o alfabeto,
Logos aparece ordenhando uma estrela,
e o homem
dentro da mulher
ata um nó
para que assim
nunca mais estejam separados
e a mulher
trepa numa flor
e engole seu talo
e Logos aparece
e desencadeia seus rios.
Este homem,
esta mulher
com sua dupla fome,
têm procurado penetrar
a cortina de Deus
e conseguem brevemente,
embora Deus, sem dó,
em Sua perversidade
desate o nó.

Casal Tradutor:
Ivan Justen Santana & Priscila Manhães

sexta-feira, março 30, 2007

Ao Francisco Cardoso

Aqui vai um poema feito num boteco de subúrbio, bebendo vinho barato.
Eu tinha perdido o papel, aí reconstruí o poema
(ficou diferente, mas bem igualzinho):
foi mal aí, Chico.

A promessa está na jura.
Toda cor no chifre atesta.
Saci cisca e Sara cura.
Jacaré mais sapo é festa.

Boitatá não sai na capa.
Curupira não galopa.
Toupeira não tem caçapa
Mas se der mole ela topa.

Ivan
Francisco

sexta-feira, março 23, 2007

A um passo do nunca mais: o sétimo e último, no qual Ivan publica sua tradução do poema de Valéry, aguardando comentários e pedradas...

OS PASSOS

Teus passos, crianças de meu silêncio,
Santamente, lentamente dados,
Ao leito da minha vigilância
Seguem calados e enregelados.

Feito ninguém, qual sombra divina,
Como são doces teus passos-luz!
Céus!... Todos os dons que a alma adivinha
Vêm vindo a mim sobre esses pés nus!

Se com teus lábios, tão saliente,
Preparas tu, para apaziguar,
Ao habitante da minha mente
A nutrição que contém beijar,

Refreia os passos de ação tão terna,
Dulçor de ser e não ser mais (passos),
Pois sigo vivo só à vossa espera,
Meu coração sendo os vossos passos.


Tradutor Passista: Ivan Justen Santana

quinta-feira, março 22, 2007

Mais um passo antes do último...

O PASSO

Paul Valéry

Teu passo, inato ao meu silêncio,
Beira sagradamente, a fio,
Meu leito insone e, com imenso
Vagar, vem vindo mudo e frio.

Sombra divina, forma pura:
Deus!... tudo que de bom supus
– Passo contido, que doçura! –
Já se aproxima com pés nus.

Se, lábios entreabertos, frente
A mim, reservas ao desejo
Faminto que me ocupa a mente
Este alimento que é teu beijo,

Mantém o enlevo ainda à parte
(No doce impasse existo e passo),
Pois, ao viver só de esperar-te,
Meu coração pôs-se em teu passo.


Tradução de Nelson Ascher

quarta-feira, março 21, 2007

Hesitação: e finalmente o passo que vem depois do quatro e antes do seis...

OS PASSOS

Filhos que são do meu cismar,
Teus passos, santa e lentamente,
Meu leito insone vêm buscar,
Em procissão fria e silente.

Que bom teu andar comedido,
Pessoa pura e dom sem luz!
Deus! Toda graça que eu convido,
Teu pé descalço a mim conduz!

Se, com teus lábios esboçados,
Para amainar o seu desejo,
Ao dono vens de meus cuidados
Ceder o pábulo de um beijo,

Urgir não queiras a ternura,
Dulçor de ter, não ter lugar,
Vos esperar me foi ventura,
Bate em meu peito o vosso andar.

Tradução de Cláudio Veiga

sexta-feira, março 09, 2007

Passo de número quatro (sem sacanagem: essa talvez seja a primeira e portanto melhor versão...)

OS PASSOS

Filhos do meu silêncio amante,
Teus passos santos e pausados,
Para o meu leito vigilante
Caminham mudos e gelados.

Que bons que são, vulto divino,
Puro ser, teus passos contidos!
Deuses! os bens do meu destino
Me vêm sobre esses pés despidos.

Se trazes, nos lábios risonhos,
Para saciar o seu desejo,
Ao habitante dos meus sonhos
O alimento feliz de um beijo,

Retarda essa atitude terna,
Ser ou não ser, dom com que faço
Da vida a tua espera eterna,
E do coração o teu passo.

Tradução de Guilherme de Almeida

quinta-feira, março 08, 2007

Sobrepasso

Muito bem: antes de postar o passo de número quatro (uma tradução de Les Pas feita pelo excelso poeta Guilherme de Almeida), cabem dois comentários:

Taianna: não sei se você vai continuar me lendo depois de tão corajosa declaração de amor, ops, quer dizer, de ódio, eu sei, não precisa se queimar mais: gostaria que você soubesse que eu te acho muito linda (você puxou mais sua mãe, que ainda mantém os encantos, ops, - sem xavecar a mãe junto, dessa vez é a irmã, seu animal!)

enfim, *pigarreando* você é uma pessoa muito bacana, divertida e espontânea: certamente terá boa sorte na vida e muitos caras vão ficar babando na sua cola - vê se controla sua possessividade com sua maravilhosa irmã, porque um pedacinho dela eu reivindico muito Ivan...


Em segundo e último lugar: que péssima tradução em versos que alguém anônimo(a?) colocou nos comentários da segunda postagem dessa série de sete passos: totalmente horrível: NÃO leiam, caso não queiram desaprender o que é poesia...

Amanhã tem mais - leiam o TECATATAU para mais versinhos supimpas, com a colaboração do degas aqui...

terça-feira, março 06, 2007

Passo número três

Querida Too cool for high school: eu vi o que você fez e eu sei quem você é...

Assim, sem pisar no tomate ou entrar de sola, tampouco patinando em falso, nem ao menos deslizando na maionese e sequer caminhando em brasas após palmilhar em ovos, aí está a tua versão literal e literata em prosa, transcrita tão literalmente quanto possível... :

OS PASSOS

Santa, lentamente colocados, teus passos, crianças de meu silêncio, seguem mudos e congelados em direção ao leito de minha vigília.
Um ninguém puro, uma sombra divina: como são doces teus passos retidos!
Deus!... Todos os dons que eu adivinho vêm a mim sobre esses pés nus!
Se tu preparas, de teus lábios proeminentes, a nutrição de um beijo para apaziguar o habitante de meus pensamentos, não precipite essa ação terna (doçura de ser e de não ser), pois eu vivi de vos esperar, e meu coração não é senão vossos passos.

segunda-feira, março 05, 2007

Segundo Passo: traduza esta postagem nos comentários (pode ser só uma versãozinha em prosa, bem literalzinha, que o tio aqui adora tudo...)

LES PAS

Tes pas, enfants de mon silence,
Saintement, lentement placés,
Vers le lit de ma vigilance
Procèdent muets et glacés.

Personne pure, ombre divine,
Qu'ils sont doux, tes pas retenus!
Dieux !... tous les dons que je devine
Viennent à moi sur ces pieds nus!

Si, de tes lèvres avancées,
Tu prépares pour l'apaiser,
A l'habitant de mes pensées
La nourriture d'un baiser,

Ne hâte pas cet acte tendre,
Douceur d'être et de n'être pas,
Car j'ai vécu de vous attendre,
Et mon coeur n'était que vos pas.

Paul Valéry
Extrait dePoésies - Charmes

éd. Poésie/Gallimard

quinta-feira, março 01, 2007

Pô: vale ri? (uma série de sete postagens)

Este é o primeiro dos sete passos, digamos assim (tolerem):

poeta, ensaísta, crítico e pensador francês -

nasceu em 1871 e faleceu em 1945 -

"A parvoíce não é o meu forte."

Quem é?

domingo, fevereiro 25, 2007

Eu enlouqueceu mesmo, fazer o que... (revisado)

Muito bem:

o comentário deste Arlindo, que suponho não ser o "Magrão" do Bar do Torto, realmente é pertinente e merece esclarecimento.

*pigarreia, antes de prosseguir*

O fato é esse mesmo, traduzível nessa troca de palavras:
"Viu aquele garoto inteligente, que tem mestrado na USP?"
"... Aquele? Não!!"
"Pois é: enlouqueceu."

O que me espantou mesmo foi o "Ui!" que se seguiu.

Espantou tanto que vou mudar (já mudei) outra vez o nome do blog (Bakhtin explica), e tentarei colocar no cabeçalho a foto em que estou em cima da mureta do viaduto do Capanema (eu caminho pelas muretas dos viadutos: entenda).

Realmente, além de tudo, os poemas estão magrinhos e meio mais-ou-menos, então não demora (muito) irei postar umas traduções que recolocar-me-ão no rór dos prodígios mais promissores do meio acadêmico, bem como da cena cultural curitibana...

*suspiro profundo e muitas saudades, indeclináveis*

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

DOIS POEMAS

Bem ali onde o Infinito acabaria de acabar
é que o Amor está mal começando

Ivan

***

VERSOS PARA A MÚSICA

(solicita um acompanhamento musical de execução dificílima, composto somente por e para virtuoses)

Quero versatilidade
Na volátil voz suave:
Quando zurzem Borboletas,
Bailam Panapanacéias,
Piriris de Pirilampos,
Garibaldos & Sacis

Ivan, Édson & Rodrigo

domingo, fevereiro 04, 2007

_ _ _ _ _ _ _ _ _ _

E TODOS POR UM

aí então, essa é uma postagem-forca, né, vocês já leram Os Três Mosqueteiros, então


em 1973, em Curitiba, nasceram três poetas:

Amarildo Anzolin [ Athos ]

Fernando Koproski [ Porthos ]

Mario Domingues [ Aramis ]


eu, Ivan [ Dartagnan ], nascido também neste ano da graça de 1973, desafio bambos os três para um combate singular, peculiar e reverso, nas lides da poesia, segundo os trâmites estéticos menos pernósticos [ só não vale acróstico ]

o foda é que nenhum dentre os três bloga -

...

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Minha casa que vai cair...


Imagens dentro de imagens,
umas olhando mais pras outras
mas cada qual vendo a si mesma:

cabelos e dedos ágeis, mensagens
telegrafadas de dentro de ostras
por um arco à lagarta e à lesma.


Taí: um poeminhocão com o perdão da imagem:

traduzindo os pixels,
sou eu fazendo um acorde de lá maior com meu arquinho,
diante da televisona
que está passando o videoclip de Catterpillar Girl
(é assim a grafia?),
do The Cure...

A troca da foto de cabeçalho será efetuada
em modesta homenagem à bela Gianna,
que vem transformando minha vida...

A cabeça anda fria e o coração, quente, queimando tudo e todas...