terça-feira, agosto 16, 2005

uma puta postagem a fuder

Putz, que merda, caralho, putaquepariu, que fóda, que puta buceta cabeluda do caralho de merda porra louca da gota serena...

Bem, vamos dizer que eu tenho algo a blogar (porra, atenção: o cara tá bêbado e tem algo a blogar: : :..............

Eu tinha que blogar faz tempo: senão vejamos:

Como?!?!?

Como?????????!!!!!!!!!!!!!

Como blogar o seguinte?:

a Tati (Tati Lemos, ex-vocalista da MORDIDA), pra quem eu dediquei uma postagem-letra (é especial postar letras de canção num blog, por mais banal que pareça) está em Londres (LONDRES = LONDON LONDON = SWINGING LONDON = onde moraram James Marshall Hendrix e Gustav Friedriech Mahler) onde houve algo difícil de explicar:

os caras grampearam um brasileiro com sete tiros na cabeça: porra: existe outra reação que não seja: putaquepariu!!!!!!!!!!!!!

Claro que houve um atentado terrorista e eu não bloguei nada disso (e houve um submarino, e uma nave espacial, e um assalto retirado duma história de Sherlock Holmes, e eu nem bloguei nada disso...)...........

Enquanto isso, em Gotham: não sei que merda é essa que não faz as pessoas surtarem todas duma vez: eu fico blogando sonetos, traduzindo poemas, assobiando como quem finge não estar participando dessa FÓÓDA toda...

Mas basta uma pequena dosagem suficiente no sangue e eu posto (com agudo ó) essa inqualificável puta agonia aqui dentro do peito: se era pra postar do meu time, então:

Time fodido: que tem que fazer 5 (CINCO) gols por jogo, porque vai tomar uns 3 ou 4 (nos bons tempos eu diria: É: É ISSO AÊ: TOMA TRÊS, FATURA CINCO: BELEZA......)....

Então: várias coisas que ocorreram não blogadas: mas o MAIS (plus ultra) tem que blogar: estava de ressaca mortal de um dia inteiro e vi o pronunciamento do presidente: a cada 3 (TRÊS) frases o cara tinha que virar a página: que merda: é o retrato perfeito: um apedeuta presidente a provar que qualquer besta, qualquer grande mentecapto pode representar este país...

Bem, voltando para um clima mais palatável: gostaria de escrever a quem me leu até aqui que nada disso vale qualquer esforço: eu não vou blogar isso estou blogando isso que porra é blogar isso foda-se que estou blogando isso vá tomar no meio do seu cu que estou blogando isso sinta-se ofendido(a) que estou blogando isso e eu queria gentilmente blogar algo melhor que isso tipo: *golada de vinho*

sábado, agosto 13, 2005

OS NUNCAS. ESSES NUNCAS QUE SÃO NADA

Os nuncas. Esses nuncas que são nada,
Nadas de vida, nadas de alegria,
São nuncas a bradar a boca fria
Do tempo nunca em sempre disparada.

Nunca o teu beijo. Nunca será dada
A glória do teu ventre. Nunca o dia
De uma só noite nunca terminada
De amar-te como nunca. Dor vazia

Do passado, meu nunca. E do presente
O sempre nunca me apunhala; e à frente
Um futuro de nuncas que se junca;

E do clamor de sempre, nunca eterno,
Primavera, verão, outono, inverno,
Tu, sempre minha, tu, que és minha nunca!

Guilherme Figueiredo

quarta-feira, agosto 03, 2005

Inferno de portas abertas

Aí está: agosto chega que chega baixoastralizando a minha existência. Senão vejamos:

ontem à noite coloquei minha filha num ônibus de volta pro Rio de Janeiro: seguiu-se um filme já visto: a primeira noite de um homem solitário.

Estou devendo umas contas no bar do Torto, o que é bom, por um lado, e muito ruim, por outro.

Estou devendo uma grana do conserto (não do concerto) de um violão na Chefatura, o que é totalmente ruim.

Estou devendo duas contas de telefone (ou melhor: seis): péssimo, péssimo...


Mas, por outro lado, inversamente, os dias que se aproximam prometem: é só arranjar a grana, pagar as contas, reencontrar as pessoas, voltar a trabalhar com palavras: vai ter lançamento da biografia do Torquato Neto aqui em Curitiba... E logo amanhã tem outro lançamento, de poemas do Bukowski traduzidos pelo meu amigo Koproski.

Nada mais a fazer a não ser dizer: let´s play that.

segunda-feira, agosto 01, 2005

Diálogo síntese

das férias que minha filha Rubinha, de quatro anos de idade, veio passar comigo neste Julho:

- Filha, vamos ler o livrinho dos Gatinhos Travessos?
- Vamos!

Leio o livro pra ela, e vemos as ilustrações juntos. Na contracapa está o anúncio dos outros títulos da coleção:

- Olha só, filha: você quer ler o dos Cachorrinhos Brincalhões?
- Quelo!
- E o dos Coelhinhos Saltitantes?
- Quelo!
- E o dos Pintinhos Graciosos?

Ela me olha, interrogativa. Sua mãe, que ouviu a conversa de longe, gargalha com o meu tom malicioso-ingênuo na pergunta: "E o dos Pintinhos Graciosos?"

A criança fica ainda mais confusa, e eu fico com aquela sensação de um certo alívio por enquanto, pressentindo o perigo no horizonte: daqui a dez anos acho que não vou lembrar disso dando risadas...

quinta-feira, julho 28, 2005

Vale por sete postagens

já que meus versinhos não estão emplacando, vou postar uma pá deles, pelo menos os que eu lembrar agora, hipomaníaco com o massacre perpetrado por nosso time herói: 7 x 2 no vasco da gama (time que já ganhou invicto a libertadores, admita-se essa lembrança...)

***

a poesia

hoje em dia

é assim:


não vale nada pra ninguém

vale muito pra você

mas vale mais

pra mim


***

TRATADO COMPLETO DE MÉTRICA HAIKU


cinco no primeiro

no segundo sete sílabas

cinco no terceiro


***


quem ontem agia

que monte magia



***


somos de tudo um pouco

somos de nada muito



***

rápido:
me traga
outro trago

aproxima de mim
esse cálice sagrado

já bebi litros
mas não me sinto
diferente:

o peso líqüido do meu corpo
não foi suficiente


***

quando anoitece
a noite tece
sete setas
e descem
dezessete ratos
pelas quatro
rotas retas

boi morto
ruminando
rumo incerto
pasta solto
no deserto

renê descarta
uma canastra real:
espanto
parto
pranto
ponto final

domingo, julho 24, 2005

Psicose Maníaco-Futebolística

Bem, então tá: vamos lá, blogar com mais gusto: ontem, jogando num charco (a autêntica várzea), nosso time herói afundou novamente nos pântanos da derrota:

este é um time putanheiro mesmo: já está querendo voltar pra zona.

Estes tempos li num diário mínimo de Umberto Eco o horror que este sentia por gente (especialmente taxistas) que vai falando de futebol com você como se todo mundo se interessasse e soubesse tudo a respeito (na Itália como no Brasil).

Já que o time perdeu, era melhor nem ter mencionado nada, postando logo o poema feito neste domingo de manhã:


com afeto e com afinco
fiz o amor e a amargura
fiz as hastes da tua astúcia
e das tuas artes veio a argúcia
que de abraços foi segura
por teu urso de pelúcia
com afinco e com afeto
fiz tua rumba preferida
fiz os haustos dos teus claustros
e dos rastros caíram astros
que pisavas distraída
com afeto e com afinco
com efeito e bem de fianco
fiz do fim da morte vida
e do seu vazio repleto
com afinco e com afeto

quinta-feira, julho 21, 2005

Sobre o jogo de ontem à noite

Onze mil fiéis na Arena:

tinha uns cem torcedores adversários,

dum timinho carioca aí chamado fluminense,

momentaneamente nas cabeças da tabela...


Nosso time herói, surtado como sempre:

tomamos o primeiro gol e viramos pra 2 x 1

ainda no primeiro tempo:

na segunda etapa do prélio,

sofremos o empate e marcamos o tento da vitória:

3 x 2

saindo da zona do rebaixamento:

foi bom pra você também?

domingo, julho 17, 2005

bouncing back

depois do pesadelo de quinta-feira, hoje ricocheteamos, como bom time bipolar: derrotamos o galo no mineirão por 3 x 2, deixando imediatamente a lanterna ali em BH.

É emocionalmente desgastante postar com o time: eu preciso saber evitar: mas como?

O sentimento diagonal não me deixa quieto: vamos ouvir aquela novamente?

sexta-feira, julho 15, 2005

o eterno se

se tivéssemos jogado a primeira partida em casa...

se Lima tivesse batido o pênalti...

se Dago não estivesse contundido...

se Jadson e Washington ainda jogassem no time...

se Fabrício não estivesse numa noite tão infeliz...

se a realidade fosse mesmo melhor que a ficção...


outrossim, confirma-se a vocação bambi do time sãopaulino: choraram na comemoração dos gols (um deles impedido) e só faltou fazerem aquele bolinho de gente pra meterem o dedo uns nos outros (devem ter deixado isso para o vestiário, junto com aquele médico boiola...)

Bem: o bom é que derrubamos o muro e ano que vem a Arena estará finalmente pronta: neste ano, o negócio é evitar a queda pra segundona e surrar de novo os coxinhas no brasileiro, agora no chiqueiro deles...

O drama virou tragédia, mas nosso time herói é brasileiro, e não desiste nunca.

quinta-feira, julho 14, 2005

hoje é o dia:

aniversário da queda da bastilha:

logo mais nosso time herói vai tentar derrubar outro estado de coisas:

o terceiro, o quarto e (quiçá) o quinto e o sexto atos desse drama estão prestes a se desenrolar...


meu coração está que é uma bola de sangue...

domingo, julho 10, 2005

amores gris

meus atletibas ultimamente andam meio grenais:

este 1 x 0 foi pouco, mesmo com o time reserva:

o fato é que recentemente jogamos "em casa" no beira rio,

e desta feita o público total foi só de 16.344 criaturas

(numa arena que agora comporta 41 mil...)


mas como eu não fui, não posso reclamar:


e hoje não foi um dia triste,

mas foi um dia frio,

e toda fragilidade incidiu,

e o pensamento era um lá

(às vezes maior, ora menor)

e tudo me dividiu

e eu esperava com a força do pensamento

criar a luz pros meus amores gris

(que rimam com _ _ _ _)


* chute uma letra...

quarta-feira, julho 06, 2005

O drama se adensa:

nosso time fez mais um gol no segundo tempo:

pena que foi contra:

Atlético 1 x 1 são paulo

O terceiro ato promete...

Final

do primeiro ato:

o drama vai se desenrolando:

Atlético 1 x 0

gira o placar no beira rio...

Chove em Porto Alegre:

o Furacão ainda nem passou.

glosando um mote ludopédico com um soneto escataclético

Tudo que eu sempre quis te dizer:
O jeito exato com que eu te amo,
Tua maneira de me dar prazer
E toda a gama que gamo gamo:

Todos os fogos que me botam frio,
A tragédia coríntia na qual me abismo,
O fluido flamívomo que eu arrepio,
As graduações grenás do cataclismo,

Tudo, tudo mesmo, tudo tudo:
Os mas, os entretanto e os contudo
Que eu quis tirar do fundo-coração:

Toda essa beleza ora jaz congelada
Porque tudo no futebol vira nada
E daqui a pouquinho começa o jogão.

domingo, julho 03, 2005

ROTEIRO LITERÁRIO DESTE DOMINGO À TARDE

“Os mensageiros do amor deviam ser os pensamentos”.

If the dull substance of my flesh were thought,
Se a minha carne fosse pensamento
Injurious distance should not stop my way;
A distância jamais me reteria;
For then, despite of space, I would be brought,
Que apesar dos espaços, num momento,
From limits far remote where thou dost stay.
E de bem longe, a ti eu chegaria.
No matter then although my foot did stand
Que importa onde o meu pé pudesse estar,
Upon the farthest earth removed from thee;
Em que terra de ti tão afastada?
For nimble thought can jump both sea and land,
O pensamento salta terra e mar
As soon as think the place where he would be.
Só de pensar na terra desejada.
But, ah! Thought kills me that I am not thought,
Morro ao pensar que não sou pensamento,
To leap large lengths of miles when thou art gone,
E que sonhar distâncias não consiga;
But that, so much of earth and water wrought,
Sou feito de água e terra, os elementos
I must attend time´s leisure with my moan;
Que ao tempo ocioso e à minha dor me obrigam.
__Receiving nought by elements so slow
__
De lentos elementos me resigno
­__But heavy tears, badges of either´s woe.
__
A ter somente as lágrimas, seus signos.


The other two, slight air and purging fire,
Os outros dois, ar leve e fogo puro,
Are both with thee, wherever I abide:
Onde quer que eu esteja, estão contigo:
The first my thought, the other my desire,
Um, meu pensar, outro a paixão que apuro,
These present-absent with swift motion slide.
Presente-ausentes, deslizando ambíguos.
For when these quicker elements are gone
Quando esses ágeis elementos vão
In tender embassy of love to thee,
– Terna embaixada que o amor transporte –
My life, being made of four, with two alone
Minha quádrupla vida (em dois, então)
Sinks down to death, oppressed with melancholy.
Melancólica afunda até a morte.
Until life´s composition be recured
E até que a vida em mim se recomponha,
By those swift messengers returned from thee,
Retornados de ti os mensageiros,
Who even but now come back again, assured
Espero – e que as notícias mais risonhas
Of thy fair health, recounting it to me:
Tragam de ti e eu me refaça inteiro.
__This told, I joy: but then no longer glad,
__
Aí me alegro; mas torno ao começo,
__I send them back again, and straight go sad.
__
Que os comando de volta e me entristeço.

William Shakespeare (1564-1616)
Sonetos 44 e 45 (1609)

Tradução de Jorge Wanderley (1991)

seleção textual (terra),
digitação (ar),
arte (fogo)
situação (água)

e autoria espúria:

Ivan Justen Santana

sábado, julho 02, 2005

DEZ MOTIVOS PRA FICAR IRRACIONAL JUNTO CONTIGO

– Porque nunca falou quem não queria;
– Porque sempre sofreu quem não sabia;
– Porque um belo dia chegou quem não devia;
– Porque a sala nunca está meio cheia nem meio vazia;
– Porque as sereias são quentes mesmo na água fria
– Porque teve até uma noite em que eu dormi na pia;
– Porque o teu silêncio é a alga da minha algaravia;
– Mas sobre tudo por dois motivos:
a minha prosa

e tua poesia.

sexta-feira, julho 01, 2005

Solte o grito na garganta

e confira comigo no replay:

depois dum primeiro tempo bisonho, quando por meio triz não tomamos mais dois gols além do tento assinalado, sobrevivemos, atleticanos e fagueiros, conferindo duas vezes a rede mexicana (tradução: chivas guadalajara 2 x 2 Atlético Paranaense: estamos na final do torneio continental mais importante das américas: as postagens anteriores foram proféticas: eu já sabia que eu já sabia).

Quanto a este blog, o Delírio morreu: as tatuagens de acne continuam gravadas na minha pele, mas agora vamos a uma fase de relaxamento: ranja os dentes e feche os olhos...

quarta-feira, junho 29, 2005

Celebrando o aniversário bem acompanhado por Priscylvia

***
Gralha Negra em Clima Chuvoso

Sylvia Plath

No ramo rijo lá em cima
Curva-se uma negra gralha molhada
Arranjando e rearranjando suas penas na chuva.
Eu não espero que um milagre
Ou um acidente

Incendeiem a vista
No meu olho, nem busco ver no
Clima desultório intencionalidade alguma,
Deixando folhas manchadas caírem como caem,
Sem cerimônia, nem portento.

Embora eu admita
Desejar, ocasionalmente, algum retruque
Da parte do céu mudo, não posso reclamar: uma
Certa luz menor ainda é capaz de
Saltar incandescente

Da mesa ou da cadeira da cozinha
Como se um ardor celestial pudesse
Possuir os objetos mais obtusos vez por outra –
Destarte santificando um intervalo
De outras feitas inconseqüente

Ao outorgar largueza, honra, dir-se-ia
Mesmo amor. Agora, de qualquer jeito,
Ando suspicaz (poderia acontecer até numa
Paisagem baça, ruinosa como esta); desconfiada,
Mas engajada; ignorante

De algum anjo que resolva refulgir
Subitamente ao meu cotovelo. Só sei que
Uma gralha ajeitando as penas negras fulgura
Tanto que me prende os sentidos, arrasta
Minhas pálpebras, e fomenta

Um breve alívio da temida
Neutralidade total. Com sorte,
Trilhando teimosa através dessa estação dura
De fadiga, vou remendar
Todo junto o monte

De conteúdos. Milagres se realizam,
Se você se importa em chamar assim tais truques
Espasmódicos de radiância. A espera se reinaugura,
A longa espera pelo anjo.
Por aquele raro, randômico descenso.

Versão brasileira: Ivan Justen Santana

Seleção textual e musa inspiradora: Priscila Manhães

terça-feira, junho 28, 2005

Um lindo dia para matar

Pois é:

esta é a octogésima postagem do Delírio (Tatuagens de Acne). Depois Daquele Surto e Morte Súbita duraram 40 postagens cada um, então acho que está na hora de matar este blog mais uma vez.

No entanto, amanhã essa minha história de blogar completa um ano: estou organizando uma festa de aniversário surpresa e você é meu(minha) convidado(a) especial.

Portanto, vamos deixar a história de assassinato pra amanhã: agora é tarde, eu acho que vou dormir.

segunda-feira, junho 27, 2005

Abrindo agora o Catatau do Leminski feito um I-Ching:...

(...)Ida de noite e volta do dia, só penso em ti, quero me alistar: para cá, para lá, é só tu que voa. Em alguém tão longe como posso pensar tanto mas talvez assim foi o melhor: de perto ou lado a lado pensaria menos em quem ali estivesse, vista para ser, pensada não. Pensar me deixe que estou exatamente nesse teu ali e saber que não estás tão minha neste aquizinho. Eu: o último sabedouro, primeiro em pensar que não estamos indo bem ao encontro um do outro no nosso relacionamento. O mundo não deixe pensar que soubemos de tudo: doutrarte, o crivo de perguntas não nos deixaria prosseguir com a sorte que até aqui nos bafejou de fumos de vaidade, emboscadas tártaras, ataques de corsários, caixas pandóricas, precipitações pindáricas, paradoxos suspeitos, apatias peripatéticas e das inarredáveis prolixidades preliminares! Já que outra coisa não faço que penetrar a adiante dentro donde estás sendo pensada a fundo, saiba-me interesseiro em tudo que te diz: respeito! Caso contrário: que fazer quando em noite longa já pensei todos os teus teus, e começo a falar bobagem e o que é mais, sozinho! – como se já não bastasse o estado em que me tem a postos tempos e tempos. Fosse ímã e tu vontade férrea, meus pensamentos te trouxessem até a mim! (...) Manda que eu pense numa parte muito tua, mesmo íntima, e terei muito menos prazer em estrupá-la! (...)

domingo, junho 26, 2005

Postagem Parabéns

Só pra não passar batido o duplo aniversário da minha "mentora blogueira":

(aniversário de blog e de vida)

o presente é o link (minhas parcas musas me limitam a isso):

http://palavradepantera.blogspot.com

Vão lá e leiam tudo:

eu vou ficar aqui meditando nalgum poema que pudesse traduzir o quanto admiro essa criatura fantástica...

sexta-feira, junho 24, 2005

Uno, Dos, Três!

Putz: ainda estou atordoado, acachapado, eletrizado: do mesmo jeito que contra o Santos, quando já nem esperava ir ao estádio um ingresso aparece nas minhas mãos: desta feita fiquei na curva, junto com a torcida Os Fanáticos:

resultado: Atlético 3 x 0 Chivas Guadalajara

Semana que vem jogaremos lá no México, no estádio Jalisco, onde a seleção brasileira disputou a primeira fase da copa de 70 (o tricampeonato, que por sinal está completando 35 anos)...

Hoje não tem poema: só um brinde com uma dose de Chivas e três pedrinhas...

quinta-feira, junho 16, 2005

Placar agregado (quartas-de-final da Libertadores)

CLUBE ATLÉTICO PARANAENSE: 5
santos: 2

Putz: vitória histórica do Furacão na Vila Belmiro: a postagem anterior, vermelha e preta, deu sorte: agora vou postar um poema do Leminski, pra não perder o costume...


quero a vitória
______do time de várzea

valente

covarde

_____a derrota
_____do campeão

5 x 0
_____em seu próprio chão

___________________circo
___________________dentro
___________________do pão

quinta-feira, junho 09, 2005

Le rouge et le noir

STILLBORN
NATIMORTOS

These poems do not live: it’s a sad diagnosis.
Estes poemas não vivem: é um diagnóstico triste.
They grew their toes and fingers well enough,
Criaram bem seus dedões dos pés e dedos das mãos,
Their little foreheads bulged with concentration.
Suas testinhas se protuberaram de concentração.
If they missed out on walking about like people
Se faltaram em perambular como pessoas
It wasn’t for any lack of mother-love.
Não foi por nenhuma falta de amor-de-mãe.

O I cannot understand what happened to them!
Ó não posso entender o que aconteceu com eles!
They are proper in shape and number and every part.
São plenos em forma e número e cada parte.
They sit so nicely in the pickling fluid!
Sentam tão bem no fluido de picles!
They smile and smile and smile and smile at me.
Sorriem e sorriem e sorriem e sorriem pra mim.
And still the lungs won’t fill and the heart won’t start.
E ainda assim os pulmões não enchem e o coração não bate.

They are not pigs, they are not even fish,
Não são porcos, não são nem mesmo peixes,
Though they have a piggy and a fishy air–
Apesar de terem um arzinho de porco e peixe–
It would be better if they were alive, and that’s what they were.
Seria melhor se estivessem vivos, e isso eles estiveram.
But they are dead, and their mother near dead with distraction,
Mas estão mortos, e sua mãe quase morta de perturbação,
And they stupidly stare, and do not speak of her.
E fitam estupidamente, e dela não falam a respeito.


Sylvia Plath
Ivan Justen Santana

segunda-feira, junho 06, 2005

O Sorumbático Homem Mosca

*
Cuidado!

O Homem Mosca está à solta:

se você estiver num bar, ele pode vir filar sua cerveja;

se você estiver de carro, ele pode pedir uma carona;

se você permitir que ele entre em sua casa, ele pode até mesmo tentar furtar seu CD favorito, seu livro predileto, ou mesmo sua velha e querida fita de VHS com o show da sua banda de estimação.

Este supervilão é perigosíssimo: toda a força necessária está sendo empregada na sua captura.

Considerem-se avisado(a)s: qualquer distração pode ser fatal...

sexta-feira, junho 03, 2005

A menina maluquinha

*
CANÇÃO DE AMOR DA MENINA LOUCA
(Mad Girl´s Love Song)

“Eu fecho os olhos e o mundo morre totalmente;
Levanto as pálpebras e tudo nasce outra vez.
(Eu acho que criei você na minha mente.)

Valsam estrelas azuis e vermelhas de repente,
E a escuridão vem a galope trajando xadrez:
Eu fecho os olhos e o mundo morre totalmente.

Sonhei que você me enfeitiçava ao leito lentamente
Com beijos excêntricos e lunáticas canções.
(Eu acho que criei você na minha mente.)

Deus cai do céu, o inferno deixa de ser quente:
Saem os serafins e as hostes de Satanás:
Eu fecho os olhos e o mundo morre totalmente.

Delirei que você voltaria como prometia sempre,
Mas envelheço e não sei nem seu nome mais.
(Eu acho que criei você na minha mente.)

Eu devia ter amado um animal bem diferente,
Um condor, que ao menos volta trovejante todo mês.
Eu fecho os olhos e o mundo morre totalmente.
(Eu acho que criei você na minha mente.)”


Sylvia Plath

Versão brasileira: Ivan Justen Santana

quarta-feira, junho 01, 2005

Blogar ou não blogar? Não tem questão:

Tenho que blogar isso.

Afinal isso é um blog: supostamente deve ter um registro pessoal, no qual fulaninho (no caso eu) conta as peripécias de sua interessantíssima vida.

Como não é interessantíssima sempre, posto só os “melhores momentos”, quando ocorrem: mas chega de metablogagem.

Ultimamente venho agüentando ver meu time perder e calado.

Já perdemos as seis primeiras partidas neste campeonato brasileiro: no ano passado, em 46 rodadas, perdemos só oito vezes: fomos vice-campeões: o campeão foi o Santos.

Nesta noite fui até a Arena da Baixada ver Atlético x Santos, pela Taça Libertadores, o torneio mais importante deste hemisfério.

Que jogo monstro: no primeiro minuto, bola na trave: quase saímos na frente: mas quem saiu na frente foram eles.

O time do Santos joga muito rápido, tocando de primeira e saindo na correria: nosso time jogou no mesmo ritmo: na verdade, mais rápido ainda, porque logo ficamos com um a menos, expulso por derrubar várias vezes o novo pelézinho santista, o famigerado Robinho, que joga feito um foguete (quando quer, porque às vezes ele desanima e anda em campo: eu vi isso no fim do jogo):

tomamos o primeiro gol numa jogada que parecia câmera rápida: daí voltamos a pressionar e saiu nosso primeiro, um cabeceio quase de fora da área: e aí viramos o jogo num rebote que o goleiro deles deu depois de uma cobrança de falta: 2 x 1: aí, aos 43 do primeiro tempo, noutro lance veloz que deixou nossa zaga parada pedindo impedimento, eles fizeram 2 x 2.

Putz.

No intervalo, eu pensava: como é que vamos segurar os caras, jogando com um a menos? Era visível que o atacante Aluísio não tinha condições, e o técnico demorou pra substituí-lo: tomamos um sufoco, mas o inesperado aconteceu: fizemos 3 x 2, numa jogada rápida igual à que eles estavam tentando fazer (não é irônico? não é belo? não é, eu me arrisco mesmo a dizer: poético?) depois conseguimos resistir à pressão, heróica e dramaticamente: enfim: vencemos.

Voltaremos a nos encontrar com o Santos daqui a duas semanas, no dia 15 de junho, véspera do Bloomsday: olha só: uma referência literária pra finalizar, só pra quem acha que futebol não tem nada a ver com literatura: e agora vou abrir outra cerveja e saborear essa vitória rara.

Afinal, futebol, poesia e delírio são isso aí.

sábado, maio 28, 2005

Escovando a estante de clássicos virtuais certa noite...

PERSEU

O Triunfo da Argúcia Sobre o Sofrimento

Só a cabeça já mostra você no ato prodigioso
De digerir o que apenas séculos digerem:
O mamute, claudicante estatuária de tristeza,
Indissolúvel o bastante para enigmar as entranhas
De uma baleia com buracos e buracos, e sangrá-la branca
Nos mares salgados. Hércules não teve problemas,
Lavando aqueles estábulos: lágrimas de um bebê o fariam.
Mas quem se voluntaria para engolir o Laocoonte,
O Cárcere Mortal e aquelas inumeráveis pietás
Ulcerando as paredes sombrias das capelas da Europa,
Museus e sepulcros?
Você.
Você,
Que emprestou penas aos seus pés, não chumbo,
Não pregos, e um espelho para manter a cabeça ofídia
Em perspectiva segura, poderia encarar a careta-górgone
Da agonia humana: um olhar para amortecidos
Membros: não um piscar-basilisco, não um duplo nham,
Mas todos os acumulados últimos grunhidos, gemidos,
Gritos e dísticos heróicos concluindo as milhões
De tragédias encenadas nestes tablados sanguencharcos,
E cada aflição privada uma serpente sibilante
Para petrificar seus olhos, e cada catástrofe
Municipal uma extensão convulsa de cobra,
E o declínio de impérios a grossa casca de uma vasta
Anaconda.
Imagine: o mundo
Socado a uma cabeça de feto, abarrancado, cosido
Com sofrimento desde a concepção acima, e aqui
Está ele à mão. Saibro no olho ou um dedão
Machucado fazem qualquer um se encolher, mas o globo todo
Expressivo de pesar transforma deuses e reis em rochas.
Aquelas rochas, rachadas e gastas, por si mesmas então vão
Se estremunhando e estendem o desespero na face
Escura da terra.
Assim o rigor mortis viria a endurecer
Toda criação, não fosse uma barriga maior
Ainda que engole a alegria.
Você entra agora,
Armado com penas tanto para cócegas quanto vôos,
E um espelho de parque de diversão que torna a musa trágica
Em cabeça decapitada de boneca soturna, uma trança,
Uma serpente enlameada, pendurando-se débil qual absurda boca
Que se pendura em seu lúgubre amuo. Onde estão
Os clássicos membros da teimosa Antígone?
Os robes vermelhos reais de Fedra? As lagrimalumbradas
Tristezas da gentil duquesa de Malfi?
Idas
Na convulsão profunda segurando a face, músculos
E tendões enfeixados, vitoriosos, como a cósmica
Risada acaba com as incosturáveis, pestilentas feridas
De um eterno sofredor.
Para você,
Perseu, a palma, e possa você sopesar
E contrapesar, até o tempo parar, a celestial balança
Que pesa a nossa loucura com a nossa sanidade.

Sylvia Plath
Espelho em português: Ivan (Perseu) Justen Santana

terça-feira, maio 24, 2005

quarta-feira, maio 18, 2005

sexta-feira, maio 13, 2005

Pra sexta-feira 13 não passar batida

Revelarei um grande segredo sem o qual a humanidade não poderá progredir: o poema da postagem anterior na verdade é um título, sendo que o texto mesmo está aí para minhas três milhões de fãs se deliciarem:


nós somos sós
somos um mero
número um
somados a zero
já somos dez

desgastos
desgestos
desgostos
somos os
monstros
sem rastros
sem restos
sem rostos

todos sós
todos sósias
de nós mesmos

terça-feira, maio 10, 2005

Minhas concretices numa fria madrugada

*
Já que minhas concretices fizeram algum sucesso, aqui vai mais um poema visual hiperbólico epitrapélico, direto do meu coração solitário e numeroso para o vosso.



____S
__N O S
S O M O S
__S O S
____S



*

sábado, maio 07, 2005

terça-feira, maio 03, 2005

Pra não falar de futebol

Depois de ter postado no aniversário de Shakespeare, volto a atacar somente agora, desanimado com a campanha do meu time no campeonato brasileiro: dois jogos, duas derrotas, dois gols sofridos, nenhum assinalado.

Mas sem deixar de lado o orgulho paranaense, deixo aqui um soneto de Emiliano Perneta, para o gáudio do público:


DON JUAN

Sensível, como quem podia ser, apenas
Mais vão do que uma sombra, um gesto perpassou,
E logo desse herói, revoltas as melenas,
Brilhava o estranho olhar, que tanto ambicionou...

Era uma confusão. Pálidas e morenas,
Cada qual, cada qual como Deus a formou,
Não foi uma, nem dez, porém foram centenas
As mulheres por quem Don Juan desesperou...

Todas, todas que viu, ele mordeu de beijos,
Enraiveceu de amor, poluiu de desejos,
Tomado de furor, doido de embriaguez...

Um delírio! Porém, Don Juan era um artista,
E portanto, cruel, nervoso, pessimista,
E de resto, o infeliz nunca se satisfez!

Nov. 1903

Emiliano Perneta (1866-1921)

sábado, abril 23, 2005

patati patatá

Eu sei, eu sei: tenho blogado pouco e mal, mas vou tentar compensar isso agora:

quanto ao futebol, meu Clube Atlético Paranaense tem abafado: depois da conquista do título paranaense em cima do arqui-rival (que ultimamente está mais pra infra-arqui-rival), vitória fora de casa na Libertadores: dá-lhe, Furacão! Maiores informações consultem

http://www.furacao.com

ou

http://www.rubronegro.net


Amanhã (domingo) os ouvintes curitibanos podem sintonizar o programa Radiocaos, na 96.3 FM, começando às 20h: ali pelo quarto ou quinto bloco poderão conferir uns tostões da minha voz, falando poemas meus em gravações feitas em pleno surto: o programa tem um monte de música radicalmente elegante, e me dá orgulho de participar: maiores informações aqui:

http://www.radiocaos.com.br

Bem, como esse era pra ser um blog eminentemente poético, deixo vocês com um poema que era pra ser o primeiro do meu primeiro livro, mas agora a idéia é divulgar tudo por aqui mesmo: cordiais saudações.


SE MENTE

Quando eu ainda não era eu
certamente já tinha gente:
tinha Beatriz, Julieta e Romeu,
Dante e Shakespeare, conseqüentemente.

Se uma mente que não fosse demente
deixasse a filosofia de lado,
saberia sempre tranqüilamente
a diferença entre o certo e o errado.

Mas agora eu já nasci sabendo:
não foi de ontem que o tempo urgia.
Só que as rimas fáceis já estão doendo:

um parto pode ser lindo feito a poesia.

domingo, abril 17, 2005

Futebol é isso aí

Meus amigos, minhas amigas, meus inimigos, minhas inimigas, meus irmãos, minhas irmãs, meus leitores, minhas leitoras, e inclusive o pessoal que cai aqui por engano buscando tatuagens de alguma coisa ou trepadas:

neste domingo eu fui até a Baixada e vi O jogo de futebol: um clássico Atletiba, decisão do campeonato paranaense de 2005:

vencemos nos pênaltis, depois de 120 minutos de jogo...

Na verdade, foram 210 minutos de Atletiba neste ano, contando com o primeiro jogo, que vi pela TV:

placar no tempo normal: 1 x 1
prorrogação: 0 x 0
pênaltis: Atlético 4 x 2 coritiba

Me desculpem os intelectuais, mas futebol e poesia são artes irmãs: basta consultar as letras dos hinos dos clubes: olha só essa quadra do hino do meu Clube Atlético Paranaense:

A tradição que não tem jaça
Nos legou o sangue forte
Rubro-Negro é quem tem raça
E não teme a própria morte

Aqui vai um soneto comemorativo


Suas cores são o rubro duma rosa
Ou do sangue que percorre o corpo inteiro:
A cor do negro, herança generosa,
No caldeirão fermenta brasileiro.

Com ritmo vibro: em tarde ensolarada
Ou mesmo em tempestade torrencial:
Nessa candente Arena da Baixada
Onde o domingo é festa sem igual.

E essa paixão, que nem sei explicar,
Tornou-se inda mais forte no proscênio
Desse teatro onde, ao despertar,

O Atlético Paranaense então,
Furacão do Século e do Milênio,
Sagrou-se e sagrar-se-á sempre campeão!

Ivan Justen Santana

(decalcado de um soneto de Edson Malachini)

sexta-feira, abril 15, 2005

um tributo aos gianninis

*
A letra parece que é do Caetano Veloso, a canção é dos Mutantes, mas a versão definitiva pra mim é a dos Gianninis, a melhor banda sixtie do século vinte e um. Apavorante!


TREM FANTASMA

Quatrocentos cruzeiros
Velhos compram com medo
Das mãos do bilheteiro
As entradas do trem fantasma
Ele e a namorada
Ele não pensa em nada
Ela fica assustada
Quatrocentos cruzeiros
De força arrastam
O rapaz e a moça para
O lugar em cinemascope brilhante
A montanha gigante de generais verdejantes
E aparece distante
O trem no espelho brilhante
Desde o primeiro beijo
Arrebenta o espelho
Quatrocentos cruzeiros
Quatrocentos morcegos de força
O beijo, o rapaz e a moça
O trem dentro d'água
A piscina parada
Ela não pensa em nada
Ele pensa e não diz
Onde tem muita água tudo é feliz
O primeiro beijo
Quatrocentos cruzeiros
Zé quarenta HP's de emoção
O Zé do Caixão
Traz os bichos da criação
Até o portão e
Terminou a sessão
Quatrocentos cruzeiros
Velhos compram com medo
Ele e a namorada
Ela não pensa em nada
Ele pensa em segredo

segunda-feira, abril 11, 2005

Morridinha básica

(...)
Morrer faz bem à vista e ao baço,
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma.

Morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma.

Paulo Leminski

segunda-feira, abril 04, 2005

GUIADO POR ANTONIO THADEU WOJCIECHOWSKI

*
Elas vêm me dizer: eu te farei o bem.
Insistem a implorar: te livrarei do mal.

Bramo e babo, brâmane na lama.

O sinal fica vermelho, azul, verde,
amarelo, alaranjado, o sinal:

finco o pé no acelerador, o pneu canta,

não dou nem tchau.

sexta-feira, abril 01, 2005

versos da boca do forno

meti meus pés
pelas suas mãos,

encolhi os ombros
nas suas coxas

e lasquei cócegas
por suas palmas:

vamos fazer uma

nossas duas almas?

segunda-feira, março 28, 2005

Ligando de novo a máquina de prosa

Então,

ultrapassei o meu aniversário de 32 anos quase despercebidos: eu, o aniversário e os 32 anos.

Os presentes vieram depois: quinta-feira passada, livre de obrigações, fui ver a MORDIDA, cheio de mixed emotions pra saber quem seria capaz de substituir minha pequena ídola máxima Tati Lemos nos vocais.

Assisti antes ao Charme Chulo, uma banda de quem eu pensava que “o nome é melhor que a banda”, depois de ter visto só uma apresentação.

Percebi que evoluíram, estão bem ensaiados: gostei, mas nada que chegue próximo da adoração que nutro pela MORDIDA.

Cujo show foi muito muito, com a garota Isis (nome perfeito pruma Garota Esotérica) fazendo um belo batismo de fogo, na minha opinião suspeitíssima de fanático mordido.

O caso é que passei quase o show inteiro grudado boca a boca numa linda garotinha ruiva que o coelhinho da páscoa trouxe pra mim (aniversário atrasado) e lá no fundo do tumulto emotivo e dos catos ouvi a garota Isis mandar muito bem assim:

(...)
só nunca esqueça
não é por mal
o mal que eu te faço não é por mal
o mal que eu te faço

não te peço resposta
não entrego as minhas chaves
sem querer pisei no teu lado mais frágil

[esse é um trecho crucial: Isis foi bem tecnicamente, mas me fez lembrar que a interpretação da Tati era mais dramática: flutuava, desafinava ironicamente pra acentuar FRÁÁÁGIL...]

só nunca esqueça
não é por mal
o mal que eu te faço não é por mal
o mal que eu te faço


É a mensagem perfeita pra mim mesmo, já que só consigo fazer mal pra mim, mas não é por mal.

Outra coisa legal de contar aqui foram os filmes que eu vi, enquanto o festival de teatro comia solto...

A DAMA DE SHANGAI
Orson Welles e Rita Hayworth (loira e de cabelo curto)

HIROSHIMA MON AMOUR
de Alain Resnais
roteiro de Marguerite Duras

na verdade esse eu vou ver agora: amanhã eu conto como foi...

quarta-feira, março 23, 2005

outros tombos

*
a avalanche preparou sua queda
arquitetou a mudança da paisagem
não deixou pedra sobre pedra
num ruído infernal sem frase

o abismo, sentindo-se traído
mergulhou em profunda depressão
"este é um vale por mim desconhecido
não domino mais quem cai ou não"

"caia em si" disse a avalanche
o abismo se olhou de cima a baixo
e descobrindo seu próprio alcance
saltou "por você me esborracho"

a avalanche duvidou de início
mas já rolava em outro precipício


Marcos Prado

segunda-feira, março 21, 2005

MINHAS SETE QUEDAS

*
minha primeira queda
não abriu o pára-quedas

daí passei feito uma pedra
pra minha segunda queda

da segunda à terceira queda
foi um pulo que é uma seda

nisso uma quinta queda
pega a quarta e arremeda

na sexta continuei caindo
agora com licença

mais um abismo vem vindo


Paulo Leminski

sábado, março 19, 2005

Interrompemos nossa programação normal

*

Que ninguém fique até o fim
pra ver se essas linhas vão desabar:
desabafar foi como consegui sair,
ferido da beleza desse olhar.

Cada olho teve que revezar
o que as telas não puderam vazar:
as lágrimas que todas elas vêm
levando e ainda vão levar.

Mas, depois de ler seu jornal,
minha arte se refez em bem e mal,
e a vida voltou àquela tão banal
educação sentimental:

antes que o amor te amorteça,
tua chama densa ainda me despreza
com presteza, frágil, presa
no inimaginável final:

meus nervos que se retesem,
tua carne aflora à pele,
treme e termina assim:
a jovem Liz Taylor chama o velho
Dean:

James Dean:
carbonizado no carro vermelho,
vestido da velha calça de brim,

sem vencer a beleza

mas prestes a

quarta-feira, março 09, 2005

Desopilando com uma prosa bem fiada

Então, tá:

A quem interessar possa:

hoje o meu inferno astral mostrou sua face mais cruel: eu acordei atrasado, bebi dez limões do bem e fiz a careta mais horripilante do universo, chamei um táxi, entrei no táxi: o motorista fez que ia pegar o viaduto, mas pegou a Engenheiros Rebouças, trânsito, calor, aí finalmente o carro chegou, estacionou, dézão pagou a corrida (R$10,20 no taxímetro), e quando fui fechar a porta do carro (estou com tique-nervoso de fechar portas de carro, vocês nem sabe[m] porque) o dedão da mão direita quase ficou preso, levou uma espremida da porta, e eu passei o dia mal utilizando a mão do dedão doído, doido como sempre e mandando bênçãos pro mundo inteiro.

É bom voltar ao estilo blog, eu quase esqueci que sabia fazer isso, mas é melhor não me soltar nem confessar muito.

Pra poesia nunca falta assunto:

vamos dançar um xote junto?

segunda-feira, março 07, 2005

AMODORRA

*
DA MODORRA AO AMOR


Vida reduzida ao tédio.
Contemplação sem o templo.
Tempo escasso que não passa.
Rima pobre que contemplo.

Risada incontrolável estalada
no velório do finado iniciado.
Tropeção pelos degraus da escada.
Primeiro beijo do amor acabado.

Todas as coisas que eu procuro,
créditos e débitos sem juro,
cenas sem cinema nem novela:

apanhei a mão dela: quase fria
e um abraço abraçado de alegria
desabrochou feito flor amarela

quarta-feira, março 02, 2005

Parado na paródia

*
POEMA DE SETE CORES TODAS DA MESMA COR

quando nasci
um pintor torto
desses que cortam as orelhas
disse
vai tinta!
ser guache na vida


Ivan

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

O rimador

(agadanhado de Carlos Drummond de Andrade)

Lutar com as rimas
é luta mas ri.
Em tanto nos rimos
de mim e de si.
São muitas, eu pouco,
como já vali!
Não me julgo louco:
como o javali.
Mas lúcido tento
marcar nelas tento.

Lutar com as rimas
parece tão bruto.
Parece tristeza
entre tanto luto.
É fluido inimigo
sem sangue nem músculos
e se ri de tudo:
dos haicais minúsculos
ao épico homérico.

Lutar com as rimas
não rima com lutas,
sejam elas virgens
sejam elas putas.
Essas foram fáceis,
dignas de Hollywood.
Se elas fossem fósseis
ou algo mais sólido,
fossem cicatrizes,
fossem cinco atrizes
ou algo mais óbvio,
tanto faz pra vida.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Na casa 23

*
Na casa vinte e três
existem duas jogadoras de xadrez.
Duplo fascínio: branca e negra.

O tabuleiro treme na vez
das brancas: troiana e grega
delicadas destroem os trebelhos,
pupilas faíscam pelos espelhos,
lances velhos, novas combinações,
sangue veloz nas veias, tentações,
cenas estáticas que se sucedem, e então


um golpe tático!
Previsto muito à frente,
um sacrifício calculado:

as negras entregam material
pra ganhar inevitavelmente
no final.

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

uma canção faz dez anos

*
SAMBA DA GLÁUCIA

(Furtado/ Goedert/ Grossi/ Prado/ Santana)

Vamos pra casa da Gláucia
É lá que nóis pode beber
Depois de fritchar oitcho ovo
De fome ninguém vai morrer

Vem Magoo
Pardal, Tatiana e Eduardo
Vem Peru
Ivan, Cobaia e Marcos Prado

E o Gunther
Chorando as mágoas do passado
E a Alessandra
Mais coitada que o coitado

Vem Edílson
E vem a Dani
Vem o Edson
E a Fabiane

Sem a Patrícia
Vem o Podrão
Há mais de mil
Comunistas no salão

Vamos pra casa da Gláucia
É lá que nóis pode beber
Depois de fritchar oitcho ovo
De fome ninguém vai morrer

(repete indefinidamente, batucando e bebendo)

domingo, fevereiro 13, 2005

Tom Waits, but eventually goes (quarto e último ato)

*
ONDE EU CAIR MORTO

Meu cérebro dança
Com o coração nos sapatos
Quis engolir o mar
Que agora está de ressaca

Ela me apunhalou pela frente
E já se diverte às minhas costas
Mas qualquer lugar onde eu cair morto
Ali será minha casa, idiotas

Minha vida era cheia de ouro
Mas tudo virou de pernas pro ar
Agora só nuvens passam pelo meu bolso
Chovendo no meu calcanhar

Aprendi a viver só de minhas respostas
Mas qualquer lugar onde eu cair morto
Ali será minha casa, idiotas


Tom Waits

versão brasileira
Ivan Justen Santana
e
Marcos Prado de Oliveira

sábado, fevereiro 12, 2005

TW4U3

*
MAGRELAS QUEBRADAS

Magrelas quebradas
Correntes velhas arrebentadas
Guidões enferrujados
Na garoa da madrugada
Essas coisas deviam ter um orfanato
Um lar do objeto desamparado

Março está lembrando Dezembro
Adeus é a única palavra que estão dizendo
O verão se foi
Mas minha paixão ficará congelada
Como as velhas magrelas quebradas
Na garoa da madrugada

Magrelas quebradas
Não digam nada pros meus pais
Se aquelas cartas de baralho foram dar nos seus pedais
Espalhadas como esqueletos nos quintais
As rodas da frente não rodam sem as detrás

Primaveras voam num lance de dados
E o meu azar sempre cai no ano errado
Porém todas essas coisas que você me dá agora
Mesmo depois de quebradas não serão jogadas fora

O verão se foi
Mas minha paixão ficará congelada
Como as velhas magrelas quebradas
Na garoa da madrugada


Tom Waits

dublagem:
Ivan Justen Santana

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Tom Waits 4 U 2

*
OS BRAÇOS DE RÚBIA
(Ruby´s arms)


Vou deixar pra trás todas as blusas
Que usei quando éramos uma dupla
Levo apenas a bota preta
E a velha e surrada jaqueta
– Digo adeus aos braços de Rúbia

Apesar do meu coração estar se partindo
Atravesso, sutil, suas venezianas
Logo suas pestanas estarão se abrindo
Seu rosto foi lavado pela aurora
E um azul triste toma o quarto nesta hora
Você sonha um abraço, a fronha enruga
Não há nada que eu possa fazer agora
– Digo adeus aos braços de Rúbia

Você ainda achará outro soldado
Juro por Deus que na noite de Natal
Haverá alguém como eu do seu lado
Fico só com um lenço do seu enxoval
E num passo leve que o criado-mudo dubla
Desvio dos seus guizos quebrados
E digo adeus aos braços de Rúbia

Saio da sala à meia-luz pruma manhã escura
Vejo os mendigos que vivem na rua
Mantendo o fogo aceso apesar da chuva
Jesus, o ônibus não chega, a garoa me nubla
Não vou dizer te amo nunca
Nem te ferir com qualquer outra frase dúbia
Não tenho mais nenhuma desculpa
– Digo adeus aos braços de Rúbia


Tom Waits

versão brasileira:
Ivan Justen Santana
e
Marcos Prado de Oliveira

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Tom Waits 4 U

*
ESSA VEIO DO CORAÇÃO

Ao sair tranque a porta
Você é livre, nota?
Enquanto isso bebo outra
Isso é amor ou não?
Nunca me vi dessa forma
Oh baby, essa veio do coração

As silhuetas na parede lembram uma linha férrea
Queria vê-las indo ao avesso do que vão
A lua no céu, uma estação amarela
Oh baby, essa veio do coração

Corro até a esquina numa aposta impossível
Pra atender você no orelhão
Estão desregulados os freios do conversível
Oh baby, essa veio do coração

A larva está escalando o abacateiro
Dando suas costas para o paredão:
Preparo para mim um copo cheio
Oh baby, essa veio do coração

Loiras, ruivas e mulatas
Distribuem marteladas
Esculpindo-me a frio com um formão
Foram apenas apóstrofes mal colocadas
Oh baby, essa veio do coração

Não sei bem, isso são saxofones ou alarmes?
Quando chove a pista escorrega na contramão
Eu te amo mais do que podem dizer essas frases
Oh baby, essa veio do coração


Tom Waits

versão brasileira:
Ivan Justen Santana
e
Marcos Prado de Oliveira

desopilando com versinhos

*
é duro

ter que criar

na escuridão


no futuro

toda clareza

será inexatidão


difícil

a beleza

ser mais

que um clarão


quem tem certeza

engole as respostas

dá as costas às costas

e se perde na multidão


sem sombra de dúvida

só sobrará atingida

a iluminação

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Postagem carnavalesca

Então é carnaval: visto a máscara de prosador e colo aqui um trecho das minhas historinhas verídicofantásticas (podem crer que foi bem assim que aconteceu).


O RATO ERA ELA

Descia a pé a Treze de Maio desde o viaduto, o céu cada vez mais escuro e olha que nem eram três da tarde, parecia quase noite. Mas eu nem pensava nisso. Pelo menos eu não tinha pulado de cima do viaduto dessa vez, era o que eu pensava, tentando me manter ligado pra desviar dos buracos na calçada. Tinha pulado fora era da faculdade, me candidatando a vagau em tempo integral. Eu me sentia mais um rato, nem podendo imaginar que (é estranho mesmo) o rato era ela.

Ela vinha subindo, nossos olhos se encontraram sorrindos. Aéreo, eu mal percebi que a tempestade já ia começando, com aquelas gotas grossas estalando que nem traques. Ela abriu um guarda chuva ridículo, grotesco, cor berrante, numa palavra: estapafúrdio.

Aonde você vai (quo vadis, ela perguntou com todo o seu latim)?

Não sei, eu disse, e ela já se encostou mais em mim a título de não tomar tanta chuva. Aí pronto, num relâmpago já estávamos no maior malho. Comigo é assim, ou pelo menos tem que ser, já que fico todo pateta se a conversa estica e quase sempre perco a oportunidade de agarrar a mulher: mas nunca achei uma que beijasse mal.

Ai, assim você me tira o fôlego...

Quarenta e cinco segundos e eu já cortaria um braço por ela: um pateta, sempre um pateta. A tempestade ia na mesma medida: a sarjeta já era uma torrente, um bueiro começou a jorrar feito uma fonte. Aproveitei o escândalo do clima pra encaixar melhor o corpo dela no meu, começando a ter flashes das três ou quatro vezes que a tinha visto, uma vez agarrada num dos meus melhores amigos. Mas daí eu nem pensava mais em nada, virando ela contra a parede e atacando alucinadamente a criatura.

Aiiii, hmmmmm......................

Vuushhhhhhhh: o guarda-chuva rocambolesco foi pelos ares sem que eu pudesse piscar, mas ela deu um gritinho sensualíssimo (na minha modesta opinião), só que era também um pedido de socorro, e o herói que existe dentro de todo pateta acordou: a reação máxima foi soltar um dos braços e dar um passo pra trás, no que ela aproveitou pra dar dois à frente e fazer menção do terceiro, em busca do guarda-chuva...

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIIIII!!!!!!!!!

O grito foi mais ou menos assim, estilo fã enlouquecida cruza com atriz de horror B: do bueiro que jorrava um rato foi EJETADO (sem aviso) num pulo de meio metro junto com o jato de água escura.

Ela (a garota, não a água escura) deu um salto quase equivalente ao do rato, caindo nos meus prontos braços (herói!), eu milagrosamente recuperando o poder de reação e me controlando pra não cair chorando de rir. Calculei que conseguiria carregar a mocinha na subida no máximo por duas quadras, mas daí era só mais uma até o cine Bristol.

Foi lá que retomamos com grande intensidade os trabalhos vencidos do amor.

The end

Como é? Não posso terminar este trecho shakespearizando? Azar...

O quê? Vocês querem saber qual filme estava passando? Bem, o terceiro dos Aliens, que a Ripley (Sigourney Weaver) está de cabeça raspada. Por sinal, duas coincidências aí: o alien que pula de dentro da própria boca era a cara do rato saltitante, e aquela garota uma vez raspou a cabeça feito a Sigourney só porque eu disse que ela ia ficar mais bonita careca. Quem me lê até pensa que sou isso tudo... Mas as devidas e maiores explicações ficam pra depois, que agora eu vou dormir.

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Adorno lírico no verso maltrapilho

*
Há dor no poema que enfeita
Há dor no poeta que aceita
Aquilo que diz e não cala
Há muito não cabe na sala

Partiu para outro mundo
Sem nem dizer a que veio
Saiu dum poço sem fundo
Deixou o copo no meio

Triste não estava – nem parecia
Mas aquele silêncio acho que dizia
Me dite – me dite – eu me ditava
E o rio corria levando a lava


Antonio Thadeu Wojciechowski
Ivan Justen Santana

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Diálogo fantástico pós-coito ininterrupto num chat incógnito e abscôndito

*
Nãoseiquemzinha sussura sequiosamente para Nãoseiquemzinho:

Ah, vê se me esquece e me chama de Clementine Kruczinsky...

Nãoseiquemzinho obtempera abatedouramente para Nãoseiquemzinha:

Upa: então dá uma subidinha e me chama de Caidaço Boy...

domingo, janeiro 30, 2005

prepare o seu coração

deitado na grelha
ou flechado no espeto
mande muita brasa

encharque com maremotos
de molho de pimenta malagueta
feita em casa

acompanha chili ao chilique
caldo de sururu
e guarnições alla putanesca

servir pegando fogo:
quem comer mais e chorar menos
ganha o jogo

sábado, janeiro 29, 2005

agora se me pedirem prosa

Agora se me pedirem prosa, conto uma historinha, com direito a diálogos:

Fulano, passeando pela cidade, encontra seu amigo Sicrano:
- Então Sicrano, comeu a Beltrana?
- Eu e a Beltrana estamos de rolo...
Aí Fulano abre o aurélio instalado no cérebro e confere, na 16a. acepção:
Rolo
16. Bras. Pop. Conflito ou briga em que se envolvem numerosas pessoas. [Sin., nesta acepç., quase todos eles bras. e pop.: adevão, água-suja, alteração, angu, angu-de-caroço, aperta-chico, aranzel, arranca-rabo, arranca-toco, arregaço, arrelia, arruaça, bababi, baderna, bafa, bafafá, bagaço, balaio-de-gatos, bambá, bambaquerê, banguelê, bangulê, banzé, banzé-de-cuia, banzeiro, bereré, berzabum, bochinche ou bochincho, bode, bololô, bruega, chinfrim, cocoré, coisa-feita, confusa, confusão, cu-de-boi, cu-de-gato, desordem, destranque, embrulhada, esbregue, esparrame ou esparramo, esporro, estalada, estrago, estralada, estripulia, estrupício, fandango, fecha, fecha-fecha, forrobodó, frege, frevo, fubá, furdúncio ou furdunço, fuzuê, gangolina, grude, pampeiro, pau, pega, pega-pega, perequê, perereco, pipoco, porqueira, quebra-quebra, quebra-pau, quebra-rabicho, quelelê ou quilelê, quizumba, rififi, rixa, safarrascada, salseiro, sangangu, sarapatel, sarilho, sarrabulhada, sarrabulho, sarrafascada, seribolo, sororó, surumbamba, sururu, sururuzada, tempo-quente, trabuzana ou tribuzana, trança, trovoada, turumbamba, turundundum.]

sexta-feira, janeiro 28, 2005

três trepadas intrépidas

o crepúsculo estripa o dia
a noite tripudia suas estripulias
e a madrugada cada vez mais arredia

quinta-feira, janeiro 27, 2005

beijos & beijos & beijos

**


PRIMEIRO BEIJO DE GOIABA

eu vi um primeiro beijo ontem
eu vi vários primeiros beijos
o meu primeiro beijo nunca acaba
o meu primeiro beijo: pura baba



DEPOIS DAQUELE BEIJO DE ADEUS

O beijo de adeus
estalou feito uma tacada de sinuca
num pacau de bico
e eu fui rolando
bola sete na caçapa do canto.

O beijo mordeu o adeus.
O beijo amor deu ao diabo.

Beijo de adeus:
até hoje fujo
do sujo babujo
que cujo beijo
me deu.

terça-feira, janeiro 25, 2005

umas sereias em minha vida

**
Eu sei que já saiu no meu blog mater (http://palavradepantera.blogspot.com : visite e diga que me ama), mas ocorre que eu di umas guaribadinhas cirúrgicas no texto, e postando deste jeito interestrófico a audiência terá chance de acompanhar de perto as estripulias e traquinagens tradutórias... Oxalá a Zoe me perdoe.

Mas então, não querendo abusar da vossa hebetude (o número de comentários tende a zero quando posto traduções, que são a tônica do nosso blog herói), aí vai: divirtam-se.


LORELEI


It is no night to drown in:
A full moon, river lapsing

Black beneath bland mirror-sheen,

Não é uma noite pra se afogar dentro:
Uma lua cheia, rio decaindo
Negro entre brando brilho-espelho,

The blue water-mists dropping
Scrim after scrim like fishnets
Though fishermen are sleeping,

As neblinas d´água azuis pingando
Fios após fios feito redes de pesca
Apesar dos pescadores dormirem,

The massive castle turrets
Doubling themselves in a glass
All stillness. Yet these shapes float

Os torreões maciços do castelo
Duplicando-se numa superfície
Toda mansidão. Mas flutuam estas

Up toward me, troubling the face
Of quiet. From the nadir
They rise, their limbs ponderous

Formas até mim, perturbando a face
Da quietude. Do ponto mais baixo
Se erguem, seus membros graves

With richness, hair heavier
Than sculptured marble. They sing
Of a world more full and clear

De riqueza, cabelo mais pesado
Que mármore esculpido. Cantam
Dum mundo mais cheio e claro

Than can be. Sisters, your song
Bears a burden too weighty
For the whorled ear's listening

Que o possível. Irmãs, sua canção
Carrega uma carga densa demais
Pra audição do ouvido espiralado

Here, in a well-steered country,
Under a balanced ruler.

Deranging by harmony

Aqui, numa terra bem dirigida,
Sob um governante destro.
Transtornando por harmonia

Beyond the mundane order,
Your voices lay siege. You lodge
On the pitched reefs of nightmare,

Muito além da ordem terrestre,
Suas vozes armam cerco. Hospedam-se
Nos recifes agudos do pesadelo,

Promising sure harborage;
By day, descant from borders
Of hebetude, from the ledge

Prometendo acolhida certa;
De dia, descantam dos limites
A hebetude, e também das janelas

Also of high windows. Worse
Even than your maddening
Song, your silence. At the source

Altas a beira. Pior ainda que
A sua enlouquecedora canção,
O seu silêncio. Na origem

Of your ice-hearted calling --
Drunkenness of the great depths.
O river, I see drifting

Do seu chamado de coração gelado –
Bebedeira das grandes profundidades.
Oh rio, eu vejo derivando

Deep in your flux of silver
Those great goddesses of peace.
Stone, stone, ferry me down there.

No fundo do teu fluxo de prata
Aquelas grandes deusas de paz.
Pedra, pedra, me leve lá pra baixo.


Sylvia Plath

Versão brasileira: Ivan Justen Santana

domingo, janeiro 23, 2005

Receita de quase tudo

*
café da manhã com cereal
torradas que se lasquem
partículas de fruta

depois quem sabe a morte

manhã linda que suspira
massagem nos músculos tensos
música ou só um assobio

depois talvez a morte

almoço com brilho de batatas
descascadas sem esforço aparente
cozidas com verde picadinho

depois numa dessas a morte

tarde de varde ou trabalhando
num ambiente sem repugnância
horário de saída sem ânsia

depois podem vir
o fim do projeto
a barriga do arquiteto
a poeta
o administrador
o garçom
o relógio sem mostrador

a dor
a morte
e o amor

sábado, janeiro 22, 2005

versos velhos para sábados novos

*
porque hoje é sábado
eu acordei mais cedo:
um pouco abobado
um pouco bêbado

e mirando você deitada
ainda dormindo de lado
murmurei ao pé do seu ouvido
todos os segredos
mais sagrados da minha vida

ainda dormindo de lado
você sorriu uma gargalhada
e sussurrou que essa piada
eu já tinha te contado

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Faça 666 Ferlinghettis felizes com seus comentários (último e derradeiro adeus)

**
COME LIE WITH ME AND BE MY LOVE

Venha deitar comigo e ser meu amor
Amor minta comigo
Jaza aqui comigo
Ao pé do cipreste
No doce gramado
Onde o vento fenece
Onde o vento perece
Enquanto a noite marca passo
Venha deitar comigo
A noite toda comigo
E me beije até se fartar
E se farte de fazer amor
E deixe nossos eus falarem em par
Por toda a noite ao pé do cipreste
Sem fazer amor
**
Lawrence Ferlinghetti
(Starting from San Francisco, 1961)
Versão brasileira: Cardoso & Santana Translation Productions

terça-feira, janeiro 18, 2005

Diga 33 vezes Ferlinguete-se (dou-lhe duas...)

**
Heaven...


________O céu

______________andava a meio palmo aquela noite

__no recital de poesia

_________escutando frases requentadas

____quando ouvi o poeta ter

_______________________uma ereção rimada

___________e então mirar a distância

____________________com o olhar perdido

_____“Todo animal” ele disse finalmente

_______“Depois de transar entristece”

___Mas os casaizinhos do fundão

___________________pareciam distraídos

___________e sem estresse



Lawrence Ferlinghetti

(Pictures of the Gone World, 1955)

Versão brasileira: Cardoso & Santana Translation Productions

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Diga três vezes Lawrence Ferlinghetti (parte I)

h
O que ela ia dizer pro ursinho fantástico...


O que ela ia dizer pro ursinho fantástico

e o que ela ia dizer pro seu irmão

e o que ela ia dizer

_________________pro gato com patas de oráculo

e o que ela ia dizer pra mãe

depois daquela vez que se deitou deleitosa

_____________________________entre as doces flores

_______na margem quente do regato

___________onde os fetos desfaleciam no ar alquebrado

_______________da respiração do seu amado

______e os pássaros despirocavam

_______________________e se atiravam

pra saborear ainda quente no chão

_____________a semente de esperma esporramada


Lawrence Ferlinghetti

(A Coney Island of the Mind, 1958)

Versão brasileira: Cardoso & Santana Translation Productions

domingo, janeiro 16, 2005

V I E L A

*
vi ela na avenida sinuosa

insinuando orquídeas e perfídias

artificiosas

bebendo copos de leite

e vomitando rosas


me desentrevei numas trovas

tropecei no pé de sorridentes leprosas


me refugiava na poesia

enquanto ela

toda cheia de dedos

se evadia da prosa



Francisco Cardoso

Ivan Justen Santana

sábado, janeiro 15, 2005

LORELEI

Philip Chevron (The Pogues)
versão brasileira: Ivan Justen Santana
You told me tales of love and glory
Same old sad song, same old story
The sirens sing no lullaby
And no-one knows but Lorelei
Você cantou amor e glória
A mesma velha, triste história
Sereias não nanam neném
E só quem sabe é Lorelei

By castles out of fairy tales
Timbers shiver where once there sailed
The lovesick men who caught her eye
And no-one knew but Lorelei
Castelos dos contos de fada
Troncos chiando onde navegaram
Os corações que a viram bem
E só quem soube: Lorelei.

River, river have mercy
Take me down to the sea
For if I perish on these rocks
My love no more I´ll see
Rio, rio, piedade
Só me leve até o mar
Pois se eu cair nestes rochedos
Não poderei amar

I´ve thought of you in far-off places
And puzzled over lipstick traces
So help me God, I will not cry
And then I think of Lorelei
Pensei em você em terras longínquas
Pistas confusas noutras línguas
Por minha fé, nunca chorei
Então eu penso em Lorelei

I travel far and wander wide
No photograph of you beside me
Ol´man River´s not so shy
And he remembers Lorelei
Eu viajei por todo lado
Sem ter ao menos o seu retrato
O velho do rio sorri também
Ele recorda Lorelei

River, river have mercy
Take me down to the sea
For if I perish on these rocks
My love no more I´ll see
Rio, rio, piedade
Só me leve até o mar
Pois se eu cair nestes rochedos
Não poderei amar

If I should float upon this stream
And see you in my madman´s dream
I´d sink into your troubled eyes
And none would know ´cept Lorelei
Se eu flutuar nessa corrente
E vir você na minha mente
No seu olhar mergulharei,
Quem vai saber: só Lorelei

River, river have mercy
Take me down to the sea
For if I perish on these rocks
My love no more I´ll see
Rio, rio, rio, piedade
Só me leve até o mar
Pois se eu cair nestes rochedos
Não poderei amar

But if my ship, which sails tomorrow
Should crash against these rocks
My sorrows I will drown before I die
It´s you I´ll see, not Lorelei
Mas se o meu barco amanhã cedo
Bater direto nestes rochedos
Meu sofrimento afogarei
Verei você e não Lorelei

sexta-feira, janeiro 14, 2005

A DEZ MÃOS

*

Upgrade de Deus

Eu sou onignorante
dia sim dia não
mal levo adiante

meu DNA é a bichinha
da mosca da merda do cachorro
do cavalo do bandido

quanto mais Buda virar o bundão
mais aumenta o corinho do Alcorão


Catarina Velasco
Edilson Del Grossi
Ivan Justen Santana
Sérgio Viralobos
Thadeu Wojciechowski

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Matando saudades da morte

(e atendendo aos insistentes pedidos)

Pra melhor fruir minha canção de amor à morte, é bom saber que eu a fiz inspirado por uma cançãozinha infantil que uma priminha minha me ensinou em tenra idade, versando assim:

Fui no cemitério,
tério tério tério

Era meia-noite,
noite noite noite

Vi uma caveira,
veira veira veira

Era vagabunda,
bunda bunda bunda

Olha o respeito,
peito peito peito


Então, a mistura de sexo e terror sempre foi pra mim muito divertida e perfeitamente apropriada pras almas infantis feito a minha. Cantem comigo:


AMORTE

Eu fui no cemitério
Pra me encontrar com a morte
Eu tava bem travado
Eu tava bodeado

*corinho sinistro*
Me encontrar com a morte
(repete)

Lá longe eu vi um vulto
Ela estava chegando
As névoas me abraçaram
As trevas me engoliram

*corinho sinistro*
A morte está chegando
(repete)

E fomos prum motel
Onde eu a penetrei
Ela me disse agora
E eu confesso que gozei

*gemidos maliciosos*
penetrando a morte
(repete)

Acordei ressaqueado
Com os nervos em frangalhos
Então vi seu bilhete
Ela tinha me deixado

*uivos*
A morte me deixou
*lamentações*
Ela me abandonou

E hoje vivo louco
Procurando minha morte
Mas nunca mais vou ter
Aquela mesma sorte

De
*corinho sinistro*
Me encontrar com a morte
*corinho sinistro*
Me encontrar com a morte


Ivan Justen Santana

(1989)

terça-feira, janeiro 11, 2005

HOT DOG COMPLETO

*
CADELA COR-DE-ROSA

O sol está brilhando e hoje o céu é de brigadeiro.
Guarda-sóis vestem a areia com as cores de janeiro.
Nua, você atravessa a avenida no seu passo ligeiro.

Nossa, nunca tinha visto uma cadela tão pelada!
Nua, sem um fiapo sequer cobrindo a pele rosada...
A turma de transeuntes abre alas, apavorada.

Claro que ao menor sinal de raiva o povo já se esconde.
Mas você não é louca: aliás, o seu olhar tem tom de
inteligência, apesar do corpo ter sarna. Onde

estão os filhotes? (Mãe na certa, pelas tetas cheias.)
Talvez tenha escondido as crias nessas favelas feias,
enquanto sobrevive esperta, gingando nas areias.

Não sabe da última? Manchete em todos os jornais:
o drama social dos mendigos já não existe mais –
estão todos sendo atirados nos rios e nos canais.

Pois é: o idiota, o paralítico e o parasita
vão boiando pelas marés de esgoto, na noite aflita
dos subúrbios, em cantos da cidade que a luz evita.

Se eles são capazes dessa atrocidade com pedintes
de uma, duas ou nenhuma perna, com bebuns errantes,
o que é que não vão fazer com cães quadrúpedes e doentes?

Nos botecos e nas esquinas corre agora uma piada
dizendo que o mendigo prevenido hoje em dia arrecada
troco pra comprar seu colete salva-vidas. Mas nada

podia ser pior que o seu estado se fosse o caso
de ter que flutuar, ou nadar cachorrinho até mais raso
possível. Veja bem: a solução mais prática e razo-

ável é vestir uma camisa listrada e sair por
aí. Nesta noite você não pode mais causar dor
nos olhos dos foliões. Mas ninguém vai ver um cachor-

ro mascarado e fantasiado nos dias de festa
carnavalesca. Até quarta-feira de cinzas resta
a euforia. Quais sambas você gosta? Quais detesta?

Estão dizendo que o carnaval anda degenerando
– a televisão, os gringos, ou sabe-se lá que bando
arruinou toda a folia. Bobagem. De vez em quando

tentam abalar o nosso evento mais sensacional.
Mas ser uma cadela depilada vai pegar mal.
Vista-se! Vista-se logo e vá pular o Carnaval!


Elizabeth Bishop (1979)


Pentadecassílabos brasileiros: Ivan Justen Santana

(publicado originalmente em 1995, no jornal Calamidade,
do Centro Acadêmico de Letras da UFPR)

domingo, janeiro 09, 2005

Postagem desabafo com pedaço de cadela

_

Voltei de novo da Riviera da Januária. Os fogos de Copacabana foram lindos, principalmente com a fumaça e o trânsito na volta. Amanhã é trabalho novamente. Jeito bom de começar o ano: corpo queimado e coração ardendo.

A freqüência desta bodega aqui está caindo vertiginosamente. Então logo mais vou postar a letra duma canção de amor à morte que fiz, pra tentar impressionar. Antes vai uma tradução feita dez anos atrás, do poema Pink Dog, de Elizabeth Bishop. Só que como não a tenho em mãos (nem a tradução nem a Elizabeth), ponho agora só um gostinho da criatura, até onde me lembro. Porra, reajam, digam alguma coisa, senão pego a bola e vou pra casa.


CADELA COR-DE-ROSA

O sol está brilhando e hoje o céu é de brigadeiro.
Guarda-sóis vestem a areia com as cores de janeiro.
Nua, você atravessa a avenida num passo ligeiro.

Nossa, nunca tinha visto uma cadela tão pelada...
Nua, sem um pelo sequer cobrindo a pele rosada.
A turma de transeuntes estacava, aterrorizada.

(...)

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Emotional Weather Report

=

Céu da boca encoberto, com possíveis pancadas de loucura até o final do período. Rajadas de ódio e instabilidades imprevistas: sol a pinel. Inconsistência deliberada, vontade de mandar todo mundo ter um péssimo ano. Tempo se esgotando, paciência idem. Amores fugindo, entusiasmo idem. Inspiração seca, boa vontade idem. Idem idem, e por favor não voltem.

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Furando a greve

_

Já que pouca gente me leva a sério (exclusive eu) aí está a primeira postagem deste ano, apesar do fracasso do dramático apelo por dez comentários, que bem que mereceu as admoestações maternais e camaradas.

A seguir cenas dum poema canhestro.



Prece a São Conjuga


Ela está na américa

Tu tá na áfrica

Eutanásia