terça-feira, outubro 25, 2005
De volta à senda do crime
Assim, aqui vai um poema surrupiado do meu amigo
m.m.cardozo
filigranas
boca acuada nos vãos da escada
mão sem regras na pasta de dente
dedos forjados na imperfeição do sabonete
gesto riscado na toalha do banheiro
gemido abafado no fundo do gaveteiro
risada dobrada no armário embutido
olhar apagado na mancha do vidro
sorriso de castigo atrás do espelho
lábios contidos no cigarro vermelho
dois sonhos de molho no cabideiro
(do livro inédito texturas, seção doces rútilos)
sexta-feira, outubro 21, 2005
O QUE EU DEVO DIZER, O QUE EU QUERO DIZER, E O QUE EU DIGO
Tenho falado tão pouco, tão pouco: feito um anão pequenininho.
E tenho caído mais que de bêbado: exaustozinho.
Eu devo dizer também que devo mais dinheiro que tenho: afinal, eu também sou um brasileirinho: só que pior: tenho andado sozinhozinho.
Eu quero dizer que te quero muito, mas menos mal que só um pouquinho: quero dizer mais (e melhor), mas deveria ser mais que fraco: franquinho.
Eu quero dizer tanta coisa, mas não dá pra justificar mais nada: sobrou só uma casca (que agora escreve): sobrou só a vontade de parar de digi
*
Eu digo que nunca paro: paródia dum fim sem começo: e assim ainda sempre fica sobrando a chance de continuar indefinidamente rimando em inho: e aí eu binho cinho dinho finho ginho hinho inho jinho kinho linho minho ninho oinho pinho quinho rinho sinho tinho uinho vinho winho xinho yinho zinho
e encho a carinha de vinho.
terça-feira, outubro 18, 2005
O tao de Ivan
"Aquele que não sabe, e sabe que não sabe,
é HUMILDE: guie-o;
aquele que não sabe, e pensa que sabe,
é um TOLO: fuja dele;
aquele que sabe, e não sabe que sabe,
está DORMINDO: acorde-o;
aquele que sabe, e sabe que sabe,
é o MESTRE: siga-o."
Fundamentado nesses princípios, enuncio agora o incompossível
TAO DE IVAN
Eu sou quem não sabe que sei mas não sei:
logo: sou CONFUSO: me oriente!
Eu digo sim ao não que não é o não do sim:
assim: sou CONFUSO MESMO: me embebede!
Eu amo quem me ama e quem não me ama:
sou realmente um AMOR: me encontre...
Eu tenho medo do meu medo e ódio do meu ódio:
portanto, finalmente: estou PERDIDO:
cadê você?
segunda-feira, outubro 17, 2005
Pingos do meu secreto dicionário amoroso
Lonjura - Distância entre pessoas que se amam: seja de que tamanho for, a lonjura é sempre muito grande, podendo entretanto ser vencida instantaneamente por um semimínimo pensamento amoroso infinitesimal.
Breve comentário enciclopédico: Na verdade, lonjura é uma palavra-valise que carrega dentro de si as palavras "loucura" e "jura", entre outras.
domingo, outubro 09, 2005
Minhas entranhas traduzidas: sirvam-se!
Prometheus in His Crag
Prometeu em Sua Fraga
Pondered the vulture. Was this bird
His unborn half-self, some hyena
Afterbirth, some lump of his mother?
Ponderou o abutre. Seria esse pássaro
Sua meia-essência não-nascida, algum pós-
Parto de hiena, algum inchaço de sua mãe?
Or was it condemned human ballast -
His dying and his death, torn daily
From his immortality?
Ou seria o condenado humano lastro –
Seu morrer e sua morte, dilacerados dia a dia
De sua imortalidade?
Or his blowtorch godhead
Puncturing those horrendous holes
In his human limits?
Ou sua cabeça-deus-flamejante
Puncionando aqueles buracos horrendos
Nos seus limites humanos?
Was it his prophetic familiar?
The Knowledge, pebble-eyed,
Of the fates to be suffered in his image?
Seria o seu íntimo profético?
O Conhecimento, petrioculado,
Dos fados a serem sofridos em sua imagem?
Was it the flapping, tattered hole -
The nothing door
Of his entry, draughting through him?
Seria o palpitante, esfarrapado buraco –
A porta nonada
De sua entrada, soprando-lhe através?
Or was it atomic law -
Was Life his transgression?
Was he the punished criminal aberration?
Ou seria a lei atômica –
Seria a Vida a sua transgressão?
Seria ele a punida aberração criminosa?
Was it the fire he had stolen?
Nowhere to go and now his pet,
And only him to feed on?
Seria o fogo que ele furtara?
Sem saída e agora seu mascote,
Restando somente ele de alimento?
Or the supernatural spirit itself
That he had stolen from,
Now stealing from him the natural flesh?
Ou o próprio espírito sobrenatural
A quem ele furtara,
Agora furtando-lhe a carne natural?
Or was it the earth's enlightenment -
Was he an uninitiated infant
Mutilated towards alignment?
Ou seria a iluminação da terra –
Seria ele um não-iniciado-infante
Mutilado até o alinhamento?
Or was it anti-self -
The him-shaped vacuum
In unbeing, pulling to empty him?
Ou seria o anti-ente -
O vácuo em forma dele
Em inessência, puxando para esvaziá-lo?
Or was it, after all, the Helper
Coming again to pick the crucial knot
Of all his bonds?
Ou seria, afinal, o(a) Auxiliador(a)
Voltando novamente para bicar o nó crucial
De todas as suas correntes?
Image after image. Image after image. As the vulture
Circled.
Circled
Imagem após imagem. Imagem após imagem. E o abutre
Circulava.
Circulava.
Ted Hughes
Versão Brasileira:
Ivan Abutre & Priscila Prometéia
domingo, outubro 02, 2005
Será que ela vai se ver aqui?
Verde, o vermelho dos lábios.
Vermelho e verde, o sinal: vai
passar o amor. O amor do pai,
ator e autor da sua felina
feminilidade cristalina.
Verde e vermelha, a planta:
versificá-la não adianta
se é melhor no colo dela pousar.
Silêncio, leve silêncio:
cio que se evola
num perfume perfeito
que perfura o ar.
sábado, outubro 01, 2005
OUTUBRO OU NADA
Exercício 1: Complete, revise ou adapte pro cinema o seguinte poema, de autoria não confirmada de Alexandre França e Ivan Justen Santana (participação especial de Cláudia Becker):
Estou com o fígado até o pescoço da tua virtude:
cansei do teu porre total de sobriedade:
já mandei minha saúde na saudade
descolar um bandeide
pra poder sangrar à vontade
terça-feira, setembro 27, 2005
A volta do retorno da reaparição do Ladrão de Postagens
| Com essa língua cheia de palavras Embrutecidas por cafés e nicotinas Bolino displicentemente Frestas vespertinas Acaricio as arestas dessa tarde Deliciosamente chuvosa Ardorosamente gentil E arranco-lhe por entre as pernas Aos gemidos Uma rima pobre Quase primaveril |
(esses versos foram furtados de um comentário de Luana Vignon, que participa do blog Stultífera Nave, onde fui linkado sem a desnecessária autorização: isso foi um ultimato unilateral de minha parte: não foi nada: disponham...)
sábado, setembro 24, 2005
Yi Jig (1362-1431)
sexta-feira, setembro 23, 2005
Diálogos: malditos diálogos!
- Tlintaitlês.
- Não: sem brincadeira: diga 33:
- TLINTAITLÊS!
- Putz: não dá mesmo pra falar sério com você...
- Sério? Mas você não está só brincando também com esse auto-exame médico só pra praticar declamação de poesia usando o poema PNEUMOTÓRAX, de Manuel Bandeira?
- É: mas é sério: (em tom de comando:) respire!
- Putz: desisto: o que é que eu tou fazendo aqui?
- Você está querendo blogar, mas não consegue mais uploadar nenhum arquivo jotapegê da sua máquina, e isso te irrita e te atrasa porque você queria postar uma foto, e além disso você também quer postar sobre (e linkar) o Domingos Pellegrini, cujos livros você tem lido adorando, mas teve também o problema que te deixou hamletianamente hesitante que foi o Domingos ter acabado de postar defendendo de novo a criação de um Estado do Iguaçu, separando fora a cidade (CURITIBA) em que você mora...
- Porra: comé que você sabe tudo isso?
- É que eu sou você mesmo.
- Ah: então posso chamá-lo de mim mesmo?
- Sim: e eu acho que vou chamá-lo de George (djÓdj), certo, djódji? Você vai ser o meu amigo djódj...
- Certo, djÓÓÓÓdjjj... Mas sem brincadeira: teu time ganhou!
- Mas que time é meu?
- Bangu:
- Bola na rede, e...
(complete o diálogo nos comentários)
sábado, setembro 17, 2005
sexta-feira, setembro 16, 2005
The rival´s arrival...
A Rival
If the moon smiled, she would resemble you.
Se a lua sorrisse, vocês se pareceriam.
You leave the same impression
Você deixa a mesma impressão
Of something beautiful, but annihilating.
De algo belo, porém aniquilador.
Both of you are great light borrowers.
Vocês dois são grandes refletores de luz.
Her O-mouth grieves at the world; yours is unaffected,
A boca oval dela enluta-se pelo mundo; a sua é inafetada,
And your first gift is making stone out of everything.
E seu dom primeiro é fazer de tudo pedra.
I wake to a mausoleum; you are here,
Eu acordo para um mausoléu; você está aqui,
Ticking your fingers on the marble table, looking for cigarettes,
Tamborilando os dedos na mesa de mármore, procurando cigarros,
Spiteful as a woman, but not so nervous,
Despeitada como uma mulher, mas não tão nervosa,
And dying to say something unanswerable.
Morrendo para dizer algo irrespondível.
The moon, too, abuses her subjects,
A lua, também, rebaixa seus assuntos,
But in the daytime she is ridiculous.
Mas, de dia ela é ridícula.
Your dissatisfactions, on the other hand,
Seus desgostos, por outro lado,
Arrive through the mailslot with loving regularity,
Chegam pela caixa de correio com amorosa regularidade,
White and blank, expansive as carbon monoxide.
Brancos e vazios, expansivos como dióxido de carbono.
No day is safe from news of you,
Nenhum dia é livre de notícias suas,
Walking about in Africa maybe, but thinking of me.
Andando pela África talvez, mas pensando em mim.
Sylvia Plath
Traduzida por Marina Della Valle
e postada em www.acidkiss.com/meetzamonster,
no dia 8 de dezembro de 2002.
Furtada e ligeiramente editada por Ivan Justen Santana
quinta-feira, setembro 15, 2005
Além da imaginação, só a sacanagem...
Batatinha quando
Se esparrama pelo
Menininha quando
Põe a mão no
***
o trecho acima foi mirabolado por Marcos Prado de Oliveira, tendo sido furtado pelo seu eterno
Ladrão de Idéiazinhas Sacanas Sobre Versinhos Superpopulares
***
esta transcrição foi um oferecimento de
ossurtado.blogspot.com,
já que você veio até aqui procurando trepadas, que tal ler todas as postagens desde julho de 2004, conferindo também os comentários?
terça-feira, setembro 13, 2005
CARDIOLOGIA COMPARADA
Furacões tropicais
Tormentas inclementes
Incêndios nas savanas
Maremotos ancestrais
Calotas polares derretendo
Jorros de lava incandescente
Têm que caber no espaço apertado do meu ventrículo esquerdo
***
o poema acima foi postado pelo meu amigo Ratapulgo, no dia 6/07/2003 - portanto, muito antes da Tsunami no Índico e do Katrina em New Orleans e adjacências...
Ratapulgo foi o cara que me mostrou como era legal rapinar os blogs alheios, uma prática que resultou no inigualável Copy and Paste
(maiores desinformações no Sinistro, donde o poema acima foi sub-repticiamente recortado)
Já chegaram até a pensar que eu era apenas mais um difarce do Ratapulgo...
Numa dessas...
Assinado: Ladrão de Postagens em Crise de Identidade
domingo, setembro 11, 2005
VALSA BRASILEIRA
Eu descartava os dias em que não te vi
Como de um filme a ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho pra encostar no teu
Subia na montanha não como anda um corpo mas um sentimento
Eu surpreendia o sol antes do sol raiar
Saltava as noites sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim mil dias antes de te conhecer
Chico Buarque & Edu Lobo
(duas das vítimas mais notórias do Ladrão de Postagens)
***
UMA BREVE POSTAGEM PRA NÃO PERDER O COSTUME
11 de setembro de 2005:
Hoje meu avô faria 88 anos.
A queda das torres está fazendo 4 anos.
Hoje eu pensei em exatamente 22 razões pra viver e morrer:
estou virando um criminoso tão sentimental que vou acabar pilhando meus próprios textos.
Não percam, após a meia-noite: entrevista bombástica deste seu criado no
polacodabarreirinha
quarta-feira, setembro 07, 2005
UM ASSALTO À VILA DE PIRATININGA EM PLENO SETE DE SETEMBRO
Ana Clara é a mulher mais bonita deste mundo. Não conheço outros mundos. Ana Clara tem um tipo de beleza que se renova, que inclui na beleza a própria reafirmação. Foi linda a Clarinha sem seios. Quando os seios cresceram, senhorita Clara tornou-se linda. E já era antes. A beleza da jovem e desejada senhorita Clara transformou-se, após o casamento, na beleza da desejada, desejo jamais declarado, senhora Ana Clara Mcpiffs. Linda, sempre, e sempre diferente. A linda senhora Mcpiffs de segunda passada não era a linda senhora Mcpiffs de ontem. E a de anteontem, não a vi neste dia, era a linda senhora Mcpiffs que, por não tê-la visto, imaginei.
Ontem, Ana Clara foi atropelada. Uma perna e uma orelha destruídas, a cabeça amassada. No hospital, antes de a morte ser declarada, enquanto a reanimavam, arrancaram-lhe a perna e a orelha, e deram uma desamassada na cabeça. Acabo de voltar do enterro. Ana Clara, com seios, sem uma perna e sem uma orelha, é a mulher mais bonita deste mundo.
o autor deste texto se chama Tony Monti:
visite o blog de Tony Monti:
Tony Monti é meu amigo.
Eu furtei este texto de Tony Monti:
isso é uma gravação:
o ladrão de postagens não está mais aqui viajou
segunda-feira, setembro 05, 2005
A contumácia do ladrão de postagens...
o grifo é meu: o texto é de Alexandre França:
visite:
http://alexandrefranca.blogspot.com
e denuncie-me se quiseres...
Carinhosamente,
do seu
Ladrão de Postagens
sábado, setembro 03, 2005
O ladrão de postagens volta a atacar...
tudo começou numa tarde de verão andava rápido esperando não chegar tão rápido a nenhum lugar na esquina da xv com a barão a boca seca meu calo ardia dentro do nike sujo latejava em busca de ar e vegetava inerte pela falta de vento por um momento achei ter visto um oásis ela sozinha caminhando na calçada já na altura da universidade toda de branco fazia eu acho medicina ou odontologia menina a alva deusa se aproximava e meu olhar cansado perseguia a indivídua deusa por si só queimada pelo deus sol atrás da roupa branca o velho de paletó parou pra ver a deusa no meio da rua o homenzinho verde começou a piscar um ônibus pegou o velho meu olhar acompanhava devagar sem pombas para o velho que se estatelava no asfalto rubro-negro com o sangue do velho a deusa olhou pra trás médica então que era correu pra socorrer pobre homem desejei seu lugar naquele instante sentir a deusa morena tocando minha cabeça rachada ah a alva veste da doutora deusa recebeu coloração rubra que nem o branco dos meus olhos num calor de sol a pino branco com rubro rosa choque o ônibus a aurora o rosa a deusa a menina a medicina salve o progresso da ciência salve-a consciência
Flávio Jacobsen
sexta-feira, setembro 02, 2005
Alegria de blogar
hoje apareceu alguém atrás de VERSINHOS LINDOS...
normalmente pipoca gente querendo TREPADAS & BUCETAS CABELUDAS...
estou até pensando em postar de novo um poema que fala de BUNDAS REDONDAMENTE REDONDINHAS...
Temos atrações para todos os gostos:
leia, comente, adore e afague...
quarta-feira, agosto 31, 2005
PERIGO! WARNING! DANGER! KEEP OUT! EU AVISEI...
*baque surdo de um corpo no chão*
"haha, roubar uma postagem e postar do próprio computador da vítima... hehehe..." riu consigo silenciosamente o ladrão de postagens, enquanto abria mais uma janela do explorer...
alguns minutos depois...
"pronto: aqui está um poema pra encantar serpentes..."
Jardim de Jasmim
Para Augusto de Campos
Mar de pranto, monte de gemidos,
procuro uma primavera que me dê ouvidos,
luz para os meus olhos perdidos
e alívio para os males que maldigo.
Mas, traidor de mim mesmo, trago comigo
o amor-morte e suas bruxarias
que transformam em horror as maravilhas.
E para que o paraíso não apenas aparente
eu chego junto com a serpente.
Antes o frio do inverno venha congelar
o sol deste lugar
e a neve deixe prateada
a floresta a rir em minha face resfriada.
Mas para que possa padecer
o sofrimento sem desamor, deixe-me ser, amor,
como eu sou, sem tirar nem pôr,
milagre de mágoa
ou vale de lágrimas a fluir de um olho d'água.
Recolham então, amantes,
meu pranto-fel de amor
e comparem com prantos semelhantes
que mentem, se não têm igual sabor.
O coração não bate em todo olhar,
as lágrimas da mulher nem sempre são
a imagem real, a legítima expressão,
oh, sexo perverso, falsa mente-mulher,
a fêmea veraz que me assassine se puder.
Antonio Thadeu Wojciechowski
segunda-feira, agosto 29, 2005
Balanço do Perhappiness 2005 & outras bossas
| Foi curto, mas foi bem bom: enchi bastante o saco nas mesas redondas, mas não estava surtado nem fora das condições normais de temperatura e pressão, então acho que não passei dos limites do suportável... Os destaques pra mim foram o meu amigo William Teca, que falou bem à vontade na mesa de abertura, e o Sílvio Back, que mandou bem os seus poemas eróticos na mesa redonda final: e também, claro, a bela artista Ana Clara, que, acompanhada pelo pianista virtuose Fábio Cardoso, perpetrou um belíssimo espetáculo poético, deixando meu corpo e alma babandos (assim mesmo: no plural verbal...)... Depois disso, no domingo, visitei um grande amigo, o poeta Márcio "Cobaia" Goedert, e tertuliamos bastante durante uma tarde de verão no inverno curitibano... Agora só falta você. |
quarta-feira, agosto 24, 2005
Singela homenagem aos 61 anos de Paulo Leminski
E os vencedores são:
"Chama o saci: Si si si si!"
(do poema Berimbau, de Manuel Bandeira)
"Parecia fora de si
a sílaba silenciosa."
(do poema Desencontrários, de Paulo Leminski)
Aplausos em tom de si maior, por gentileza...
terça-feira, agosto 23, 2005
Um poema de 1997, ainda atual
- Cuidado, ô seu pateta! -
alguém grita e me avisa.
Me desculpem: talvez eu seja um poeta,
mas nunca me livrei das mangas da minha camisa...
domingo, agosto 21, 2005
Postagem tripla
(sem contar a goleada do Atlético sobre o são paulo no sábado, que eu nem quero comentar agora, senão é capaz de eu ficar rouco e louco de novo com a gritaria e festejos...)
a) nesta semana acontecerá o Perhappiness: programação completa aqui.
b) frase da hora, colhida no blog do meu amigo Thadeu:
"Apesar de atleticano de nascença, muitos dos meus melhores momentos foram passados entre coxas."
José Alberto Trindade
c) poema espetaculoso feito a quatro mãos (duas com o copo e duas com o lápis) por este seu criado e o grande poeta curitibano Edílson Del Grossi, nos idos de 1993, no balcão do bar Dolores Nervosa, com a regra de que cada um faria apenas um verso por vez:
cadê o mote?
o mote é o bar
então não vale mais morrer
ou não beber até cair
se bobear de novo erguer
salvas de festim
dormir em pé
não é
tão difícil assim
do bode não vai soçobrar nada
o copo só termina quando acaba
e a conta é paga pela namorada
ou então dança
dança que barata não tem calo
pede outra já escorrendo pelo ralo
descola uma morena por tabela
a caminho da valeta
tanto presta esta
quanto aquela
às vezes pêndulo
às vezes badalo
ora ela fela
ora eu falo
uma sopa
um sopapo
uma sapa
e fim de papo
hahahaha
hohohoho
vamos parar por aqui
já rimamos à beça
rima que nunca termina
também não começa
fifteen men and a bottle of rum
cinco
quatro
dois
ops
três dois um
quinta-feira, agosto 18, 2005
Leminski nosso de cada dia no mês do cachorro louco
____________dá sorte
principalmente
________se for
algum
_______que
fale da morte
___como
quem
_______fale
___________de
____________amor
p. leminski
86
terça-feira, agosto 16, 2005
uma puta postagem a fuder
Putz, que merda, caralho, putaquepariu, que fóda, que puta buceta cabeluda do caralho de merda porra louca da gota serena...
Bem, vamos dizer que eu tenho algo a blogar (porra, atenção: o cara tá bêbado e tem algo a blogar: : :..............
Eu tinha que blogar faz tempo: senão vejamos:
Como?!?!?
Como?????????!!!!!!!!!!!!!
Como blogar o seguinte?:
a Tati (Tati Lemos, ex-vocalista da MORDIDA), pra quem eu dediquei uma postagem-letra (é especial postar letras de canção num blog, por mais banal que pareça) está em Londres (LONDRES = LONDON LONDON = SWINGING LONDON = onde moraram James Marshall Hendrix e Gustav Friedriech Mahler) onde houve algo difícil de explicar:
os caras grampearam um brasileiro com sete tiros na cabeça: porra: existe outra reação que não seja: putaquepariu!!!!!!!!!!!!!
Claro que houve um atentado terrorista e eu não bloguei nada disso (e houve um submarino, e uma nave espacial, e um assalto retirado duma história de Sherlock Holmes, e eu nem bloguei nada disso...)...........
Enquanto isso, em Gotham: não sei que merda é essa que não faz as pessoas surtarem todas duma vez: eu fico blogando sonetos, traduzindo poemas, assobiando como quem finge não estar participando dessa FÓÓDA toda...
Mas basta uma pequena dosagem suficiente no sangue e eu posto (com agudo ó) essa inqualificável puta agonia aqui dentro do peito: se era pra postar do meu time, então:
Time fodido: que tem que fazer 5 (CINCO) gols por jogo, porque vai tomar uns 3 ou 4 (nos bons tempos eu diria: É: É ISSO AÊ: TOMA TRÊS, FATURA CINCO: BELEZA......)....
Então: várias coisas que ocorreram não blogadas: mas o MAIS (plus ultra) tem que blogar: estava de ressaca mortal de um dia inteiro e vi o pronunciamento do presidente: a cada 3 (TRÊS) frases o cara tinha que virar a página: que merda: é o retrato perfeito: um apedeuta presidente a provar que qualquer besta, qualquer grande mentecapto pode representar este país...
Bem, voltando para um clima mais palatável: gostaria de escrever a quem me leu até aqui que nada disso vale qualquer esforço: eu não vou blogar isso estou blogando isso que porra é blogar isso foda-se que estou blogando isso vá tomar no meio do seu cu que estou blogando isso sinta-se ofendido(a) que estou blogando isso e eu queria gentilmente blogar algo melhor que isso tipo: *golada de vinho*
sábado, agosto 13, 2005
OS NUNCAS. ESSES NUNCAS QUE SÃO NADA
Nadas de vida, nadas de alegria,
São nuncas a bradar a boca fria
Do tempo nunca em sempre disparada.
Nunca o teu beijo. Nunca será dada
A glória do teu ventre. Nunca o dia
De uma só noite nunca terminada
De amar-te como nunca. Dor vazia
Do passado, meu nunca. E do presente
O sempre nunca me apunhala; e à frente
Um futuro de nuncas que se junca;
E do clamor de sempre, nunca eterno,
Primavera, verão, outono, inverno,
Tu, sempre minha, tu, que és minha nunca!
Guilherme Figueiredo
quarta-feira, agosto 03, 2005
Inferno de portas abertas
ontem à noite coloquei minha filha num ônibus de volta pro Rio de Janeiro: seguiu-se um filme já visto: a primeira noite de um homem solitário.
Estou devendo umas contas no bar do Torto, o que é bom, por um lado, e muito ruim, por outro.
Estou devendo uma grana do conserto (não do concerto) de um violão na Chefatura, o que é totalmente ruim.
Estou devendo duas contas de telefone (ou melhor: seis): péssimo, péssimo...
Mas, por outro lado, inversamente, os dias que se aproximam prometem: é só arranjar a grana, pagar as contas, reencontrar as pessoas, voltar a trabalhar com palavras: vai ter lançamento da biografia do Torquato Neto aqui em Curitiba... E logo amanhã tem outro lançamento, de poemas do Bukowski traduzidos pelo meu amigo Koproski.
Nada mais a fazer a não ser dizer: let´s play that.
segunda-feira, agosto 01, 2005
Diálogo síntese
- Filha, vamos ler o livrinho dos Gatinhos Travessos?
- Vamos!
Leio o livro pra ela, e vemos as ilustrações juntos. Na contracapa está o anúncio dos outros títulos da coleção:
- Olha só, filha: você quer ler o dos Cachorrinhos Brincalhões?
- Quelo!
- E o dos Coelhinhos Saltitantes?
- Quelo!
- E o dos Pintinhos Graciosos?
Ela me olha, interrogativa. Sua mãe, que ouviu a conversa de longe, gargalha com o meu tom malicioso-ingênuo na pergunta: "E o dos Pintinhos Graciosos?"
A criança fica ainda mais confusa, e eu fico com aquela sensação de um certo alívio por enquanto, pressentindo o perigo no horizonte: daqui a dez anos acho que não vou lembrar disso dando risadas...
sexta-feira, julho 29, 2005
quinta-feira, julho 28, 2005
Vale por sete postagens
***
a poesia
hoje em dia
é assim:
não vale nada pra ninguém
vale muito pra você
mas vale mais
pra mim
***
TRATADO COMPLETO DE MÉTRICA HAIKU
cinco no primeiro
no segundo sete sílabas
cinco no terceiro
***
quem ontem agia
que monte magia
***
somos de tudo um pouco
somos de nada muito
***
rápido:
me traga
outro trago
aproxima de mim
esse cálice sagrado
já bebi litros
mas não me sinto
diferente:
o peso líqüido do meu corpo
não foi suficiente
***
quando anoitece
a noite tece
sete setas
e descem
dezessete ratos
pelas quatro
rotas retas
boi morto
ruminando
rumo incerto
pasta solto
no deserto
renê descarta
uma canastra real:
espanto
parto
pranto
ponto final
domingo, julho 24, 2005
Psicose Maníaco-Futebolística
este é um time putanheiro mesmo: já está querendo voltar pra zona.
Estes tempos li num diário mínimo de Umberto Eco o horror que este sentia por gente (especialmente taxistas) que vai falando de futebol com você como se todo mundo se interessasse e soubesse tudo a respeito (na Itália como no Brasil).
Já que o time perdeu, era melhor nem ter mencionado nada, postando logo o poema feito neste domingo de manhã:
com afeto e com afinco
fiz o amor e a amargura
fiz as hastes da tua astúcia
e das tuas artes veio a argúcia
que de abraços foi segura
por teu urso de pelúcia
com afinco e com afeto
fiz tua rumba preferida
fiz os haustos dos teus claustros
e dos rastros caíram astros
que pisavas distraída
com afeto e com afinco
com efeito e bem de fianco
fiz do fim da morte vida
e do seu vazio repleto
com afinco e com afeto
quinta-feira, julho 21, 2005
Sobre o jogo de ontem à noite
tinha uns cem torcedores adversários,
dum timinho carioca aí chamado fluminense,
momentaneamente nas cabeças da tabela...
Nosso time herói, surtado como sempre:
tomamos o primeiro gol e viramos pra 2 x 1
ainda no primeiro tempo:
na segunda etapa do prélio,
sofremos o empate e marcamos o tento da vitória:
3 x 2
saindo da zona do rebaixamento:
foi bom pra você também?
domingo, julho 17, 2005
bouncing back
É emocionalmente desgastante postar com o time: eu preciso saber evitar: mas como?
O sentimento diagonal não me deixa quieto: vamos ouvir aquela novamente?
sexta-feira, julho 15, 2005
o eterno se
se Lima tivesse batido o pênalti...
se Dago não estivesse contundido...
se Jadson e Washington ainda jogassem no time...
se Fabrício não estivesse numa noite tão infeliz...
se a realidade fosse mesmo melhor que a ficção...
outrossim, confirma-se a vocação bambi do time sãopaulino: choraram na comemoração dos gols (um deles impedido) e só faltou fazerem aquele bolinho de gente pra meterem o dedo uns nos outros (devem ter deixado isso para o vestiário, junto com aquele médico boiola...)
Bem: o bom é que derrubamos o muro e ano que vem a Arena estará finalmente pronta: neste ano, o negócio é evitar a queda pra segundona e surrar de novo os coxinhas no brasileiro, agora no chiqueiro deles...
O drama virou tragédia, mas nosso time herói é brasileiro, e não desiste nunca.
quinta-feira, julho 14, 2005
hoje é o dia:
logo mais nosso time herói vai tentar derrubar outro estado de coisas:
o terceiro, o quarto e (quiçá) o quinto e o sexto atos desse drama estão prestes a se desenrolar...
meu coração está que é uma bola de sangue...
domingo, julho 10, 2005
amores gris
este 1 x 0 foi pouco, mesmo com o time reserva:
o fato é que recentemente jogamos "em casa" no beira rio,
e desta feita o público total foi só de 16.344 criaturas
(numa arena que agora comporta 41 mil...)
mas como eu não fui, não posso reclamar:
e hoje não foi um dia triste,
mas foi um dia frio,
e toda fragilidade incidiu,
e o pensamento era um lá
(às vezes maior, ora menor)
e tudo me dividiu
e eu esperava com a força do pensamento
criar a luz pros meus amores gris
(que rimam com _ _ _ _)
* chute uma letra...
quarta-feira, julho 06, 2005
O drama se adensa:
pena que foi contra:
Atlético 1 x 1 são paulo
O terceiro ato promete...
Final
o drama vai se desenrolando:
Atlético 1 x 0
gira o placar no beira rio...
Chove em Porto Alegre:
o Furacão ainda nem passou.
glosando um mote ludopédico com um soneto escataclético
O jeito exato com que eu te amo,
Tua maneira de me dar prazer
E toda a gama que gamo gamo:
Todos os fogos que me botam frio,
A tragédia coríntia na qual me abismo,
O fluido flamívomo que eu arrepio,
As graduações grenás do cataclismo,
Tudo, tudo mesmo, tudo tudo:
Os mas, os entretanto e os contudo
Que eu quis tirar do fundo-coração:
Toda essa beleza ora jaz congelada
Porque tudo no futebol vira nada
E daqui a pouquinho começa o jogão.
domingo, julho 03, 2005
ROTEIRO LITERÁRIO DESTE DOMINGO À TARDE
If the dull substance of my flesh were thought,
Se a minha carne fosse pensamento
Injurious distance should not stop my way;
A distância jamais me reteria;
For then, despite of space, I would be brought,
Que apesar dos espaços, num momento,
From limits far remote where thou dost stay.
E de bem longe, a ti eu chegaria.
No matter then although my foot did stand
Que importa onde o meu pé pudesse estar,
Upon the farthest earth removed from thee;
Em que terra de ti tão afastada?
For nimble thought can jump both sea and land,
O pensamento salta terra e mar
As soon as think the place where he would be.
Só de pensar na terra desejada.
But, ah! Thought kills me that I am not thought,
Morro ao pensar que não sou pensamento,
To leap large lengths of miles when thou art gone,
E que sonhar distâncias não consiga;
But that, so much of earth and water wrought,
Sou feito de água e terra, os elementos
I must attend time´s leisure with my moan;
Que ao tempo ocioso e à minha dor me obrigam.
__Receiving nought by elements so slow
__De lentos elementos me resigno
__But heavy tears, badges of either´s woe.
__A ter somente as lágrimas, seus signos.
The other two, slight air and purging fire,
Os outros dois, ar leve e fogo puro,
Are both with thee, wherever I abide:
Onde quer que eu esteja, estão contigo:
The first my thought, the other my desire,
Um, meu pensar, outro a paixão que apuro,
These present-absent with swift motion slide.
Presente-ausentes, deslizando ambíguos.
For when these quicker elements are gone
Quando esses ágeis elementos vão
In tender embassy of love to thee,
– Terna embaixada que o amor transporte –
My life, being made of four, with two alone
Minha quádrupla vida (em dois, então)
Sinks down to death, oppressed with melancholy.
Melancólica afunda até a morte.
Until life´s composition be recured
E até que a vida em mim se recomponha,
By those swift messengers returned from thee,
Retornados de ti os mensageiros,
Who even but now come back again, assured
Espero – e que as notícias mais risonhas
Of thy fair health, recounting it to me:
Tragam de ti e eu me refaça inteiro.
__This told, I joy: but then no longer glad,
__Aí me alegro; mas torno ao começo,
__I send them back again, and straight go sad.
__Que os comando de volta e me entristeço.
William Shakespeare (1564-1616)
Sonetos 44 e 45 (1609)
Tradução de Jorge Wanderley (1991)
seleção textual (terra),
digitação (ar),
arte (fogo)
situação (água)
e autoria espúria:
Ivan Justen Santana
sábado, julho 02, 2005
DEZ MOTIVOS PRA FICAR IRRACIONAL JUNTO CONTIGO
– Porque sempre sofreu quem não sabia;
– Porque um belo dia chegou quem não devia;
– Porque a sala nunca está meio cheia nem meio vazia;
– Porque as sereias são quentes mesmo na água fria
– Porque teve até uma noite em que eu dormi na pia;
– Porque o teu silêncio é a alga da minha algaravia;
– Mas sobre tudo por dois motivos:
a minha prosa
e tua poesia.
sexta-feira, julho 01, 2005
Solte o grito na garganta
depois dum primeiro tempo bisonho, quando por meio triz não tomamos mais dois gols além do tento assinalado, sobrevivemos, atleticanos e fagueiros, conferindo duas vezes a rede mexicana (tradução: chivas guadalajara 2 x 2 Atlético Paranaense: estamos na final do torneio continental mais importante das américas: as postagens anteriores foram proféticas: eu já sabia que eu já sabia).
Quanto a este blog, o Delírio morreu: as tatuagens de acne continuam gravadas na minha pele, mas agora vamos a uma fase de relaxamento: ranja os dentes e feche os olhos...
quarta-feira, junho 29, 2005
Celebrando o aniversário bem acompanhado por Priscylvia
Gralha Negra em Clima Chuvoso
Sylvia Plath
No ramo rijo lá em cima
Curva-se uma negra gralha molhada
Arranjando e rearranjando suas penas na chuva.
Eu não espero que um milagre
Ou um acidente
Incendeiem a vista
No meu olho, nem busco ver no
Clima desultório intencionalidade alguma,
Deixando folhas manchadas caírem como caem,
Sem cerimônia, nem portento.
Embora eu admita
Desejar, ocasionalmente, algum retruque
Da parte do céu mudo, não posso reclamar: uma
Certa luz menor ainda é capaz de
Saltar incandescente
Da mesa ou da cadeira da cozinha
Como se um ardor celestial pudesse
Possuir os objetos mais obtusos vez por outra –
Destarte santificando um intervalo
De outras feitas inconseqüente
Ao outorgar largueza, honra, dir-se-ia
Mesmo amor. Agora, de qualquer jeito,
Ando suspicaz (poderia acontecer até numa
Paisagem baça, ruinosa como esta); desconfiada,
Mas engajada; ignorante
De algum anjo que resolva refulgir
Subitamente ao meu cotovelo. Só sei que
Uma gralha ajeitando as penas negras fulgura
Tanto que me prende os sentidos, arrasta
Minhas pálpebras, e fomenta
Um breve alívio da temida
Neutralidade total. Com sorte,
Trilhando teimosa através dessa estação dura
De fadiga, vou remendar
Todo junto o monte
De conteúdos. Milagres se realizam,
Se você se importa em chamar assim tais truques
Espasmódicos de radiância. A espera se reinaugura,
A longa espera pelo anjo.
Por aquele raro, randômico descenso.
Versão brasileira: Ivan Justen Santana
Seleção textual e musa inspiradora: Priscila Manhães
terça-feira, junho 28, 2005
Um lindo dia para matar
esta é a octogésima postagem do Delírio (Tatuagens de Acne). Depois Daquele Surto e Morte Súbita duraram 40 postagens cada um, então acho que está na hora de matar este blog mais uma vez.
No entanto, amanhã essa minha história de blogar completa um ano: estou organizando uma festa de aniversário surpresa e você é meu(minha) convidado(a) especial.
Portanto, vamos deixar a história de assassinato pra amanhã: agora é tarde, eu acho que vou dormir.
segunda-feira, junho 27, 2005
Abrindo agora o Catatau do Leminski feito um I-Ching:...
domingo, junho 26, 2005
Postagem Parabéns
(aniversário de blog e de vida)
o presente é o link (minhas parcas musas me limitam a isso):
http://palavradepantera.blogspot.com
Vão lá e leiam tudo:
eu vou ficar aqui meditando nalgum poema que pudesse traduzir o quanto admiro essa criatura fantástica...
sexta-feira, junho 24, 2005
Uno, Dos, Três!
resultado: Atlético 3 x 0 Chivas Guadalajara
Semana que vem jogaremos lá no México, no estádio Jalisco, onde a seleção brasileira disputou a primeira fase da copa de 70 (o tricampeonato, que por sinal está completando 35 anos)...
Hoje não tem poema: só um brinde com uma dose de Chivas e três pedrinhas...
terça-feira, junho 21, 2005
quinta-feira, junho 16, 2005
Placar agregado (quartas-de-final da Libertadores)
santos: 2
Putz: vitória histórica do Furacão na Vila Belmiro: a postagem anterior, vermelha e preta, deu sorte: agora vou postar um poema do Leminski, pra não perder o costume...
quero a vitória
______do time de várzea
valente
covarde
_____a derrota
_____do campeão
5 x 0
_____em seu próprio chão
___________________circo
___________________dentro
___________________do pão
quinta-feira, junho 09, 2005
Le rouge et le noir
NATIMORTOS
These poems do not live: it’s a sad diagnosis.
Estes poemas não vivem: é um diagnóstico triste.
They grew their toes and fingers well enough,
Criaram bem seus dedões dos pés e dedos das mãos,
Their little foreheads bulged with concentration.
Suas testinhas se protuberaram de concentração.
If they missed out on walking about like people
Se faltaram em perambular como pessoas
It wasn’t for any lack of mother-love.
Não foi por nenhuma falta de amor-de-mãe.
O I cannot understand what happened to them!
Ó não posso entender o que aconteceu com eles!
They are proper in shape and number and every part.
São plenos em forma e número e cada parte.
They sit so nicely in the pickling fluid!
Sentam tão bem no fluido de picles!
They smile and smile and smile and smile at me.
Sorriem e sorriem e sorriem e sorriem pra mim.
And still the lungs won’t fill and the heart won’t start.
E ainda assim os pulmões não enchem e o coração não bate.
They are not pigs, they are not even fish,
Não são porcos, não são nem mesmo peixes,
Though they have a piggy and a fishy air–
Apesar de terem um arzinho de porco e peixe–
It would be better if they were alive, and that’s what they were.
Seria melhor se estivessem vivos, e isso eles estiveram.
But they are dead, and their mother near dead with distraction,
Mas estão mortos, e sua mãe quase morta de perturbação,
And they stupidly stare, and do not speak of her.
E fitam estupidamente, e dela não falam a respeito.
Sylvia Plath
Ivan Justen Santana
segunda-feira, junho 06, 2005
O Sorumbático Homem Mosca
Cuidado!
O Homem Mosca está à solta:
se você estiver num bar, ele pode vir filar sua cerveja;
se você estiver de carro, ele pode pedir uma carona;
se você permitir que ele entre em sua casa, ele pode até mesmo tentar furtar seu CD favorito, seu livro predileto, ou mesmo sua velha e querida fita de VHS com o show da sua banda de estimação.
Este supervilão é perigosíssimo: toda a força necessária está sendo empregada na sua captura.
Considerem-se avisado(a)s: qualquer distração pode ser fatal...
sexta-feira, junho 03, 2005
A menina maluquinha
CANÇÃO DE AMOR DA MENINA LOUCA
(Mad Girl´s Love Song)
“Eu fecho os olhos e o mundo morre totalmente;
Levanto as pálpebras e tudo nasce outra vez.
(Eu acho que criei você na minha mente.)
Valsam estrelas azuis e vermelhas de repente,
E a escuridão vem a galope trajando xadrez:
Eu fecho os olhos e o mundo morre totalmente.
Sonhei que você me enfeitiçava ao leito lentamente
Com beijos excêntricos e lunáticas canções.
(Eu acho que criei você na minha mente.)
Deus cai do céu, o inferno deixa de ser quente:
Saem os serafins e as hostes de Satanás:
Eu fecho os olhos e o mundo morre totalmente.
Delirei que você voltaria como prometia sempre,
Mas envelheço e não sei nem seu nome mais.
(Eu acho que criei você na minha mente.)
Eu devia ter amado um animal bem diferente,
Um condor, que ao menos volta trovejante todo mês.
Eu fecho os olhos e o mundo morre totalmente.
(Eu acho que criei você na minha mente.)”
Sylvia Plath
Versão brasileira: Ivan Justen Santana
quarta-feira, junho 01, 2005
Blogar ou não blogar? Não tem questão:
Afinal isso é um blog: supostamente deve ter um registro pessoal, no qual fulaninho (no caso eu) conta as peripécias de sua interessantíssima vida.
Como não é interessantíssima sempre, posto só os “melhores momentos”, quando ocorrem: mas chega de metablogagem.
Ultimamente venho agüentando ver meu time perder e calado.
Já perdemos as seis primeiras partidas neste campeonato brasileiro: no ano passado, em 46 rodadas, perdemos só oito vezes: fomos vice-campeões: o campeão foi o Santos.
Nesta noite fui até a Arena da Baixada ver Atlético x Santos, pela Taça Libertadores, o torneio mais importante deste hemisfério.
Que jogo monstro: no primeiro minuto, bola na trave: quase saímos na frente: mas quem saiu na frente foram eles.
O time do Santos joga muito rápido, tocando de primeira e saindo na correria: nosso time jogou no mesmo ritmo: na verdade, mais rápido ainda, porque logo ficamos com um a menos, expulso por derrubar várias vezes o novo pelézinho santista, o famigerado Robinho, que joga feito um foguete (quando quer, porque às vezes ele desanima e anda em campo: eu vi isso no fim do jogo):
tomamos o primeiro gol numa jogada que parecia câmera rápida: daí voltamos a pressionar e saiu nosso primeiro, um cabeceio quase de fora da área: e aí viramos o jogo num rebote que o goleiro deles deu depois de uma cobrança de falta: 2 x 1: aí, aos 43 do primeiro tempo, noutro lance veloz que deixou nossa zaga parada pedindo impedimento, eles fizeram 2 x 2.
Putz.
No intervalo, eu pensava: como é que vamos segurar os caras, jogando com um a menos? Era visível que o atacante Aluísio não tinha condições, e o técnico demorou pra substituí-lo: tomamos um sufoco, mas o inesperado aconteceu: fizemos 3 x 2, numa jogada rápida igual à que eles estavam tentando fazer (não é irônico? não é belo? não é, eu me arrisco mesmo a dizer: poético?) depois conseguimos resistir à pressão, heróica e dramaticamente: enfim: vencemos.
Voltaremos a nos encontrar com o Santos daqui a duas semanas, no dia 15 de junho, véspera do Bloomsday: olha só: uma referência literária pra finalizar, só pra quem acha que futebol não tem nada a ver com literatura: e agora vou abrir outra cerveja e saborear essa vitória rara.
Afinal, futebol, poesia e delírio são isso aí.
sábado, maio 28, 2005
Escovando a estante de clássicos virtuais certa noite...
O Triunfo da Argúcia Sobre o Sofrimento
Só a cabeça já mostra você no ato prodigioso
De digerir o que apenas séculos digerem:
O mamute, claudicante estatuária de tristeza,
Indissolúvel o bastante para enigmar as entranhas
De uma baleia com buracos e buracos, e sangrá-la branca
Nos mares salgados. Hércules não teve problemas,
Lavando aqueles estábulos: lágrimas de um bebê o fariam.
Mas quem se voluntaria para engolir o Laocoonte,
O Cárcere Mortal e aquelas inumeráveis pietás
Ulcerando as paredes sombrias das capelas da Europa,
Museus e sepulcros?
Você.
Você,
Que emprestou penas aos seus pés, não chumbo,
Não pregos, e um espelho para manter a cabeça ofídia
Em perspectiva segura, poderia encarar a careta-górgone
Da agonia humana: um olhar para amortecidos
Membros: não um piscar-basilisco, não um duplo nham,
Mas todos os acumulados últimos grunhidos, gemidos,
Gritos e dísticos heróicos concluindo as milhões
De tragédias encenadas nestes tablados sanguencharcos,
E cada aflição privada uma serpente sibilante
Para petrificar seus olhos, e cada catástrofe
Municipal uma extensão convulsa de cobra,
E o declínio de impérios a grossa casca de uma vasta
Anaconda.
Imagine: o mundo
Socado a uma cabeça de feto, abarrancado, cosido
Com sofrimento desde a concepção acima, e aqui
Está ele à mão. Saibro no olho ou um dedão
Machucado fazem qualquer um se encolher, mas o globo todo
Expressivo de pesar transforma deuses e reis em rochas.
Aquelas rochas, rachadas e gastas, por si mesmas então vão
Se estremunhando e estendem o desespero na face
Escura da terra.
Assim o rigor mortis viria a endurecer
Toda criação, não fosse uma barriga maior
Ainda que engole a alegria.
Você entra agora,
Armado com penas tanto para cócegas quanto vôos,
E um espelho de parque de diversão que torna a musa trágica
Em cabeça decapitada de boneca soturna, uma trança,
Uma serpente enlameada, pendurando-se débil qual absurda boca
Que se pendura em seu lúgubre amuo. Onde estão
Os clássicos membros da teimosa Antígone?
Os robes vermelhos reais de Fedra? As lagrimalumbradas
Tristezas da gentil duquesa de Malfi?
Idas
Na convulsão profunda segurando a face, músculos
E tendões enfeixados, vitoriosos, como a cósmica
Risada acaba com as incosturáveis, pestilentas feridas
De um eterno sofredor.
Para você,
Perseu, a palma, e possa você sopesar
E contrapesar, até o tempo parar, a celestial balança
Que pesa a nossa loucura com a nossa sanidade.
Sylvia Plath
Espelho em português: Ivan (Perseu) Justen Santana
quarta-feira, maio 25, 2005
sugestão de postagem para aluacrescente.blogspot.com
o escuro cresce
a estrela sente
p.leminski
terça-feira, maio 24, 2005
quarta-feira, maio 18, 2005
sexta-feira, maio 13, 2005
Pra sexta-feira 13 não passar batida
nós somos sós
somos um mero
número um
somados a zero
já somos dez
desgastos
desgestos
desgostos
somos os
monstros
sem rastros
sem restos
sem rostos
todos sós
todos sósias
de nós mesmos
terça-feira, maio 10, 2005
Minhas concretices numa fria madrugada
Já que minhas concretices fizeram algum sucesso, aqui vai mais um poema visual hiperbólico epitrapélico, direto do meu coração solitário e numeroso para o vosso.
____S
__N O S
S O M O S
__S O S
____S
*
sábado, maio 07, 2005
terça-feira, maio 03, 2005
Pra não falar de futebol
Mas sem deixar de lado o orgulho paranaense, deixo aqui um soneto de Emiliano Perneta, para o gáudio do público:
DON JUAN
Sensível, como quem podia ser, apenas
Mais vão do que uma sombra, um gesto perpassou,
E logo desse herói, revoltas as melenas,
Brilhava o estranho olhar, que tanto ambicionou...
Era uma confusão. Pálidas e morenas,
Cada qual, cada qual como Deus a formou,
Não foi uma, nem dez, porém foram centenas
As mulheres por quem Don Juan desesperou...
Todas, todas que viu, ele mordeu de beijos,
Enraiveceu de amor, poluiu de desejos,
Tomado de furor, doido de embriaguez...
Um delírio! Porém, Don Juan era um artista,
E portanto, cruel, nervoso, pessimista,
E de resto, o infeliz nunca se satisfez!
Nov. 1903
Emiliano Perneta (1866-1921)sábado, abril 23, 2005
patati patatá
quanto ao futebol, meu Clube Atlético Paranaense tem abafado: depois da conquista do título paranaense em cima do arqui-rival (que ultimamente está mais pra infra-arqui-rival), vitória fora de casa na Libertadores: dá-lhe, Furacão! Maiores informações consultem
http://www.furacao.com
ou
http://www.rubronegro.net
Amanhã (domingo) os ouvintes curitibanos podem sintonizar o programa Radiocaos, na 96.3 FM, começando às 20h: ali pelo quarto ou quinto bloco poderão conferir uns tostões da minha voz, falando poemas meus em gravações feitas em pleno surto: o programa tem um monte de música radicalmente elegante, e me dá orgulho de participar: maiores informações aqui:
http://www.radiocaos.com.br
Bem, como esse era pra ser um blog eminentemente poético, deixo vocês com um poema que era pra ser o primeiro do meu primeiro livro, mas agora a idéia é divulgar tudo por aqui mesmo: cordiais saudações.
SE MENTE
Quando eu ainda não era eu
certamente já tinha gente:
tinha Beatriz, Julieta e Romeu,
Dante e Shakespeare, conseqüentemente.
Se uma mente que não fosse demente
deixasse a filosofia de lado,
saberia sempre tranqüilamente
a diferença entre o certo e o errado.
Mas agora eu já nasci sabendo:
não foi de ontem que o tempo urgia.
Só que as rimas fáceis já estão doendo:
um parto pode ser lindo feito a poesia.
domingo, abril 17, 2005
Futebol é isso aí
neste domingo eu fui até a Baixada e vi O jogo de futebol: um clássico Atletiba, decisão do campeonato paranaense de 2005:
vencemos nos pênaltis, depois de 120 minutos de jogo...
Na verdade, foram 210 minutos de Atletiba neste ano, contando com o primeiro jogo, que vi pela TV:
placar no tempo normal: 1 x 1
prorrogação: 0 x 0
pênaltis: Atlético 4 x 2 coritiba
Me desculpem os intelectuais, mas futebol e poesia são artes irmãs: basta consultar as letras dos hinos dos clubes: olha só essa quadra do hino do meu Clube Atlético Paranaense:
A tradição que não tem jaça
Nos legou o sangue forte
Rubro-Negro é quem tem raça
E não teme a própria morte
Aqui vai um soneto comemorativo
Suas cores são o rubro duma rosa
Ou do sangue que percorre o corpo inteiro:
A cor do negro, herança generosa,
No caldeirão fermenta brasileiro.
Com ritmo vibro: em tarde ensolarada
Ou mesmo em tempestade torrencial:
Nessa candente Arena da Baixada
Onde o domingo é festa sem igual.
E essa paixão, que nem sei explicar,
Tornou-se inda mais forte no proscênio
Desse teatro onde, ao despertar,
O Atlético Paranaense então,
Furacão do Século e do Milênio,
Sagrou-se e sagrar-se-á sempre campeão!
Ivan Justen Santana
(decalcado de um soneto de Edson Malachini)
sexta-feira, abril 15, 2005
um tributo aos gianninis
A letra parece que é do Caetano Veloso, a canção é dos Mutantes, mas a versão definitiva pra mim é a dos Gianninis, a melhor banda sixtie do século vinte e um. Apavorante!
TREM FANTASMA
Quatrocentos cruzeiros
Velhos compram com medo
Das mãos do bilheteiro
As entradas do trem fantasma
Ele e a namorada
Ele não pensa em nada
Ela fica assustada
Quatrocentos cruzeiros
De força arrastam
O rapaz e a moça para
O lugar em cinemascope brilhante
A montanha gigante de generais verdejantes
E aparece distante
O trem no espelho brilhante
Desde o primeiro beijo
Arrebenta o espelho
Quatrocentos cruzeiros
Quatrocentos morcegos de força
O beijo, o rapaz e a moça
O trem dentro d'água
A piscina parada
Ela não pensa em nada
Ele pensa e não diz
Onde tem muita água tudo é feliz
O primeiro beijo
Quatrocentos cruzeiros
Zé quarenta HP's de emoção
O Zé do Caixão
Traz os bichos da criação
Até o portão e
Terminou a sessão
Quatrocentos cruzeiros
Velhos compram com medo
Ele e a namorada
Ela não pensa em nada
Ele pensa em segredo
segunda-feira, abril 11, 2005
Morridinha básica
Morrer faz bem à vista e ao baço,
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma.
Morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma.
Paulo Leminski
segunda-feira, abril 04, 2005
GUIADO POR ANTONIO THADEU WOJCIECHOWSKI
Elas vêm me dizer: eu te farei o bem.
Insistem a implorar: te livrarei do mal.
Bramo e babo, brâmane na lama.
O sinal fica vermelho, azul, verde,
amarelo, alaranjado, o sinal:
finco o pé no acelerador, o pneu canta,
não dou nem tchau.
sexta-feira, abril 01, 2005
versos da boca do forno
pelas suas mãos,
encolhi os ombros
nas suas coxas
e lasquei cócegas
por suas palmas:
vamos fazer uma
nossas duas almas?
segunda-feira, março 28, 2005
Ligando de novo a máquina de prosa
ultrapassei o meu aniversário de 32 anos quase despercebidos: eu, o aniversário e os 32 anos.
Os presentes vieram depois: quinta-feira passada, livre de obrigações, fui ver a MORDIDA, cheio de mixed emotions pra saber quem seria capaz de substituir minha pequena ídola máxima Tati Lemos nos vocais.
Assisti antes ao Charme Chulo, uma banda de quem eu pensava que “o nome é melhor que a banda”, depois de ter visto só uma apresentação.
Percebi que evoluíram, estão bem ensaiados: gostei, mas nada que chegue próximo da adoração que nutro pela MORDIDA.
Cujo show foi muito muito, com a garota Isis (nome perfeito pruma Garota Esotérica) fazendo um belo batismo de fogo, na minha opinião suspeitíssima de fanático mordido.
O caso é que passei quase o show inteiro grudado boca a boca numa linda garotinha ruiva que o coelhinho da páscoa trouxe pra mim (aniversário atrasado) e lá no fundo do tumulto emotivo e dos catos ouvi a garota Isis mandar muito bem assim:
(...)
só nunca esqueça
não é por mal
o mal que eu te faço não é por mal
o mal que eu te faço
não te peço resposta
não entrego as minhas chaves
sem querer pisei no teu lado mais frágil
[esse é um trecho crucial: Isis foi bem tecnicamente, mas me fez lembrar que a interpretação da Tati era mais dramática: flutuava, desafinava ironicamente pra acentuar FRÁÁÁGIL...]
só nunca esqueça
não é por mal
o mal que eu te faço não é por mal
o mal que eu te faço
É a mensagem perfeita pra mim mesmo, já que só consigo fazer mal pra mim, mas não é por mal.
Outra coisa legal de contar aqui foram os filmes que eu vi, enquanto o festival de teatro comia solto...
A DAMA DE SHANGAI
Orson Welles e Rita Hayworth (loira e de cabelo curto)
HIROSHIMA MON AMOUR
de Alain Resnais
roteiro de Marguerite Duras
na verdade esse eu vou ver agora: amanhã eu conto como foi...
quarta-feira, março 23, 2005
outros tombos
a avalanche preparou sua queda
arquitetou a mudança da paisagem
não deixou pedra sobre pedra
num ruído infernal sem frase
o abismo, sentindo-se traído
mergulhou em profunda depressão
"este é um vale por mim desconhecido
não domino mais quem cai ou não"
"caia em si" disse a avalanche
o abismo se olhou de cima a baixo
e descobrindo seu próprio alcance
saltou "por você me esborracho"
a avalanche duvidou de início
mas já rolava em outro precipício
Marcos Prado
segunda-feira, março 21, 2005
MINHAS SETE QUEDAS
minha primeira queda
não abriu o pára-quedas
daí passei feito uma pedra
pra minha segunda queda
da segunda à terceira queda
foi um pulo que é uma seda
nisso uma quinta queda
pega a quarta e arremeda
na sexta continuei caindo
agora com licença
mais um abismo vem vindo
Paulo Leminski
sábado, março 19, 2005
Interrompemos nossa programação normal
Que ninguém fique até o fim
pra ver se essas linhas vão desabar:
desabafar foi como consegui sair,
ferido da beleza desse olhar.
Cada olho teve que revezar
o que as telas não puderam vazar:
as lágrimas que todas elas vêm
levando e ainda vão levar.
Mas, depois de ler seu jornal,
minha arte se refez em bem e mal,
e a vida voltou àquela tão banal
educação sentimental:
antes que o amor te amorteça,
tua chama densa ainda me despreza
com presteza, frágil, presa
no inimaginável final:
meus nervos que se retesem,
tua carne aflora à pele,
treme e termina assim:
a jovem Liz Taylor chama o velho
Dean:
James Dean:
carbonizado no carro vermelho,
vestido da velha calça de brim,
sem vencer a beleza
mas prestes a
sexta-feira, março 18, 2005
quinta-feira, março 17, 2005
quarta-feira, março 16, 2005
segunda-feira, março 14, 2005
quarta-feira, março 09, 2005
Desopilando com uma prosa bem fiada
A quem interessar possa:
hoje o meu inferno astral mostrou sua face mais cruel: eu acordei atrasado, bebi dez limões do bem e fiz a careta mais horripilante do universo, chamei um táxi, entrei no táxi: o motorista fez que ia pegar o viaduto, mas pegou a Engenheiros Rebouças, trânsito, calor, aí finalmente o carro chegou, estacionou, dézão pagou a corrida (R$10,20 no taxímetro), e quando fui fechar a porta do carro (estou com tique-nervoso de fechar portas de carro, vocês nem sabe[m] porque) o dedão da mão direita quase ficou preso, levou uma espremida da porta, e eu passei o dia mal utilizando a mão do dedão doído, doido como sempre e mandando bênçãos pro mundo inteiro.
É bom voltar ao estilo blog, eu quase esqueci que sabia fazer isso, mas é melhor não me soltar nem confessar muito.
Pra poesia nunca falta assunto:
vamos dançar um xote junto?
segunda-feira, março 07, 2005
AMODORRA
DA MODORRA AO AMOR
Vida reduzida ao tédio.
Contemplação sem o templo.
Tempo escasso que não passa.
Rima pobre que contemplo.
Risada incontrolável estalada
no velório do finado iniciado.
Tropeção pelos degraus da escada.
Primeiro beijo do amor acabado.
Todas as coisas que eu procuro,
créditos e débitos sem juro,
cenas sem cinema nem novela:
apanhei a mão dela: quase fria
e um abraço abraçado de alegria
desabrochou feito flor amarela
quarta-feira, março 02, 2005
Parado na paródia
POEMA DE SETE CORES TODAS DA MESMA COR
quando nasci
um pintor torto
desses que cortam as orelhas
disse
vai tinta!
ser guache na vida
Ivan


