quarta-feira, janeiro 26, 2011
A HISTÓRIA DE UM POBRE DEUS POBRE
eu já lambera os lapsos todos de todas as línguas
mas minha ira era tamanha que um dia logo ali da
beira da estrada ao nada suicida morri às mínguas
novamente me transformo em metafísica do corpo
e minha alma é recompensa seja vivo seja morto
eu sou meu ogro meu sogro meu lobo meu globo
se alegro mas não trepo joãozeio mas não bobo
numa curva do universo o tempo perde as botas
aproveito pra rever meus velhos cadernos de notas
o deus que move a peça é o deus que move o jogador
entre tantos entretantos mas com tudo em toda via
crio mundos povos sonhos como deus nenhum criaria
fim da aposentadoria pois lá vem de novo amor
*
segunda-feira, janeiro 24, 2011
CARA ÁCARA: MÁSCARA
nada está mesmo na cara
nem baratas ficam de cara
tampouco tapas na própria
mas cara que mascara sua
nunca esqueças minha cara
se a morte não é a tua cara
sequer os orgulhos do cíclope
custaram-lhe os olhos da cara
*
quinta-feira, janeiro 20, 2011
Medidas dos meus sonhos...
UMA NOITE CHUVOSA NO BATEL SOHO
I've been loving you a long time
Down all the years, down all the days
And I've cried for all your troubles
Smiled at your funny little ways
We watched our friends grow up together
And we saw them as they fell
Some of them fell into Heaven
Some of them fell into Hell
Tenho amado você faz muito tempo
Por todos os anos, por todos os dias
E já chorei por todos os seus problemas
E já sorri de todas as suas manias
Vimos nossos amigos crescerem unidos
E vimos todos os seus tombos eternos
Alguns deles caíram nos Paraísos
E alguns deles, nos Infernos
I took shelter from a shower
And I stepped into your arms
On a rainy night in Soho
The wind was whistling all its charms
I sang you all my sorrows
You told me all your joys
Whatever happened to that old song
To all those little girls and boys
Me abriguei daquele baita toró
Adentrei seu abraço entre os alarmes
Numa noite chuvosa no Batel Soho
O vento assoviava todos seus charmes
Cantei pra você todos meus banzos
Você me contou todas suas alegrias
O que será que foi daqueles velhos cantos
Daqueles piazinhos e daquelas gurias
Now the song is nearly over
We may never find out what it means
But there's a light I hold before me
And you're the measure of my dreams
The measure of my dreams
Agora a canção está quase no fim
Talvez a gente nunca saiba o que significa
Mas uma luz eu trago diante de mim
E dos meus sonhos você é a medida
Dos meus sonhos a medida
Sometimes I wake up in the morning
The gingerlady by my bed
Covered in a cloak of silence
I hear you in my head
I'm not singing for the future
I'm not dreaming of the past
I'm not talking of the first time
I never think about the last
Às vezes eu acordo de manhã
Com a taberneira à minha cama
Coberta num manto de silêncio
Ouço você no crânio em chamas
Eu não canto pro futuro
Eu não sonho com o passado
Eu não falo no momento certo
Nunca penso no minuto errado
Now the song is nearly over
We may never find out what it means
Still there's a light I hold before me
You're the measure of my dreams
The measure of my dreams
Agora a canção está quase no fim
Talvez a gente nunca saiba o que significa
Mas uma luz eu trago diante de mim
E dos meus sonhos você é a medida
Dos meus sonhos a medida
Canção original: The Pogues (Shane MacGowan)
Versão brasileira: Ivan Justen Santana
segunda-feira, janeiro 17, 2011
TENTANDO (E NUNCA CONSEGUINDO) SUPERAR MEUS AMIGOS POETAS
beijo ou não beijo: aí estão os lábios
a marcarem sem batom os alfarrábios
será mais nobre na mente sofrer
as flechas e os estilingues do prazer
ou ajustar tais bodoques na língua
e acertá-la de setra no que xingo-a?
eis o respeito de um peito sem jeito:
fez-se bem redondo e bem redondo foi feito
eis a de graça boceta pandora que aleita
os meus orgasmos nesta colheita perfeita
*
terça-feira, janeiro 11, 2011
Apesar de não ser de verdade um dia ivânico,
onze do um de dois mil e onze
hoje pra mim quase nada está trágico
as horas soando feito estátuas de bronze
hoje fiz tudo como num plano estratégico
como se eu fosse um estrátego desestragado
nenhum trago me foi ingrato ou alérgico
nada me soube amargo nem restou de lado
esta noite está sendo uma noite típica
mas muito mais típica que um som de zê
pois mesmo esta rima típica triplica-se
em noite de onze do um de dois mil e onze
serão onze horas da noite ou vinte e três horas
leio que um amigo poeta está vazando felicidade
parafraseando um verso de todos os amigos e agoras
meu coração vaza estrelas nas nuvens chuvosas da cidade
*
domingo, janeiro 09, 2011
Poema pra comunidade Paulo Leminski no Orkut
(propriedade / capitalismo / poesia)
sugeridas pela "membra" Sandra, no tópico
"seja criativo faça uma poesia com o tema dado")
Quase todo mundo anseia a livre gestão.
Quase ninguém se compromete numa questão.
Quase todo mundo sabe criticar todo o resto.
Quase ninguém ousa uma autocrítica justa.
Quase todo mundo busca a liberdade.
Quase ninguém a nota na disciplina.
Quase todo mundo nunca se procura.
Quase ninguém topa si mesmo ali na esquina.
Quem nasce e cresce neste capitalismo
um dia aprenderá a reconhecer o altruísmo?
Quem só lê (ou nem mal lê) prosa vazia
um dia interpretará (de Mallarmé) a poesia?
Quem é capaz de questionar a propriedade?
Ficai todos vós (em toda voz) à vontade...
*
sábado, janeiro 01, 2011
A MAIOR METÁFORA DO UNIVERSO
são duas:
a primeira é o ferro elétrico,
porque o universo é tudo
e tudo passa.
A segunda maior metáfora é a vinha,
pois, apesar de eu considerar
seus frutos maravilhas da natureza
e talvez a nossa mais incrível argamassa,
a verdade que reafirmo é que
tudo passa,
e assim, até a uva
passa.
*
EPÍLOGO:
Se eu nunca blogasse,
talvez apenas gravasse
os meus versinhos em bronze.
Porém, e portanto, que tudo passe
e mesmo sem métrica nem classe,
feliz 2011!
*
segunda-feira, dezembro 27, 2010
TREVOS DE MORTE, AMOR & LEI
Haverá morte após amar-te?
Haverá amor após a lei?
Sim, haverá, e enquanto houver
Eu a verei e ela os verá
E amor também. Ouvi-los-ei
E haver-vos-eis e me ouvirás
Ver-te mulher conforme a Dama
Que o ouviu e assim reouve-a o Rei.
*
terça-feira, dezembro 21, 2010
EXTRA, EXTRA! COYOTES INVADEM CWB
CURITIBA / URGENTE: Parem as máquinas de café! Nesta quarta-feira (22), às 18h, Mario Domingues e Ivan Justen Santana lançam no Brooklyn Coffee Shop (Trajano Reis, 389 - tel. 3618-0388) o número 21 da revista Coyote, à qual ambos os poetas contribuíram com a expressiva marca de 20 poemas (11 de Mario e 9 de Ivan). Cada exemplar será vendido a módicos 10 reais (eu disse: dez reais! Quem não chegar cedo vai ficar sem revista, e não digam que eu não avisei...).
Também será lançado (e relançado) o segundo livro de poemas de Mario Domingues: Musga (Primeiro de Maio-PR: Mirabilia/ ALL / FCC, 2010). Musga vai ser entregue mediante irrisórios 20 reais (estou avisando: vinte reais! Quem demorar vai ficar a ver versinhos no Natal...).
Seguem-se aqui imagens da Coyote 21 e de Mario e de Ivan (para os arquivos do departamento secreto de polícia antiartística) -- esses meliantes são perigosos e estão armados de metáforas até os dentes!
Mário Domingues, perpetrando poesia.
Ivan Justen Santana, ocultando-se em Floripa.
terça-feira, dezembro 14, 2010
PRA NÃO DIZEREM QUE NUNCA TENTEI MATAR MEUS PAIS
A propósito, nunca foi e nem será preciso matar o Dalton Trevisan. Além de ele não ser exatamente um poeta, já é um morto-vivo, um nosferatu. Mas pra alegria dessa gente que adora ver sangue, confesso: se Dalton estivesse vivo de verdade, ontem eu talvez o matasse ou, no mínimo do máximo, tentasse executá-lo, ouvindo um som no talo.
Helena Kolody transcende tais questões, já que ninguéns aqui a não ser poetas e poetisas sabem que ela não morreu, nem nunca morrerá. Mas às gentes carniceiras que porventura saibam quem é Helena, por mais improvável que seja ou haja tal combinação de gente, licenciaria que me vissem dilacerando-a, verso por verso jazendo esquartejado num papel branquíssimo de tão transparente.
Já o Marcos Prado eu tive várias chances de matar. Acaba de acabar aqui minha última chance, já que mencionei novamente o nome dele.
E Thadeu Wojciechowski bem que poderia ser minha próxima vítima, porém nunca será, pois não matarei ninguém antes dele, que nunca será tampouco o último da lista. Além disso, apesar de ser um coxa-branca, Thadeu é meu amigo, e assassinato é o tipo do favor que não presta fazer nem ao pior nem ao melhor dos nossos amigos.
Voltemos a falar do Leminski, epítome de todos os que alguns adorariam que eu quisesse matar. Imagino, por exemplo, o que Leminski pensaria de Bocágil, pseudônimo da (ou das) criatura(s) que me mataram (ou quiseram me matar: dá quase na mesma, não é, gentarada?). Talvez o polaco me parabenizasse, nessa ocasião, por eu então ter me tornado um I-Juca-Pirama, ou seja: "aquele que é digno de ser morto".
Leminski certamente agradeceria também ao Rodrigo Madeira, pelo poema em que este confessa ter assassinado aquele: simbolicamente, não há honra maior que matar o maior poeta da geração anterior. Ou há?
Em verdade mentirosa (ou em mentira verdadeira), eu vos digo que há. E digo, outrossim, que eu me considero digno de tais honrarias ainda maiores. Porque se agora eu quero que não digam que nunca tentei matar meus pais, também gostaria que percebessem que não vou matá-los.
Sim: não matarei Emiliano Perneta. Nem Dario Vellozo. Nem Tasso da Silveira. Nem Jamil Snege. Nem Wilson Bueno. Nem os(as) que não li ou que esqueci (por meu desacerto).
Sim: tampouco matarei os vivos e as vivas. Alice Ruiz, durma tranquila. Estrela, idem. Fernando Koproski, Alexandre França, Amarildo Anzolin, Mario Domingues, Jaques Brand, Adriano Smaniotto, Batista de Pilar, Marcelo Sandmann, Luiz Felipe Leprevost, Marilia Kubota, William Teca, Luci Collin, Ricardo Pozzo, Bárbara Lia, Rodolfo Jaruga, Monica Berger, Edson Falcão, Paulo Bearzotti, os Ricardos (o Carvalho e o Corona), os Rodrigos (o já citado Madeira e o Garcia Lopes), enfim, todos vocês que sabem que são poetas, mesmo os mais novinhos e ingênuos (como não é bem o caso do Rafael Walter, e nem era o do Cláudio Bettega), mesmo as aparentemente mais "naïves", como as Lucianas (a Cañete e a do Rocio Mallon), todos e todas que ao não mencionar aqui machucarei (ou não): no que depender de mim, vocês podem descansar em paz, vivos e vivas!
Pois no fundo é muita estupidez precisar matar (ou tão somente anular) qualquer poeta, vivo ou morto, fraco, forte, vitaminado ou meia-boca. E no fundo mesmo, as coisas não são assim. Angústias da influência pertencem aos mais específica e autocondenadamente críticos. E até o Fernando Pessoa acabou se transformando num bando de idiotas da subjetividade, que preferiram não casar e não viver, pra poderem ensaiar e escrever obras imortais.
Contudo, como bem viu e melhor poetou Leminski, é mais tesão viver bem e "quase-feliz" do que querer tentar (ou até ser) Homero, Dante, Shakespeare, quer sendo uma pobre Dickinson abilolada em casa, uma Plath devastada pedindo água morna, ou um Baudelaire sifilítico tentando loucamente dar um beijo nos anjos rebelados.
Já Vladímir Maiakóvski poetou imorredouramente, e foi suicidado (sua última frase: "não atirem, camaradas!"). E, gigante dos gigantes, James Joyce padeceu vítima de glaucomas, hérnias perfuradas, desastres de família, duas guerras mundiais e um dia treze azarado.
Enfim, por tudo isso, eu posso até morrer, mas não matarei, e nem sequer matar-me-ei. Por mais que esperem que eu supere a geração anterior por meio da força bruta e (ou) da desconstrução e (ou) da desleitura e (ou) do ciúme atemporal tornado complexo de castração, e apesar de admitir que já tentei esses caminhos e fracassei, a partir de aqui e agora tudo que declaro e declararei resumir-se-á simplesmente (conforme tenho agido, para horror dos "incompreendedores" a supor a vida menos importante que a poesia), retomando: resumir-se-á numa palavrinha genial de tão desarmadora:
sim.
*
Sim, sou eu, aos 4 ou 5...
sábado, dezembro 11, 2010
DOIS LANÇAMENTOS DE HOJE
Será no Espaço Cênico (Rua Paulo Graeser Sobrinho, 305), a partir das 19 horas.
A propósito, vejam (e leiam) essa nota breve aqui na Gazeta do Povo.
O outro lançamento, aqui neste humilde tugúrio-blog, é o de um poema inédito: voilà!
*
GATO PRETO, GATO PARDO E GATO BRANCO
Gato preto, gato pardo e gato branco
dispunham-se à vontade, os três se encarando.
Não me perguntem como ou quando. Afianço-lhes
que tais felinos formavam um tipo de triângulo.
– Mas é claro que esse cara gosta de gatos! –
disseram os olhos ingênuos de gato branco.
– Tá. Só que fede mais que sete cães molhados,
e fala feito um tolo, e anda igual a um manco –
disseram as pupilas rutilantes de gato preto.
Então entendi que eles se referiam a mim.
Porém gato pardo já detectava em beco estreito
o charme duma gata cujo cio não tinha fim.
*
segunda-feira, dezembro 06, 2010
REDUZINDO HEIDEGGER A PÓ
No meio do sagrado tinha um pecador.
Virtude é a arte de quem ama a dor.
O porco mais triste vira torresmo.
O som que soa em mim é desafinador.
Eu não conto tempo como mingau.
Não leu que nem Thadeu, tomou um pau.
William, quase-ídolo, desvela o adorador.
Ser por ser, a mulher é que é essencial.
Sou capaz de matar qualquer um de vocês.
Somos bem melhores em quatro do que em três.
Burrice se enterra com pá de cal.
__Não há poesia pra filosofia vã.
__Aqui jazem Bruno, William, Thadeu e Ivan.
Antonio Thadeu Wojciechowski
Bruno Sanroman
Ivan Justen Santana
William Crosué de Oliveira Teca
Martin Heidegger em 1960. Fonte: http://www.martin-heidegger.net/
quarta-feira, dezembro 01, 2010
MOTIVO DE OTIMISMO EM DEZEMBRO DE DOIS MIL E DEZ
Que nunca param de recomeçar,
Da sujeirada em cidades e em serras,
Vulcões lavando a terra, o céu e o mar,
Existe ao menos uma razão quântica
(Que talvez não convença na semântica)
Pra sermos pessimistas ao revés:
À parte os traumas deste mundo em crise
Que não tem analista que analise,
A década de zero acaba em dez.
*
terça-feira, novembro 30, 2010
CANÇÃO DE REDENÇÃO
Vendeu eu pros navio mercante
Logo depois que eles tirou eu
Do poço que num tem fundo
Mas minha mão foi feita forte
Pela mão do Todopoderoso
Nessa geração a gente avança
Triunfantemente
Vocês não ajudariam a cantar
Estas canções de liberdade?
Pois só o que jamais me falta
São canções de redenção
Emancipem-se da escravidão mental
Só nós mesmos libertaremos nossas mentes
Não tenham medo da energia atômica
Pois nenhum deles pode parar o tempo
Prosseguirão matando nossos profetas
Enquanto ficamos de lado, assistindo?
Alguns dizem: é só parte da coisa,
Temos que cumprir o Livro
Mas você não ajudaria a cantar
Esta canção de liberdade?
Pois só o que jamais me falta
É esta canção de redenção
Bob Marley (Redemption Song)
Versão brasileira: Ivan Justen Santana,
atendendo um pedido do grande Soruda San
sexta-feira, novembro 26, 2010
Um comunicado e quatro links fora de série...
no Domingo (28/11), às 16h,
pretendo comparecer à Pedreira Paulo Leminski,
e levarei meu arco&flecha
(ou seja: meu violãozinho)
desencordoado.
Para maiores informações, visitem estes links:
http://mordidaoficial.wordpress.com/2010/11/24/movimento-dos-sem-palco/
http://mordidaoficial.wordpress.com/2010/11/23/ode-ao-silencio/
(este é o melhor!)
http://www.gazetadopovo.com.br/blog/sobretudo/?id=1070677
***
Aproveito pra propagandear mais uma maravilha,
a Revista Errática -- clicai e não vos arrependereis!
segunda-feira, novembro 22, 2010
Aguardem mais um lançamento...

Enquanto isso, curtam mais uma brilhante foto de Ricardo Pozzo, e não se esqueçam de visitar o blog PÓ&TEIAS.

Reitoria da UFPR, em Curitiba.
terça-feira, novembro 16, 2010
Para as caravanas ladrarem...

sábado, novembro 13, 2010
PRIMEIRO AUGÚRIO DE INOCÊNCIA COM ÚLTIMA RECEITA DE EXPERIÊNCIA
MODO DE PREPARO:
Pego de jeito uma quadrinha inglesa.
Dispo-lhe as formas, ritmo e substrato.
Remodelando a língua da freguesa,
Mostro pra essa beleza como a trato.
INGREDIENTES:
To see a world in a grain of sand
And a heaven in a wild flower,
Hold infinity in the palm of your hand
And eternity in an hour.
VOILÀ:
Notar um mundo na areia de um grão
E um paraíso numa flor do mato:
Ter o infinito na palma da mão
E a eternidade num minuto exato.
*
sábado, novembro 06, 2010
ARQUITETURA DA DESCONSFRUIÇÃO
Era fumaça em gelo seco
Onda de magma – rocha em lava
Quanto mais oculta no beco
Mais revelava
Duma pelugem colorida
Ou fofa nuvem branca e preta
A retina não consolida
Nem interpreta
Proibido fruto – vinha da ira
Quer fosse só a mira da vinha
Ir e vir viram vira-vira
E assim convinha
Se as suas luzes vissem dar
Hostes aureoladas em horda
São abstrações que o paladar
Morda e remorda
Enfim festim vamos manter na
Fusa – confusa sala russa
E a face à mostra que ela alterna
Nua debruça
*

*imagem incidental: escultura de
Max Bill, "Unidade Tripartida", 1949
segunda-feira, novembro 01, 2010
Aquela esquina não quebrava em linha reta
Aquela esquina não quebrava em linha reta.
Sonhei-me ontem à noite escrevendo isso assim
E não, talvez não fosse um isso escrito assim
Num ritmo alexandrinamente anacorético,
Diurético, dispéptico, sinapsilírico,
Simétrico e obstétrico ou somente tétrico,
Sem absorventes íntimos que antipetendam
Seus fluxos sanguíneos de línguas, mínguas, ínguas,
Salivações intensas, perdigotos não-
-Intencionais e os outros mais quetais finais.
Não era nada disso. Tinha nem sumiço.
Nenhuma vez. Esquecida assim que incompleta.
Termina onde começa e se repete nisso.
Aquela esquina não quebrava em linha reta.
*