O amor
é uma flor
que racha rocha,
machuca madeixa
e deixa
bochecha
roxa.
---<--{@
...
}{
(de IJS a FFR)
sábado, outubro 27, 2012
quinta-feira, outubro 25, 2012
O MITO DO MITO DO ERA UMA VEZ
Existe um mito do mito
do era uma vez:
disto estou certo
e convicto aqui eu
me declaro a vocês:
até a tecla mute
é usada no rito
o qual condiz,
por sua vez,
e universal será,
posto que aflito,
tal mito que admito
e enfim finito grito:
já era uma ou duas
mas nunca mais que 3.
do era uma vez:
disto estou certo
e convicto aqui eu
me declaro a vocês:
até a tecla mute
é usada no rito
o qual condiz,
por sua vez,
e universal será,
posto que aflito,
tal mito que admito
e enfim finito grito:
já era uma ou duas
mas nunca mais que 3.
* * *
terça-feira, outubro 23, 2012
Um soneto de Joachim Du Bellay (1522-1560), curitibanizado por Ivan Justen Santana (1973 - )...
FELIZ QUEM, COMO ULYSSES, FEZ BELA VIAGEM...
Feliz quem, como Ulysses, fez bela viagem,
Ou como este outro herói, o vencedor Jasão,
Que, ganho o Velo de Ouro, volta com razão
A viver entre os seus, em sua prima paisagem!
Quando inspirarei, ai, da minha Vila a aragem,
Seus cheiros, chaminés? E em qual verão que tarda
Reverei o arvoredo da pobre mansarda,
Minha Província, onde levo em tudo vantagem?
Bem mais me agradam céus caingangues, botocudos,
Que dos paços de Roma os frestões e os veludos:
Bem mais que o duro mármore a poeira urbana,
Bem mais meu rio Belém que o Tibre dos latinos,
Bem mais Serra do Mar que Montes Palatinos,
Mais que maresia a brisa curitibana.
texto original: Joachim Du Bellay
versão paranaense:
Ivan Justen Santana
__________________________________________
Feliz quem, como Ulysses, fez bela viagem,
Ou como este outro herói, o vencedor Jasão,
Que, ganho o Velo de Ouro, volta com razão
A viver entre os seus, em sua prima paisagem!
Quando inspirarei, ai, da minha Vila a aragem,
Seus cheiros, chaminés? E em qual verão que tarda
Reverei o arvoredo da pobre mansarda,
Minha Província, onde levo em tudo vantagem?
Bem mais me agradam céus caingangues, botocudos,
Que dos paços de Roma os frestões e os veludos:
Bem mais que o duro mármore a poeira urbana,
Bem mais meu rio Belém que o Tibre dos latinos,
Bem mais Serra do Mar que Montes Palatinos,
Mais que maresia a brisa curitibana.
texto original: Joachim Du Bellay
versão paranaense:
Ivan Justen Santana
__________________________________________
sábado, outubro 20, 2012
Emiliano Perneta (1866-1921), dialogando com Satanás (?-?)...
CHRISTE, AUDI NOS
“Meu Senhor, meu Senhor morto, a Teus pés feridos,
Junto ao Teu coração, que sangra e luz, enfim
Eu me prostro, e ajoelho os meus cinco sentidos
– Cinco feras, Senhor! – Tem piedade de mim!”
– “Tu desejas que aos céus, e como estrelas de ouro,
Vá teu Verso insculpir a Mágoa e a Dor cruel,
Para que o mundo, ouvindo o deslumbrante coro,
Do teu Orgulho veja a Torre de Babel.
A ânsia mortal conténs de uma árvore maldita
Que, estéril, sob o sol, flor nem fruto produz,
E, presa à Terra, em vão os braços torce e agita:
Sugam-lhe a seiva e a polpa as ventosas da luz.
Buscas, mas só porque do ‘novo’ o aroma exala,
O crisântemo azul de uma Quimera vã...”
“Surdo! Senhor, sê surdo! É o Demônio quem fala!
É o Blasfemo! É Satã!... Livra-me de Satã!
Creio. Desejo crer. O Invisível fulgura...
A Ciência é um pobre monge estudando o ABC.
Desse Enigma feroz e dessa Luz obscura
Tremo. Quem sou? Quem és? Um Mistério!... Por quê?”
– “Mentes. Tudo isso é pura obra do teu Orgulho.
Tu não crês!” – “Ó cruel, cala-te! Eu hei de crer.
Hei de crer, apesar desse negro marulho
Do teu ódio crescente, abominável Ser!
Hei de crer nessa Mãe Misericordiosa
Que à minha sede o peito oferece do Bem,
Pois vi rolar, rolando em vaga tonitruosa,
Tudo quanto eu amei nos escombros do Além!...
Hei de crer...” – “Não crerás! Não hás de crer mais nunca!
A descrença, infeliz, é como o bronze cru:
Não torce. Eu arranquei a luz dessa espelunca...”
– “Ó maldito Satã!” – “Maldito serás tu!”
“Tem piedade, meu Deus, da lôbrega miséria,
Do veneno animal e da infâmia feroz
De quem Te pede, ó Justo, a paz do Sonho, etérea,
Com angústia no olhar, com soluço na voz!
Do óleo santo do Teu perdão magoado ungi-me,
Dá-me forças, Jesus! Dá-me alento, Senhor!
Para que eu não sucumba ao peso do meu Crime
Antes de ter gozado o verdadeiro Amor!...”
– “Alma, dentro de ti mora um triste coveiro,
Mudo e gelado, como num tanque a boiar...
Sentes-lhe o peso enorme!...” – “Eu faleço, Cordeiro!
Vinho, divino Vinho! Embriaga o meu pesar!
– “Sobre o teu coração dobra angustioso o Remorso,
O Desespero grasna um rouco Cantochão.”
“Em vão, em vão, Senhor, em vão é que eu me esforço
Para deixar de ouvir o clamor da Aflição.
Eu sou triste, Senhor! Triste é a minha existência.
Minha tristeza é bem como a lepra de Jó.
Não resplandece mais a real magnificência...
Tem piedade de mim, meu Senhor! Estou só.”
– 1897 –
Fonte:
Poesias Completas de Emiliano Pernetta
Rio de Janeiro: Livraria Editora Zélio Valverde, 1945
[volume II, pp. 100-102].
Texto transcrito e atualizado por Ivan Justen Santana.
A Dario Vellozo
“Meu Senhor, meu Senhor morto, a Teus pés feridos,
Junto ao Teu coração, que sangra e luz, enfim
Eu me prostro, e ajoelho os meus cinco sentidos
– Cinco feras, Senhor! – Tem piedade de mim!”
– “Tu desejas que aos céus, e como estrelas de ouro,
Vá teu Verso insculpir a Mágoa e a Dor cruel,
Para que o mundo, ouvindo o deslumbrante coro,
Do teu Orgulho veja a Torre de Babel.
A ânsia mortal conténs de uma árvore maldita
Que, estéril, sob o sol, flor nem fruto produz,
E, presa à Terra, em vão os braços torce e agita:
Sugam-lhe a seiva e a polpa as ventosas da luz.
Buscas, mas só porque do ‘novo’ o aroma exala,
O crisântemo azul de uma Quimera vã...”
“Surdo! Senhor, sê surdo! É o Demônio quem fala!
É o Blasfemo! É Satã!... Livra-me de Satã!
Creio. Desejo crer. O Invisível fulgura...
A Ciência é um pobre monge estudando o ABC.
Desse Enigma feroz e dessa Luz obscura
Tremo. Quem sou? Quem és? Um Mistério!... Por quê?”
– “Mentes. Tudo isso é pura obra do teu Orgulho.
Tu não crês!” – “Ó cruel, cala-te! Eu hei de crer.
Hei de crer, apesar desse negro marulho
Do teu ódio crescente, abominável Ser!
Hei de crer nessa Mãe Misericordiosa
Que à minha sede o peito oferece do Bem,
Pois vi rolar, rolando em vaga tonitruosa,
Tudo quanto eu amei nos escombros do Além!...
Hei de crer...” – “Não crerás! Não hás de crer mais nunca!
A descrença, infeliz, é como o bronze cru:
Não torce. Eu arranquei a luz dessa espelunca...”
– “Ó maldito Satã!” – “Maldito serás tu!”
“Tem piedade, meu Deus, da lôbrega miséria,
Do veneno animal e da infâmia feroz
De quem Te pede, ó Justo, a paz do Sonho, etérea,
Com angústia no olhar, com soluço na voz!
Do óleo santo do Teu perdão magoado ungi-me,
Dá-me forças, Jesus! Dá-me alento, Senhor!
Para que eu não sucumba ao peso do meu Crime
Antes de ter gozado o verdadeiro Amor!...”
– “Alma, dentro de ti mora um triste coveiro,
Mudo e gelado, como num tanque a boiar...
Sentes-lhe o peso enorme!...” – “Eu faleço, Cordeiro!
Vinho, divino Vinho! Embriaga o meu pesar!
– “Sobre o teu coração dobra angustioso o Remorso,
O Desespero grasna um rouco Cantochão.”
“Em vão, em vão, Senhor, em vão é que eu me esforço
Para deixar de ouvir o clamor da Aflição.
Eu sou triste, Senhor! Triste é a minha existência.
Minha tristeza é bem como a lepra de Jó.
Não resplandece mais a real magnificência...
Tem piedade de mim, meu Senhor! Estou só.”
– 1897 –
Fonte:
Poesias Completas de Emiliano Pernetta
Rio de Janeiro: Livraria Editora Zélio Valverde, 1945
[volume II, pp. 100-102].
Texto transcrito e atualizado por Ivan Justen Santana.
* * *
quarta-feira, outubro 17, 2012
NOWA CONJURLGASÇÃO: VER BO TER
eu tenho pinto
e nunca minto
tu tens boceta
e queres treta
você tem acento
e um pau lhe assento
ele tem olhos
e frita os miolos
ela tem cabeça
e é boa à beça
nós temos nada
e tememos tudo
a gente é agente
e atrás tem frente
vós tendes dó
e virastes pó
vocês têm sexo
e circunflexo
eles têm elas
e pra quê mais?
ijs
e nunca minto
tu tens boceta
e queres treta
você tem acento
e um pau lhe assento
ele tem olhos
e frita os miolos
ela tem cabeça
e é boa à beça
nós temos nada
e tememos tudo
a gente é agente
e atrás tem frente
vós tendes dó
e virastes pó
vocês têm sexo
e circunflexo
eles têm elas
e pra quê mais?
ijs
terça-feira, outubro 09, 2012
segunda-feira, outubro 08, 2012
DE PLEITO ABERTO
De pleito aberto sangram os candidatos
___E as candidatas gemem.
As urnas, dentro os óvulos ingratos,
___Recebem os votos: sêmen.
Numa elegia a quem não se elegia,
___Transmudam-se de lado
Os marqueteiros de quem já dizia
___O rei está pelado.
Num último e desesperado apelo
___Propõe-se anulação.
Frágil sufrágio: pode-se empreendê-lo
___Porém prendê-lo não.
______IJS
___E as candidatas gemem.
As urnas, dentro os óvulos ingratos,
___Recebem os votos: sêmen.
Numa elegia a quem não se elegia,
___Transmudam-se de lado
Os marqueteiros de quem já dizia
___O rei está pelado.
Num último e desesperado apelo
___Propõe-se anulação.
Frágil sufrágio: pode-se empreendê-lo
___Porém prendê-lo não.
______IJS
quarta-feira, outubro 03, 2012
DE PLECTRO ABERTO
Um verbo que você não conheça.
Um verso que ninguém esqueça.
Um pé no lugar da cabeça.
Um P da palavra mais certa
que eu busquei no teu grito de alerta:
nosso caso é uma porta---entre!---aberta.
Nosso amor sim deu certo:
bobo, quieto, tranquilo, esperto---
todas as cores do espectro
de plectro aberto.
*/*
ijs
Um verso que ninguém esqueça.
Um pé no lugar da cabeça.
Um P da palavra mais certa
que eu busquei no teu grito de alerta:
nosso caso é uma porta---entre!---aberta.
Nosso amor sim deu certo:
bobo, quieto, tranquilo, esperto---
todas as cores do espectro
de plectro aberto.
*/*
ijs
MÁDIDAS FRESCURAS
Mádidas frescuras: hírcicas contrações.
Espasmos módicos: cáries ósseas de más tenções.
Hastes, trastes, contrastes:
hibridismo nas quantias: e a miséria de acha vero.
Mergulhos intrauterinos: ultrainteriores.
Fuligens na pelugem: gen de nucleotídeo.
Mitos e côndrias, para que vos quero!
Inequações aproximadamente iguais: há zero.
ijs
*/*
Espasmos módicos: cáries ósseas de más tenções.
Hastes, trastes, contrastes:
hibridismo nas quantias: e a miséria de acha vero.
Mergulhos intrauterinos: ultrainteriores.
Fuligens na pelugem: gen de nucleotídeo.
Mitos e côndrias, para que vos quero!
Inequações aproximadamente iguais: há zero.
ijs
*/*
quarta-feira, setembro 26, 2012
SE UM POÇO
Se um poço pode ser torre ao contrário,
Se um trôço até parece belo ao fosso,
Se mesmo o velho som do estradivário
Segunda de manhã gera alvoroço,
Se as gralhas vão de azul até o pescoço,
Se um malandro bom não vale um otário,
Se o rosto fala do retardatário
E a farra rói o moço até só o osso,
Sou tão memorioso quanto Funes
Quando repito os itens desta lista
De poetas mal dispostos sem arranjos:
Estou bem mais Arnaldo do que o Antunes,
Mais Arnaldo do que o Dias Baptista,
Mais Augusto que os de Campos dos Anjos.
Se um trôço até parece belo ao fosso,
Se mesmo o velho som do estradivário
Segunda de manhã gera alvoroço,
Se as gralhas vão de azul até o pescoço,
Se um malandro bom não vale um otário,
Se o rosto fala do retardatário
E a farra rói o moço até só o osso,
Sou tão memorioso quanto Funes
Quando repito os itens desta lista
De poetas mal dispostos sem arranjos:
Estou bem mais Arnaldo do que o Antunes,
Mais Arnaldo do que o Dias Baptista,
Mais Augusto que os de Campos dos Anjos.
IJS
__________
DENTRE FACÇÕES
Dentre facções, facões, contrafações,
Colhi pro meu amor uma begônia
E na agonia da espermatogônia
Pintei perfumes fósseis feito ações;
Fui besta e seta aos olhos dos falcões:
Azul a mosca numa mira errônea,
Vergonha enfronha-se fedendo a amônia,
De Navarone soltando os canhões.
Canhoto, fraco, gaguejante, fanho,
Afanador, velhaco, adolescente,
Sinto-me um pulha mas ainda apanho
Da impunidade de quem rouba irmão;
Assim quem sente geme como a gente:
Assim todos os teus serás serão.
---}--{---
Colhi pro meu amor uma begônia
E na agonia da espermatogônia
Pintei perfumes fósseis feito ações;
Fui besta e seta aos olhos dos falcões:
Azul a mosca numa mira errônea,
Vergonha enfronha-se fedendo a amônia,
De Navarone soltando os canhões.
Canhoto, fraco, gaguejante, fanho,
Afanador, velhaco, adolescente,
Sinto-me um pulha mas ainda apanho
Da impunidade de quem rouba irmão;
Assim quem sente geme como a gente:
Assim todos os teus serás serão.
IJS
---}--{---
segunda-feira, setembro 24, 2012
PARA CAIR:)
Para cair, chute a queda:
para chutar, lamba os beiços--
caso apareça uma Al-Qaeda
preocupe-se com os óbices.
Mas no caso de um asno no caso,
desde outro desde denteado demônio,
use ônix, safira e, penteada no ocaso,
uma pérola de ofir no estramônio.
Sim, nada mais há a (aha) entender:
reflexos atrasados de pouco adiantam--
antas roem, mães doem, ratos cantam
e os raros que inda extraem prazer
tem que aturar tantas demonstrações:
porém são bons os sons os dons os tons
sem esquecer as rãs tantãs e os meus ronrons...
*/* ... ;]
para chutar, lamba os beiços--
caso apareça uma Al-Qaeda
preocupe-se com os óbices.
Mas no caso de um asno no caso,
desde outro desde denteado demônio,
use ônix, safira e, penteada no ocaso,
uma pérola de ofir no estramônio.
Sim, nada mais há a (aha) entender:
reflexos atrasados de pouco adiantam--
antas roem, mães doem, ratos cantam
e os raros que inda extraem prazer
tem que aturar tantas demonstrações:
porém são bons os sons os dons os tons
sem esquecer as rãs tantãs e os meus ronrons...
*/* ... ;]
quinta-feira, setembro 20, 2012
VISÕES DE JOHANNA
[Visions Of Johanna, Bob Dylan -- vb: ijs]
Não é a noite exata pra truques quando você só tenta ficar tão quieta?
Sentamos aqui perdidos, mas fazendo o melhor pra não ver isso
E Louise tem um punhado de chuva e atenta você ao desafio
Piscam luzes no apêzão em frente
Aqui cachimbos tossem e acendem
A estação country macia mantém-se
Mas não há nada nem ninguém a quem apelar
Só Louise e seu amante enlaçados tão docemente
E essas visões de Johanna que me ganham a mente.
No galpão vazio onde as damas brincam de gatomia com a chave da cadeia
E as garotas de noite toda sussurram de escapadelas na conexão ligeira
Dá pra ouvir o vigia da noite acender a lanterna
Perguntar-se quem: ele ou elas – quem está louco?
Louise, ela está bem, só está bem perto
Ela é delicada e parecida com o espelho
Ela só coloca cada pingo em seu i
Sobre Johanna não estar aqui
O espectro da eletricidade lhe uiva nos ossos da face
Onde essas visões de Johanna agora vêm encaixar-se.
Já o pequenino perdido, ele se leva mesmo tão a sério
Que se vangloria da miséria, gosta de viver em perigo e mistério
E quando menciono o nome dela
Ele me fala no seu beijo de adeus
Ele certamente tem peito pra ser um inútil tão perfeito
Murmurando coisinhas lá fora quando já estou na sala
Como posso agora explicar a...
Ah é tão difícil até citar a...
E essas visões de Johanna me deixam desperto além da aurora.
Nos museus, o Infinito segue em julgamento
Vozes ecoam que a salvação fica assim com o tempo
Mas Mona Lisa precisa dançar o blues da estrada
Dá pra saber pelo som da sua risada
E a crua parede floreada congela
Quando espirra a mulherada cara de geleia
Ouça aquele de bigode dizer “Meu Jesus,
Já não acho mais meus joelhos”
Ah as joias e binóculos pendurados no pescoço da mula
Mas essas visões de Johanna fazem tudo parecer tão cruel.
O mascate agora fala com a condessa que finge dar bola pra ele
Dizendo “Me conte de um que não é chupim que vou lá e rezo pra ele”
Mas, como Louise sempre diz:
“Nunca dá pra olhar muito em detalhe, né?”
No que ela mesma se prepara pra ele
E Madonna ainda não deu as caras
Vemos essa jaula vazia já enferrujada
Onde a cortina dela já foi levantada
E o violinista já meteu o pé na estrada
E escreve que toda dívida é paga
Na caçamba do caminhão de peixe carregada
E minha consciência explode no nada
As gaitas tocam tons-chaves e a garoa
E essas visões de Johanna são tudo que resta agora.
* * *
quarta-feira, setembro 19, 2012
JÁ ERA: VERÃO
Já era: verão: ou to no inverno?
Foi uma primavera violenta.
As violetas desabrocharam
principalmente pra quebrar o gelo
porque a geada negra veio –
e veio de novo o seu colega granizo
depois de mais um falso verão indiano.
Tudo isso foi naquele mesmo dia.
IJS
Foi uma primavera violenta.
As violetas desabrocharam
principalmente pra quebrar o gelo
porque a geada negra veio –
e veio de novo o seu colega granizo
depois de mais um falso verão indiano.
Tudo isso foi naquele mesmo dia.
IJS
terça-feira, setembro 18, 2012
AME & REPROGRAME
(ou: DAS COISAS QUE MARK CHAPMAN DEVERIA ESTAR LENDO EM OUTUBRO DE 1980, EM VEZ DO FAMIGERADO ROMANCE DE J. D. SALINGER)
Ame & Reprograme.
Execute ações invioláveis.
Seja fechado.
Cumprimente a vizinha,
aquela
que mora
ao lado
do pecado.
Aquela
já tem
seu namorado.
Faça algum programa
semelhante
com uma garota
semelhante,
uma garota
bem urbana,
uma garota marginal--
mas nunca assine nada
e acima de tudo
não assassine ninguém
a partir do próximo
final
de semana.
Ame & Reprograme.
Execute ações invioláveis.
Seja fechado.
Cumprimente a vizinha,
aquela
que mora
ao lado
do pecado.
Aquela
já tem
seu namorado.
Faça algum programa
semelhante
com uma garota
semelhante,
uma garota
bem urbana,
uma garota marginal--
mas nunca assine nada
e acima de tudo
não assassine ninguém
a partir do próximo
final
de semana.
segunda-feira, setembro 17, 2012
FORA DO TEMPO E DO ESPAÇO
Deixe que o sol sozinho a si palestre
__e as cataratas caiam sem se ouvir.
Veja os turistas vendo a estátua equestre
__co’as aves a ruflar e a refluir.
Façamos estalar o som pedestre
__dos nossos passos desgastando a seguir
o chão de trabalhadores sem mestre
__que calçam’as pedras prestes a fugir.
____A fuga é uma ilusão de quem começa
__a correr sabendo permanecer –
____um ser que pensa que nada interessa
__a não ser talvez que já já vai morrer.
O fim dispensa especialista hebraico
feito esta peça co’este apelo arcaico.
________IJS -- 2004-2012
__e as cataratas caiam sem se ouvir.
Veja os turistas vendo a estátua equestre
__co’as aves a ruflar e a refluir.
Façamos estalar o som pedestre
__dos nossos passos desgastando a seguir
o chão de trabalhadores sem mestre
__que calçam’as pedras prestes a fugir.
____A fuga é uma ilusão de quem começa
__a correr sabendo permanecer –
____um ser que pensa que nada interessa
__a não ser talvez que já já vai morrer.
O fim dispensa especialista hebraico
feito esta peça co’este apelo arcaico.
________IJS -- 2004-2012
sexta-feira, setembro 14, 2012
ASSIM VEJO
Assim vejo nosso mundo:
num desejo a mais que fundo---
dum modo imbuído inundo
e
canto deite, dama, deite;
você me faz: faz-se em céu:
você bebendo meu leite
e eu absorvendo seu mel.
ijs a ffr
num desejo a mais que fundo---
dum modo imbuído inundo
e
canto deite, dama, deite;
você me faz: faz-se em céu:
você bebendo meu leite
e eu absorvendo seu mel.
ijs a ffr
quinta-feira, setembro 13, 2012
O AMOR É
O amor é um poço profundo
que pode ser poço raso:
nele pula todo mundo e
se estabaca em qualquer caso.
IJS
que pode ser poço raso:
nele pula todo mundo e
se estabaca em qualquer caso.
IJS
quarta-feira, setembro 12, 2012
SE EU CRESSE
que o que visse
fosse e viesse
aí talvez soubesse
se você supusesse
ou se ao menos
tudo que apodrece
não tivesse esse
sabor doce tão doce
tão doce feito o espólio
de seringas com pólio
que hoje a maré
nos trouxe.
ijs
fosse e viesse
aí talvez soubesse
se você supusesse
ou se ao menos
tudo que apodrece
não tivesse esse
sabor doce tão doce
tão doce feito o espólio
de seringas com pólio
que hoje a maré
nos trouxe.
ijs
segunda-feira, setembro 10, 2012
OS DUENDES, TRASGOS, BRUXOS E VAMPIROS...
de ALPHONSUS DE GUIMARAENS (1870-1921)
Os duendes, trasgos, bruxos e vampiros
Vinham, num longo e tenebroso bando,
Os meus passos de múmia acompanhando,
Por entre litanias de suspiros...
Em tudo eu via os infernais retiros,
Onde ficava sem cessar sonhando:
E Satanás mostrava-me, nefando,
Negros sinais traçados em papiros...
Era, na sombra, o meu destino oculto,
--- Sirtes, penhascos, saturnais, paludes,
Todo o mistério de um funéreo culto...
Mas, de repente, os passos meus, tão rudes,
Firmaram-se no chão, e erguendo o vulto
Vi-me amparado pelas Três Virtudes...
(Pulvis -- em Poesias, Rio de Janeiro, 1938)
digitado e revisto por Ivan Justen Santana
Os duendes, trasgos, bruxos e vampiros
Vinham, num longo e tenebroso bando,
Os meus passos de múmia acompanhando,
Por entre litanias de suspiros...
Em tudo eu via os infernais retiros,
Onde ficava sem cessar sonhando:
E Satanás mostrava-me, nefando,
Negros sinais traçados em papiros...
Era, na sombra, o meu destino oculto,
--- Sirtes, penhascos, saturnais, paludes,
Todo o mistério de um funéreo culto...
Mas, de repente, os passos meus, tão rudes,
Firmaram-se no chão, e erguendo o vulto
Vi-me amparado pelas Três Virtudes...
(Pulvis -- em Poesias, Rio de Janeiro, 1938)
digitado e revisto por Ivan Justen Santana
sábado, setembro 08, 2012
O AMOR IMORTAL
Todo amor é imortal.
Quem vai a Roma
não embroma: fatal.
Porém no fim
não diz-- pensa um sim.
ijs a ffr
Quem vai a Roma
não embroma: fatal.
Porém no fim
não diz-- pensa um sim.
ijs a ffr
quinta-feira, setembro 06, 2012
O CORO DOS POETAS MORTÍFEROS
Poetas, somos temidos:
se chatos, gênios ou toscos –
se modernos, carcomidos,
enxeridos, decompostos;
nos detestam uns maridos,
nos valem mais desvalidos,
nos abominam, se lidos,
nos leem mesmo em desgostos;
se concretos, visuais,
quer sem letras, vozes, rostos,
somos monstros naturais
artificialmente expostos;
somos mais que um time em campo:
gamos, bisões, sem manada;
uns sem outros solidários
pros leitores ou por nada.
Morreremos abraçados,
distraídos, algemados,
mas na mesma algema extrema
de quem não temeu seu tema.
IJS
se chatos, gênios ou toscos –
se modernos, carcomidos,
enxeridos, decompostos;
nos detestam uns maridos,
nos valem mais desvalidos,
nos abominam, se lidos,
nos leem mesmo em desgostos;
se concretos, visuais,
quer sem letras, vozes, rostos,
somos monstros naturais
artificialmente expostos;
somos mais que um time em campo:
gamos, bisões, sem manada;
uns sem outros solidários
pros leitores ou por nada.
Morreremos abraçados,
distraídos, algemados,
mas na mesma algema extrema
de quem não temeu seu tema.
IJS
terça-feira, setembro 04, 2012
COMO FAZER DE SI UM IDIOTA FINANCEIRO E INCOMODAR A SI MESMO E A OUTREM
Fique devendo para deus e o mundo.
Empreste de uns para pagar os outros.
Dance cirandas financeiras num segundo
e ache suas copas mais caras que os ouros.
Seja torturado, e calado, por seus credores.
Tolere até que abusem dos seus fiadores.
Continue agindo como se nem mesmo aí
dizendo frases de consolo em tom de não ouvi.
Finalmente, à beira da catástrofe total,
quando a merda já estiver toda disseminada,
fature enfim o numerário---sim: o capital---
e o esfregue neles feito não fosse nada.
ijs
Empreste de uns para pagar os outros.
Dance cirandas financeiras num segundo
e ache suas copas mais caras que os ouros.
Seja torturado, e calado, por seus credores.
Tolere até que abusem dos seus fiadores.
Continue agindo como se nem mesmo aí
dizendo frases de consolo em tom de não ouvi.
Finalmente, à beira da catástrofe total,
quando a merda já estiver toda disseminada,
fature enfim o numerário---sim: o capital---
e o esfregue neles feito não fosse nada.
ijs
segunda-feira, setembro 03, 2012
CANTO ÚLTIMO [ABSQUE METU ABSURDI]
para Rodolfo Jaruga, futuro pai
Para o diabo odiado já parodiado, Ezra Pound,
este canto aqui é pequeno demais para dois Dantes---
e ainda que fossem só uns quatro provençais pingados,
não sobraria espaço nem na sexta dimensão
da poesia de terceiras intenções
suficiente a mais outra paródia
da tua ezravoz de pound oco cada
vez mais vérica e
feérica
eérica
érica
rica
ica
ca
a
ótica
caótica
muvucaótica---
assim -- .
Assim ... :
antes da morte, sonhemos com vidros grisblaus
de vaga, sussurros de pobre, cego poeta,
vagidos de infantes, suspiros vagaus---
todos os turbilhões e as torvelinhas,
e as torpes linhas, nada, estas escunas,
algumas frases traduzidas
da escrita cuneiforme
ou o que mais
sim forme--
porfiriamente, por fim------.......
nos veremos em Naxos, -- ... !?
sim: ver-nos-emos,
lá, lacem, la ci darem, se lapidassem, dilapidassem, ralassem,
relassem,
sem nexos,
os nossos todos lados, de amplos os sexos:
interdesencobrinexos---
roçando a rezar
extrampando
pelo mais puro lazer---
[...] e o séquito
das tigresas avermelhadas
encantava quem tivesse
a imaginação de as ver......
Asvermelhadas.
;]
IJS [III/IX/MMXII]
domingo, setembro 02, 2012
Snakecharmers...
A ENCANTADORA DE SERPENTES
texto original: Sylvia Plath Hughes
versão escamosa: Ivan Justen Santana
Como os deuses iniciaram um mundo, e o homem, outro,
Assim a encantadora inicia uma esfera serpentina, com
Luaolho, bocaflauta. Ela flauteia. Flauteia verde. Flauteia água.
Ela flauteia água verde até verdes águas tremularem
Com juncosas extensões e istmos e ondulações.
E entrelaçando-se as suas verdes notas, o rio verde
Modela as próprias imagens em volta das canções.
Ela flauteia a si um lugar em pé, mas sem pedras,
Sem piso: uma onda de tremeluzentes línguas de relva
Lhe sustenta o pé. Flauteia um mundo de serpentes,
Gingados e coleios, do fundo serpienraizado
Da própria mente. E agora nada a não ser serpentes
Está visível. As serpiescamas se tornaram
Folha, tornada pálpebra; serpicorpos, galho, busto
De árvore e humano. E de dentro da serpentidade
Ela comanda as contorções que fazem manifestos
Sua serpenteza e poder, com melodias flexíveis
Saídas da sua flauta esguia. Afora deste ninho verde,
Como afora do umbigo do Éden, contorcem-se as filas
Das gerações serpiformes: que haja serpentes!
E serpentes houve, há, haverá – até que bocejos
Consumam tal flautista a qual, cansada das canções,
Flauteie o mundo de volta ao tecido simples
Da serpiurdidura, serpitrama. E flauteie os ofídios panos
A uma fusão de águas verdes, até que serpente alguma
Mostre a cabeça, e aquelas águas verdes de volta à
Água, ao verde, a nada semelhante a uma serpente.
E guarde sua flauta, e empalpebre seu enluarado olhar.

http://fr.wikipedia.org/wiki/La_Charmeuse_de_serpents
texto original: Sylvia Plath Hughes
versão escamosa: Ivan Justen Santana
Como os deuses iniciaram um mundo, e o homem, outro,
Assim a encantadora inicia uma esfera serpentina, com
Luaolho, bocaflauta. Ela flauteia. Flauteia verde. Flauteia água.
Ela flauteia água verde até verdes águas tremularem
Com juncosas extensões e istmos e ondulações.
E entrelaçando-se as suas verdes notas, o rio verde
Modela as próprias imagens em volta das canções.
Ela flauteia a si um lugar em pé, mas sem pedras,
Sem piso: uma onda de tremeluzentes línguas de relva
Lhe sustenta o pé. Flauteia um mundo de serpentes,
Gingados e coleios, do fundo serpienraizado
Da própria mente. E agora nada a não ser serpentes
Está visível. As serpiescamas se tornaram
Folha, tornada pálpebra; serpicorpos, galho, busto
De árvore e humano. E de dentro da serpentidade
Ela comanda as contorções que fazem manifestos
Sua serpenteza e poder, com melodias flexíveis
Saídas da sua flauta esguia. Afora deste ninho verde,
Como afora do umbigo do Éden, contorcem-se as filas
Das gerações serpiformes: que haja serpentes!
E serpentes houve, há, haverá – até que bocejos
Consumam tal flautista a qual, cansada das canções,
Flauteie o mundo de volta ao tecido simples
Da serpiurdidura, serpitrama. E flauteie os ofídios panos
A uma fusão de águas verdes, até que serpente alguma
Mostre a cabeça, e aquelas águas verdes de volta à
Água, ao verde, a nada semelhante a uma serpente.
E guarde sua flauta, e empalpebre seu enluarado olhar.

http://fr.wikipedia.org/wiki/La_Charmeuse_de_serpents
quinta-feira, agosto 30, 2012
Presentinhos...
VENHA CÁ, MINHA GATA...
Venha cá, minha gata,
e engatilhe a carabina
da minha língua ingrata;
venha até na chuva, mina,
ser a ninfa do meu ribeiro –
ontem você me fez chover
quase que pelo dia inteiro;
agora vou me declarar
nestas frases descompostas:
eu serei sempre o seu amor,
seu segurança mais pessoal,
o seu maior guarda-costas,
seu eterno, seu só e principal,
homem, monstro, felino, parceiro.
Assim de novo me declaro
todo seu todo, e por inteiro.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
ELE & ELA (ou: ELE TEM TUDO MAS CADÊ ELA?)
Ele sempre aposta tudo.
Ela é bela e estrela a tela
(atenção ao tom agudo:
fá tal tom que a estrela atrela).
Não fosse porém, contudo,
oporem ventos à vela,
assim lho deixando mudo.
Mas se a bela estrela a tela
sem remela e só dá trela
pros que gama em sua umbela,
pros que grava em seu escudo,
nele sempre aposta tudo.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
EU TE JURO, MEU AMOR
Eu te juro, meu amor,
te dizer só frases meigas –
ser quem não sofreu horror,
ser-te as broas das manteigas
– todas coisas sem pendor,
mais que coisas, sem rancor,
mais que meigas, mais que lindas
– mais que até nem furta-cor,
mais que as coisas, tuas vindas...
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
EU ESTOU QUERENDO VOCÊ QUE DÓI
Eu estou querendo você que dói:
estou só fazendo como se fora
um poeta mais seco – morto, embora
vivo, tola e totalmente um herói –
que faria sim qualquer coisa, sim,
se você deixasse que eu a seguisse
– eu faria toda e qualquer tolice,
seria ao fim quase morto: sem fim.
Se você nem soubesse – fosse o que fosse –
do tiro na quermesse, da cara dura,
da fossa escura a mira mais a loucura:
daquela que foice, e se foi: encabulou-se.
Portanto sacuda a poeira e saiba: o carnaval
sempre começa quando alguém lava o canal.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
QUASE SEM QUERER QUERENDO
Tenho andado distraído com isso isso isso.
Eduardo nem Mônica contavam com nossa astúcia.
Todos os nossos movimentos culturais
foram precisamente calculados:
o livro está sobre a mesa
mas quem me dera ao menos uma vez
se aproveitassem da sua nobreza.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
[as vinhetas entre os poemas são trinta e cinco estrelas-asteriscos para celebrar a data natalícia de Faena Figueiredo Rossilho - e os poemas desta postagem são dedicados a ela, com beijos múltiplos...]
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Venha cá, minha gata,
e engatilhe a carabina
da minha língua ingrata;
venha até na chuva, mina,
ser a ninfa do meu ribeiro –
ontem você me fez chover
quase que pelo dia inteiro;
agora vou me declarar
nestas frases descompostas:
eu serei sempre o seu amor,
seu segurança mais pessoal,
o seu maior guarda-costas,
seu eterno, seu só e principal,
homem, monstro, felino, parceiro.
Assim de novo me declaro
todo seu todo, e por inteiro.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
ELE & ELA (ou: ELE TEM TUDO MAS CADÊ ELA?)
Ele sempre aposta tudo.
Ela é bela e estrela a tela
(atenção ao tom agudo:
fá tal tom que a estrela atrela).
Não fosse porém, contudo,
oporem ventos à vela,
assim lho deixando mudo.
Mas se a bela estrela a tela
sem remela e só dá trela
pros que gama em sua umbela,
pros que grava em seu escudo,
nele sempre aposta tudo.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
EU TE JURO, MEU AMOR
Eu te juro, meu amor,
te dizer só frases meigas –
ser quem não sofreu horror,
ser-te as broas das manteigas
– todas coisas sem pendor,
mais que coisas, sem rancor,
mais que meigas, mais que lindas
– mais que até nem furta-cor,
mais que as coisas, tuas vindas...
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
EU ESTOU QUERENDO VOCÊ QUE DÓI
Eu estou querendo você que dói:
estou só fazendo como se fora
um poeta mais seco – morto, embora
vivo, tola e totalmente um herói –
que faria sim qualquer coisa, sim,
se você deixasse que eu a seguisse
– eu faria toda e qualquer tolice,
seria ao fim quase morto: sem fim.
Se você nem soubesse – fosse o que fosse –
do tiro na quermesse, da cara dura,
da fossa escura a mira mais a loucura:
daquela que foice, e se foi: encabulou-se.
Portanto sacuda a poeira e saiba: o carnaval
sempre começa quando alguém lava o canal.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
QUASE SEM QUERER QUERENDO
Tenho andado distraído com isso isso isso.
Eduardo nem Mônica contavam com nossa astúcia.
Todos os nossos movimentos culturais
foram precisamente calculados:
o livro está sobre a mesa
mas quem me dera ao menos uma vez
se aproveitassem da sua nobreza.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
[as vinhetas entre os poemas são trinta e cinco estrelas-asteriscos para celebrar a data natalícia de Faena Figueiredo Rossilho - e os poemas desta postagem são dedicados a ela, com beijos múltiplos...]
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
quarta-feira, agosto 29, 2012
O AMOR E A VERDADE
Encontrei o amor e a verdade
hoje à tarde, na praça central;
descrever sei lá eu quem há de,
sei que rende um Catatau.
Sem jogar suas mãos para o céu,
sem assaltos mortais num beco,
o amor me ofereceu seu chapéu
e ela, um naco de pão seco.
ijs
hoje à tarde, na praça central;
descrever sei lá eu quem há de,
sei que rende um Catatau.
Sem jogar suas mãos para o céu,
sem assaltos mortais num beco,
o amor me ofereceu seu chapéu
e ela, um naco de pão seco.
ijs
segunda-feira, agosto 27, 2012
O TIGRE [outradução da estrofe-crânio]
Tigre! Tigre! brilho em fogo
Nas florestas desta noite,
Que imortal mão ou qual olho
Moldar-te-iam tal simetria?
[...]
Ivan William Justen Blake Santana
Nas florestas desta noite,
Que imortal mão ou qual olho
Moldar-te-iam tal simetria?
[...]
Ivan William Justen Blake Santana
sexta-feira, agosto 24, 2012
AURORA AUSTRAL
Para quem ama de dia e de noite
é sempre aurora austral.
Ora pois quem viaja para Astrália
(quem viaja, para;
quem para, viaja)
não tem falha nem tralha:
sua carne vale um carnaval;
seu astral, tal e qual;
sua conjunção, sim: carnal;
e assim repetir sequer faz mal---
para quem ama de dia e de noite
é sempre aurora austral:
vale por um fundo mundo
(e uma leitura do Catatau!)...
[no sexagésimo oitavo aniversário de Paulo Leminski Filho; centésimo décimo terceiro aniversário de Jorge Luis Borges --- Curitiba, 24/08/MMXII]
[ __________________________ ;]
é sempre aurora austral.
Ora pois quem viaja para Astrália
(quem viaja, para;
quem para, viaja)
não tem falha nem tralha:
sua carne vale um carnaval;
seu astral, tal e qual;
sua conjunção, sim: carnal;
e assim repetir sequer faz mal---
para quem ama de dia e de noite
é sempre aurora austral:
vale por um fundo mundo
(e uma leitura do Catatau!)...
[no sexagésimo oitavo aniversário de Paulo Leminski Filho; centésimo décimo terceiro aniversário de Jorge Luis Borges --- Curitiba, 24/08/MMXII]
[ __________________________ ;]
sexta-feira, agosto 17, 2012
MEU AMOR:]
eu te amo muito
e te amo mais além
te amo como também
amo
a humanidade
_____________inteira
como eu amo esta cidade
como amo a vazante
e a maré cheia
com a paciência
e a velocidade
dum gato famélico
em meio a ratoeiras
e com muito
mas muito mais
intensidade
que a do ódio
dos que odeiam
as segundas-feiras
* * *
e te amo mais além
te amo como também
amo
a humanidade
_____________inteira
como eu amo esta cidade
como amo a vazante
e a maré cheia
com a paciência
e a velocidade
dum gato famélico
em meio a ratoeiras
e com muito
mas muito mais
intensidade
que a do ódio
dos que odeiam
as segundas-feiras
* * *
quarta-feira, agosto 15, 2012
terça-feira, agosto 14, 2012
TRÊS QUARKS
[James Augusta Joyce
Ivan Justen Santana]
--- Três quarks pro Mimostre Marcos!
Certo que os barcos dele já são meio parcos
E certo que todos que tem estão bem além de seus marcos.
Mas, Ó Ceus Corvopoderoso, seria assim tão para lá dos arcos
Vermos o velho babutre a crocitar por largas camisas de marca
E nuns escuros caçando as suas duas calças sujas nos Palmer-
__stown Parkos?
Hohohoho, moulti Marcos!
És o garnizé mais pigarrelante já esvoaçado da noelina arca
E achas que és o talo do galo tetrarca desta grata fuzarca.
Asas, alto! Tristinhoé é um espanto espartano e remarca
Que vai se casar e acasalar e a casa lar dela e escarlateá-la
Sem nunca picapiscar nenhuma pena de cauda nela ou de ala
E é assim que esse chapa fará sua grana e marca (em marcos)!
[FW : 383 : 1-14]
Clica e dá só uma olhada nessa versão do texto original...]
Ivan Justen Santana]
--- Três quarks pro Mimostre Marcos!
Certo que os barcos dele já são meio parcos
E certo que todos que tem estão bem além de seus marcos.
Mas, Ó Ceus Corvopoderoso, seria assim tão para lá dos arcos
Vermos o velho babutre a crocitar por largas camisas de marca
E nuns escuros caçando as suas duas calças sujas nos Palmer-
__stown Parkos?
Hohohoho, moulti Marcos!
És o garnizé mais pigarrelante já esvoaçado da noelina arca
E achas que és o talo do galo tetrarca desta grata fuzarca.
Asas, alto! Tristinhoé é um espanto espartano e remarca
Que vai se casar e acasalar e a casa lar dela e escarlateá-la
Sem nunca picapiscar nenhuma pena de cauda nela ou de ala
E é assim que esse chapa fará sua grana e marca (em marcos)!
[FW : 383 : 1-14]
Clica e dá só uma olhada nessa versão do texto original...]
sábado, agosto 11, 2012
NUMA NUVEM DE FLORES ALADAS
Parecia simples a parceria assim animada:
um olhar uma piscadela, uma pupila em brasa em cada
menina dos olhos; -- alguns devaneios verdes de fada
e a vermelha paixão já bebia sua sangria, desatada.
Foram sortes a desafiar vãos entre paredes e escadas,
sinais de afeto e dons e sensações enamoradas,
as maiores dores e seus alívios chegando em manadas,
manás, nadas, damas, danadas, danças, sambas, saladas.
Cai chuva imóvel de cores sobre a paleta da amada adorada:
rigores e amores que emanam,
evolam-se e se irmanam
numa nuvem de flores aladas.
[to _ _ _ _ _ ]
...
um olhar uma piscadela, uma pupila em brasa em cada
menina dos olhos; -- alguns devaneios verdes de fada
e a vermelha paixão já bebia sua sangria, desatada.
Foram sortes a desafiar vãos entre paredes e escadas,
sinais de afeto e dons e sensações enamoradas,
as maiores dores e seus alívios chegando em manadas,
manás, nadas, damas, danadas, danças, sambas, saladas.
Cai chuva imóvel de cores sobre a paleta da amada adorada:
rigores e amores que emanam,
evolam-se e se irmanam
numa nuvem de flores aladas.
[to _ _ _ _ _ ]
...
sexta-feira, agosto 10, 2012
DEITE, DAMA, DEITE
canção original: Lay, Lady, Lay
Bob Dylan
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
Deite, dama, deite
Deite em minha grande cama de latão
Deite, dama, deite
Deite em minha grande cama de latão
E todas as cores que você quiser imaginar
Te mostro brilhando no fundo do teu olhar
Deite, dama, deite
Deite em minha grande cama de latão
Fique, dama, fique
Fique com seu cara mais um bocado
Até que nasça o dia
Talvez você lhe diga algo engraçado
Suas roupas são sujas mas as mãos são limpas
E você é a melhor mulher que ele verá na vida
Fique, dama, fique
Fique com seu cara mais um bocado
Pra que esperar que o mundo enfim comece
Você tem o bolo nas mãos: pode comer
Pra que esperar mais pelo seu amor
Se ele está aqui diante de você
Deite, dama, deite
Deite em minha grande cama de latão
Fique, dama, fique
Fique enquanto a noite é nova canção
Quero te ver às luzes da manhã
De noite sem você até a lua é vã
Fique, dama, fique
Fique enquanto a noite é nova canção
* * *
Bob Dylan
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
Deite, dama, deite
Deite em minha grande cama de latão
Deite, dama, deite
Deite em minha grande cama de latão
E todas as cores que você quiser imaginar
Te mostro brilhando no fundo do teu olhar
Deite, dama, deite
Deite em minha grande cama de latão
Fique, dama, fique
Fique com seu cara mais um bocado
Até que nasça o dia
Talvez você lhe diga algo engraçado
Suas roupas são sujas mas as mãos são limpas
E você é a melhor mulher que ele verá na vida
Fique, dama, fique
Fique com seu cara mais um bocado
Pra que esperar que o mundo enfim comece
Você tem o bolo nas mãos: pode comer
Pra que esperar mais pelo seu amor
Se ele está aqui diante de você
Deite, dama, deite
Deite em minha grande cama de latão
Fique, dama, fique
Fique enquanto a noite é nova canção
Quero te ver às luzes da manhã
De noite sem você até a lua é vã
Fique, dama, fique
Fique enquanto a noite é nova canção
* * *
quarta-feira, agosto 08, 2012
Já que uma vez me chamaram de "Em Vão" Justen...
LOVE IN VAIN
AMOR EM VÃO
Robert Johnson
AMOR EM VÃO
Robert Johnson
versão brasileira curitibana:
Ivan Justen Santana
Ivan Justen Santana
É, eu a segui até a estação carregando uma mala na mão
Sim, eu segui ela até a estação com uma mala na minha mão
É, é difícil dizer, é difícil prever, se todo seu amor é em vão
Quando o trem chegou na estação eu a olhei de frente
É, no que o trem chegou na estação eu olhei ela de frente
É, me senti tão triste, tão só, que acabei por chorar, finalmente
E o trem deixou a estação arrastando duas luzes em corrente
Sim, o trem deixou a estação e arrastava duas luzes em corrente
A luz azul era minha pequena e a vermelha era minha mente
Todo meu amor em vão
Todinho meu amor
Em vão
Em vão
…………………………………………………..
segunda-feira, agosto 06, 2012
EU TEREI MINHA ALFORRIA
[de Bob Dylan -- canção original: I Shall Be Released
versão curitibana: Ivan Justen Santana]
Dizem que tudo é recomposto
Mas a distância é um longe em si
Assim relembro cada rosto
De quem me colocou aqui
Eu vejo minha luz vir brilhando
Da manhã até o fim do dia
Qualquer dia, qualquer dia agora
Eu terei minha alforria
Dizem todos precisam de proteção
Dizem que todos vão cair
Mas juro que vejo minha reflexão
Num ponto além do muro aqui
Eu vejo minha luz vir brilhando
Da manhã até o fim do dia
Qualquer dia, qualquer dia agora
Eu terei minha alforria
A meu lado neste grupo solitário
Um cara jura que é inocente
O dia todo ele grita bem alto:
"Caí num esquema inteligente"
Eu vejo minha luz vir brilhando
Da manhã até o fim do dia
Qualquer dia, qualquer dia agora
Eu terei minha alforria
* * * *
versão curitibana: Ivan Justen Santana]
Dizem que tudo é recomposto
Mas a distância é um longe em si
Assim relembro cada rosto
De quem me colocou aqui
Eu vejo minha luz vir brilhando
Da manhã até o fim do dia
Qualquer dia, qualquer dia agora
Eu terei minha alforria
Dizem todos precisam de proteção
Dizem que todos vão cair
Mas juro que vejo minha reflexão
Num ponto além do muro aqui
Eu vejo minha luz vir brilhando
Da manhã até o fim do dia
Qualquer dia, qualquer dia agora
Eu terei minha alforria
A meu lado neste grupo solitário
Um cara jura que é inocente
O dia todo ele grita bem alto:
"Caí num esquema inteligente"
Eu vejo minha luz vir brilhando
Da manhã até o fim do dia
Qualquer dia, qualquer dia agora
Eu terei minha alforria
* * * *
sábado, agosto 04, 2012
A CHEGADA
é rápida. A alegria também:
chega, acerta, abala, estupefaz,
suspende, surpreende e invade---
já não tem mais pra ninguém:
porque já me orientei, rapaz--
e agora é só felicidade:
depois da partida da amada
mais emocionante
porque menos distante
é sua chegada.
;]
chega, acerta, abala, estupefaz,
suspende, surpreende e invade---
já não tem mais pra ninguém:
porque já me orientei, rapaz--
e agora é só felicidade:
depois da partida da amada
mais emocionante
porque menos distante
é sua chegada.
;]
sexta-feira, agosto 03, 2012
BREVÍSSIMA ANTOLOGIA DE VERSINHOS INVISÍVEIS (Clique selecionando a postagem para ler os versinhos)
ao ver que eu não me enxergava
minha anja de resguarda
me deu translúcidas asas
a teia de aranha
numa gruta do vácuo:
até o espaço apanha
eu te amo quando te vejo
mas meu desejo faz isso inclusive
de olhos bem fechados
ijs
;)
minha anja de resguarda
me deu translúcidas asas
a teia de aranha
numa gruta do vácuo:
até o espaço apanha
eu te amo quando te vejo
mas meu desejo faz isso inclusive
de olhos bem fechados
ijs
;)
quinta-feira, agosto 02, 2012
SUPLICANDO, CONHECENDO, CONVERGINDO
Neste mundo de ilusões e desavenças
Bichos-gentes se iniciam suplicando
Ou aceitam situações até mais tensas
Ou então nonada. Eis senão quando o
Bicho pensa que imagina que conhece e
Conhecendo segue imaginando. Em bando
Muitas dessas ilusões se tornam prece
E assim surgem desavenças, convergindo.
Só nos resta aqui propor: "O que é, o que é: se
Nasce meio feio às vezes morre lindo?"
Tu respondes "Gente" pois também tu pensas
E até aceitas situações mais tensas
Suplicando, conhecendo, convergindo.
_____
Bichos-gentes se iniciam suplicando
Ou aceitam situações até mais tensas
Ou então nonada. Eis senão quando o
Bicho pensa que imagina que conhece e
Conhecendo segue imaginando. Em bando
Muitas dessas ilusões se tornam prece
E assim surgem desavenças, convergindo.
Só nos resta aqui propor: "O que é, o que é: se
Nasce meio feio às vezes morre lindo?"
Tu respondes "Gente" pois também tu pensas
E até aceitas situações mais tensas
Suplicando, conhecendo, convergindo.
_____
quarta-feira, agosto 01, 2012
CHEGA
Chega de paixões fugazes,
chega de incensar já ídolas,
chega de remédios e antrazes
e das cartas de amor rirridículas.
O que vai e vaivém agora--
quem me vem ao encontro e chega
[chega de verdade: e não gora]
quem me atrai-- eu chamo: "Nêga,
minha Neguinha, minha Lili-lalalá--
ó meus os quatros pontos cardeais---
minha aqui---minha ali---minha acolá
minha fáfá-fin-fizinha ultiminha e mais....
ijs
for
ffr
,]
chega de incensar já ídolas,
chega de remédios e antrazes
e das cartas de amor rirridículas.
O que vai e vaivém agora--
quem me vem ao encontro e chega
[chega de verdade: e não gora]
quem me atrai-- eu chamo: "Nêga,
minha Neguinha, minha Lili-lalalá--
ó meus os quatros pontos cardeais---
minha aqui---minha ali---minha acolá
minha fáfá-fin-fizinha ultiminha e mais....
ijs
for
ffr
,]
terça-feira, julho 31, 2012
Um coyote uivando faz dez anos: vamos?
O número 24 da revista Coyote, editada de Londrina às galáxias por Ademir Assunção, Marcos Losnak, e Rodrigo Garcia Lopes, celebra o aniversário de dez anos da publicação.
O lançamento nacional será aqui em Curitiba, neste Sábado, dia 4 de Agosto, no SESC-Paço da Liberdade, a partir das 11h, com entrada franca.
Este que vos escreve saiu no número 21, do inverno de 2010.
O Rodrigo deve trazer números deste número também, portanto, para quem quiser aparecer, eu estarei lá e posso autografar minha estreia numa das mais longevas publicações poéticas nacionais de alto gabarito...
...................................................
domingo, julho 29, 2012
SE CLIN TON [or: IF CLIN TON =]
Se Clinton inalou e disse:
[and I quote:] "fumei mas não traguei"
eu por mim fujo dessa tolice
mas também confesso: fumo mas não trago.
Levar e trazer é uma coisa meio gay
e [excuse me] me trinca os bago.
Isso talvez até me levasse a compor
um Noturno de um Mago.
Porém: e se George Clinton Jorge Benjor?
E se Carla Bruni Maurice Bèjar?
E se eu soubesse pauta e entendesse de cor,
recitaria de cor e salteado [sendo assaltado]
tudo que em você é melhor e maior
do que qualquer mar,
qualquer mármore
qualquer vagau amor...
Esse poema se estragou, mas vai ficar aqui até postagem em contrário, ou indefinidamente.
Pedimos desculpas aos nossos leitores e leitoras: nem sempre se pode ser um poeta consequente
[and I quote:] "fumei mas não traguei"
eu por mim fujo dessa tolice
mas também confesso: fumo mas não trago.
Levar e trazer é uma coisa meio gay
e [excuse me] me trinca os bago.
Isso talvez até me levasse a compor
um Noturno de um Mago.
Porém: e se George Clinton Jorge Benjor?
E se Carla Bruni Maurice Bèjar?
E se eu soubesse pauta e entendesse de cor,
recitaria de cor e salteado [sendo assaltado]
tudo que em você é melhor e maior
do que qualquer mar,
qualquer mármore
qualquer vagau amor...
Esse poema se estragou, mas vai ficar aqui até postagem em contrário, ou indefinidamente.
Pedimos desculpas aos nossos leitores e leitoras: nem sempre se pode ser um poeta consequente
sexta-feira, julho 27, 2012
SEM PRE
sempre pensando em você
sempre querendo te ver
pensando e querendo
e querendo e pensando
num tema: não tema: você
hoje me senti perdido:
hoje perdido sem ti
mas sempre sempre
pensando em você
me encontrei comigo
e fomos te ver na tela do PC
você sempre me acompanha
e até me faz escrever
diferente do que nunca
diferente em muita manha
diferente até de ler
porque estou sempre pensando
[e você sabe] em você
ijs
to
ffr
=]
sempre querendo te ver
pensando e querendo
e querendo e pensando
num tema: não tema: você
hoje me senti perdido:
hoje perdido sem ti
mas sempre sempre
pensando em você
me encontrei comigo
e fomos te ver na tela do PC
você sempre me acompanha
e até me faz escrever
diferente do que nunca
diferente em muita manha
diferente até de ler
porque estou sempre pensando
[e você sabe] em você
ijs
to
ffr
=]
terça-feira, julho 24, 2012
MAIS FAMILIARMENTE
"Ele não sabe quem eu sou"
disse ela em voz de dó--
e eu pensei se a alma assou
no enquanto do quiproquó--
enquanto conto contente
como desfazer tal nó:
as ligações obviamente
perigosas são, mesmo só
e não seria tão pungente
se outro diverso fosse o dó--
o dó da voz da mãe da gente--
o dó do bem da minha vó.
Ivan: neto, filho, irmão, tio, pai, sobrinho, amigo, e às vezes até poeta...
disse ela em voz de dó--
e eu pensei se a alma assou
no enquanto do quiproquó--
enquanto conto contente
como desfazer tal nó:
as ligações obviamente
perigosas são, mesmo só
e não seria tão pungente
se outro diverso fosse o dó--
o dó da voz da mãe da gente--
o dó do bem da minha vó.
Ivan: neto, filho, irmão, tio, pai, sobrinho, amigo, e às vezes até poeta...
segunda-feira, julho 23, 2012
BEBENDO DE MANHÃ
Nossa vida não disputa
__Bebendo de manhã
Uma flor nunca se assusta
__Nas calhas do amanhã
Poetas são araruta
__Ou não me chamo Ivan
E hoje o dia se fez fruta
__Feito o amor se faz romã
Ivan Justen Santana
Ricardo "Syd" Janiszweski
__Bebendo de manhã
Uma flor nunca se assusta
__Nas calhas do amanhã
Poetas são araruta
__Ou não me chamo Ivan
E hoje o dia se fez fruta
__Feito o amor se faz romã
Ivan Justen Santana
Ricardo "Syd" Janiszweski
sábado, julho 21, 2012
terça-feira, julho 17, 2012
VOCÊ PRECISA
Você precisa me tocar
Qual instrumento musical:
Você precisa ser a fã
De um enamorado total:
Você precisa ser a terra
E eu seu enosigeu* mortal --
Você não precisa mais nada:
Uma pequena dose: e tchau.
IJS
* Enosigeu, epíteto do deus Netuno [Poseidon:], de enosíkhton, "abarcador da terra"
[fonte: HOMERO, Odisseia. Tradução de Manuel Odorico Mendes; edição de Antonio Medina Rodrigues. -- São Paulo: Ars Poetica / Edusp, 1992. p. 67. n. 62.]
Qual instrumento musical:
Você precisa ser a fã
De um enamorado total:
Você precisa ser a terra
E eu seu enosigeu* mortal --
Você não precisa mais nada:
Uma pequena dose: e tchau.
IJS
* Enosigeu, epíteto do deus Netuno [Poseidon:], de enosíkhton, "abarcador da terra"
[fonte: HOMERO, Odisseia. Tradução de Manuel Odorico Mendes; edição de Antonio Medina Rodrigues. -- São Paulo: Ars Poetica / Edusp, 1992. p. 67. n. 62.]
terça-feira, julho 10, 2012
PORQUE VOCÊ SABE
você sabe que
eu sei que
você sabe que eu
sei que você sabe
que eu sei que você
sabe que eu sei que
você sabe que eu sei
que você sabe
que sabe
ijs
[to
ffr
:]
eu sei que
você sabe que eu
sei que você sabe
que eu sei que você
sabe que eu sei que
você sabe que eu sei
que você sabe
que sabe
ijs
[to
ffr
:]
UM DIA ACHEI QUE TINHA ACHADO
Um dia achei que tinha achado a mulher perfeita:
engano meu, pois só depois achei você.
Um dia achei que tinha achado um amor que aceita:
engano meu, e só você sabe por que.
[de ijs para ffr, a vinte e cinco dias...]
........................................................................
engano meu, pois só depois achei você.
Um dia achei que tinha achado um amor que aceita:
engano meu, e só você sabe por que.
[de ijs para ffr, a vinte e cinco dias...]
........................................................................
segunda-feira, julho 02, 2012
VINHO DAS FADAS
Estou bêbado do vinho de mel
Da eglantina que a lua deu no céu,
E que as fadas embalam em florpotes.
O arganaz, a toupeira, e os morcegos
Dormem nos muros ou sob o dossel
Do quintal do castelo meio ao léu;
E quando ele encharca a terra, ao verão,
Ou torna os orvalhos mais vaporosos,
Com sonhos cheios de alegre irrisão
Eles murmuram seu gozo em sono; pois
Poucas fadas podem com potes tão novos!
Percy Bysshe Shelley
Ivan Justen Santana
[WINE OF THE FAIRIES]
Da eglantina que a lua deu no céu,
E que as fadas embalam em florpotes.
O arganaz, a toupeira, e os morcegos
Dormem nos muros ou sob o dossel
Do quintal do castelo meio ao léu;
E quando ele encharca a terra, ao verão,
Ou torna os orvalhos mais vaporosos,
Com sonhos cheios de alegre irrisão
Eles murmuram seu gozo em sono; pois
Poucas fadas podem com potes tão novos!
Percy Bysshe Shelley
Ivan Justen Santana
[WINE OF THE FAIRIES]
A LUA: UMA FALENA
A lua desceu hoje na janela
aqui de casa. Tinha um halo: um "moonbow"
[que é quando a gente vê um arco-íris nela,
ou melhor, em volta dela]. Acabou
cedo demais aquele belo show...
A lua desceu hoje na janela
que é quando a gente vê um arco-íris nela
e é verdade mesmo que já acabou.
Mas aquela palavra, aquele nome
não era o de uma borboleta: letra
a mais faz muita diferença--- E sí-
laba a menos, então?! Até fome some.
E o poema enfeia. Perto dela. Aqui.
---cedo demais!---aquele belo show...
A lua desceu hoje na janela.
A lua parecia uma falena.
Sim... Falena: borboleta tão bela.
Mas até mesmo a lua e a borboleta
ficariam feias perto dela.
O:) O:)
aqui de casa. Tinha um halo: um "moonbow"
[que é quando a gente vê um arco-íris nela,
ou melhor, em volta dela]. Acabou
cedo demais aquele belo show...
A lua desceu hoje na janela
que é quando a gente vê um arco-íris nela
e é verdade mesmo que já acabou.
Mas aquela palavra, aquele nome
não era o de uma borboleta: letra
a mais faz muita diferença--- E sí-
laba a menos, então?! Até fome some.
E o poema enfeia. Perto dela. Aqui.
---cedo demais!---aquele belo show...
A lua desceu hoje na janela.
A lua parecia uma falena.
Sim... Falena: borboleta tão bela.
Mas até mesmo a lua e a borboleta
ficariam feias perto dela.
O:) O:)
sábado, junho 30, 2012
NOSSO PRIMEIRO BEIJO
[de IJS a FFR]
foi tenso. E sim, eu adoro um sim,
e sim, nossos sins são do bem,
e sim, eles não são sinsalabins,
mas
sim
sala
bens.
Vem
e vai e vai e vem:
maremotos pervagando os mares,
ondas leviatânicas elevando os oceanos,
submergindo as ilhas, devastando os bos-
ques, desbastando as árvores---
e nós?
Procuramos um só refúgio juntos,
só para modos de o primeiro beijo festejar:
eu e você e você e eu e os nossos assuntos,
a sua nota fá, o meu deslize em I
[sem pingo nem rima, mas agora com par:]
ambos em busca de nosso lugar,
mesmo que hoje este seja apenas
um lar doce bar.
<3
foi tenso. E sim, eu adoro um sim,
e sim, nossos sins são do bem,
e sim, eles não são sinsalabins,
mas
sim
sala
bens.
Vem
e vai e vai e vem:
maremotos pervagando os mares,
ondas leviatânicas elevando os oceanos,
submergindo as ilhas, devastando os bos-
ques, desbastando as árvores---
e nós?
Procuramos um só refúgio juntos,
só para modos de o primeiro beijo festejar:
eu e você e você e eu e os nossos assuntos,
a sua nota fá, o meu deslize em I
[sem pingo nem rima, mas agora com par:]
ambos em busca de nosso lugar,
mesmo que hoje este seja apenas
um lar doce bar.
<3
segunda-feira, junho 25, 2012
ENTRE MIM E ELA
entre mim e ela é muito mais que sex
nossa alegria é muito mais que tétrica:
provei-lhe com sabor uva e tex mex
e ela me revelou que eu ronco em métrica
* * * * * * * * * *
nossa alegria é muito mais que tétrica:
provei-lhe com sabor uva e tex mex
e ela me revelou que eu ronco em métrica
* * * * * * * * * *
quinta-feira, junho 21, 2012
OS AMIGOS
No rapé, no café, e também no vinho,
ao limiar da noite eles se levantam
como as vozes que à distância cantam
sem que se saiba o quê, pelo caminho.
Levemente irmãos de igual destininho,
dióscuros, sombras pálidas, me espantam
as moscas das rotinas, me adiantam
a seguir à tona no redemoinho.
Os mortos falam mais alto: ao ouvido,
e os vivos são mão fraca, teto, jeito,
soma do que é ganho e do que é perdido.
Assim, um dia, sombra em barca cheia,
de tanta ausência abrigará meu peito
essa ternura antiga que os nomeia.
Julio Florencio Cortázar
versão curitibana:
Ivan Justen Santana
ao limiar da noite eles se levantam
como as vozes que à distância cantam
sem que se saiba o quê, pelo caminho.
Levemente irmãos de igual destininho,
dióscuros, sombras pálidas, me espantam
as moscas das rotinas, me adiantam
a seguir à tona no redemoinho.
Os mortos falam mais alto: ao ouvido,
e os vivos são mão fraca, teto, jeito,
soma do que é ganho e do que é perdido.
Assim, um dia, sombra em barca cheia,
de tanta ausência abrigará meu peito
essa ternura antiga que os nomeia.
Julio Florencio Cortázar
versão curitibana:
Ivan Justen Santana
quarta-feira, junho 20, 2012
Duas parcerias a seis mãos, neste Bloomsday passado
CANTO MÍTICO
Entre o fato e a dança
Como a criança
Chupeta teta valeta
Cavo sombria bonança
Mal da nau catarineta
No cabo da boa esperança
* * *
EIS EINSTEIN
Na prática, a teoria é relativa:
Somos fruto da engrenagem que nunca para--
Universo em curva---uno verso e cura.
O suco é gástrico---ponta da saliva--
O som só uma nota: a mais rara:
Sol sou luar---realidade pura.
Cristiano Farias
Ivan Justen Santana
Juliano Samways Petroski
Curitiba, Villa Bambu, noite de 16 de junho de 2012.
terça-feira, junho 12, 2012
A TELA TREME BEM DE LEVE
A tela treme bem de leve, porém treme:
tremem com ela a mesa e o teclado--
pronto: acendo um cigarro e logo o apago--
o movimento todo faz uma letra ême:
feito funis em ritmo sincopado
ou feito os seis remos de uma mesma trirreme--
de fato, não adianta comparar, já geme
o fim do quarteto em tom de prelado--
E agora, nos tercetos, quem serei?
Um fã dessas sereias que me encantam?
Ou só mais um naufrágio? Outra manhã?
Ao fim e à nota fá, não sei nem sei.
As outras notas todas já me cantam,
já chegam solfejando: Ivan, Ivan, Ivan...
{{{{{{{{{{{{{{{{{{{{{__{{}}}}}}}}}}
tremem com ela a mesa e o teclado--
pronto: acendo um cigarro e logo o apago--
o movimento todo faz uma letra ême:
feito funis em ritmo sincopado
ou feito os seis remos de uma mesma trirreme--
de fato, não adianta comparar, já geme
o fim do quarteto em tom de prelado--
E agora, nos tercetos, quem serei?
Um fã dessas sereias que me encantam?
Ou só mais um naufrágio? Outra manhã?
Ao fim e à nota fá, não sei nem sei.
As outras notas todas já me cantam,
já chegam solfejando: Ivan, Ivan, Ivan...
{{{{{{{{{{{{{{{{{{{{{__{{}}}}}}}}}}
segunda-feira, junho 11, 2012
sábado, junho 09, 2012
VIRAM MEU CORAÇÃO
Viram meu coração virar por água abaixo.
Ou viram apenas um rim, amigo escuso?
Na caixa dela exatamente não me encaixo:
Uso ou abuso? Abuso ou uso? Uso? Uso.
Viram meu coração saindo aos sete mares.
Seriam mais? Oito? Dezoito? Setecentos?
E quantas seriam as ilhas? E os lugares?
Havia de haver mais: e vieram rebentos.
Viram meu coração depois de três batalhas.
De seis, de nove, dezenove vezes mil:
façam as suas apostas, teçam as mortalhas,
o que ontem sempre foi já vai ao fundo rio.
____________________________________
Ou viram apenas um rim, amigo escuso?
Na caixa dela exatamente não me encaixo:
Uso ou abuso? Abuso ou uso? Uso? Uso.
Viram meu coração saindo aos sete mares.
Seriam mais? Oito? Dezoito? Setecentos?
E quantas seriam as ilhas? E os lugares?
Havia de haver mais: e vieram rebentos.
Viram meu coração depois de três batalhas.
De seis, de nove, dezenove vezes mil:
façam as suas apostas, teçam as mortalhas,
o que ontem sempre foi já vai ao fundo rio.
____________________________________
domingo, junho 03, 2012
PARA CELEBRAR
Lutando com chuvas, combatendo tempestades,
ao menos um bom banho vou tomar---
decifrando infernos, comovendo Plutos e Hades,
tocando corações de lar em lar.
Batalhas e batalhas e batalhas:
gemendo a Grécia, geme Gibraltar---
cangalhas gralhas tralhas que atrapalhas:
diversas razões para celebrar.
____________________________________________________
ao menos um bom banho vou tomar---
decifrando infernos, comovendo Plutos e Hades,
tocando corações de lar em lar.
Batalhas e batalhas e batalhas:
gemendo a Grécia, geme Gibraltar---
cangalhas gralhas tralhas que atrapalhas:
diversas razões para celebrar.
____________________________________________________
segunda-feira, maio 28, 2012
ESSE PERFUME...
Emiliano Perneta
Esse perfume – sândalo e verbenas –
De tua pele de maçã madura,
Sorvi-o quando, ó deusa das morenas!
Por mim roçaste a cabeleira escura.
Mas ó perfídia negra das hienas!
Sabes que o teu perfume é uma loucura:
– E o concedes; que é um tóxico: e envenenas
Com uma tão rara e singular doçura!
Quando o aspirei – as minhas mãos nas tuas –
Bateu-me o coração como se fora
Fundir-se, lírio das espáduas nuas!
Foi-me um gozo cruel, áspero e curto...
Ó requintada, ó sábia pecadora,
Mestra no amor das sensações de um furto!
* * *
Esse perfume – sândalo e verbenas –
De tua pele de maçã madura,
Sorvi-o quando, ó deusa das morenas!
Por mim roçaste a cabeleira escura.
Mas ó perfídia negra das hienas!
Sabes que o teu perfume é uma loucura:
– E o concedes; que é um tóxico: e envenenas
Com uma tão rara e singular doçura!
Quando o aspirei – as minhas mãos nas tuas –
Bateu-me o coração como se fora
Fundir-se, lírio das espáduas nuas!
Foi-me um gozo cruel, áspero e curto...
Ó requintada, ó sábia pecadora,
Mestra no amor das sensações de um furto!
* * *
segunda-feira, maio 21, 2012
NA RUA DOS CHORÕES
Na rua dos chorões
os lamentos brotam.
São tantas situações
que as fomes notam.
"Não consigo pensar
pois sinto tudo:
as pessoas no ar
e o absurdo mudo."
Devorada por vozes
ela sonha que pensa.
Eu como minhas nozes.
A matéria é densa.
Ivan Justen Santana
em parceria com Ana Paula
* * * * * * * * * * * * *
os lamentos brotam.
São tantas situações
que as fomes notam.
"Não consigo pensar
pois sinto tudo:
as pessoas no ar
e o absurdo mudo."
Devorada por vozes
ela sonha que pensa.
Eu como minhas nozes.
A matéria é densa.
Ivan Justen Santana
em parceria com Ana Paula
* * * * * * * * * * * * *
quinta-feira, maio 17, 2012
ELA ESTAVA ESTUPIDAMENTE
Ela estava estupidamente linda,
o cabelo penteado, liso, brilhoso--
eu estava estupidamente seboso,
como nunca estive ainda.
Ela estava estupidamente bela
as mãos cálidas, as faces pálidas,
os sorrisos dela eram crisálidas,
as frases, as de uma inseta amarela--
e eu, estupidamente, sem o pi da mente,
a considerei bem-vinda--
foi, é, e sempre será,
seja esta ou até se for como aquela.
_(_!_)_
o cabelo penteado, liso, brilhoso--
eu estava estupidamente seboso,
como nunca estive ainda.
Ela estava estupidamente bela
as mãos cálidas, as faces pálidas,
os sorrisos dela eram crisálidas,
as frases, as de uma inseta amarela--
e eu, estupidamente, sem o pi da mente,
a considerei bem-vinda--
foi, é, e sempre será,
seja esta ou até se for como aquela.
_(_!_)_
terça-feira, maio 15, 2012
Amanhã, no Palladium
Amanhã, na megaloja Curitiba do Palladium:
recital e noite de autógrafos do livro:
ESSÊNCIAS TRANSFIGURADAS
TRANSFIGURED ESSENCES
de Chloris Casagrande Justen
em tradução de Ivan Justen Santana
ilustrado com as gravuras de
Gianna Nadolny Roland
às 19h30
não percam (nem se não puderem).
:P
recital e noite de autógrafos do livro:
ESSÊNCIAS TRANSFIGURADAS
TRANSFIGURED ESSENCES
de Chloris Casagrande Justen
em tradução de Ivan Justen Santana
ilustrado com as gravuras de
Gianna Nadolny Roland
às 19h30
não percam (nem se não puderem).
:P
domingo, maio 13, 2012
EXISTE AMOR EM CURITIBA
Existe amor em Curitiba:
nos bares cheios de ilusões
e em necas de pitibiriba --
nas tão vazias estações
e nos contratos dessas tribos --
nos ônibus e nas mansões,
nesses lugares sem estribos.
Existe algo até além mais mesmo:
mais que as fatais Paramaribos.
Um restaurante sem torresmo,
uma avenida de uma pista,
e o esposo da lesma: sim: lesmo.
Mas não é ponto pra turista:
pois mesmo sem Sernamentiba
existe amor em Curitiba
e a quem nem sempre tem seu clima.
ijs
nos bares cheios de ilusões
e em necas de pitibiriba --
nas tão vazias estações
e nos contratos dessas tribos --
nos ônibus e nas mansões,
nesses lugares sem estribos.
Existe algo até além mais mesmo:
mais que as fatais Paramaribos.
Um restaurante sem torresmo,
uma avenida de uma pista,
e o esposo da lesma: sim: lesmo.
Mas não é ponto pra turista:
pois mesmo sem Sernamentiba
existe amor em Curitiba
e a quem nem sempre tem seu clima.
ijs
terça-feira, maio 08, 2012
CERIMÔNIA
Cerimônia
É por isso que eventos me enervam,
Acham todos uma história diferente
Perceba para quem as rodas giram,
Gire de novo e gire adiante dessa vez,
Tudo que ela pede é a força pra me abraçar,
Ainda assim a mesma velha história,
Os telefones vão tocar, rapidamente,
Chegue antes e se debruce adiante dessa vez.
Ah, eu os quebro, sem dó nem piedade,
Os céus sabem, tem que ser dessa vez,
Assistindo a ela, as coisas que ela disse,
As vezes em que ela chorou,
Frágil demais pra acordar agora
Ah, vou quebrá-los, impiedosamente,
Os Céus sabem, tem que ser agora,
As avenidas em fileiras de árvores,
Me fotografam e você começa a ver,
A assistir eternamente
O amor crescer, eternamente
Me fazendo saber, para sempre
Ian Curtis
versão brasileira curitibana:
Ivan Justen Santana
quinta-feira, maio 03, 2012
BEM MENOS MUITO MAIS
A chuva lava as ruas e as calçadas.
O amigo diz preferir toddy ao tédio.
Ouço canções de Lívia & os Piá de Prédio
e em versos deixo meus tudos e nadas.
Um dia os tudos vão ser mais além
das noites quando os nadas eram sós.
O que hoje falta para todos nós:
bem menos de mal, muito mais de bem.
________________________________
O amigo diz preferir toddy ao tédio.
Ouço canções de Lívia & os Piá de Prédio
e em versos deixo meus tudos e nadas.
Um dia os tudos vão ser mais além
das noites quando os nadas eram sós.
O que hoje falta para todos nós:
bem menos de mal, muito mais de bem.
________________________________
quinta-feira, abril 26, 2012
NEM UM (POEMADEAUTOAJUDA)
Nenhum erro
de qualquer outra
pessoa
pode provocar
qualquer sombra
de culpa ou tristeza em nós.
Nunca mais
é uma frase mais ou menos
e o papagaio diz: sempre menos
principalmente
quando estamos sós.
de qualquer outra
pessoa
pode provocar
qualquer sombra
de culpa ou tristeza em nós.
Nunca mais
é uma frase mais ou menos
e o papagaio diz: sempre menos
principalmente
quando estamos sós.
terça-feira, abril 24, 2012
FLÂMULAS CAMPÂNULAS
Mergulho em tuas almas amorosas.
Engoles os meus sangues rutilantes.
Ouço os teus gritos. Lês as minhas glosas.
Depois será pra sempre o que foi antes.
Regamos rosas. Dálias. Cravos brancos.
Crisântemos crescentes nas janelas.
Teus parapeitos dão pros meus barrancos.
Tuas sacadas dizem sim, singelas.
Já fui abismo noutras quedas, tantas.
Me ladrilhaste em flamas titilantes,
Nas flâmulas campânulas que implantas.
Depois será pra sempre o que foi antes.
(((((( _ _ _ _ _ _ ))))))
Engoles os meus sangues rutilantes.
Ouço os teus gritos. Lês as minhas glosas.
Depois será pra sempre o que foi antes.
Regamos rosas. Dálias. Cravos brancos.
Crisântemos crescentes nas janelas.
Teus parapeitos dão pros meus barrancos.
Tuas sacadas dizem sim, singelas.
Já fui abismo noutras quedas, tantas.
Me ladrilhaste em flamas titilantes,
Nas flâmulas campânulas que implantas.
Depois será pra sempre o que foi antes.
(((((( _ _ _ _ _ _ ))))))
domingo, abril 22, 2012
ONIROFAGIA
Sem paz, sem vez, sem triz, sem nós, compus
um sonho só pra escapar do incomum.
Num tom inescapável, sim, comum,
um show de chavões, pás, pés, pis, pós, pus.
Um sonho bom daqueles tempos nus,
quando chamavam bunda de bumbum
e todo desespero era nenhum,
e mesmo as sombras pareciam luz.
Contudo o sonho se tornou minúsculo,
restrito ao coração. E a realidade
veio apertando mais. Até que, em vão,
frenético, mas sem mexer um músculo,
numa ânsia de terror e de piedade,
sonhei que devorei meu coração.
______________________________________________
um sonho só pra escapar do incomum.
Num tom inescapável, sim, comum,
um show de chavões, pás, pés, pis, pós, pus.
Um sonho bom daqueles tempos nus,
quando chamavam bunda de bumbum
e todo desespero era nenhum,
e mesmo as sombras pareciam luz.
Contudo o sonho se tornou minúsculo,
restrito ao coração. E a realidade
veio apertando mais. Até que, em vão,
frenético, mas sem mexer um músculo,
numa ânsia de terror e de piedade,
sonhei que devorei meu coração.
______________________________________________
sexta-feira, abril 20, 2012
EM FEITIÇO
Você deixou aqui seu cinto de esqueleta,
Seu beijo quente encaixotado no meu queixo,
O olhar ardente feito olhar de gata preta,
Pupila arisca me arriscando mais que eu deixo...
Você enfaixou meu pé qual me enfaixasse inteiro,
Qual me amarrasse nas enxárcias de um veleiro
Pra velejar comigo ao lago do seu gozo:
Musgoso e perigoso e seu meu nosso gozo...
Você vem caixa de Pandora e me diz: abra!
Luz câmera tensão numa trama macabra
E eu falo candelabro à cara candelabra:
Fiduscapiscapiscassimteabracadabra!!!
(((((( _ _ _ _ _ _ ))))))
Seu beijo quente encaixotado no meu queixo,
O olhar ardente feito olhar de gata preta,
Pupila arisca me arriscando mais que eu deixo...
Você enfaixou meu pé qual me enfaixasse inteiro,
Qual me amarrasse nas enxárcias de um veleiro
Pra velejar comigo ao lago do seu gozo:
Musgoso e perigoso e seu meu nosso gozo...
Você vem caixa de Pandora e me diz: abra!
Luz câmera tensão numa trama macabra
E eu falo candelabro à cara candelabra:
Fiduscapiscapiscassimteabracadabra!!!
(((((( _ _ _ _ _ _ ))))))
quinta-feira, abril 19, 2012
UM ÊMBOLO DE SIMBOLISMO
Vento -- um vento te aflige --
Te castiga bem ou mal;
Olhos -- olhos de esfinge --
Numa brisa de metal;
Cinto de flor te cinge:
Um precipício afinal;
Terror te regozije --
Tua exigência é mental;
Range, ruge, atinge:
Cada qual teu catatau --
A vertigem da vertigem
Te viu, te veio e crau!
______________________________
Te castiga bem ou mal;
Olhos -- olhos de esfinge --
Numa brisa de metal;
Cinto de flor te cinge:
Um precipício afinal;
Terror te regozije --
Tua exigência é mental;
Range, ruge, atinge:
Cada qual teu catatau --
A vertigem da vertigem
Te viu, te veio e crau!
______________________________
terça-feira, abril 17, 2012
VERSOS DE SURTO: ME SAQUEIO MAS NUNCA ME FURTO
demonstro afeição: a feição de monstro
plante no pé: espalme na mão: molhe no molhe
console no solo: cole: decole: cair de maduro nunca é mole
grave todo grão: acrisole cada cristal: divida as meias
sem as ampulhetas ficam só os sóis: arados de areias
arranhe a champanhe: chape um sanduíche
para amplos os sexos: no fim que se lixe
todos os rabos de todas as tantas sereias
mudas: mudas: metamorfo-me-sei-a-as
chocolate não: dispara jatos de serotonina
alegria é só impressão: menos pior azarar a mina
cada neurônio com a sua terminação
fibras nervosas que carregam informação
eletricidade que ultrapassa todo o espaço
nossa intenção é a mesma do joão: sem braço
sinapses: ápices: bainhas de mielina
estrépitos: colapsos: rejeitos de dopamina
tudo num mundo de veludo azul: mas muito curto
solto santo surto: assim me saqueio mas nunca me furto
_____________________________________
plante no pé: espalme na mão: molhe no molhe
console no solo: cole: decole: cair de maduro nunca é mole
grave todo grão: acrisole cada cristal: divida as meias
sem as ampulhetas ficam só os sóis: arados de areias
arranhe a champanhe: chape um sanduíche
para amplos os sexos: no fim que se lixe
todos os rabos de todas as tantas sereias
mudas: mudas: metamorfo-me-sei-a-as
chocolate não: dispara jatos de serotonina
alegria é só impressão: menos pior azarar a mina
cada neurônio com a sua terminação
fibras nervosas que carregam informação
eletricidade que ultrapassa todo o espaço
nossa intenção é a mesma do joão: sem braço
sinapses: ápices: bainhas de mielina
estrépitos: colapsos: rejeitos de dopamina
tudo num mundo de veludo azul: mas muito curto
solto santo surto: assim me saqueio mas nunca me furto
_____________________________________
segunda-feira, abril 16, 2012
TODA MINHA
("All Mine" -- Portishead)
All the stars may shine bright
Todas as estrelas podem reluzir brilhantes
All the clouds may be white
Todas as nuvens podem ser brancas
But when you smile
Mas quando você sorri
Ohh how I feel so good
Ahh como eu me sinto tão bem
That I can hardly wait
Que eu mal posso esperar
To hold you
Pra te abraçar
Enfold you
Te envolver
Never enough
Nunca o bastante
Render your heart to me
Renda o teu coração para mim
All mine.......
Toda minha........
You have to be
Você tem que ser
From that cloud, number nine
Daquela nuvem, número nove
Danger starts the sharp incline
O perigo inicia a inclinação aguda
And such sad regrets
E tais tristes arrependimentos
Ohh as those starry skies
Ahh feito aqueles céus estrelados
As they swiftly fall
No que rapidamente caem
Make no mistake
Não tenha dúvida
You shan't escape
Você não escapará
Tethered and tied
Presa e amarrada
There's nowhere to hide from me
Não há como se esconder de mim
All mine....
Toda minha....
You have to be
Você tem que ser
Don't resist
Sem resistir
We shall exist
Vamos existir
Until the day I die
Até o dia em que eu morra
Until the day I die
Até o dia em que eu morra
All mine.......
Toda minha.......
You have to be
Você tem que ser
___________________________________
versão brasileira toda minha:
IJS
All the stars may shine bright
Todas as estrelas podem reluzir brilhantes
All the clouds may be white
Todas as nuvens podem ser brancas
But when you smile
Mas quando você sorri
Ohh how I feel so good
Ahh como eu me sinto tão bem
That I can hardly wait
Que eu mal posso esperar
To hold you
Pra te abraçar
Enfold you
Te envolver
Never enough
Nunca o bastante
Render your heart to me
Renda o teu coração para mim
All mine.......
Toda minha........
You have to be
Você tem que ser
From that cloud, number nine
Daquela nuvem, número nove
Danger starts the sharp incline
O perigo inicia a inclinação aguda
And such sad regrets
E tais tristes arrependimentos
Ohh as those starry skies
Ahh feito aqueles céus estrelados
As they swiftly fall
No que rapidamente caem
Make no mistake
Não tenha dúvida
You shan't escape
Você não escapará
Tethered and tied
Presa e amarrada
There's nowhere to hide from me
Não há como se esconder de mim
All mine....
Toda minha....
You have to be
Você tem que ser
Don't resist
Sem resistir
We shall exist
Vamos existir
Until the day I die
Até o dia em que eu morra
Until the day I die
Até o dia em que eu morra
All mine.......
Toda minha.......
You have to be
Você tem que ser
___________________________________
versão brasileira toda minha:
IJS
TUDO QUE AFRODITE
Tudo que Afrodite Dite.
Tudo que Ártemis Prometeu.
Tudo sim sem Medos de Medusa
que numa fusa cheia
nos confunda numa veia
direto do meu coração Proteu.
(((((( _ _ _ _ _ _ ))))))
Tudo que Ártemis Prometeu.
Tudo sim sem Medos de Medusa
que numa fusa cheia
nos confunda numa veia
direto do meu coração Proteu.
(((((( _ _ _ _ _ _ ))))))
quinta-feira, abril 12, 2012
NUMSEMPRINSTANTÂNEO
Os pés que se torcem.
As mãos que se dão.
Braçadas vão longas
Nos sins de condão.
Infantes falantes.
Perebas mancebas.
As asas às asas
Abriram Abril.
Sem mais hermetismo
Me abismo em teu cio
Até um verde scismo.
Se a pele transpira
Tira tira a tira:
Teu mar me cobriu.
(((((( _ _ _ _ _ _ ))))))
As mãos que se dão.
Braçadas vão longas
Nos sins de condão.
Infantes falantes.
Perebas mancebas.
As asas às asas
Abriram Abril.
Sem mais hermetismo
Me abismo em teu cio
Até um verde scismo.
Se a pele transpira
Tira tira a tira:
Teu mar me cobriu.
(((((( _ _ _ _ _ _ ))))))
segunda-feira, abril 09, 2012
QUARTO CHEIO DE ESPELHOS
Room Full Of Mirrors
I used to live in a room full of mirrors
Eu costumava viver num quarto cheio de espelhos
All I could see was me
Tudo que eu podia ver era a mim mesmo
Then I took my spirit and I smash my mirrors
Então peguei meu espírito e estilhacei meus espelhos
And now the whole world is here for me to see
E agora o mundo inteiro está aqui para eu ver
And now the whole world is here for me to see
E agora o mundo inteiro está aqui para eu ver
Now Im searching for my love to be
Agora estou em busca de meu amor para ser
A broken glass was solvin my brain
Um vidro quebrado dissolvia meu cérebro
Cuttin and screamin crowdin in my head
Cortando e gritando e me tumultuando na cabeça
A broken glass was loud in my brain
Um vidro quebrado fazia barulho no meu cérebro
It used to fall on my dreams and cut me in my bed
Ele costumava cair nos meus sonhos e me cortar na cama
It used to fall on my dreams and cut me in my bed
Ele costumava cair nos meus sonhos e me cortar na cama
I say making love was strange in my bed
Eu digo: fazer amor era estranho na minha cama
jmh
versão brasileira espelhada:
ijs
I used to live in a room full of mirrors
Eu costumava viver num quarto cheio de espelhos
All I could see was me
Tudo que eu podia ver era a mim mesmo
Then I took my spirit and I smash my mirrors
Então peguei meu espírito e estilhacei meus espelhos
And now the whole world is here for me to see
E agora o mundo inteiro está aqui para eu ver
And now the whole world is here for me to see
E agora o mundo inteiro está aqui para eu ver
Now Im searching for my love to be
Agora estou em busca de meu amor para ser
A broken glass was solvin my brain
Um vidro quebrado dissolvia meu cérebro
Cuttin and screamin crowdin in my head
Cortando e gritando e me tumultuando na cabeça
A broken glass was loud in my brain
Um vidro quebrado fazia barulho no meu cérebro
It used to fall on my dreams and cut me in my bed
Ele costumava cair nos meus sonhos e me cortar na cama
It used to fall on my dreams and cut me in my bed
Ele costumava cair nos meus sonhos e me cortar na cama
I say making love was strange in my bed
Eu digo: fazer amor era estranho na minha cama
jmh
versão brasileira espelhada:
ijs
4 PÊSSANKAS
qua
tropeços
cá
e ela
me esgoela
na pascoela
*
hoje
é segun-
da:
gunda gunda gunda
* *
Ovos de respeito:
peito peito peito
* * *
Nunca não se ofenda:
______, ______, ______-----
* * * *
tropeços
cá
e ela
me esgoela
na pascoela
*
hoje
é segun-
da:
gunda gunda gunda
* *
Ovos de respeito:
peito peito peito
* * *
Nunca não se ofenda:
______, ______, ______-----
* * * *
domingo, abril 08, 2012
PARA EFEITO DE COM TRASTE
Eu disse: pare -- e ela, siga--
eu fui jotaésse -- e ela, sigma --
Ela veio para minha vila --
assim como ovinha
como vinha
e como via
com o sol
ela ia
vinha e voltava --
e comia manga ----
comigo
............................
eu fui jotaésse -- e ela, sigma --
Ela veio para minha vila --
assim como ovinha
como vinha
e como via
com o sol
ela ia
vinha e voltava --
e comia manga ----
comigo
............................
quinta-feira, abril 05, 2012
VIDA APÓS MARTE?
[canção original: LIFE ON MARS]
É um velho e chato namorado
Pra garota com o velho topete ondulado
Mas mamãe botou ela de castigo por um mês
E papai disse pra ela se arrancar duma vez
Mas o chato resolveu lhe dar um cano
E agora ela anda por seu desengano
Pro lugar mais claro da plateia
Onde espera ser agarrada pela tela
Mas o filme é um tédio deprimente
Do tipo que ela vive repetitivamente
Ela podia cuspir nas estúpidas faces
Que lhe solicitam: vejam as imagens
Mais de mil marinheiros no salão
Olha só aonde aqueles trogloditas vão
Neste estúpido espetáculo tresloucado
Olhem bem pro homem da lei
Espancando o sujeito errado
Imagine se ele ao menos suspeitasse
Do comercial sensacional de que faz parte
Haverá vida após Marte?
Está na testa torturada da América
Que Clarabela era só uma vaca histérica
Agora voltaram à greve os operários
"Lennon morto fatura todo nosso salário"
Vejam milhões de hordas de ratos impertinentes
Varrendo de costa a costa os continentes
Governar o Reino Unido não vale a pena
Nem pra minha mãe nem pruma cadela chilena
Mas o filme é um tédio deprimente
Do tipo que passa comigo e roteirizo, inocente
Está prestes a passar às suas faces
No que solicito: vejam as imagens
Mais de mil marinheiros no salão
Olha só aonde aqueles trogloditas vão
Neste estúpido espetáculo tresloucado
Olhem bem pro homem da lei
Espancando o sujeito errado
Imagine se ele ao menos suspeitasse
Do comercial sensacional de que faz parte
Haverá vida após Marte?
David Bowie
versão brasileira e marciana:
Ivan Justen Santana
É um velho e chato namorado
Pra garota com o velho topete ondulado
Mas mamãe botou ela de castigo por um mês
E papai disse pra ela se arrancar duma vez
Mas o chato resolveu lhe dar um cano
E agora ela anda por seu desengano
Pro lugar mais claro da plateia
Onde espera ser agarrada pela tela
Mas o filme é um tédio deprimente
Do tipo que ela vive repetitivamente
Ela podia cuspir nas estúpidas faces
Que lhe solicitam: vejam as imagens
Mais de mil marinheiros no salão
Olha só aonde aqueles trogloditas vão
Neste estúpido espetáculo tresloucado
Olhem bem pro homem da lei
Espancando o sujeito errado
Imagine se ele ao menos suspeitasse
Do comercial sensacional de que faz parte
Haverá vida após Marte?
Está na testa torturada da América
Que Clarabela era só uma vaca histérica
Agora voltaram à greve os operários
"Lennon morto fatura todo nosso salário"
Vejam milhões de hordas de ratos impertinentes
Varrendo de costa a costa os continentes
Governar o Reino Unido não vale a pena
Nem pra minha mãe nem pruma cadela chilena
Mas o filme é um tédio deprimente
Do tipo que passa comigo e roteirizo, inocente
Está prestes a passar às suas faces
No que solicito: vejam as imagens
Mais de mil marinheiros no salão
Olha só aonde aqueles trogloditas vão
Neste estúpido espetáculo tresloucado
Olhem bem pro homem da lei
Espancando o sujeito errado
Imagine se ele ao menos suspeitasse
Do comercial sensacional de que faz parte
Haverá vida após Marte?
David Bowie
versão brasileira e marciana:
Ivan Justen Santana
quarta-feira, abril 04, 2012
AMORTE DOS AMANTES
Nossos leitos plenos, leves odores,
Divans abissais, fundos como criptas,
Sobre aparadores estranhas flores
Abrir-se-nos-ão, auras não descriptas.
Ardentes, rivais, últimos calores,
Nossos corações, duas vastas flamas,
Que refletirão suas duplas cores,
Nosso gêmeo espectro espelhando os dramas.
Uma noite azul cor de rosa mística,
Trocaremos cintilação magnífica,
Qual longo soluço do adeus final;
E mais tarde um Anjo, entreabrindo as portas,
Virá reanimar, feliz e fatal,
Os espelhos foscos e as chamas mortas.
texto original: La mort des amants-- Charles Baudelaire
reversão brasileira: O tradutor anônimo encabulado
* * * * * * * * * * *
AGIGANTA
Nos tempos em que a Verve natural com tanta
Potência concebia infantes cabulosos,
Quem dera que eu morasse junto a uma giganta,
Como aos pés de uma Dama um gato, dos dengosos.
Eu amava ver-lhe em corpo e alma florescendo,
Se avolumando livre em seus terríveis jogos;
Sacar o que o seu peito incuba, percebendo
Pelas neblinas do olhar úmido atros fogos;
Percorrer por lazer formas magnas, modernas;
Trepar sobre a vertente das imensas pernas;
E às vezes, no verão, quando os sóis insalubres,
Lassa, a prostram deitada ao longo da campanha,
Dormir com indolência à sombra dos seus úberes,
Como um pacato rancho ao pé de uma montanha.
texto original: La géante
Charles Baudelaire
perversão brasileira:
Anônimo Encarapuçado
**************************************
Divans abissais, fundos como criptas,
Sobre aparadores estranhas flores
Abrir-se-nos-ão, auras não descriptas.
Ardentes, rivais, últimos calores,
Nossos corações, duas vastas flamas,
Que refletirão suas duplas cores,
Nosso gêmeo espectro espelhando os dramas.
Uma noite azul cor de rosa mística,
Trocaremos cintilação magnífica,
Qual longo soluço do adeus final;
E mais tarde um Anjo, entreabrindo as portas,
Virá reanimar, feliz e fatal,
Os espelhos foscos e as chamas mortas.
texto original: La mort des amants-- Charles Baudelaire
reversão brasileira: O tradutor anônimo encabulado
* * * * * * * * * * *
AGIGANTA
Nos tempos em que a Verve natural com tanta
Potência concebia infantes cabulosos,
Quem dera que eu morasse junto a uma giganta,
Como aos pés de uma Dama um gato, dos dengosos.
Eu amava ver-lhe em corpo e alma florescendo,
Se avolumando livre em seus terríveis jogos;
Sacar o que o seu peito incuba, percebendo
Pelas neblinas do olhar úmido atros fogos;
Percorrer por lazer formas magnas, modernas;
Trepar sobre a vertente das imensas pernas;
E às vezes, no verão, quando os sóis insalubres,
Lassa, a prostram deitada ao longo da campanha,
Dormir com indolência à sombra dos seus úberes,
Como um pacato rancho ao pé de uma montanha.
texto original: La géante
Charles Baudelaire
perversão brasileira:
Anônimo Encarapuçado
**************************************
terça-feira, abril 03, 2012
UM POETA DESFOLHA A BANDEIRA
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
não tem mais eu
não tem mais eu
não tem mais eu
não tem mais eu
não tem mais eu
não tem mais
não tem
não
sim
_______________________________
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
não tem mais eu
não tem mais eu
não tem mais eu
não tem mais eu
não tem mais eu
não tem mais
não tem
não
sim
_______________________________
sexta-feira, março 30, 2012
O AMOR & A MORTE
O Amor e a Morte resolveram fazer sexo,
mas decidiram que seria sexo livre:
modalidade semi-inédita de sexo
na qual dá até pra usar vestido azul e chifre.
A Morte lhe indagou: "No plexo ou nu complexo?"
O Amor obtemperou: "Contanto que eu me livre..."
Então ela entoou O côncavo e o convexo
("Nossa! Amor, é demais!") e fez menção de um drible,
enquanto o Amor piscava ao seu (dela) reflexo
dentro do espelho onde ambos, sem roupas de grife,
destrinchavam-se em estripulias com nexo
inéditas até que alguém chegue e as decifre.
* * * * * * * * * * * *
mas decidiram que seria sexo livre:
modalidade semi-inédita de sexo
na qual dá até pra usar vestido azul e chifre.
A Morte lhe indagou: "No plexo ou nu complexo?"
O Amor obtemperou: "Contanto que eu me livre..."
Então ela entoou O côncavo e o convexo
("Nossa! Amor, é demais!") e fez menção de um drible,
enquanto o Amor piscava ao seu (dela) reflexo
dentro do espelho onde ambos, sem roupas de grife,
destrinchavam-se em estripulias com nexo
inéditas até que alguém chegue e as decifre.
* * * * * * * * * * * *
sábado, março 24, 2012
ERAM UMAS VEZES
Era uma vez um palhaço:
curtia um estardalhaço.
Foi muita vez um canalha:
gralha que espalha mais tralha.
Seria às vezes tristonho:
pisoteando o próprio sonho.
É vez por vez seu carrasco:
óbvio rasgo escarro de asco.
Será talvez não se sabe:
móbile dique de Ahabe.
Seja outra vez tu o que fores:
vinho daninho das flores.
_________________________________
curtia um estardalhaço.
Foi muita vez um canalha:
gralha que espalha mais tralha.
Seria às vezes tristonho:
pisoteando o próprio sonho.
É vez por vez seu carrasco:
óbvio rasgo escarro de asco.
Será talvez não se sabe:
móbile dique de Ahabe.
Seja outra vez tu o que fores:
vinho daninho das flores.
_________________________________
sexta-feira, março 23, 2012
PRA? QUÊ?
Pra? Quê? Mais? Um? Pô? Ema?
Pra? Quê? Por? Quê? Pra? Quem?
Um? Só? Nem? Som? Com? Sem?
Sei? Lá? Diz? Trai? A? Gema?
Não? Sobre? Nada? Tema?
É? Assim? Um? Nhenhenhém?
Rima? Fácil? Também?
Palavrão? Sem? Problema?
Põe? Paca? Com? Cacaca?
Sai? Peca? Na? Peteca?
Tira? Põe? Racha? Achaca?
Coragem? Brio? Babieca?
Por? Tu? Tu? Pi? Ni? Quim?
Num? Fim? Tem? Tom? Bom? Sim.
________________________________________
Pra? Quê? Por? Quê? Pra? Quem?
Um? Só? Nem? Som? Com? Sem?
Sei? Lá? Diz? Trai? A? Gema?
Não? Sobre? Nada? Tema?
É? Assim? Um? Nhenhenhém?
Rima? Fácil? Também?
Palavrão? Sem? Problema?
Põe? Paca? Com? Cacaca?
Sai? Peca? Na? Peteca?
Tira? Põe? Racha? Achaca?
Coragem? Brio? Babieca?
Por? Tu? Tu? Pi? Ni? Quim?
Num? Fim? Tem? Tom? Bom? Sim.
________________________________________
quinta-feira, março 22, 2012
EU, ALIÁS, NÓS
se de todos os meus dias
um só dia fosse tirado
e para sempre apagado
não seja o dia, por favor,
em que senti que seria
um mensageiro cantor
lembro do papel em branco
a mão tremendo vazia
e uma rima pronta: pranto
pelos olhos escorria
só por tirar da caneta
meu destino no planeta
foi nesse dia que nasci
andando sobre duas pernas
vi que eu não era um saci
nem o homem das cavernas
no espelho que estava à frente
havia um ser diferente
não era forte nem fraco
mas sensível parecia
dele a poesia se erguia
sem precisar de macaco
e hoje, justo hoje, é o dia
em que ele aniversaria
...
este poema foi escrito por Antonio Thadeu Wojciechowski, o qual mo enviou hoje, de presente (sim: é meu aniversário:) -- só posso postar o poema aqui, assinar embaixo, e agradecer, de poeta discípulo para poeta mestre: obrigado, polaco! Evoé!
Ivan Justen Santana
Acrescento aqui agora o poema que recebi do grande jornalista (e também poeta) Luiz Oliveira:
O verso é a vela e o bolo do poeta
O brigadeirinho que adoça a dieta
A bexiga que explode e assusta a criança
O pedaço de bolo dançando na pança
De festa, o poeta não cansa
Se o dia resume a vida e o instante
Se o futuro é meta ausente
Se o passado pesa distante
O verso é sempre presente
...
um só dia fosse tirado
e para sempre apagado
não seja o dia, por favor,
em que senti que seria
um mensageiro cantor
lembro do papel em branco
a mão tremendo vazia
e uma rima pronta: pranto
pelos olhos escorria
só por tirar da caneta
meu destino no planeta
foi nesse dia que nasci
andando sobre duas pernas
vi que eu não era um saci
nem o homem das cavernas
no espelho que estava à frente
havia um ser diferente
não era forte nem fraco
mas sensível parecia
dele a poesia se erguia
sem precisar de macaco
e hoje, justo hoje, é o dia
em que ele aniversaria
...
este poema foi escrito por Antonio Thadeu Wojciechowski, o qual mo enviou hoje, de presente (sim: é meu aniversário:) -- só posso postar o poema aqui, assinar embaixo, e agradecer, de poeta discípulo para poeta mestre: obrigado, polaco! Evoé!
Ivan Justen Santana
Acrescento aqui agora o poema que recebi do grande jornalista (e também poeta) Luiz Oliveira:
O verso é a vela e o bolo do poeta
O brigadeirinho que adoça a dieta
A bexiga que explode e assusta a criança
O pedaço de bolo dançando na pança
De festa, o poeta não cansa
Se o dia resume a vida e o instante
Se o futuro é meta ausente
Se o passado pesa distante
O verso é sempre presente
...
quarta-feira, março 21, 2012
PUDIM DE IMPUDICÍCIAS
(falsa tradução de um libertino francês do século meianove)
As carnes de um amor sangrento mas batuta
____no início são primícias;
são Carmens, nomes com sabor de boa conduta,
____são Paulos, Joãos, Patrícias.
Todos os charmes são jogados nesta luta,
____na busca por carícias;
a caça e o caçador -- gozo que a si se imputa
____aceitando as sevícias.
Por mais que nas teorias muito se discuta
____de pureza e malícias,
a língua serve mais às seduções, na gruta
____das melífluas blandícias.
Assim o humano vira um ser que se disputa,
____pudim de impudicícias,
querendo desfrutar sempre outra e melhor fruta
____no jardim das delícias.
As carnes de um amor sangrento mas batuta
____no início são primícias;
são Carmens, nomes com sabor de boa conduta,
____são Paulos, Joãos, Patrícias.
Todos os charmes são jogados nesta luta,
____na busca por carícias;
a caça e o caçador -- gozo que a si se imputa
____aceitando as sevícias.
Por mais que nas teorias muito se discuta
____de pureza e malícias,
a língua serve mais às seduções, na gruta
____das melífluas blandícias.
Assim o humano vira um ser que se disputa,
____pudim de impudicícias,
querendo desfrutar sempre outra e melhor fruta
____no jardim das delícias.
* * *
terça-feira, março 20, 2012
OS POETAS PÓS-CONTEMPORÂNEOS & AS POETISAS ORGIÁSTICAS
Possuíam seu destino os poetas pós-contemporâneos,
providos de um bom senso imenso, lenço e documento:
tiveram tristes fins mais que escabrosos, tão estranhos
que os descrever todos eu aqui nervoso não aguento.
Rememoro em mais detalhes apenas aquelas meninas serenas,
delicadas em seus talhes, sofrendo suas medidas drásticas:
poetisas orgiásticas, encomiásticas, sarcásticas, de antenas
fantásticas: mais belas do que todas as artes plásticas.
________________________________________________________
providos de um bom senso imenso, lenço e documento:
tiveram tristes fins mais que escabrosos, tão estranhos
que os descrever todos eu aqui nervoso não aguento.
Rememoro em mais detalhes apenas aquelas meninas serenas,
delicadas em seus talhes, sofrendo suas medidas drásticas:
poetisas orgiásticas, encomiásticas, sarcásticas, de antenas
fantásticas: mais belas do que todas as artes plásticas.
________________________________________________________
domingo, março 18, 2012
O AMOR VAI NOS DILACERAR
Quando a rotina morde forte
e as ambições estão em baixa
e o ressentimento vai a galope
mas as emoções não germinarão
e estamos mudando nossos modos
pegando diferentes estradas
então o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
Por que a cama está tão fria
tão afastada do seu lado?
Será meu senso de tempo falho?
Nosso respeito mútuo esgotado
ainda assim existe esse apelo
que mantivemos por nossas vidas
então o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
Você grita no seu sono
todas as minhas falhas expostas
fica um gosto na minha boca
o desespero toma conta
por que é que algo tão bom
já não mais funciona?
Então o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
(Love Will Tear Us Apart, Joy Division)
Ian Curtis
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
link pro videoclipe: clique aqui
___________________________________________
e as ambições estão em baixa
e o ressentimento vai a galope
mas as emoções não germinarão
e estamos mudando nossos modos
pegando diferentes estradas
então o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
Por que a cama está tão fria
tão afastada do seu lado?
Será meu senso de tempo falho?
Nosso respeito mútuo esgotado
ainda assim existe esse apelo
que mantivemos por nossas vidas
então o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
Você grita no seu sono
todas as minhas falhas expostas
fica um gosto na minha boca
o desespero toma conta
por que é que algo tão bom
já não mais funciona?
Então o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
(Love Will Tear Us Apart, Joy Division)
Ian Curtis
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
link pro videoclipe: clique aqui
___________________________________________
sexta-feira, março 16, 2012
Minha orelha numa Piada Louca
(tente entender clicando aqui)
Pra quem ainda pensa que poesia
é coisa de mané desavisado —
quem até saca de entropia (e dentro pia)
mas nem assim desmarca a própria touca —
depois de lerem a piada louca
talvez percebam quem não pia errado,
pois pra mais que chimpanzés e bonobos
são os versos do Sérgio Viralobos.
Pra quem ainda pensa que poesia
é coisa de mané desavisado —
quem até saca de entropia (e dentro pia)
mas nem assim desmarca a própria touca —
depois de lerem a piada louca
talvez percebam quem não pia errado,
pois pra mais que chimpanzés e bonobos
são os versos do Sérgio Viralobos.
quinta-feira, março 15, 2012
A POESIA & O Π [π = PI]
O π topou com a poesia
num paralelo meridiano:
ele era belo, e ela, fria.
Num plano ingênuo, em pleno engano:
“Olá, meu π — és belo assim?”
disse a poesia, já esquentando.
Porém o π partiu sem quando,
pois nenhum deles viu seu fim.
______________________________________
num paralelo meridiano:
ele era belo, e ela, fria.
Num plano ingênuo, em pleno engano:
“Olá, meu π — és belo assim?”
disse a poesia, já esquentando.
Porém o π partiu sem quando,
pois nenhum deles viu seu fim.
______________________________________
PAN NUM TUM
_______I
E finalmente a chuva veio,
Lavando todo o teu torpor.
Veio no meio do teu seio,
Sabendo assim onde se por.
Lavando todo o teu torpor,
Avarandando feito esteio,
Sabendo assim onde se por,
Preenchendo um cio vazio tão cheio.
Avarandando feito esteio
Numa varanda, em vaga cor,
Preenchendo um cio vazio tão cheio,
Chovendo um vinho vingador.
Numa varanda, em vaga cor,
A chuva veio como veio,
Chovendo um vinho vingador,
Receio em meio do teu seio.
Sem finalmente a chuva veio.
_______II
Neste pantum tão tentador,
Tua vontade, mais que rima,
Vem de um desejo que este amor
Percorra em baixo e siga em cima.
Tua vontade mais que rima
Com teu amor amando o amor.
Percorra em baixo e siga em cima,
Diga o que faz ser tua a flor,
Com teu amor amando o amor,
Faz-se o poema arder no clima.
Diga o que faz ser tua a flor,
A flor que fende a dobra prima.
Faz-se o poema arder no clima
Do teu pantum tão tentador.
A flor que fende a dobra prima
Vem de um desejo, deste amor.
Deste pantum tão tentador.
_______III
Vem de um desejo deste amor.
Veio no meio do teu seio.
Neste pantum tão tentador.
E finalmente a chuva veio.
_____________________________________________
E finalmente a chuva veio,
Lavando todo o teu torpor.
Veio no meio do teu seio,
Sabendo assim onde se por.
Lavando todo o teu torpor,
Avarandando feito esteio,
Sabendo assim onde se por,
Preenchendo um cio vazio tão cheio.
Avarandando feito esteio
Numa varanda, em vaga cor,
Preenchendo um cio vazio tão cheio,
Chovendo um vinho vingador.
Numa varanda, em vaga cor,
A chuva veio como veio,
Chovendo um vinho vingador,
Receio em meio do teu seio.
Sem finalmente a chuva veio.
_______II
Neste pantum tão tentador,
Tua vontade, mais que rima,
Vem de um desejo que este amor
Percorra em baixo e siga em cima.
Tua vontade mais que rima
Com teu amor amando o amor.
Percorra em baixo e siga em cima,
Diga o que faz ser tua a flor,
Com teu amor amando o amor,
Faz-se o poema arder no clima.
Diga o que faz ser tua a flor,
A flor que fende a dobra prima.
Faz-se o poema arder no clima
Do teu pantum tão tentador.
A flor que fende a dobra prima
Vem de um desejo, deste amor.
Deste pantum tão tentador.
_______III
Vem de um desejo deste amor.
Veio no meio do teu seio.
Neste pantum tão tentador.
E finalmente a chuva veio.
_____________________________________________
terça-feira, março 13, 2012
CHARLES, CHARLES...
Charles, Charles, caro Charles:
com piedade hoje te entendo,
sem sezões de nojo horrendo,
sem mugido a avacalhar-lhes,
tuas flores — acochar-lhes,
nestes tempos que vêm sem do
teu estilo o dividendo,
brindes caros quero, Charles —
são o Abismo, a Morte, o Vinho;
racham pedras no caminho;
dão o Ideal a quem as lê.
Assim, assim, simplesinho,
brindo a ti, meu bom “Baudinho”,
traduzindo Mallarmé:
LE TOMBEAU DE CHARLES BAUDELAIRE
THE TOMB OF CHARLES BAUDELAIRE
O TÚMULO DE CHARLES BAUDELAIRE
Le temple enseveli divulgue par la bouche
The buried shrine shows at its sewer-mouth’s
O templo amortalhado mostra pela boca
Sépulcrale d’égout bavant boue et rubis
Sepulchral slobber of mud and rubies
Sepulcral do esgoto a babar lama e rubis
Abominablement quelque idole Anubis
Some abominable statue of Anubis,
Abominavelmente algum ídolo Anúbis
Tout le museau flambé comme un aboi farouche
The muzzle lit like a ferocious snout
A fuça toda em flama qual ganido atroz
Ou que le gaz récent torde la mèche louche
Or as when a dubious wick twists in the new gas,
Ou que ao recente gás se torce a dúbia rosca
Essuyeuse on le sait des opprobres subis
Wiping out, as we know, the insults suffered
Raspando ao que se sabe os sofridos opróbrios
Il allume hagard un immortel pubis
Haggardly lighting an immortal pubis,
Ele incendeia esgazeado um imortal púbis
Dont le vol selon le réverbère découche
Whose flight roosts according to the lamp
Cujo voo de acordo com o lampião decola
Quel feuillage séché dans les cités sans soir
What votive leaves, dried in cities without evening
Ao qual folhas secas nas cidades sem treva
Votif pourra bénir comme elle se rasseoir
Could bless, as she can, vainly sitting
Votivas abençoariam no que se assentam
Contre le marbre vainement de Baudelaire
Against the marble of Baudelaire
Contra o mármore vãmente de Baudelaire
Au voile qui la ceint absente avec frissons
Shudderingly absent from the veil that clothes her
Do véu que a circunda ausente com calafrios
Celle son Ombre même un poison tutélaire
She, his Shade, a protective poisonous air
Ela a própria Sombra um veneno tutelar
Toujours à respirer si nous en périssons
Always to be breathed, although we die of her.
Sempre a o inspirarmos apesar de mortífero
Stéphane Mallarmé
A. S. Kline
Ivan Justen Santana
______________________________________________
com piedade hoje te entendo,
sem sezões de nojo horrendo,
sem mugido a avacalhar-lhes,
tuas flores — acochar-lhes,
nestes tempos que vêm sem do
teu estilo o dividendo,
brindes caros quero, Charles —
são o Abismo, a Morte, o Vinho;
racham pedras no caminho;
dão o Ideal a quem as lê.
Assim, assim, simplesinho,
brindo a ti, meu bom “Baudinho”,
traduzindo Mallarmé:
LE TOMBEAU DE CHARLES BAUDELAIRE
THE TOMB OF CHARLES BAUDELAIRE
O TÚMULO DE CHARLES BAUDELAIRE
Le temple enseveli divulgue par la bouche
The buried shrine shows at its sewer-mouth’s
O templo amortalhado mostra pela boca
Sépulcrale d’égout bavant boue et rubis
Sepulchral slobber of mud and rubies
Sepulcral do esgoto a babar lama e rubis
Abominablement quelque idole Anubis
Some abominable statue of Anubis,
Abominavelmente algum ídolo Anúbis
Tout le museau flambé comme un aboi farouche
The muzzle lit like a ferocious snout
A fuça toda em flama qual ganido atroz
Ou que le gaz récent torde la mèche louche
Or as when a dubious wick twists in the new gas,
Ou que ao recente gás se torce a dúbia rosca
Essuyeuse on le sait des opprobres subis
Wiping out, as we know, the insults suffered
Raspando ao que se sabe os sofridos opróbrios
Il allume hagard un immortel pubis
Haggardly lighting an immortal pubis,
Ele incendeia esgazeado um imortal púbis
Dont le vol selon le réverbère découche
Whose flight roosts according to the lamp
Cujo voo de acordo com o lampião decola
Quel feuillage séché dans les cités sans soir
What votive leaves, dried in cities without evening
Ao qual folhas secas nas cidades sem treva
Votif pourra bénir comme elle se rasseoir
Could bless, as she can, vainly sitting
Votivas abençoariam no que se assentam
Contre le marbre vainement de Baudelaire
Against the marble of Baudelaire
Contra o mármore vãmente de Baudelaire
Au voile qui la ceint absente avec frissons
Shudderingly absent from the veil that clothes her
Do véu que a circunda ausente com calafrios
Celle son Ombre même un poison tutélaire
She, his Shade, a protective poisonous air
Ela a própria Sombra um veneno tutelar
Toujours à respirer si nous en périssons
Always to be breathed, although we die of her.
Sempre a o inspirarmos apesar de mortífero
Stéphane Mallarmé
A. S. Kline
Ivan Justen Santana
______________________________________________
segunda-feira, março 12, 2012
VOCÊ AGORA É UMA GAROTA CRESCIDA
(You're A Big Girl Now, de Bob Dylan)
Nossa conversa foi curta e doce
Quase fui ao chão, foi como se fosse
Volto pra chuva mais cedo
E você fica em terreno seco
Você conseguiu isso na vida
Você agora é uma garota crescida
Um pássaro no horizonte, sentado numa cerca
Ele canta pra mim, às suas próprias expensas
E eu sou feito aquele pássaro
Só pra você aqui cantando
Espero que esteja escutando
Eu cantando aqui meu pranto
O tempo é um jato, vai rápido demais
Mas é uma vergonha, se o que temos não durar
Eu posso mudar, eu juro
Veja o que vai fazer no futuro
Eu consigo superar
Você também conseguirá
O amor é tão simples, pra citar uma frase
Ainda estou aprendendo, o que você já sabe
Eu sei onde a achar
Dormindo noutro lugar
É o preço que eu pago
Você está crescida, de fato
Mudanças no clima podem ser extremas
Mas saltar do cavalo em face dos problemas?
Garota, estou saindo de giro
Agora só dói quando respiro
Feito um saca-rolha no meu peito
Desde que nosso lar foi desfeito
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
_______________________________________________________
Nossa conversa foi curta e doce
Quase fui ao chão, foi como se fosse
Volto pra chuva mais cedo
E você fica em terreno seco
Você conseguiu isso na vida
Você agora é uma garota crescida
Um pássaro no horizonte, sentado numa cerca
Ele canta pra mim, às suas próprias expensas
E eu sou feito aquele pássaro
Só pra você aqui cantando
Espero que esteja escutando
Eu cantando aqui meu pranto
O tempo é um jato, vai rápido demais
Mas é uma vergonha, se o que temos não durar
Eu posso mudar, eu juro
Veja o que vai fazer no futuro
Eu consigo superar
Você também conseguirá
O amor é tão simples, pra citar uma frase
Ainda estou aprendendo, o que você já sabe
Eu sei onde a achar
Dormindo noutro lugar
É o preço que eu pago
Você está crescida, de fato
Mudanças no clima podem ser extremas
Mas saltar do cavalo em face dos problemas?
Garota, estou saindo de giro
Agora só dói quando respiro
Feito um saca-rolha no meu peito
Desde que nosso lar foi desfeito
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
_______________________________________________________
A ALMA INVENCÍVEL
Na mais violenta e agra agrura;
no pesadelo mais pesado;
na óbvia e ululante tortura
da dor doída do adoidado;
na sociedade absurda e crua;
na estupidez vil, chã, banal;
no crasso espaço da hora nua;
no traço lasso em todo mal;
no fel do sal do sofrimento
que te atropela e não tem fim;
grita, alma poética: eu aguento!
Batam mais! Errem mais! Sim! Sim!
_____________________________________
no pesadelo mais pesado;
na óbvia e ululante tortura
da dor doída do adoidado;
na sociedade absurda e crua;
na estupidez vil, chã, banal;
no crasso espaço da hora nua;
no traço lasso em todo mal;
no fel do sal do sofrimento
que te atropela e não tem fim;
grita, alma poética: eu aguento!
Batam mais! Errem mais! Sim! Sim!
_____________________________________
sexta-feira, março 09, 2012
A LUA CHEIA
Sinto muito
Por ter alvejado
Belo pássaro raro
Você tinha
Vinte vezes com o olhar
Me fuzilado
Sinto muito
Sua arma colocada
Sobre a mesa do lavabo...
Mas que ideia!
Nunca se deve
Tentar atentar o diabo...
Nunca se deve rasgar seda
Nem mostrar dentes langues
Às noivas quando a lua cheia
Metamorfoseia os sangues...
Legítima defesa
Por que tanto ódio e insolência?
Legítima demência
Será presunção de inocência...
A morte lhe cai bem
Eu até vislumbraria
Com você um pouco de
Necrofagia...
Nunca se deve voar nas plumas
Nem contar os momentos
Das noivas em crise quando a lua
Acelera os batimentos...
Legítima defesa
Por que tanto ódio e insolência?
Legítima demência
Será presunção de inocência...
Sinto muito
Você estava tão mudado
Tão imoral
Sinto muito
Eu realmente não queria
Lhe fazer algum mal...
Eu falo e falo
Você surdo e mudo com esse olhar
Estranhamente pálido...
Você nunca vai mudar?
Françoise Hardy
Versão brasileira:
Ivan Justen Santana
Por ter alvejado
Belo pássaro raro
Você tinha
Vinte vezes com o olhar
Me fuzilado
Sinto muito
Sua arma colocada
Sobre a mesa do lavabo...
Mas que ideia!
Nunca se deve
Tentar atentar o diabo...
Nunca se deve rasgar seda
Nem mostrar dentes langues
Às noivas quando a lua cheia
Metamorfoseia os sangues...
Legítima defesa
Por que tanto ódio e insolência?
Legítima demência
Será presunção de inocência...
A morte lhe cai bem
Eu até vislumbraria
Com você um pouco de
Necrofagia...
Nunca se deve voar nas plumas
Nem contar os momentos
Das noivas em crise quando a lua
Acelera os batimentos...
Legítima defesa
Por que tanto ódio e insolência?
Legítima demência
Será presunção de inocência...
Sinto muito
Você estava tão mudado
Tão imoral
Sinto muito
Eu realmente não queria
Lhe fazer algum mal...
Eu falo e falo
Você surdo e mudo com esse olhar
Estranhamente pálido...
Você nunca vai mudar?
Françoise Hardy
Versão brasileira:
Ivan Justen Santana
quinta-feira, março 08, 2012
EU QUERO SER O TEU TEXUGO
eternamente a S.L.C.T.
Eu quero ser o teu texugo,teu monstro da lagoa negra:
antipasticamente al sugo,
constitucionalmente em regra.
Farei pra ti meu verso crebro,
mais caudaloso que o rio Ebro,
e rezar-te-ei qual persa guebro,
fiel à deusa que celebro.
Serei pra ti mais que canção:
exemplo a amantes que virão,
teu templo ao tempo far-te-ei eu.
O teu maior amor, mulher,
quero servir, ser, ver, sorver,
quero ser teu, teu, teu: só teu.
_______________________________________
quarta-feira, março 07, 2012
A BIBLIOTECA, A POESIA E O TREM
Todo mundo adora a biblioteca.
Todo mundo adora a poesia.
Contudo, notar isso não breca
o trem-bala da esquizofrenia.
Que trem é esse?, indaga uma mineira,
Sabe lá..., responde um paranaense,
enquanto o vagão de ambos, à beira
da catástrofe, inda em pé mantém-se.
______________________________________
(homenagem aos 155 anos, hoje, da Biblioteca Pública do Paraná -- por sinal, saiu hoje o número 8 do jornal Cândido [clique pra ler], publicado pela BPP -- matérias sobre a literatura em Curitiba, e na contracapa um poema adivinhem de quem?)
________________________________________
Todo mundo adora a poesia.
Contudo, notar isso não breca
o trem-bala da esquizofrenia.
Que trem é esse?, indaga uma mineira,
Sabe lá..., responde um paranaense,
enquanto o vagão de ambos, à beira
da catástrofe, inda em pé mantém-se.
______________________________________
(homenagem aos 155 anos, hoje, da Biblioteca Pública do Paraná -- por sinal, saiu hoje o número 8 do jornal Cândido [clique pra ler], publicado pela BPP -- matérias sobre a literatura em Curitiba, e na contracapa um poema adivinhem de quem?)
________________________________________
terça-feira, março 06, 2012
Um Madrigal de Petrarca
52
LII
CINQUENTA E DOIS
Non al suo amante piú Dïana piacque,
quando per tal ventura tutta ignuda
la vide in mezzo de le gelide acque,
Diana was not more pleasing to her lover,
when by chance he saw her all naked
in the midst of icy waters,
Não é mais bela Diana ao seu amante,
quando em total ventura toda nua
nas águas gélidas a vê por diante,
ch'a me la pastorella alpestra et cruda
posta a bagnar un leggiadretto velo,
ch'a l'aura il vago et biondo capel chiuda,
than, to me, the fresh mountain shepherdess,
set there to wash a graceful veil,
that ties her vagrant blonde hair from the breeze,
que a mim esta pastora alheia em sua
tarefa de lavar gracioso véu,
que a laura e vaga trança ata e insinua,
tal che mi fece, or quand'egli arde 'l cielo,
tutto tremar d'un amoroso gielo.
so that she makes me, now that the heavens burn,
tremble, wholly, with the chill of love.
e assim me faz, quando incendeia o céu,
gelar tremendo de amor fogaréu.
Francesco Petrarca
A. S. Kline
Ivan Justen Santana
_______________________________________________
LII
CINQUENTA E DOIS
Non al suo amante piú Dïana piacque,
quando per tal ventura tutta ignuda
la vide in mezzo de le gelide acque,
Diana was not more pleasing to her lover,
when by chance he saw her all naked
in the midst of icy waters,
Não é mais bela Diana ao seu amante,
quando em total ventura toda nua
nas águas gélidas a vê por diante,
ch'a me la pastorella alpestra et cruda
posta a bagnar un leggiadretto velo,
ch'a l'aura il vago et biondo capel chiuda,
than, to me, the fresh mountain shepherdess,
set there to wash a graceful veil,
that ties her vagrant blonde hair from the breeze,
que a mim esta pastora alheia em sua
tarefa de lavar gracioso véu,
que a laura e vaga trança ata e insinua,
tal che mi fece, or quand'egli arde 'l cielo,
tutto tremar d'un amoroso gielo.
so that she makes me, now that the heavens burn,
tremble, wholly, with the chill of love.
e assim me faz, quando incendeia o céu,
gelar tremendo de amor fogaréu.
Francesco Petrarca
A. S. Kline
Ivan Justen Santana
_______________________________________________
quinta-feira, março 01, 2012
TUDO & NADA
Tudo e Nada eram amigos bastante íntimos
que contavam um ao outro as aventuras
amorosas, as agruras e as loucuras.
Inventavam às palavras novos ritmos,
refaziam seus percursos, longos, ínfimos:
Tudo era dos cortes; Nada, das suturas;
Nada era das puras; Tudo, das misturas;
Tudo era dos máximos; Nada, dos mínimos.
Certo dia decidiram rir das dores.
Só que o resto, aos dois amigos controverso,
não queria nem ouvir tudos nem nadas,
e os ouvidos se taparam com horrores.
Mas nem todos os horrores do universo
conseguiram abafar as gargalhadas.
_______________________________________________
que contavam um ao outro as aventuras
amorosas, as agruras e as loucuras.
Inventavam às palavras novos ritmos,
refaziam seus percursos, longos, ínfimos:
Tudo era dos cortes; Nada, das suturas;
Nada era das puras; Tudo, das misturas;
Tudo era dos máximos; Nada, dos mínimos.
Certo dia decidiram rir das dores.
Só que o resto, aos dois amigos controverso,
não queria nem ouvir tudos nem nadas,
e os ouvidos se taparam com horrores.
Mas nem todos os horrores do universo
conseguiram abafar as gargalhadas.
_______________________________________________
Assinar:
Postagens (Atom)




