A Estrela Leminski, Jana Fellini e Monica Berger
Brilhava a Estrela um brilho raro:
Quarto crescente de manhã;
Qual um luar que sem forçar o
Raiar atinge Aldebarã.
“A luz e a cor posso escutar
Se vêm até profundos poços
Que em meu cantar têm seu lugar
Pra tornar ricos pobres moços...”
Assim falava o canto alado
De uma Sereia à Estrela então;
E um Bobo, bobisco, abobado,
Babava bolhas de sabão.
* * *
domingo, outubro 09, 2011
O SONHO DA SEREIA
Para Jana Fellini
“Serei a última?
Serei Lorelei ou só uma seara de cara da Iara?
Ou só uma única Uyara Torrente?
Seria o caso de simplesmente mergulhar na torrente?”
Enquanto sua consciência suava e lutava,
o inconsciente da Sereia deslizava
qual metal desfeito em lava:
“Sim: sinto as origens no fundo de um épico,
como uma Ilíada em mares sempre dantes navegados;
sei que tudo pode virar só mais um texto dramático,
como um romance realista de personagens-gados
(ou mesmo drogados e estragados), mas ainda assim é lírico
o final infeliz de um clichê banal inédito, extático,
talvez em cirílico.”
E o sonho da sereia buscava,
não um brusco Pã, nem um buscopan,
mas sim um brusco fim:
feito um regime político democrático e tirânico,
como se acha a atual liberdade que ri do pânico,
qual se ela disputasse algum combate titânico
e, ainda com as próprias escamas, acordasse
e lhe aparecesse esse poeta sem classe
que lhe dissesse:
Bom dia! Bem vinda a nove do dez do onze:
ouça agora os nossos sinos de bronze
numa rima de raros sons e
sinta o calor. Nada com nada se parece,
mas não se iluda: é tudo mecânico.
Beba uma tônica. A vida é crônica.
E hoje é outro dia ivânico.
____________________________________________________
domingo, outubro 02, 2011
O FAUNO, AS NINFAS E O MOVIMENTO PUNK CURITIBANO
Chifres, dois, primeiro,
Emergia um fauno
Do raso ribeiro
No qual o vagau, no
Final do verão,
Enfim se banhava,
Qual se de um vulcão
Fosse a água que o lava;
Quando fedia tanto até pra si
Mesmo aquele egipã (filho de Pã
E duma putativa mãe que ri
A quem vem de tarde, noite e manhã),
Tão satiricamente então topava
Atirar o dúbio corpo no rio,
A título de banho: depois dava
Pra correr molhado sem passar frio;
Emergia assim o fauno,
Molhado e mais malicioso
Que um poeta botando sal no
Caldo ralo e malcheiroso
Dado a um hóspede orgulhoso;
Muito mais feliz que um Bozo,
E muito mais angustiado, o
Fauno molhado, dengoso,
Olhava pra todo lado
Com brilho no olhar afiado:
Eis lhe surgem visões mais que belas
Na sagrada e profana quantia
De três, sim, três visões, como estrelas
Numa cinta que ao fauno cingia,
E a linguagem a fim de escrevê-las
Curva turva treva e claro dia:
Que esporro não faria o fauno pelo mato
Se em vez de fauno fosse um malaco em mocó!
A primeira visão fê-lo de estupefato
Ao ‘fêla’ duma putrefata rata só! –
Era uma ninfa
Tirando chinfra
De mina punk –
Botando banca
Que a bota espanca
Quem quer que a espanque –
Cabelos verdes,
Nas meias redes
Que arrastam trouxas –
O fauno treme:
Figura o creme
Daquelas coxas.
Só que aquela era uma oréade das montanhas
Que falava um grego de inflexões estranhas:
“Qualé a tua, pé-de-bode, assim, limpinho?
Tá me achando aqui com panca duma puta?
Não sou raspa pra esse teu caminhãozinho.
Tchau, que eu já vou lá cuidar da minha gruta.”
E o nosso herói notou que dói
Não ser bem seu o dom de Orfeu.
Eis que surgiu por sua vez outra visão
Que torceria até do cego Homero a nuca;
Vamos falar o que é, sem mais enrolação:
Mais uma ninfa ao fauno a vista já cutuca...
Aquela tinha a trança tão vermelha
Que ferro, fogo e forja já ajoelha
E a curva da cintura tão macia
Súbita sinuosa desafia
Sob a chispa da pupila de esguelha:
Mais, de-
Mais da
Saia de
Náiade
Feita, a-
Jeita as-
Sim (com o per-
Dão da
Língua) en-
Tão dis-
Sílaba e dis-
Cípula que
Tinha a te-
Tinha...
Não disse coisa alguma
E sumiu como espuma.
Protestaria o fauno, mas
Não achou as visões tão más;
Pois depois de prima e segunda
Da terceira viu logo: a bunda!
E a seguir notou que era uma loira dríade
Que ele amaria como a uma hamadríade,
Mas que tão logo surgiu ia de
De si pra si falando
E a rima atando
Sem mando.
E então pulsou: fogo, fênix,
Facho em flama, fulgor de ônix,
Embebendo ambos num cálix –
Tudo em tantra
Dum só mantra;
Salamandra
Mais malandra
Em chamas metamorfoseando-se
Até que como uma escola de escândalos
O fauno e a ninfa foram transformando-se
Numa situação simples lá num bar.
Pois é; não tem mais o que se estranhar:
Estamos em pleno movimento punk curitibano
Nos idos de sei lá eu nem muito bem qual ano.
Três garotas sentadas numa mesa redonda ali no –
Sim, agora estamos percebendo: é o Bar do Lino.
E tudo termina quando, olhando do balcão,
Um poeta vagabundo comenta a um seu não-irmão:
“Você até parece um Pã, fauno poeta punk fedendo a alho,
Mas cá pra nós não passa dum tremendo pau no cu do caralho!”
Imagem incidental: Halcyone, de Herbert James Draper
(visualizar melhor clicando aqui)
Emergia um fauno
Do raso ribeiro
No qual o vagau, no
Final do verão,
Enfim se banhava,
Qual se de um vulcão
Fosse a água que o lava;
Quando fedia tanto até pra si
Mesmo aquele egipã (filho de Pã
E duma putativa mãe que ri
A quem vem de tarde, noite e manhã),
Tão satiricamente então topava
Atirar o dúbio corpo no rio,
A título de banho: depois dava
Pra correr molhado sem passar frio;
Emergia assim o fauno,
Molhado e mais malicioso
Que um poeta botando sal no
Caldo ralo e malcheiroso
Dado a um hóspede orgulhoso;
Muito mais feliz que um Bozo,
E muito mais angustiado, o
Fauno molhado, dengoso,
Olhava pra todo lado
Com brilho no olhar afiado:
Eis lhe surgem visões mais que belas
Na sagrada e profana quantia
De três, sim, três visões, como estrelas
Numa cinta que ao fauno cingia,
E a linguagem a fim de escrevê-las
Curva turva treva e claro dia:
Que esporro não faria o fauno pelo mato
Se em vez de fauno fosse um malaco em mocó!
A primeira visão fê-lo de estupefato
Ao ‘fêla’ duma putrefata rata só! –
Era uma ninfa
Tirando chinfra
De mina punk –
Botando banca
Que a bota espanca
Quem quer que a espanque –
Cabelos verdes,
Nas meias redes
Que arrastam trouxas –
O fauno treme:
Figura o creme
Daquelas coxas.
Só que aquela era uma oréade das montanhas
Que falava um grego de inflexões estranhas:
“Qualé a tua, pé-de-bode, assim, limpinho?
Tá me achando aqui com panca duma puta?
Não sou raspa pra esse teu caminhãozinho.
Tchau, que eu já vou lá cuidar da minha gruta.”
E o nosso herói notou que dói
Não ser bem seu o dom de Orfeu.
Eis que surgiu por sua vez outra visão
Que torceria até do cego Homero a nuca;
Vamos falar o que é, sem mais enrolação:
Mais uma ninfa ao fauno a vista já cutuca...
Aquela tinha a trança tão vermelha
Que ferro, fogo e forja já ajoelha
E a curva da cintura tão macia
Súbita sinuosa desafia
Sob a chispa da pupila de esguelha:
Mais, de-
Mais da
Saia de
Náiade
Feita, a-
Jeita as-
Sim (com o per-
Dão da
Língua) en-
Tão dis-
Sílaba e dis-
Cípula que
Tinha a te-
Tinha...
Não disse coisa alguma
E sumiu como espuma.
Protestaria o fauno, mas
Não achou as visões tão más;
Pois depois de prima e segunda
Da terceira viu logo: a bunda!
E a seguir notou que era uma loira dríade
Que ele amaria como a uma hamadríade,
Mas que tão logo surgiu ia de
De si pra si falando
E a rima atando
Sem mando.
E então pulsou: fogo, fênix,
Facho em flama, fulgor de ônix,
Embebendo ambos num cálix –
Tudo em tantra
Dum só mantra;
Salamandra
Mais malandra
Em chamas metamorfoseando-se
Até que como uma escola de escândalos
O fauno e a ninfa foram transformando-se
Numa situação simples lá num bar.
Pois é; não tem mais o que se estranhar:
Estamos em pleno movimento punk curitibano
Nos idos de sei lá eu nem muito bem qual ano.
Três garotas sentadas numa mesa redonda ali no –
Sim, agora estamos percebendo: é o Bar do Lino.
E tudo termina quando, olhando do balcão,
Um poeta vagabundo comenta a um seu não-irmão:
“Você até parece um Pã, fauno poeta punk fedendo a alho,
Mas cá pra nós não passa dum tremendo pau no cu do caralho!”
Imagem incidental: Halcyone, de Herbert James Draper
(visualizar melhor clicando aqui)
sexta-feira, setembro 23, 2011
A PANTERA
No Jardin des Plantes, Paris
O olhar, de tanto passar pelas grades
gastou-se: não está preso a mais nada.
A ela, só existem mil grades, e atrás de
mil grades o seu mundo todo acaba.
O ritmo macio do seu movimento
forte, em círculos cada vez menores,
é uma dança de energia até um centro
onde jazem suas vontades enormes.
Raramente ela descerra em silêncio
o véu da pupila – e a imagem vivaz
adentra a mansidão do corpo tenso,
cai no coração e se desfaz.
Rainer Maria Rilke
Versão felina brasileira
(reescovando os pelos da pantera
numa singela homenagem a Monica Berger:)
Ivan Justen Santana
O olhar, de tanto passar pelas grades
gastou-se: não está preso a mais nada.
A ela, só existem mil grades, e atrás de
mil grades o seu mundo todo acaba.
O ritmo macio do seu movimento
forte, em círculos cada vez menores,
é uma dança de energia até um centro
onde jazem suas vontades enormes.
Raramente ela descerra em silêncio
o véu da pupila – e a imagem vivaz
adentra a mansidão do corpo tenso,
cai no coração e se desfaz.
Rainer Maria Rilke
Versão felina brasileira
(reescovando os pelos da pantera
numa singela homenagem a Monica Berger:)
Ivan Justen Santana
quarta-feira, setembro 21, 2011
Diálogo automático consigo mesmo
"Olá, Ivan, como foi a apresentação musical dos Dublês de Dublin?"
"O show foi muito bom, Ivan. Foi quase excelente mesmo. Obrigado por se interessar em saber."
"E como vai o doutorado, Ivan? Passou bem nas matérias do primeiro semestre?"
"Ainda não sei das notas, Ivan, mas acho que não fiz feio."
"E a família, Ivan? Como vai?"
"Faça um favor a nós dois, Ivan: vá dormir, e só volte aqui quando tiver algo de bom pra postar, valeu?"
"Valeu, Ivan, boa noite."
"Boa noite."
...
"O show foi muito bom, Ivan. Foi quase excelente mesmo. Obrigado por se interessar em saber."
"E como vai o doutorado, Ivan? Passou bem nas matérias do primeiro semestre?"
"Ainda não sei das notas, Ivan, mas acho que não fiz feio."
"E a família, Ivan? Como vai?"
"Faça um favor a nós dois, Ivan: vá dormir, e só volte aqui quando tiver algo de bom pra postar, valeu?"
"Valeu, Ivan, boa noite."
"Boa noite."
...
quarta-feira, setembro 14, 2011
sábado, setembro 10, 2011
DECLARADO O DIA IVÂNICO DESCARADO DESCARACTERIZADO
Hoje não era pra ser um Dia Ivânico
(pra quem não sabe o que é isso: clique aqui)
mas como no ano passado o Dia Ivânico
(8/9/10) passou em branco, eis que aqui
está declarado o Dia Ivânico Descarado Descaracterizado:
Dez do Nove do Onze:
como um gonzo que gonze,
como um guizo à guisa de gaze,
ou só esses versos passando de fase,
feito em casa um caso do casal de coisa que nem me case:
RASTROS DOS ASTROS DE SISTROS SINISTROS DAQUELES DESASTRES JAMAIS VISTOS DESDE OS SETEMBROS PRETÉRITOS PASSADOS (Ou: POEMA QUE NÃO DEVIA TER TÍTULO)
Minha pedra tem artistas.
Tem enxames de turistas.
Não permitam que alguém chame
nossa classe assim de Lóki,
mesmo que ela se coloque
a serviços de reclame.
Minha pedra não é a perda
de quem fume a pedra-merda,
de quem caia a mesma queda,
ou quem ri da lesma surda
das que zombam ui que meda:
mesmo que ela se coloque
a serviços de reclame,
nossa classe tem estoque
além do bem velho róque,
posta a chama ou seu vexame:
a quem cale ou a quem ame.
________________________________
(pra quem não sabe o que é isso: clique aqui)
mas como no ano passado o Dia Ivânico
(8/9/10) passou em branco, eis que aqui
está declarado o Dia Ivânico Descarado Descaracterizado:
Dez do Nove do Onze:
como um gonzo que gonze,
como um guizo à guisa de gaze,
ou só esses versos passando de fase,
feito em casa um caso do casal de coisa que nem me case:
RASTROS DOS ASTROS DE SISTROS SINISTROS DAQUELES DESASTRES JAMAIS VISTOS DESDE OS SETEMBROS PRETÉRITOS PASSADOS (Ou: POEMA QUE NÃO DEVIA TER TÍTULO)
Minha pedra tem artistas.
Tem enxames de turistas.
Não permitam que alguém chame
nossa classe assim de Lóki,
mesmo que ela se coloque
a serviços de reclame.
Minha pedra não é a perda
de quem fume a pedra-merda,
de quem caia a mesma queda,
ou quem ri da lesma surda
das que zombam ui que meda:
mesmo que ela se coloque
a serviços de reclame,
nossa classe tem estoque
além do bem velho róque,
posta a chama ou seu vexame:
a quem cale ou a quem ame.
________________________________
segunda-feira, setembro 05, 2011
AO IAN NADOLNY ROLAND JUSTEN SANTANA, NO MOMENTO EM QUE FAZ 8 MESES E 8 DIAS
O maior dilema
não é fazer ou não fazer
para você ou para a sua mãe
um primeiro ou mais um poema.
O maior dilema
é mais que só ser ou sequer
nem ser quem perca ou ganhe
ou grite ou chore ou sofra ou gema.
Dilemas totais
mais fundamentais
que mamães e papais:
isso existe?
Talvez as razões
de ao tentar ser bons
tocarmos tantos sons
num tom triste.
não é fazer ou não fazer
para você ou para a sua mãe
um primeiro ou mais um poema.
O maior dilema
é mais que só ser ou sequer
nem ser quem perca ou ganhe
ou grite ou chore ou sofra ou gema.
Dilemas totais
mais fundamentais
que mamães e papais:
isso existe?
Talvez as razões
de ao tentar ser bons
tocarmos tantos sons
num tom triste.
(Foto: Gianna Roland)
quinta-feira, setembro 01, 2011
O CORUJÃO & A GATINHA
________I
O Corujão e a Gatinha foram pro mar,__Num belo dum barquinho bem verdinho,
Levaram muito mel, e dinheiro a granel,
__Empacotado em cédulas de cinco.
O Corujão via as estrelas com ardor,
__E cantava com seu violãozinho,
“Ó minha adorável Gatinha! Ó meu amor,
__Ó Gatinha do meu coraçãozinho,
____Zinho,
____Zinho!
Ó Gatinha do meu coraçãozinho!”
________II
E a Gatinha ao Corujão: “Você é cortesão! __Que doce essa canção que você fez!
Ó vamos já casar! Em boa hora e lugar:
__Porém o que fazer quanto aos anéis?”
Navegaram em calmaria, um ano e um dia,
__Às terras onde a planta Bonga tem raiz
E lá numa vereda um Porco tinha venda
__Com anéis no final do seu nariz,
____Nariz,
____Nariz,
Com anéis no final do seu nariz.
________III
“Caro porco janota, aceita alguma nota __Por tais anéis?” Disse o Porco: “Eu aceito.”
E então os compraram e a seguir se casaram
__Declarados pelo Peru, o Prefeito.
Jantaram araruta, e fatias de fruta,
__Que comeram com uma colher nua;
De mãos dadas, em par, pela beira do mar,
__Cantaram e dançaram à luz da lua,
____Da lua,
____Da lua,
Cantaram e dançaram à luz da lua.
corujice original: Edward Lear (1812-1888)
[clique aqui pra ver o texto fonte]
gatimanha tradutória: Ivan Justen Santana
Imagem surrupiada do site storynory.com,
(na verdade é uma colorização da ilustração
do próprio Edward Lear, mas não contem pra ninguém).
quarta-feira, agosto 31, 2011
AOS ANIVERSARIANTES
Béco Prado e Catarina:
Não é dupla nordestina –
São dois aniversariantes
Deste trinta-e-um de agosto,
A gosto de não ser antes
Ou ser bem mais que só rosto:
Aos dois aniversariantes
Eu estrofo assim, sem regra,
Que regra pode ser negra
Ou ser branca ou bailarina:
Mas nunca será qual dantes
Aos dois aniversariantes
Béco Prado e Catarina.
E as rimas pra mim dão gosto
Posto rimar seja sina
Que se aprende meio imposto
Como fosse nervo exposto
Que meio que contamina
Mas quero por outras rimas
Dizer aos baixos e aos cimas
Nessas pobres estruturas
Imitadas das esquinas
Que aqui fica essa homenagem
Com sons que junto a mim agem
Em rimas pobres e duras
Mas intenções cristalinas:
Desejo então um Feliz
Aniversário ao Roberto
Prado e à cara Velasco,
Catarina, a quem eu tasco
Este bom fim meu incerto,
Quase médio por um triz!
(aos aniversariantes: perdoem o poema improvisado e quase ruinzinho, e saibam que, com ou sem poesia, ou até com alguma prosa, vocês são pessoas muito brilhantes e especiais pra mim:)
Ivan, assim.
Não é dupla nordestina –
São dois aniversariantes
Deste trinta-e-um de agosto,
A gosto de não ser antes
Ou ser bem mais que só rosto:
Aos dois aniversariantes
Eu estrofo assim, sem regra,
Que regra pode ser negra
Ou ser branca ou bailarina:
Mas nunca será qual dantes
Aos dois aniversariantes
Béco Prado e Catarina.
E as rimas pra mim dão gosto
Posto rimar seja sina
Que se aprende meio imposto
Como fosse nervo exposto
Que meio que contamina
Mas quero por outras rimas
Dizer aos baixos e aos cimas
Nessas pobres estruturas
Imitadas das esquinas
Que aqui fica essa homenagem
Com sons que junto a mim agem
Em rimas pobres e duras
Mas intenções cristalinas:
Desejo então um Feliz
Aniversário ao Roberto
Prado e à cara Velasco,
Catarina, a quem eu tasco
Este bom fim meu incerto,
Quase médio por um triz!
(aos aniversariantes: perdoem o poema improvisado e quase ruinzinho, e saibam que, com ou sem poesia, ou até com alguma prosa, vocês são pessoas muito brilhantes e especiais pra mim:)
Ivan, assim.
terça-feira, agosto 30, 2011
AVIADOR IRLANDÊS ANTEVENDO A PRÓPRIA MORTE
Eu sei que sigo a um fim funesto
Nalgum lugar do céu sonoro;
Os que eu combato eu não detesto,
Os que eu defendo eu não adoro;
Kiltartan Cross é a minha terra,
E os pobres dela são meu povo,
Triunfo ou perda nesta guerra
Não trazem nada aos meus de novo.
Nem lei, nem honra põem-me aqui,
Nem homens públicos, nem fãs,
Mas só um prazer que eu só senti
Na fúria destas nuvens vãs;
Pesei tudo isto em minha mente:
Adiante, nada que me importe,
Atrás, passado indiferente:
Leve esta vida, e esta morte.
Antevisão original:
William Butler Yeats
Retrospectivo estresse pós-tradutomático:
Ivan Justen Santana
[saibam mais a respeito clicando aqui]
Nalgum lugar do céu sonoro;
Os que eu combato eu não detesto,
Os que eu defendo eu não adoro;
Kiltartan Cross é a minha terra,
E os pobres dela são meu povo,
Triunfo ou perda nesta guerra
Não trazem nada aos meus de novo.
Nem lei, nem honra põem-me aqui,
Nem homens públicos, nem fãs,
Mas só um prazer que eu só senti
Na fúria destas nuvens vãs;
Pesei tudo isto em minha mente:
Adiante, nada que me importe,
Atrás, passado indiferente:
Leve esta vida, e esta morte.
Antevisão original:
William Butler Yeats
Retrospectivo estresse pós-tradutomático:
Ivan Justen Santana
[saibam mais a respeito clicando aqui]
segunda-feira, agosto 29, 2011
O MUNDO & EU & O MEU UMBIGO
(a Tatiana Lemos e a Edson de Vulcanis)
Enquanto Irene atravessa
a Carolina do Norte
nenhuma Carol tem pressa
de me amar num Sul sem sorte.
Enquanto um tufão destrói
tantas coisas em Taiwan,
nenhuma fã deste herói
me diz: eu te amo, Ivan.
De quê te queixas, meu eu?
Só segues teu cego umbigo?
Teu amigo perde um rim
e ri qual nada perdeu.
Tu, cheio de amor e amigo,
rima um bem sim com bom fim.
*
Enquanto Irene atravessa
a Carolina do Norte
nenhuma Carol tem pressa
de me amar num Sul sem sorte.
Enquanto um tufão destrói
tantas coisas em Taiwan,
nenhuma fã deste herói
me diz: eu te amo, Ivan.
De quê te queixas, meu eu?
Só segues teu cego umbigo?
Teu amigo perde um rim
e ri qual nada perdeu.
Tu, cheio de amor e amigo,
rima um bem sim com bom fim.
*
quinta-feira, agosto 25, 2011
CANÇÃOZINHA DA MANADA POÉTICA PARANAENSE
(a todos os poetas vivos que fazem poesia nesse estado)
Um Emiliano passa a Perneta em muita gente:
Dois Leminskis levam no bigode muitos mais.
Três Kolodys helenizam muita gente:
Quatro Vellozos pitagoram muito mais.
Cinco Silveiras traçam Tasso em muita gente:
Seis Wernecks adolficam muito mais.
Sete Júlias guardam da Costa muita gente:
Oito Adas com Macággicas encantam muito mais.
Nove Cadilhes e-agora-José-questionam muita gente:
Dez Wojciechowskis vivos incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam
e incomodarão muitos por muitos e muitos anos muito mais.
*
Nesta foto, da Vila Perneta, a casa onde Emiliano teria nascido e morado.
(Mais informações clicando aqui)
Um Emiliano passa a Perneta em muita gente:
Dois Leminskis levam no bigode muitos mais.
Três Kolodys helenizam muita gente:
Quatro Vellozos pitagoram muito mais.
Cinco Silveiras traçam Tasso em muita gente:
Seis Wernecks adolficam muito mais.
Sete Júlias guardam da Costa muita gente:
Oito Adas com Macággicas encantam muito mais.
Nove Cadilhes e-agora-José-questionam muita gente:
Dez Wojciechowskis vivos incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam incomodam
e incomodarão muitos por muitos e muitos anos muito mais.
*
Nesta foto, da Vila Perneta, a casa onde Emiliano teria nascido e morado.
(Mais informações clicando aqui)
sábado, agosto 20, 2011
O Centenário de ILUSÃO, de Emiliano Perneta...
Hoje foi celebrado, na Ilha da Ilusão, no Passeio Público, o centenário de Ilusão, principal livro de poemas de Emiliano Perneta.
O evento foi organizado por sete entidades culturais curitibanas:
Instituto Neo-Pitagórico, Centro de Letras do Paraná, Academia Paranaense de Letras, Centro Paranaense Feminino de Cultura, Academia Feminina de Letras do Paraná, Academia Paranaense da Poesia, e Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.
Participei como mestre de cerimônias. Entre tantas personalidades importantes do cenário atual da cultura curitibana, poetas (registro, por exemplo, a presença do Polaco da Barreirinha, Thadeu Wojciechowski), músicos e autoridades das instituições citadas, também abrilhantou o evento a Bárbara Kirchner (mantenedora o blog Curitiba é um copo vazio cheio de frio), a qual apresentou de impromptu um número musical composto por Octávio Camargo e Paulo Bearzoti, versando sobre Emiliano.
Quem me lê aqui já notou minha simpatia pelo Perneta, não é? Pois é: a obra dele é meu tema de tese de doutorado, atualmente em curso na UFPR. Para saber mais, tem esta entrevista minha ao site Curitiba Cultura (clique aqui).
E, finalmente, já está no ar a Re-Edição Virtual de Ilusão, que pode ser baixada e lida, em dois formatos (ortografia original, e texto atualizado), neste link no site da APL (clicando aqui).
Para terminar a postagem, eis um recorte da folha de rosto da re-edição, conforme o original de 1911:
O evento foi organizado por sete entidades culturais curitibanas:
Instituto Neo-Pitagórico, Centro de Letras do Paraná, Academia Paranaense de Letras, Centro Paranaense Feminino de Cultura, Academia Feminina de Letras do Paraná, Academia Paranaense da Poesia, e Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.
Participei como mestre de cerimônias. Entre tantas personalidades importantes do cenário atual da cultura curitibana, poetas (registro, por exemplo, a presença do Polaco da Barreirinha, Thadeu Wojciechowski), músicos e autoridades das instituições citadas, também abrilhantou o evento a Bárbara Kirchner (mantenedora o blog Curitiba é um copo vazio cheio de frio), a qual apresentou de impromptu um número musical composto por Octávio Camargo e Paulo Bearzoti, versando sobre Emiliano.
Quem me lê aqui já notou minha simpatia pelo Perneta, não é? Pois é: a obra dele é meu tema de tese de doutorado, atualmente em curso na UFPR. Para saber mais, tem esta entrevista minha ao site Curitiba Cultura (clique aqui).
E, finalmente, já está no ar a Re-Edição Virtual de Ilusão, que pode ser baixada e lida, em dois formatos (ortografia original, e texto atualizado), neste link no site da APL (clicando aqui).
Para terminar a postagem, eis um recorte da folha de rosto da re-edição, conforme o original de 1911:
domingo, agosto 14, 2011
sexta-feira, agosto 12, 2011
E agora viro parceiro de um poeta de 145 anos de idade, assim:
TERCETOS PARA COMPLETAR A FLORA DE EMILIANO
As raparigas numa gaze leve,
O som do sopro quase mais que breve,
Hoje eu as vejo e o ouço: som, nudez,
Loucamente ao redor da primavera,
Da flor vermelha que será, e é, e era,
Numa ilusão de quem sabe talvez...
Ivan Justen Santana (Um sim em si, 2011)
[recorte o poema desta postagem e cole debaixo do poema
FLORA, de Emiliano Perneta, que está mais abaixo,
na postagem do dia 8 de agosto;
ou então clique nos comentários daqui mesmo,
e veja como ficou esta parceria inédita:]
As raparigas numa gaze leve,
O som do sopro quase mais que breve,
Hoje eu as vejo e o ouço: som, nudez,
Loucamente ao redor da primavera,
Da flor vermelha que será, e é, e era,
Numa ilusão de quem sabe talvez...
Ivan Justen Santana (Um sim em si, 2011)
[recorte o poema desta postagem e cole debaixo do poema
FLORA, de Emiliano Perneta, que está mais abaixo,
na postagem do dia 8 de agosto;
ou então clique nos comentários daqui mesmo,
e veja como ficou esta parceria inédita:]
terça-feira, agosto 09, 2011
Como fazia tempo que eu não fazia um soneto... Eis:
SIMBOLISMOVOOCONGRESSOCARNALESPIRITUAL
De novo: sim, o simbolismo é erótico,
Mas mais no senso do Eros deus-desejo,
Princípio da atração, fervor hipnótico
Da amada que me vê como eu a vejo,
Ou sequer me vê: sente em som sinótico
O efeito transcendente deste beijo,
Estímulo mais fundo que o nervo ótico,
Ataque no atacado e no varejo,
No corpo e na alma, na essência e substância,
Feito ânsia mais análoga do que ânsia
Que os Anjos não cantam. Lá em letra theta,
Em códigos de línguas, corpos nus
Que em vez das posições dos cangurus
Adotam voos de Emiliano Perneta.
Ivan Justen Santana
Curitiba, 8 -> 9 de agosto de 2011
De novo: sim, o simbolismo é erótico,
Mas mais no senso do Eros deus-desejo,
Princípio da atração, fervor hipnótico
Da amada que me vê como eu a vejo,
Ou sequer me vê: sente em som sinótico
O efeito transcendente deste beijo,
Estímulo mais fundo que o nervo ótico,
Ataque no atacado e no varejo,
No corpo e na alma, na essência e substância,
Feito ânsia mais análoga do que ânsia
Que os Anjos não cantam. Lá em letra theta,
Em códigos de línguas, corpos nus
Que em vez das posições dos cangurus
Adotam voos de Emiliano Perneta.
Ivan Justen Santana
Curitiba, 8 -> 9 de agosto de 2011
segunda-feira, agosto 08, 2011
Mais um do Emiliano
FLORA
Ontem eu me encontrei contigo, ó primavera,
Os lábios a sorrir, como uma flor vermelha,
Tu trazias na mão a clássica corbelha,
E na fronte ideal uma coroa de hera.
Em derredor de ti, loucamente, passava
Um turbilhão febril de raparigas, quase
Nuas, veladas só por um sendal de gaze,
Mais leve do que o som que Zéfiro soprava...
Emiliano Perneta (Ilusão, 1911)
Ontem eu me encontrei contigo, ó primavera,
Os lábios a sorrir, como uma flor vermelha,
Tu trazias na mão a clássica corbelha,
E na fronte ideal uma coroa de hera.
Em derredor de ti, loucamente, passava
Um turbilhão febril de raparigas, quase
Nuas, veladas só por um sendal de gaze,
Mais leve do que o som que Zéfiro soprava...
Emiliano Perneta (Ilusão, 1911)
sexta-feira, agosto 05, 2011
Palestra no Instituto Neo-Pitagórico, neste domingo...
Emiliano e Ilusão
por Ivan Justen Santana
doutorando em estudos literários pela UFPR,
pesquisador da obra de Emiliano Perneta.
Neste mês de agosto, comemora-se o centenário de
Ilusão, principal livro de poemas de Emiliano,
publicado em Curitiba, em agosto de 1911.
A palestra será neste domingo (dia 07/08), às 15h.
Entrada franca.
O Instituto Neo-Pitagórico localiza-se na
Rua Prof. Dario Vellozo, 460
no bairro Vila Izabel, em Curitiba.
(telefone: 3242-1840)
Esta foto da fachada do Templo das Musas, que fica no Instituto,
é do arquivo do INP, creditada a AC.
por Ivan Justen Santana
doutorando em estudos literários pela UFPR,
pesquisador da obra de Emiliano Perneta.
Neste mês de agosto, comemora-se o centenário de
Ilusão, principal livro de poemas de Emiliano,
publicado em Curitiba, em agosto de 1911.
A palestra será neste domingo (dia 07/08), às 15h.
Entrada franca.
O Instituto Neo-Pitagórico localiza-se na
Rua Prof. Dario Vellozo, 460
no bairro Vila Izabel, em Curitiba.
(telefone: 3242-1840)
Esta foto da fachada do Templo das Musas, que fica no Instituto,
é do arquivo do INP, creditada a AC.
terça-feira, agosto 02, 2011
ZONAS EROGINECOLÓGICAS
Sim, eu sei que bem mais importantes serão os recheios,
Mas vamos começar com os interessantes bicos dos seios.
A seguir, e ainda mal começando as vistas preliminares,
Vamos refletir sobre abstratas e concretas trocas de olhares.
Começando a nos aquecer e a ficar cada vez mais quentes,
Atentem-se em todas as zonas aos detalhes diferentes.
Pode ser que bem ali mesmo, no encontro de costas e axilas
Haja curvas e certas fendas para tateá-las e descobri-las.
Pois sim, aprofundando-nos, nunca devemos subestimar
Da curva do cocuruto, pela nuca, até a curva do calcanhar.
É lógico e ecológico que uma investigação mais profunda,
É ginecológico e eroginecológico: ronda duplamente a bunda.
E enfim, não sós, mas juntos com mãos, pés, braços, pernas,
Largam-se modas modernas de volta aos templos das cavernas...
Mas vamos começar com os interessantes bicos dos seios.
A seguir, e ainda mal começando as vistas preliminares,
Vamos refletir sobre abstratas e concretas trocas de olhares.
Começando a nos aquecer e a ficar cada vez mais quentes,
Atentem-se em todas as zonas aos detalhes diferentes.
Pode ser que bem ali mesmo, no encontro de costas e axilas
Haja curvas e certas fendas para tateá-las e descobri-las.
Pois sim, aprofundando-nos, nunca devemos subestimar
Da curva do cocuruto, pela nuca, até a curva do calcanhar.
É lógico e ecológico que uma investigação mais profunda,
É ginecológico e eroginecológico: ronda duplamente a bunda.
E enfim, não sós, mas juntos com mãos, pés, braços, pernas,
Largam-se modas modernas de volta aos templos das cavernas...
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