terça-feira, agosto 09, 2011

Como fazia tempo que eu não fazia um soneto... Eis:

SIMBOLISMOVOOCONGRESSOCARNALESPIRITUAL

De novo: sim, o simbolismo é erótico,
Mas mais no senso do Eros deus-desejo,
Princípio da atração, fervor hipnótico
Da amada que me vê como eu a vejo,

Ou sequer me vê: sente em som sinótico
O efeito transcendente deste beijo,
Estímulo mais fundo que o nervo ótico,
Ataque no atacado e no varejo,

No corpo e na alma, na essência e substância,
Feito ânsia mais análoga do que ânsia
Que os Anjos não cantam. Lá em letra theta,

Em códigos de línguas, corpos nus
Que em vez das posições dos cangurus
Adotam voos de Emiliano Perneta.


Ivan Justen Santana
Curitiba, 8 -> 9 de agosto de 2011

5 comentários:

Anônimo disse...

lindo, maravilhoso, encantador e phoda.
espetáculo de soneto, adorei muito.

G.

António disse...

Rimar às vezes me parece uma brincadeira agradável, ou soa como escrever prosa em francês sem a letra e. Por que não escreve também prosa, Ivan? Imagino que o faria bem. Pode continuar a brincar com a forma, rimar e ritmar, sem ficar obrigado a combinar letra grega com nosso amigo claudicante. Belíssima rima esta!
um abraço,
Antonio

Ivan disse...

Meu mui prezado António:

considerando a sua sugestão de eu escrever também prosa, eis que me surge uma proposta -

combinemos assim:

eu escrevo um conto de ficção (entre duas a quatro laudas), usando uma pura prosa literária (mas sem nada de estrelismos ou jogadas de estilo), narrando uma adaptação de algum episódio da minha infância, com vistas a uma futura coletânea de contos:

"O menino do pé de hortelã" --
(ou talvez: "O piá da hortelã")

e vossa mercê faz um mote e glosa, a partir de dois versos

(por exemplo:
MOTE:
Curitibanas são boas,
Mas paulistanas, melhores;)

glosando em duas décimas, em redondilha maior, com esquema de rimas ABBACDDCEE [ou variante similar]

Que tal?

Grato pela leitura, e pela apreciação das rimas - acho que o nosso amigo claudicante também agradece!

outro abraço,

Ivan

António disse...

Ivan, eu não sou capaz. Não consigo contar sílabas. Mas apreciaria, sem ironia, ler texto seu sobre a hortaliça do piá.

Antonio Thadeu Wojciechowski disse...

Duca! Ivan, esse me pegou em cheio!