terça-feira, maio 29, 2007

Um poema de Robert Desnos

Conte de fée

Il était un grand nombre de fois,
Un homme qui aimait une femme,
Il était un grand nombre de fois,
Une femme qui aimait une homme,
Il était un grand nombre de fois,
Une femme et un homme,
Qui n'aimaient pas celui et celle qui les aimaient,

Il était une seule fois,
Une seule fois peut-être,
Une femme et un homme qui s'aimaient

Conto de Fadas

Era uma porção de vezes,
Um homem que amava uma mulher,
Era uma porção de vezes,
Uma mulher que amava um homem,
Era uma porção de vezes,
Uma mulher e um homem,
Que não amavam aquele e aquela que os amavam,

Era uma só vez,
Uma só vez talvez,
Uma mulher e um homem que se amavam


(versão brasileira: Ivan & Monica)

sexta-feira, maio 18, 2007

DIE INSEL DER SIRENEN

Wenn er denen, die ihm gastlich waren,
spät, nach ihrem Tage noch, da sie
fragten nach den Fahrten und Gefahren,
still berichtete: er wußte nie, wie sie
Nightly, after all their day’s travail,
since his gracious hosts had asked about
his journeys and sojourns, he will regale

them softly with his yarns: and yet without

Quando ai suoi ospiti che domandavano,
alla fine del loro giorno, dei
suoi viaggi sul mare e dei pericoli,
tranquillo raccontava, non sapeva

Quando, atendendo a seus anfitriões,
após o dia inteiro de trabalho, narrava
suas viagens marítimas e tribulações
em voz calma, nem sequer suspeitava

schrecken und mit welchem jähen
Wort sie wenden, daß sie so wie er
in dem blau gestillten Inselmeer
die Vergoldung jener Inseln sähen,
suspecting how they started, and at which
bold word they turned to see, like him, in those
calm, blue island-studded seas how rich
the golden shimmer of that island glows,

mai come spaventarli e quali forti
parole usare perchè come lui
nell'azzurro pacifico arcipelago
vedessero il dorato colore di
quell'isole
como apavorá-los, e quais intempestivas
palavras usar para que, como ele viu
naquele tranqüilo arquipélago anil,
também os ofuscasse o dourado das ilhas

deren Anblick macht, daß die Gefahr
umschlägt; denn nun ist sie nicht im Tosen
und im Wüten, wo sie immer war.
Lautlos kommt sie über die Matrosen,
just the sight of which evokes the scent
of danger, well removed from far more common
rage and wrath, where it was often spent.
Soundlessly it overtakes the seamen,

la cui vista fa sì che muti volto
il pericolo, e non è più nel rombo,
non nel tumulto come sempre era;
ma senza suono assale i marinai
cuja mera visão traz novamente
o perigo, e não mais nos repuxos
da fúria em tumulto, como sempre;
mas sem um som toma os marujos
welche wissen, daß es dort auf jenen
goldnen Inseln manchmal singt -,
und sich blindlings in die Ruder lehnen,
wie umringt
who understand that sometimes song will soar
from that golden island’s boundary,
and who apply themselves now to the oars
as though surrounded

i quali sanno che là su quell'isole dorate
qualche volta s'ode un canto,
ed alla cieca premono sui remi,
come accerchiati
que sabem: algumas vezes se ouve
um canto vindo das ilhas douradas -
e se lançam aos remos como se
estivessem cercados
von der Stille, die die ganze Weite
in sich hat und an die Ohren weht,
so als wäre ihre andre Seite
der Gesang, dem keiner widersteht.

by the silence which within holds all
of that expanse, and at their ears insists,
as though its obverse were that very call
which no mere mortal ever can resist.

da quel silenzio che tutto lo spazio
immenso ha in sè e nelle orecchie spira
quasi fosse la faccia opposta del silenzio

il canto cui nessun uomo resiste.
pelo silêncio que no espaço imenso
existe, e nos seus ouvidos insiste,
como se o seu inverso fosse o denso
canto a que nenhum homem resiste.

Rainer Maria Rilke

sexta-feira, maio 11, 2007

Do not go gentle into that good night

Não entre nesta boa noite com brandura

Não entre nesta boa noite com brandura,
A idade deve arder e curtir muito ao fim do dia;
Ruja, ruja contra a luz que morre e não fulgura.

Os sábios, que ao fim sabem como a noite é escura,
Porque a rede das suas palavras acabou vazia,
Não entram nesta boa noite com brandura.

Os homens bons, ao dar adeus, gritando quão pura-
Mente seus feitos frágeis bailariam numa verde baía,
Rugem, rugem contra a luz que morre e não fulgura.

Os homens loucos, que cantaram o sol na captura,
E aprendem, tarde, que só o lamentavam em sua via,
Não entram nesta boa noite com brandura.

Os homens graves, à morte, vendo com cega finura
Que feito um meteoro gaio o olho cego brilharia,
Rugem, rugem contra a luz que morre e não fulgura.

E você, meu pai, aí da sua triste altura,
Clame, abençoe feroz em lágrimas minha prece arredia.
Não entre nesta boa noite com brandura.
Ruja, ruja contra a luz que morre e não fulgura.

Dylan Thomas
Traduzido por Ivan Justen Santana

segunda-feira, maio 07, 2007

anyone lived in a pretty how town


qualquerum vivia numa cidade bem qual

qualquerum vivia numa cidade bem qual
(com tão flutuantes muitos sinos acima e tal)
primavera verão outono inverno
ele cantava seus nãos ele dançava seus sins.

Mulheres e homens(os pequenos e os menos)
ligavam pra qualquerum um nada e menos
eles semeavam seus nens eles colhiam seus mesmos
sol lua estrelas chuva

crianças desconfiavam(mas poucas seriam
e abaixo esqueciam enquanto acima cresciam
outono inverno primavera verão)
que nenhuma o amava mais por mais

quando por ora e árvore por folha
ela ria sua alegria ela chorava sua tristeza
pássaro por neve e chocalho por leve
o qualquer de qualquerum era tudo pra ela

alguéns casaram seus todomundos
riram seus choros e fizeram sua dança
(sono vigília esperança e então)eles
disseram seus nuncas eles dormiram seu sonho

(estrelas chuva lua sol
e somente a neve começaria a explicar
como as crianças sabem se esquecer de lembrar
com tão flutuantes muitos sinos acima e tal)

um dia qualquerum morreu eu acho
(e nenhuma dobrou-se para beijar seu rosto)
pessoas ocupadas os enterraram lado a lado
pouco por pouco e foi por foi

todos por todos e fundo por fundo
e mais por mais eles sonharam seu sono
nenhuma e qualquerum terra por abril
desejo por espírito e se por sim.

Mulheres e homens(ambos dom e dim)
verão outono inverno primavera
colheram sua semeadura e foram seu vieram
lua sol estrelas chuva

e.e.cummings
i.j.santana

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