sábado, novembro 07, 2009

CARMINA I, 4

SOLUITUR ACRIS HIEMS GRATA UICE UERIS ET FAUONI
__TRAHUNTQUE SICCAS MACHINAE CARINAS
AC NEQUE IAM STABULIS GAUDET PECUS AUT ARATOR IGNI
__NEC PRATA CANIS ALBICANT PRUINIS
IAM CYTHEREA CHOROS DUCIT UENUS IMMINENTE LUNA
__IUNCTAEQUE NYMPHIS GRATIAE DECENTES
ALTERNO TERRAM QUATIUNT PEDE DUM GRAUIS CYCLOPUM
__VOLCANUS ARDENS UISIT OFFICINAS
NUNC DECET AUT UIRIDI NITIDUM CAPUT IMPEDIRE MYRTO
__AUT FLORE TERRAE QUEM FERUNT SOLUTAE
NUNC ET IN UMBROSIS FAUNO DECET IMMOLARE LUCIS
__SEU POSCAT AGNA SIUE MALIT HAEDO
PALLIDA MORS AEQUO PULSAT PEDE PAUPERUM TABERNAS
__REGUMQUE TURRIS O BEATE SESTI
UITAE SUMMA BREUIS SPEM NOS UETAT INCHOARE LONGAM
__IAM TE PREMET NOX FABULAEQUE MANES
ET DOMUS EXILIS PLUTONIA QUO SIMUL MEARIS
__NEC REGNA UINI SORTIERE TALIS
NEC TENERUM LYCIDAN MIRABERE QUO CALET IUUENTUS
__NUNC OMNIS ET MOX UIRGINES TEPEBUNT

Dissolve-se o áspero inverno, voltando a estação agradável,
__e secas se arrastam as quilhas dos barcos;
já não se aconchegam no estábulo o gado e ao fogo o campônio,
__nem prados alvejam com brancas geadas.

Já Vênus Citérea os coros conduz, sob a Lua alta,
__e junto das Ninfas as Graças tão belas
batem os pés alternados na terra, enquanto aos Ciclopes
__o ardente Vulcano visita nas forjas.

Agora convém elegante envolver a cabeça com o verde mirto
__ou flores que brotam das terras aráveis;
agora também é mister nas sombrias florestas fazer sacrifícios
__ao Fauno, quer queira cordeiros ou mesmo cabritos.

A pálida Morte marcha igualmente em tavernas de pobres
__e em torres de reis. Ó Sesto feliz,
a vida tão breve proíbe erigir esperanças extensas;
__jjá oprimem-te a Noite, as almas das fábulas

e a fúnebre casa Plutônia, aonde tão logo chegares
__não sortearás com teus dados os goles de vinho
nem admirarás o suave Lícidas, por quem ora arde
__toda a juventude e em breve as virgens ferverão.


QUINTUS HORATIUS FLACCUS
Ivan Justen Santana

6 comentários:

Rodolfo disse...

belo, ivan. impecável. há muito não lia um horácio tão suave e preciso.

abç, r.

(e então, pensou naquela proposta de traduzir o sordello?)

Anônimo disse...

Puxa, Ivan! Gostei muito mesmo.


me lembrou o Uma tarde de inverno, de Georg Trakl, de cuja a qual interpretação li num livro chamado A caminho da linguagem, MH, Vozes,(trad. Marcia Sá cavalcante Schuback - livro todo)

Atenção, não confundir com o livro "Caminho Suave"

n.

Anônimo disse...

bem podia também ter uma satírica

quintus horatius flactus

nheeeeem
:P

n.

Zoe de Camaris disse...

carácoles, direto do latim?

Ivan disse...

Direto do latim, mas com uma "ajudinha" de Dante Tringali e seu excelente livro Horácio, poeta da festa, no qual consta uma tradução literal e comentários...

;)

Não obstante, a transcrição do original aqui nesta postagem procura recriar de certa forma uma transcrição original dos textos de Horácio: no século I aC não existia letra minúscula, nem os sinais de pontuação atuais, e o V se escrevia da mesma forma que o U.

Seria muito difícil aos leitores imaginarem um pergaminho sendo desenrolado ao verem este texto original assim?

Giuliano Quase disse...

Ivan Giton,

e saber que o satiricon do petronio e o do fellini são os máximos.

com cordiais refutações destas palavras.

un besito na testa!

=]