terça-feira, abril 09, 2013

Mais Byron, logo antes do arremate do Canto I do Childe Harold's Pilgrimage


PARA INEZ

                   1.
Não, não sorrias a meu cenho,
    Que eu já sorrir posso mais não:
E os Céus evitem que tu venhas
    Chorar alegremente em vão.

                   2.
Perguntas qual secreta dor
    Suporto sobre a Juventude?
E queres, vã, saber sabor
    De ardor que tu curar não podes?

                   3.
Não é o amor, tampouco é o ódio,
    Ou parcas honras de Ambição,
Que deixam podre este meu pódio,
    E me dispersam na amplidão:

                   4.
É o tal cansaço que desponta
    De todos que já ouvi e já vi:
A Beleza me desaponta;
    Teus olhos são sem charme a mim.

                   5.
É o tal eterno tédio fundo
    Que o Judeu Errante aturava;
Que nada vê a não ser a tumba,
    Mas vive agitação escrava.

                   6.
Que Exílio de si mesmo existe?
    A Zonas mais e mais remotas,
E inda assim me persegue o chiste –
    Na Mente o Demo toma notas.

                   7.
Mas outros parecem gozar,
    Saboreando o que larguei;
Ah, possam inda assim sonhar
    Sem acordar como acordei!

                   8.
Por tantos climas vai meu fado,
    Com tantas maldições e dores,
Que meu alívio é este ditado:
    “Venha o que vier, já estive em piores.”

                   9.
Mas quais piores? Nem perguntes –
    Por piedade aqui te abstenhas:
Sorria – as peças jamais juntes
    Do peito humano: Inferno e brenhas.


versão brasileira: Ivan Justen Santana

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