sexta-feira, setembro 17, 2010

no meio

nomeio uma pedra: perda
nomeio aquele prado: pardo
nomeio o poder: podre

nomeio nossas palavras: larvas
nomeio-te a endoderme: der-me
nomeio a ingratidão, esta pantera:
pistilo

assim, do caminho – nipônico dô –
tiro o time (ti e me em que me meti),
doo (de doer) e destilo este nosso (osso)
estilo

*

5 comentários:

Djabal disse...

A imagem que preencheu a minha imaginação foi a de um malabarista.
Escolhendo algumas palavras e as jogando para o alto: enquanto três flutuavam, aquelas duas outras, que lhe caiam nas duas mãos se transformavam suaves, e revelavam outros significados.
O nosso caminho ficou melhor (dô), a dor é a mesma, mas a beleza é bem maior. Abraços.

rodrigo garcia lopes disse...

ivan, beleza? ,amdei um email pra vc. vao sair aqueles poemas na coyote. veja la na sua caixa de entrada o que precisamos, abraço

tecatatau disse...

parece uma consequência de estar mal disposto.

rafael walter disse...

o primeiro verso me lembrou de Drummond

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra


En Revista de Antropofagia, 1928
Incluido en Alguma poesia (1930)

CDA



... poder: podre...
palavras: larvas...


muito boa a construção

salve a poesia!

Thais disse...

que delícia. gostei de te ler.