quarta-feira, janeiro 26, 2011

A HISTÓRIA DE UM POBRE DEUS POBRE

amor me trouxe outra vez de volta a toda vida
eu já lambera os lapsos todos de todas as línguas
mas minha ira era tamanha que um dia logo ali da
beira da estrada ao nada suicida morri às mínguas

novamente me transformo em metafísica do corpo
e minha alma é recompensa seja vivo seja morto
eu sou meu ogro meu sogro meu lobo meu globo
se alegro mas não trepo joãozeio mas não bobo

numa curva do universo o tempo perde as botas
aproveito pra rever meus velhos cadernos de notas
o deus que move a peça é o deus que move o jogador

entre tantos entretantos mas com tudo em toda via
crio mundos povos sonhos como deus nenhum criaria
fim da aposentadoria pois lá vem de novo amor
*

4 comentários:

Gianna disse...

Incrível

Janaína disse...

Muito, muito bom.

polacodabarreirinha disse...

Muito bom, Ivan. Dá gosto de ler.

Wagner Schadeck disse...

Ivan, borginiano este verso:

"o deus que move a peça é o deus que move o jogador"


Legal. Interpretei esse ritmo mais como 'Scherzando - Agitato'.

Daí que, quando eu acompanhava o andamento me fugia a marcação, quando eu marcava o pé, o compasso corria.
Escolhi, por isso, ter um olho no som outro na letra.


Abraço,

Wagner