sexta-feira, agosto 05, 2016

WE MUST GET HOME

James Whitcomb Riley
(Greenfield, Indiana, 07/10/1849 - Indianapolis, 22/07/1916)

TEMOS QUE IR PRA CASA
(versão brasileira: Ivan Justen Santana
seleção e curadoria: Faena Figueiredo Rossilho)

We must get home! How could we stray like this?-- 
So far from home, we know not where it is,-- 
Only in some fair, apple-blossomy place 
Of children's faces--and the mother's face-- 
We dimly dream it, till the vision clears 
Even in the eyes of fancy, glad with tears. 
Temos que ir pra casa! Como pudemos vaguear assim?----
Tão longe de casa, nem sabemos onde, enfim,----
Somente num lugar justo e belo e frugal
De rostos infantis----e rosto maternal----
Sonhamos até que essa visão clareie
Aos olhos da mente, em lágrimas alegres.

We must get home--for we have been away 
So long, it seems forever and a day! 
And O so very homesick we have grown, 
The laughter of the world is like a moan 
In our tired hearing, and its song as vain,-- 
We must get home--we must get home again! 
Temos que ir pra casa----já estivemos afastados
Tanto tempo que parece um dia além da eternidade!
E tanta saudade de casa nós já sentimos,
Que o riso do mundo todo é como um gemido
Ao nosso ouvir cansado, e seu canto é tão vaidoso,----
Temos que ir pra casa----temos que ir pra casa de novo!

We must get home! With heart and soul we yearn 
To find the long-lost pathway, and return!... 
The child's shout lifted from the questing band 
Of old folk, faring weary, hand in hand, 
But faces brightening, as if clouds at last 
Were showering sunshine on us as we passed. 
Temos que ir pra casa! De corpo e alma achar
Almejamos a trilha perdida há muito, e voltar!...
O grito infantil elevado da banda em jornada
Da turma antiga, exaustos, mas de mãos dadas,
Os rostos brilhando, como nuvens que finalmente
Chovessem raios de sol à nossa frente.

We must get home: It hurts so staying here, 
Where fond hearts must be wept out tear by tear, 
And where to wear wet lashes means, at best, 
When most our lack, the least our hope of rest-- 
When most our need of joy, the more our pain-- 
We must get home--we must get home again! 
Temos que ir pra casa: Dói tanto ficar aqui,
Onde os afetos são chorados lágrima a lágrima,
E onde a umidade nos cílios diz, quando não mais,
Quanto maior nossa falta, menor a esperança de paz----
Quanto maior nossa carência, mais fica doloroso----
Temos que ir pra casa----temos que ir pra casa de novo!

We must get home--home to the simple things-- 
The morning-glories twirling up the strings 
And bugling color, as they blared in blue- 
And-white o'er garden-gates we scampered through; 
The long grape-arbor, with its under-shade 
Blue as the green and purple overlaid. 
Temos que ir pra casa----casa das coisas mais simples----
As flores-sininhos girando suas cordinhas
E cores berrantes, a trombetear seus azuis-e-brancos
Sobre as cercas dos jardins que atravessamos;
O longo parreiral, com sua sombra embaixo
Azul feito o verde e o púrpura misturados.

We must get home: All is so quiet there: 
The touch of loving hands on brow and hair-- 
Dim rooms, wherein the sunshine is made mild-- 
The lost love of the mother and the child 
Restored in restful lullabies of rain,-- 
We must get home--we must get home again! 
Temos que ir pra casa: Tudo é tão tranquilo lá:
O toque de mãos amorosas em cabelos e testas----
Quartos sombrios, onde a luz solar amansa----
O amor perdido da mãe e da criança
Restaurados em tranquilos acalantos chuvosos,----
Temos que ir pra casa----temos que ir pra casa de novo!

The rows of sweetcorn and the China beans 
Beyond the lettuce-beds where, towering, leans 
The giant sunflower in barbaric pride 
Guarding the barn-door and the lane outside; 
The honeysuckles, midst the hollyhocks, 
That clamber almost to the martin-box. 
As fileiras de milho-verde e os feijões-da-China
Além da horta, onde, qual torre, inclina-se
O girassol gigante em seu orgulho de bárbaro
Vigiando a porta do celeiro e o caminho afora;
As madressilvas, em meio às malvas-rosas,
Que escalam até quase a caixa-toca.

We must get home, where, as we nod and drowse, 
Time humors us and tiptoes through the house, 
And loves us best when sleeping baby-wise, 
With dreams--not tear-drops--brimming our clenched eyes,-- 
Pure dreams that know nor taint nor earthly stain-- 
We must get home--we must get home again! 
Temos que ir pra casa, onde, ao acenar e cochilar,
O tempo nos anima e vai na ponta dos pés pela casa,
E mais nos ama quando dormimos feito pimpolhos,
Com sonhos----não lágrimas----transbordando pelos olhos,----
Puros sonhos sem manchas deste solo tão terroso----
Temos que ir pra casa----temos que ir pra casa de novo!

We must get home! The willow-whistle's call 
Trills crisp and liquid as the waterfall-- 
Mocking the trillers in the cherry-trees 
And making discord of such rhymes as these, 
That know nor lilt nor cadence but the birds 
First warbled--then all poets afterwards. 
Temos que ir pra casa! O apito de madeira chama
No tom nítido e líquido da cascata--
Zombando dos macucos nas cerejeiras
E causando discórdia com rimas como essas,
Sem sotaque nem cadência, porém as aves
Primeiro trinaram----aí todos os poetas vieram.

We must get home; and, unremembering there 
All gain of all ambition otherwhere, 
Rest--from the feverish victory, and the crown 
Of conquest whose waste glory weighs us down.-- 
Fame's fairest gifts we toss back with disdain-- 
We must get home--we must get home again! 
Temos que ir pra casa; e, deslembrados lá
De todo ganho de toda ambição noutro lugar,
Sossegar----da vitória febricitante, e da coroa
Da conquista cujo desperdício nos desacorçoa.----
Os dons da fama lançamos de volta, desdenhosos----
Temos que ir pra casa----temos que ir pra casa de novo!

We must get home again--we must--we must!-- 
(Our rainy faces pelted in the dust) 
Creep back from the vain quest through endless strife 
To find not anywhere in all of life 
A happier happiness than blest us then ... 
We must get home--we must get home again!
Temos que ir pra casa de novo----de qualquer maneira!----
(Nossos rostos chuvosos jogados na poeira)
Rastejar de volta da busca vã por essa luta infinita
Para não achar nalgum lugar em toda a vida
Felicidade mais feliz que a que já então nos abençoou...
Temos que ir pra casa----temos que ir pra casa de novo!

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Um comentário:

Antonio Thadeu Wojciechowski disse...

Maravilhoso, Ivan.