quarta-feira, setembro 30, 2009

Poemento de circuritinstância

Hoje dois eventos que ocorrem esta noite me chamaram a textualizar.

Em São Paulo, inaugura-se uma ocupação-exposição da obra de Paulo Leminski, por iniciativa e esforços de Ademir Assunção - maiores detalhes aqui.

Aqui em Curitiba, o jornalista Luiz Claudio Oliveira lança livro sobre a revista Joaquim e seu conspícuo fundador, Dalton Trevisan - outras informações aqui.

Esses acontecimentos me lembraram (e não sei por que) de um poema de Emiliano Perneta, mais especificamente de um verso-risada dele. Fui procurá-lo nesta vasta e áspera rede de silício e não achei.

Ponto para os livros que dormem nas bibliotecas, e que desencavarei pra reproduzir o poema nesta postagem, se possível ainda hoje.

E há mais um acontecimento pra celebrar as nossas letras (se me permitem esta expressão arcaica, e se não permitem vão lá ver se tem um fusca gelo na esquina...) -

Alice Ruiz ganhou o Jabuti de poesia deste ano.

Assim, eu por mim já estou exausto de vergonha reprimida pra não me sentir no mínimo ufano e orgulhoso por ser um escrevinhador curitibano...


(acréscimo em primeiro de outubro:)

O lançamento do livro do Luiz Claudio foi ótimo, e não tenho nenhuma dúvida de que a inauguração da ocupação Leminski em SP também foi uma noitada excelente.

Então aqui vai o poema do Emiliano Perneta que lembrei ontem: acho que lembrei desse poema por conta da radicalidade de versos publicados aqui na "província" em 1911. São versos pra modernista nenhum achar antiquados, e antecipam até mesmo um soneto-retrô do Marcos Prado.

Apesar de encarnarem a voz da morte, leio ironicamente nesses versos uma prova de vida. A transcrição vai especialmente dedicada à Nara (que repostou esta singela postagem e tenho certeza de que vai curtir o poema), com um salve também à Alice Ruiz e a todos os poetas e artistas que tiveram a dúbia sorte e o precioso azar de nascer-viver-morrer no estado do Paraná...


D. MORTE

entrando num albergue:

– Mãe, que és tão pobre e não tens leite,
Ó dor crescente! ó lua cheia!
Vida – candeia sem azeite,
Olha-me, vê, não sou tão feia!
_____Pé ante pé,
_____Queres? olé!

Glacial, esguia, num momento,
Eu entro, sopro essa candeia...
_____Queres? olá!
Quem foi? quem foi?
_____– O norte, o vento...
Ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah! ah!


Emiliano Perneta (Ilusão, 1911)

3 comentários:

polacodabarreirinha disse...

Perfeita tua lembrança do Emiliano em relação ao soneto do Marcos Prado.
Um marco, sem dúvida, na poesia paranaense. Não foi à toa que ele foi eleito príncipe dos poetas paranaenses. Se tem versos ruins? Quem não os tem?
Se a vida fosse feita só de obras primas, que maravilha seria viver...

Abração

Thadeu

Anônimo disse...

Esse poema é de Morte, hein!


:P


n.

Panda disse...

Também me ufano inda mais agora, longe!

E você com seus versos ivânicos também vai longe...

Longe já foi uma palavra mais legal pra mim, agora me lembra launge.

Mas enfim! Três vivas para Alice, Luís Claudio e Emiliano.

E também para o Tadeu, pra você e pro anônimo.

Beijos,

Pândala.