quarta-feira, março 10, 2010

MAIS UM POEMA PARA CURITIBA


(Foto: Lina Faria - Não lugar)


À ESTÁTUA DE CURITIBA NO PAÇO DA LIBERDADE

(também dedicado à fotógrafa Lina Faria
e a Bárbara Kirchner e seu
Curitiba é um copo vazio cheio de frio)

Estáutua de Curitiba,
(ou melhor, antes, por outra:)
estátua de Curitiba,
única representação antropomórfica
da nossa cidade, tão querida e antiga
Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais,
conforme versou Leminski rezando,
ou antes, melhor, por outra:
conforme rezou Leminski versando:
imprecisa premissa
(alguma coisa em mim também
não quer que Curitiba mude)
tende piedade de nós!

Prezada Estáutua:
eu te vi e te mostrei a uma criança,
e disse: “olhe, aquela é uma Afrodite Nikeia,
uma Vênus vencedora, uma Palas Ateneia
após a vitória sobre os gigantes,
sentada num trono,
portando a tocha olímpica da liberdade
e da verdade”,
e isso é mesmo verdade:
mais que um arco, é um triunfo,
o fofo triunfo final da inteligência
dominando a força bruta.

Querida Estáutua,
eu só queria te dizer:
nossa Curitiba tem andado muito bruta,
mas continua bonita
e agora mais animada
também por enquanto,
enquanto como uma fruta.
E até este meu trocadilho idiota
enfeita tua vida
que faria muita falta,
ó Curitiba,
minha linda e sábia estáutua.

Eu quis muito te dizer isto
nesta radiosa e azul manhã.

De um dos teus poetas,
o vadio e operoso

Ivan

6 comentários:

Curitiba é um copo vazio cheio de frio disse...

Excelente! O toque ritmístico final foi encantador (manhã/Ivan).
Valeu, Monsenhor Poeta!
Bjo e bom dia.

Ivan disse...

Vou comentar comigo mesmo,
não se assustem, pois louco é assim: fala sozinho.

Essa estátua é antes uma representação ginecomórfica,
e não antropomórfica, ou seja:é uma mulher mesmo, não um homem.

Simbolicamente, a estátua, coroada de razão, representaria a inteligência - forte e fértil (notar o braço e os seios), apta a dar à luz (notar a tocha, o manto prolongando-se dos cabelos e abrindo-se, com as pernas relaxando e abrindo-se...)

Particularmente, eu poderia me considerar um belo filhote dessa estátua-Curitiba, mas aqui já estou delirando demais, melhor seria não ter me estendido assim...

Lina Faria disse...

Que bonito, Ivan...
Passei o dia na lida e só agora vejo teu poema à minha amiga Curitiba que reverencio há anos.

Gostei da tua página.
Voltarei.

Antonio Thadeu disse...

Vamos reproduzi-lo em letras garrafais.
Grande abraço, Ivan.

Otávio disse...

e para o diabo com o ufanismo reprimido! rs

Ritalix disse...

Lindo poema, digno de recitações.
Bela lembrança p/ niver da nossa tão transformada Curitiba, que por entre sotaques sonoros; carioquês, minereis, pernambuquêis, paulisteis etc...tento encontra-la, com aquele velho saudosismo, leminsquiano.
É isso ai vadio poeta, continue assim nos mostrando onde ela está!

Fico por aqui com outro poeta vadio:
Curitiba,curitiba tu és a unica droga que vou admitir na minha vida...

bjux