quinta-feira, setembro 20, 2012

VISÕES DE JOHANNA


VISÕES DE JOHANNA
[Visions Of Johanna, Bob Dylan -- vb: ijs]

Não é a noite exata pra truques quando você só tenta ficar tão quieta?
Sentamos aqui perdidos, mas fazendo o melhor pra não ver isso
E Louise tem um punhado de chuva e atenta você ao desafio
Piscam luzes no apêzão em frente
Aqui cachimbos tossem e acendem
A estação country macia mantém-se
Mas não há nada nem ninguém a quem apelar
Só Louise e seu amante enlaçados tão docemente
E essas visões de Johanna que me ganham a mente.

No galpão vazio onde as damas brincam de gatomia com a chave da cadeia
E as garotas de noite toda sussurram de escapadelas na conexão ligeira
Dá pra ouvir o vigia da noite acender a lanterna
Perguntar-se quem: ele ou elas – quem está louco?
Louise, ela está bem, só está bem perto
Ela é delicada e parecida com o espelho
Ela só coloca cada pingo em seu i
Sobre Johanna não estar aqui
O espectro da eletricidade lhe uiva nos ossos da face
Onde essas visões de Johanna agora vêm encaixar-se.

Já o pequenino perdido, ele se leva mesmo tão a sério
Que se vangloria da miséria, gosta de viver em perigo e mistério
E quando menciono o nome dela
Ele me fala no seu beijo de adeus
Ele certamente tem peito pra ser um inútil tão perfeito
Murmurando coisinhas lá fora quando já estou na sala
Como posso agora explicar a...
Ah é tão difícil até citar a...
E essas visões de Johanna me deixam desperto além da aurora.

Nos museus, o Infinito segue em julgamento
Vozes ecoam que a salvação fica assim com o tempo
Mas Mona Lisa precisa dançar o blues da estrada
Dá pra saber pelo som da sua risada
E a crua parede floreada congela
Quando espirra a mulherada cara de geleia
Ouça aquele de bigode dizer “Meu Jesus,
Já não acho mais meus joelhos”
Ah as joias e binóculos pendurados no pescoço da mula
Mas essas visões de Johanna fazem tudo parecer tão cruel.

O mascate agora fala com a condessa que finge dar bola pra ele
Dizendo “Me conte de um que não é chupim que vou lá e rezo pra ele”
Mas, como Louise sempre diz:
“Nunca dá pra olhar muito em detalhe, né?”
No que ela mesma se prepara pra ele
E Madonna ainda não deu as caras
Vemos essa jaula vazia já enferrujada
Onde a cortina dela já foi levantada
E o violinista já meteu o pé na estrada
E escreve que toda dívida é paga
Na caçamba do caminhão de peixe carregada
E minha consciência explode no nada
As gaitas tocam tons-chaves e a garoa
E essas visões de Johanna são tudo que resta agora.

* * *

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