terça-feira, abril 13, 2010

A GRANDE VERDADE (curta-metragem)

mentira tem perna curta
porém cabeça imensa
que pensa que pensa

mentira tem perna curta
mas chuta a tua canela
machuca, esfola, esgoela

estupra, assassina, furta

mentira tem perna curta
mas se procuro a verdade
também acho
minha perna meio curta

e se eu forçar minha cabeça
esta

pequena e tensa
nem sequer pensa que pensa:


dispensa a pretensa presença
despreza sua força abrupta
esquece qualquer perna curta

fica sem nenhuma sentença
semissuspensa
e surta

2 comentários:

Gianna disse...

uauu, legal!!
bjux

Panda disse...

Caro Ivan!

Veja como são relativas as coisas... do ponto de vista do poeta -- o escultor que esculpindo as palavras, raramente se contenta com o produto final -- a grande verdade foi relegada à condição de experiência falha.

Do ponto de vista da leitora que é leiga, e fã sem ser suspeita, a grande verdade sobre a mentira ter perna curta é sem dúvida um poema sincero, sonoro e batuta! Engraçado, e cai como uma luva!
Poema universal: a todos serve a carapuça.

Mas realmente, para ocasiões homenagenológicas, o último conveio mais!

Conveio? Conviu?

Afe, tô esquecendo o meu parco português.

Bjos.