terça-feira, abril 27, 2010

HISTÓRIA UNIVERSAL DA VIRTUDE

No princípio era preguiça:
arregala-se de gula,
variando pra avareza,
sobe bárbara à soberba
mas mal raia as raias da raiva
vê que a inveja vinha da ira
chamejando de luxúria.

Já roxa, cheia de úmida humildade,
chega ao meio do caminho:
topa a tempo a temperança,
pensa e passa à sapiência,
confortável fortaleza,
onde ajusta-se,
justiça.

Por fim, descansa.
Esperança, cara a cara
com a cara caridade,
com amor sente-se fé:
virtude como nunca,
como nunca está

simplesmente é.

7 comentários:

Gianna disse...

Lindas palavras às quatro musas da humanidade...

grande poema, grande poeta.

:*

Ivan disse...

Fico muito agradecido, mas me sinto compelido a observar que a imagem é de uma pintura (alguém saberia de quem e de onde?) a qual representa (ou deveria representar) as quatro virtudes cardinais (ou cardeais),
respectivamente (da esquerda para a direita, com a minha interpretação:)

Temperança (ou moderação) - olha atentamente a taça, e usa-a tanto para controlar a vontade de beber quanto para amenizar a temperatura do líquido;

Prudência (ou sapiência) - olha-se no espelho não por vaidade, mas porque isso representa o "conhece-te a ti mesmo", princípio filosófico fundamental - possivelmente, prudência e sapiência também recomendam carregar um arco e flecha (nunca se sabe quando vai ser necessário...) - simbolizando prontidão...

Fortaleza (ou força - que eu particularmente também gosto de chamar de disciplina) - a pose é de total confiança e o arbusto ao lado é provavelmente de louros (planta-símbolo da vitória, usada para coroar atletas e poetas...)

Justiça - pra esse pintor, a justiça não é cega, mas observa atentamente o símbolo (uma balança) e porta uma espada (a propósito, sempre achei que uma mulher vendada com uma espada na mão estava mais pra perigo mortal do que pra deusa da justiça...)...

Beijos justos do Ivan Justen...

Gianna disse...

hum... gostei muito das observações sobre a pintura das quatro virtudes cardinais, gostaria de saber quem foi o artista - teria alguma pista?
Vou descobrir.

Devolvendo... Beijos "fortes" pra vc ;)

Gianna disse...

hum... gostei muito das observações sobre a pintura das quatro virtudes cardinais, gostaria de saber quem foi o artista - teria alguma pista?
Vou descobrir.

Devolvendo... Beijos "fortes" pra vc ;)

Panda disse...

Ora, mas isso aqui tá uma aula de como apreciar obras de arte!

Gostei que vc somou mais algumas virtudes no poema, além das do quadro (que não sei quem pintou)!
Assim balanceou os pecados capitais!!!


Adorei o poema!

Vcs são uoáááátimos!

Bjos prudentes da Panda!

Panda disse...

caro Ivan, seguindo o jargão citado por vc (caiu na rede é pixe), comunico-lhe encarecidamente que este poema será honestamente surrupiado dentro dos próximos intantes!

Roberto Prado disse...

Volvo a vos dizer: essa sua virtude vicia.