quarta-feira, outubro 19, 2011

EPÍLOGO DOS PEQUENOS POEMAS EM PROSA

De coração contente eu subo ao precipício
Dali de onde se enxerga toda esta cidade,
Prisão, bordel, inferno, purgatório, hospício,

Dos quais qual uma flor floresce a enormidade.
Tu sabes bem, Satã, meu guia na desgraça,
Que aqui no abismo o choro inútil não me invade;

Que feito o velho amante da velha devassa
Eu vim me embebedar dessa enorme vadia
Cujo charme infernal remoça quando passa.

E mesmo que ainda durmas nos lençóis do dia,
Surda, obscura, gripada, ou que ainda em afãs
Nos véus da tarde tu te exibas, joia fria,

Eu te amo, ó capital infame! As cortesãs
E os bandidos, às vezes são tais os prazeres
Incompreendidos pelas leigas massas vãs.

Charles Baudelaire
versão curitibana: Ivan Justen Santana

5 comentários:

Antonio Thadeu Wojciechowski disse...

Na veia, Ivan. Muito bom. Abração.

Leo Pasqualini de Andrade disse...

Baudelaire em Curitiba ...

Wagner Schadeck disse...

Ivan, gostaria de aproveitar esta postagem para dizer que esta tradução ficou ótima, e que, por isso, ela pede para figurar junto ao original.
Além disso, lembrei de sua palestra sobre o Perneta, e penso que você poderia publicar aquela tríade proposta naquela ocasião: "Uma viagem à Citera", do Baudelaire, "Brisa Marinha", do Mallarmé (não lembro se foi exatamente este que você disse na época) e "Versos para embarcar", do Perneta.

Que acha?

Abraço

Wagner

Ivan disse...

Olá, Wagner -

grato pela leitura - aqui tem um link ao texto original:

http://baudelaire.litteratura.com/le_spleen_de_paris.php?rub=oeuvre&srub=pop&id=189

a ideia de confrontar aqui Baudelaire, Mallarmé e Emiliano é muito boa - possivelmente vou aproveitar essa sugestão -

valeu!

Ivan

Neuzza Pinhero disse...

bem vindo ao meu Spirituals, Ivan.
Baudelaire é sempre um lero bom.
abraços!