sábado, dezembro 10, 2011

O AMOR EM SEUS COMEÇOS

O amor em seus começos
transforma os endereços,
revira e vira avessos,
desamolece os gessos,
reinicia o mês, os
dias deslembro-esqueços.

O amor revive o inédito
chavão valor sem crédito
vulgar latim impédito
da rima aqui sem fé dito-
samente ao seu descrédito
num truque desinédito.

O amor só cola assim
repetitivo ah sim
usando de outrossim
com mais sim-sala-bim
rim-tim-tim por tim-tim
para sempre afim.

E até que o mundo entenda
da grana ou da merenda,
viva ou morta esta lenda,
aceitos estes preços,
em vinte e cinco versos
deixei semi-inexpressos
o amor em seus começos.

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sexta-feira, dezembro 09, 2011

O PAPEL INGÊNUO DA VIDA

quem nunca fez uma cagada
que atire a primeira mãozada de bosta
a gente faz porque a gente gosta
cada um por si, todos por cada

Edilson Del Grossi, Edson de Vulcanis, Ars Magoo

...

Cada cagada que se faz no hoje
talvez amanhã se mostre um tesouro
e o gás que a algum nariz talvez enoje
será p’r’outra narina um peido de ouro.

Ivan, inspirando-se em seus irmãos camaradas

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quinta-feira, dezembro 08, 2011

quarta-feira, dezembro 07, 2011

MULTIDÃO

(letra e música: Sérgio Justen)

Tem gente que chora uma desunião
Tem gente que ri pela mesma razão
Tem gente que fala, tem gente que escuta
Tem gente que cala, tem gente que luta

Tem gente voltando pela contramão
Tem gente descendo pelo corrimão
Tem gente saindo, tem gente chegando
Tem gente brigando, tem gente se amando

Tem gente esperando pelo carnaval
Tem gente cansada já sem esperança
Tem gente perdida em meio ao temporal
Tem gente sonhando e que nunca se cansa

Tem gente que dança, dança...

Tem gente que gosta de banho de sol
Tem gente que odeia jogar futebol
Tem gente que agride, tem gente que agrada
Tem gente valente, tem gente de nada

Tem gente parada em frente ao edifício
Tem gente correndo atrás do prejuízo
Tem gente pra cima, tem gente pra baixo
Tem gente prum lado, tem gente pro outro

Tem gente esperando pelo carnaval
Tem gente cansada já sem esperança
Tem gente perdida em meio ao temporal
Tem gente sonhando e que nunca se cansa

Tem gente que dança...

[Vejam e ouçam Anna Toledo cantando uma composição de Sérgio Justen, Novos Ares -- é só clicar aqui]

segunda-feira, dezembro 05, 2011

DOZE MUSAS MUSICISTAS

Uma musa mais que rara
– sorte a qual nunca se aposta:
Nyara Costa.

Musa de pantera pele –
voz que além ninguém compara:
Michele Mara.

Mais versátil que cigana
– faz, desfaz o enredo ledo:
Anna Toledo.

Mais que o sucesso de cara –
mais que indiscutivelmente:
Uyara Torrente.

Criatividade bárbara
– mesmo se óbvio escrevo kirchner:
Barbara Kirchner.

Nota alegre ou nota séria –
mais ligada que mil voltz:
Rogéria Holtz.

Ensinando não se engana
– se até o cardo é mais – é nardo:
Ana Cascardo.

Pairam noites de Cabíria –
caprichosa feita maga:
Iria Braga.

Linda a língua que se edite
– cristalina assina ao largo:
Edith Camargo.

Compõe, canta, toca, emana –
Em latim revelo-a in nuce:
Ana Larousse.

Se a sereia vai menina
– volta máxi ou até míni:
Janaína Fellini.

Brilho que não cega ao vê-la –
dom com tom tão mais feliz
– mesmo quando a um triste trisque:
Estrela Ruiz Leminski.


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Adendo prosaico: hoje é aniversário da Ana Clara Fischer -- mais uma musa musicista que poderia perfeitamente constar nesse poema -- e com a Ana Clara eu poderia/deveria ter adicionado: Thayana Barbosa, Lívia Lakomy, Melina Mulazani, Laís Mann, Selma Batista, Etél Frota, Kátia Drumond, Helena Bel, Xanda Lemos, Cris Lemos, Tatiana Lemos, Chiris Gomes, Zelda-Gi, Márcia Pricilla, Andrea Hellena, Helena Sofia, Grace Torres, Anne Torres, Sílvia Contursi, Alexandra Scotti -- enfim, agora aqui são mais vinte e uma musas musicistas -- entre cantoras, compositoras, instrumentistas -- todas portadoras do instrumento musical natural da voz, portanto: musicistas -- e também musas inspiradoras, disso não tenho a menor dúvida -- mas por minha insuficiência calhei de escolher as doze que me surgiram antes à memória, e às quais as rimas vieram quase que imediatamente -- pois a memória, além de mítica mãe das musas, também é um pouco traiçoeira: me perdoem todas -- as acima versadas, as lembradas nesta prosa, e as muitas (inúmeras) não citadas -- nestes versos de reverso da minha melancolia, foram doze as luzes de que me vali, mais as vinte e uma que a seguir assinalei, das quais não é menor o mérito por isso -- quero deixar afinal aqui um meu genuíno desejo de que as rimas que ainda não achei encaixem-se em todos os nomes de todas, todas as que assim (e também) nas notas musicais brilham...

...

domingo, dezembro 04, 2011

PREDOMÍNIO DE BÍLIS NEGRA

Novamente prego.
Novamente pia.
Nasce-me o sol negro
Da melancolia.

Outra vez dezembro.
Outra vez sem via.
Outra vez sou membro
Dessa confraria.

Vou aos cemitérios.
Vou às catacumbas.
Voo nos mistérios.
Desço em meio às tumbas.

Artes têm segredos.
Artes têm magias.
Ao perder pros medos
Perdem-se alegrias.

Sem as minhas manhas,
Sem você, perdida,
Sangram as tamanhas
Espirais da vida.

Ou é só um remédio,
Ou só o precipício.
Ouço em tom de tédio:
Vício? Vai pro hospício.

Mas se você disse:
'Meu, eu sou feliz --'
Minha cretinice
Não pediu nem bis.

Outra vez um prego.
Outra vez na pia.
Nasce-me o sol negro
Da melancolia.

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sábado, dezembro 03, 2011

O MAIS BONITO SUICÍDIO

(a Cristina Gebran)

O mais bonito suicídio
é o suicídio simulado:

finge-se
uma esfinge. Se

você já se suicidou
assim

sabe que ou-
trossim

é esse
o mais bonito suicídio que acontece.

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sexta-feira, dezembro 02, 2011

Deblaterações autoctônicas em abstruso estilo poéticoprosaico

Meu prezado e caro eu mesmo dentrodemim cúpido, cuspido, estúpido e enterredado Ivan:

o que será que será que você nem não está despercebendo nesta semitonante existência inultilitimemente matem-a-temática? Ou (sejamos claros -- e docemente pornográficos, como queria Drummond com seu duromundo) melhor expressando, com afã e elã sem manhatantã:

qual é a sua?

Aonde você pensa que vai assim?

Pra que toda essa panca de nem nada quase coisa nenhuma e simplesmente tudo na necas de Curitipitibiriba?

Enfim:

foi alguma moça nua

que te deixou estatelado e apatetado desse jeito com cara-de-velhinho-do-Passeio-Público jogando biriba?

Ou terá sido alguma rima que novamente te atravessou a prosaica coloquialidade do ramerrão diário e te botou virando cambalhotas mentais no atravessar em diagonal as marechais em pleno trânsito de intranseuntes motoristas neurastênicos metendo os pés pelas mãos aos volantes?

Ou antes:
(e agora vem a dura realidade, prepare-se:)
-- terá sido esse seu autoproclamado surto poético, de variadas e multíplices produções-sublimações-da-loucura-mais-absoluta, e essa Virada Cultural, e esses teus recitais no Café Parangolé, e enfim todas essas festas de ontens-hojes-amanhãs -- terá sido só e simplesmente tudo isso que acabou por te deixar com a cuca fora da casinha -- o suficiente pra que você se desprendesse assim de mulher e filho e passasse agora à beira do completo desatino do destino, achando bonito correr o risco máximo, conforme apregoou o grande (e suicida, não esqueça disso) poeta Torquato Neto, o qual você manjou no youtube, na maviosa interpretação do superator Paulo José (cliquem e ouçam-vejam-leiam-saibam) ao som da música de grandes bambambans capitaneados por Jards Macalé?)

-- Foi ou é isso que é, meu Zé, meu pé, meu Pelé, meu capilé, meu Tomé Barnabé qual-é como-é-que-é, meu cara-de-quem-faz-o-que-quer-da-vida-e-assim-mesmo-de-si-mesmo-toma-olé?

Não sei. Sei lá. Em tom de ré:

acho que foi. Sigo não obstantemente cumprindo as obrigações mais imediatas. Agradeço a superegoica chamada na chincha. Mas vou continuar desse jeito questionável por enquanto. Sem mais comentários, entretanto. Até.

...

(to be continued -- ou: tupi continha, ué...)
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quinta-feira, dezembro 01, 2011

DEDICADO A A.L.

fui dormir
pra sentir
quem me lê
quando li
logo ali
qu'est-ce que c'est?
(que és que se?)
esquecer
não tem como
nem me domo
vejo o cromo
deixo a pista
quem conquista
solo em mi
sonho um si
ponho aqui
isto a ti
desenhista

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terça-feira, novembro 29, 2011

UMA QUADRA NA TERÇA

O amor é mais duro do que a pedra
e mais mole que a bexiga duma gata:
cresce onde a erva daninha não medra
e aparece lá onde a paixão não mata.


[feito falando a Tania Chaiben, em 28-11-2011]

domingo, novembro 27, 2011

FELICIDADE AMARGA

[prévia do que vou estrear nesta terça-feira, 29/11, à noite,
no Café Parangolé, a convite do Evandro 'Manchinha' Cardoso,
do Manchinha Trio --
o poema inspira-se na composição Tango Negro]


sol negro
violeta negra
todas as negras
festas de amanhãs
nublados
os sinais e os sinaleiros
amarelos verdes azuis
vermelhos negros
fechados

vontade liberdade de partir
içar a panda lança vela
sorrir seguindo
seguir sentindo
a chuva bela
o frio tão lindo

perceber a dor e o prazer
sem perverter o puro olhar
reconhecer tom dom cor
capacidade ainda ao amor
poder de suportar a carga
da felicidade amarga

a qual você já conhecia
porque aprendeu a ler
o que a melancolia

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sexta-feira, novembro 25, 2011

TODAS AS FESTAS DE AMANHÃ

(ALL TOMORROW'S PARTIES --
canção original de Lou Reed e John Cale
em versão brasileira de Ivan Justen Santana)


E qual traje a pobre garota vestirá
Pra todas as festas de amanhã?
Um vestido usado de sabe se lá
Pra todas as festas de amanhã?
E aonde ela irá, e o que ela fará
Quando a meia-noite chegar?

Ela vai apelar outra vez
Pro palhaço de domingo
E chorar atrás da porta, baixinho

E qual traje a pobre garota vestirá
Pra todas as festas de amanhã?
Por que seda, linho e tafetá
Das vestes de ontens
Pra todas as festas de amanhã?
E o que ela fará
Dos trapos da quinta-feira
Quando a segunda chegar?

Ela vai apelar outra vez
Pro palhaço de domingo
E chorar atrás da porta, baixinho

E qual traje a pobre garota usará
Pra todas as festas de amanhã?
Pois a criança de quinta-feira
É o palhaço de domingo
Por quem ninguém veste luto

Uma mortalha enegrecida
Roupas usadas de sedas e trapos
Traje perfeito pra sentar e chorar
Por todas as festas de amanhã

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quarta-feira, novembro 23, 2011

Ao lançamento das Essências Transfiguradas

velocissimamente
velo assim o que sente
esse um sim em si e a
transfigurada essência
do um por si de cada ente
*

segunda-feira, novembro 21, 2011

FÊNIX

dentro
de cada
um de nós
tem uma
fênix

dentro dela
fogo cromo ródio
lilases rododendros
dentes asas membros
de amor e de ódio
sobre tons de
ônix

dentro de
cada tom
violetas vivas
roxos de morte
anéis cristais pós
e algo ainda
e cada vez
mais forte
dentro de cada
um de seus
nós

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sexta-feira, novembro 18, 2011

ACÚSTICA DAS ÁGUAS E DOS CÉUS

De mãos e pés atados, cabelos arrepiados,
entre tortos e queridos e amalbendiçoados,
ainda assim sigo subindo esse riocorrente,
e da jangada quebrada iço e atiço as velas,
soprando incontinente e avassaladoramente
só pra ir ouvindo cantos de sereias e estrelas...


(shows de Jana Fellini -- hoje ali no SESC Paço,
e de Estrela Leminski -- amanhã lá no Paiol:

noites em que haverá sol...)

* * *

quinta-feira, novembro 17, 2011

O ex-surtado, ainda um pouco egomaníaco mas prometendo melhorar, parabeniza sua filha

*
Quando eu enlouqueci, no meu primeiro surto,
Ela foi a razão da minha volta ao controle;
E hoje é também por ela que nunca me furto
A manter com rigor meu coração mole.

Seriam de esperar no mínimo onze versos
Para celebrar este aniversário dela:
Onze anos pulsam hoje como onze universos
E eu sei que ela já sabe o quanto a vida é bela.

Assim perfaço aqui doze dodecassílabos
Nesta homenagem, senão certa, mais que justa
E lanço mão de um truque: a fácil rima em ílabos
Facilitando os parabéns a Rúbia Augusta.


* * * * * * * * * * *
(onze estrelinhas de presente pra você, filha)
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terça-feira, novembro 15, 2011

ALÉM DO ZEN E DO TAO

*

folha de papel em branco

implorando por uma metáfora

pra pegar no tranco


falha do poeta bronco

procurando apenas um nome

pra riscar no tronco


ilha do livro onde brinco

siga só pra destroncar

a tranca sem trinco

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sábado, novembro 12, 2011

FIM DA NOITE

(no Wonka Bar)

Um cão fila de pagamento
sem clima de putaria ali dentro.

O poeta, semitonto de absinto,
muito à vontade -- aliás, minto:

pouco morto de vontade de, de,
de contatar a amada via DDD

porém sem saber quem é ela, quem
sou eu, quem nós, vós, tu, você.

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sexta-feira, novembro 11, 2011

A AMARGÚCIA & O ODISSÍNIKO

(ou UM COMEÇO SEM DESMEIO NEM FIM)

A Amargúcia e o Odissíniko,
quais dois rábidos fatentes,
ampulhetavam desperdentes
histercórias de engonzínico.

Ternangantas gatiplantas
flaufam íteos falinúvios,
condilecem cios esgrúvios,
pulcram legres rodimantas.

Certo dia, crômio de ludeza...

...

... >< ... !!!

...