terça-feira, novembro 01, 2005

And now, for something completely different (?)

Vinhote

A uva é minha mãe mulata
Neste embranquecido campo congelado. O venoso interior dela
Pendura-se quente aberto para que eu reentre
Na vidraçaria cor-de-sangue contra a qual o mundo pedra
Adelgaça até um orvalho e se esfumaça –
Não diluindo nem minha caneca de sangue
Nem sua negra subcorrente. Eu me avolumo ali dentro, encharcando.
Até que a uva por pura saciedade de mim
Vomita-me de volta. Sou encontrado
Frágil feito um bebê, mas rejuvenescido.

Ted Hughes (1967)
Tecla sap:
Ivan Justen Santana (2005)


Wino

Grape is my mulato mother
In this frozen whited country. Her veined interior
Hangs hot open for me to re-enter
The blood-coloured glasshouse against which the stone world
Thins to a dew and steams off–
Diluting neither my blood cupful
Nor its black undercurrent. I swell in there, soaking.
Till the grape for sheer surfeit of me
Vomits me up. I´m found
Feeble as a babe, but renewed.

4 comentários:

virna disse...

olá, ivan. quem me indicou seu blog foi a zoe. também sou poeta e tradutora. soluções interessantes para o poema de ted hughes.
um abraço,
virna

Fernanda disse...

Gostei da tradução, através da Pri estou conhecendo o Ted Hughes.
Beijo

Ivan disse...

Virna e Fernanda: fico grato pelos elogios: voltem sempre!

V. de Viada disse...

como grande parte das mulheres eu não gostava do ted , mesma sem nunca ter lido, aquela coisa de mulher que se junta a outra numa dor que não é sua, mesmo sem saber que a dor existiu ou não.
aí certo dia achei num sebo lá bem ignorado e a preço de banana o "cartas de aniversário" nem tava na seção de poesia e sim de cartas.
ha!
ele é meu agora e toda minha concepção de ted mudou.