terça-feira, junho 15, 2010

Revelando as fênix

Hoje é dia de jogo do Brasil na copa do mundo, mas tem outra coisa muito mais importante (pelo menos pra mim:)

é aniversário do meu pai -- feliz aniversário, Sr. Rui!

Ontem palestrei sobre Joyce e o Ulysses, no Centro Feminino (vide aqui), e amanhã haverá mais Bloomsday aqui em Curitiba (maiores informações, vide aqui o blog do meu prezado amigo Felipe).

Assim, prospectivamente eu postei o poema de Rilke sobre Odisseu e as sereias, e agora largo aqui a versão que eu e meu camarada William Crosué Teca fizemos para a folclórica balada anglo-irlandesa Finnegan´s Wake, a qual inspirou Joyce a escrever um catatauzinho aí que vocês devem saber qual é...

VELANDO TIM
(Finnegan´s Wake, em versão brasileira dos Dublês de Dublin)

Tim Finnegan vivia na Rua do Passeio,
um gentil irlandês muito esquisitão;
tinha uma língua cheia de asseio
e pra subir na vida ele usava um formão.
Tinha um jeitinho de quem bebia,
o uísque deixava Tim tantã,
e a fim de firmar o pulso a cada dia
bebia um traguinho toda manhã.

(refrão:)
Truque na morte, dance comigo,
varra o soalho, chacoalhe pra mim;
é ou não é assim como eu digo
uma grande bagunça velando Tim!?

Certa manhã Tim já tava torrado,
a cabeça pesada o fez bambear;
caiu da escada e quebrou seu crânio
e o levaram pra casa a fim de o velar.
Enrolaram Tim num lençol limpinho
e o deitaram na cama de revés,
à sua cabeça um barril de vinho
e um galão de uísque a seus pés.

(refrão:)

Os amigos vieram para velá-lo
e a viúva Finnegan dava um caldo,
primeiro ela trouxe chá com bolinhos,
depois uísque, tabaco e cachimbos.
Biddy O´Brien pôs-se a chorar:
"Um cadáver tão limpo jamais se viu!
Tim, camarada, por que nos deixar?"
"Ah, fecha essa matraca!" disse Paddy McGill!

(refrão:)

Aí Maggie O´Connor ganhou controle,
"Biddy," disse ela, "por certo você erra!"
Mas Biddy pregou-lhe o cinto na goela
e deixou-a no chão, esticada e grogue.
Então no velório o pau quebrou,
e foi homem a homem, mulher a mulher,
a lei da pancada ali se instalou,
salvem morto e feridos quem puder!

(refrão:)

Aí Mickey Malone sentiu o drama
quando um copo de uísque voou assim:
tirou-lhe uma fina e caindo na cama
o copo derrama-se sobre Tim!
Tim revive! Ele ressuscita!
Timothy vindo de volta, eu vi,
diz: "Vamos beber toda essa birita!
Almas do diacho, acham que eu morri?"

(refrão:)

2 comentários:

Djabal disse...

De fato, existem coisas mais importantes. Gostei muito da versão que vocês fizeram. Fiquei mesmo entusiasmado. O catatau mencionado sempre é visitado por mim, que aprendi a não procurar muita coisa além da música.
Eu tenho certeza que é vocês tem a aprovação do James. Eu também comemoro, do meu jeito, todo dia dezesseis. Leio ao menos uma página do Ulysses. Ao acaso.
Hoje li uma matéria bem bacana no livros eu eu li (http://guinamedici.blogspot.com/).
Quem sabe você gosta. Um grande abraço e meus parabéns.

Ivan disse...

Prezado Djabal:

muito legal a indicação do blog "livros que eu li": não li quase nada mas gostei de praticamente tudo -- aliás, a cidade de Santa Maria (RS) e eu parece que estamos tendo um encontro marcado no futuro: já conheci duas pessoas ligadas à universidade de lá e parece extremamente interessante este livro (Arquimedes) que lançam lá hoje no Bloomsday deles (o qual, ao que parece, é o segundo mais tradicional do Brasil, perdendo apenas para São Paulo...)... Perdoe este comentário em estilo "parágrafo de Faulkner" e sinta-se sempre em casa aqui em meu modesto tugúrio!