Chega de paixões fugazes,
chega de incensar já ídolas,
chega de remédios e antrazes
e das cartas de amor rirridículas.
O que vai e vaivém agora--
quem me vem ao encontro e chega
[chega de verdade: e não gora]
quem me atrai-- eu chamo: "Nêga,
minha Neguinha, minha Lili-lalalá--
ó meus os quatros pontos cardeais---
minha aqui---minha ali---minha acolá
minha fáfá-fin-fizinha ultiminha e mais....
ijs
for
ffr
,]
quarta-feira, agosto 01, 2012
terça-feira, julho 31, 2012
Um coyote uivando faz dez anos: vamos?
O número 24 da revista Coyote, editada de Londrina às galáxias por Ademir Assunção, Marcos Losnak, e Rodrigo Garcia Lopes, celebra o aniversário de dez anos da publicação.
O lançamento nacional será aqui em Curitiba, neste Sábado, dia 4 de Agosto, no SESC-Paço da Liberdade, a partir das 11h, com entrada franca.
Este que vos escreve saiu no número 21, do inverno de 2010.
O Rodrigo deve trazer números deste número também, portanto, para quem quiser aparecer, eu estarei lá e posso autografar minha estreia numa das mais longevas publicações poéticas nacionais de alto gabarito...
...................................................
domingo, julho 29, 2012
SE CLIN TON [or: IF CLIN TON =]
Se Clinton inalou e disse:
[and I quote:] "fumei mas não traguei"
eu por mim fujo dessa tolice
mas também confesso: fumo mas não trago.
Levar e trazer é uma coisa meio gay
e [excuse me] me trinca os bago.
Isso talvez até me levasse a compor
um Noturno de um Mago.
Porém: e se George Clinton Jorge Benjor?
E se Carla Bruni Maurice Bèjar?
E se eu soubesse pauta e entendesse de cor,
recitaria de cor e salteado [sendo assaltado]
tudo que em você é melhor e maior
do que qualquer mar,
qualquer mármore
qualquer vagau amor...
Esse poema se estragou, mas vai ficar aqui até postagem em contrário, ou indefinidamente.
Pedimos desculpas aos nossos leitores e leitoras: nem sempre se pode ser um poeta consequente
[and I quote:] "fumei mas não traguei"
eu por mim fujo dessa tolice
mas também confesso: fumo mas não trago.
Levar e trazer é uma coisa meio gay
e [excuse me] me trinca os bago.
Isso talvez até me levasse a compor
um Noturno de um Mago.
Porém: e se George Clinton Jorge Benjor?
E se Carla Bruni Maurice Bèjar?
E se eu soubesse pauta e entendesse de cor,
recitaria de cor e salteado [sendo assaltado]
tudo que em você é melhor e maior
do que qualquer mar,
qualquer mármore
qualquer vagau amor...
Esse poema se estragou, mas vai ficar aqui até postagem em contrário, ou indefinidamente.
Pedimos desculpas aos nossos leitores e leitoras: nem sempre se pode ser um poeta consequente
sexta-feira, julho 27, 2012
SEM PRE
sempre pensando em você
sempre querendo te ver
pensando e querendo
e querendo e pensando
num tema: não tema: você
hoje me senti perdido:
hoje perdido sem ti
mas sempre sempre
pensando em você
me encontrei comigo
e fomos te ver na tela do PC
você sempre me acompanha
e até me faz escrever
diferente do que nunca
diferente em muita manha
diferente até de ler
porque estou sempre pensando
[e você sabe] em você
ijs
to
ffr
=]
sempre querendo te ver
pensando e querendo
e querendo e pensando
num tema: não tema: você
hoje me senti perdido:
hoje perdido sem ti
mas sempre sempre
pensando em você
me encontrei comigo
e fomos te ver na tela do PC
você sempre me acompanha
e até me faz escrever
diferente do que nunca
diferente em muita manha
diferente até de ler
porque estou sempre pensando
[e você sabe] em você
ijs
to
ffr
=]
terça-feira, julho 24, 2012
MAIS FAMILIARMENTE
"Ele não sabe quem eu sou"
disse ela em voz de dó--
e eu pensei se a alma assou
no enquanto do quiproquó--
enquanto conto contente
como desfazer tal nó:
as ligações obviamente
perigosas são, mesmo só
e não seria tão pungente
se outro diverso fosse o dó--
o dó da voz da mãe da gente--
o dó do bem da minha vó.
Ivan: neto, filho, irmão, tio, pai, sobrinho, amigo, e às vezes até poeta...
disse ela em voz de dó--
e eu pensei se a alma assou
no enquanto do quiproquó--
enquanto conto contente
como desfazer tal nó:
as ligações obviamente
perigosas são, mesmo só
e não seria tão pungente
se outro diverso fosse o dó--
o dó da voz da mãe da gente--
o dó do bem da minha vó.
Ivan: neto, filho, irmão, tio, pai, sobrinho, amigo, e às vezes até poeta...
segunda-feira, julho 23, 2012
BEBENDO DE MANHÃ
Nossa vida não disputa
__Bebendo de manhã
Uma flor nunca se assusta
__Nas calhas do amanhã
Poetas são araruta
__Ou não me chamo Ivan
E hoje o dia se fez fruta
__Feito o amor se faz romã
Ivan Justen Santana
Ricardo "Syd" Janiszweski
__Bebendo de manhã
Uma flor nunca se assusta
__Nas calhas do amanhã
Poetas são araruta
__Ou não me chamo Ivan
E hoje o dia se fez fruta
__Feito o amor se faz romã
Ivan Justen Santana
Ricardo "Syd" Janiszweski
sábado, julho 21, 2012
terça-feira, julho 17, 2012
VOCÊ PRECISA
Você precisa me tocar
Qual instrumento musical:
Você precisa ser a fã
De um enamorado total:
Você precisa ser a terra
E eu seu enosigeu* mortal --
Você não precisa mais nada:
Uma pequena dose: e tchau.
IJS
* Enosigeu, epíteto do deus Netuno [Poseidon:], de enosíkhton, "abarcador da terra"
[fonte: HOMERO, Odisseia. Tradução de Manuel Odorico Mendes; edição de Antonio Medina Rodrigues. -- São Paulo: Ars Poetica / Edusp, 1992. p. 67. n. 62.]
Qual instrumento musical:
Você precisa ser a fã
De um enamorado total:
Você precisa ser a terra
E eu seu enosigeu* mortal --
Você não precisa mais nada:
Uma pequena dose: e tchau.
IJS
* Enosigeu, epíteto do deus Netuno [Poseidon:], de enosíkhton, "abarcador da terra"
[fonte: HOMERO, Odisseia. Tradução de Manuel Odorico Mendes; edição de Antonio Medina Rodrigues. -- São Paulo: Ars Poetica / Edusp, 1992. p. 67. n. 62.]
terça-feira, julho 10, 2012
PORQUE VOCÊ SABE
você sabe que
eu sei que
você sabe que eu
sei que você sabe
que eu sei que você
sabe que eu sei que
você sabe que eu sei
que você sabe
que sabe
ijs
[to
ffr
:]
eu sei que
você sabe que eu
sei que você sabe
que eu sei que você
sabe que eu sei que
você sabe que eu sei
que você sabe
que sabe
ijs
[to
ffr
:]
UM DIA ACHEI QUE TINHA ACHADO
Um dia achei que tinha achado a mulher perfeita:
engano meu, pois só depois achei você.
Um dia achei que tinha achado um amor que aceita:
engano meu, e só você sabe por que.
[de ijs para ffr, a vinte e cinco dias...]
........................................................................
engano meu, pois só depois achei você.
Um dia achei que tinha achado um amor que aceita:
engano meu, e só você sabe por que.
[de ijs para ffr, a vinte e cinco dias...]
........................................................................
segunda-feira, julho 02, 2012
VINHO DAS FADAS
Estou bêbado do vinho de mel
Da eglantina que a lua deu no céu,
E que as fadas embalam em florpotes.
O arganaz, a toupeira, e os morcegos
Dormem nos muros ou sob o dossel
Do quintal do castelo meio ao léu;
E quando ele encharca a terra, ao verão,
Ou torna os orvalhos mais vaporosos,
Com sonhos cheios de alegre irrisão
Eles murmuram seu gozo em sono; pois
Poucas fadas podem com potes tão novos!
Percy Bysshe Shelley
Ivan Justen Santana
[WINE OF THE FAIRIES]
Da eglantina que a lua deu no céu,
E que as fadas embalam em florpotes.
O arganaz, a toupeira, e os morcegos
Dormem nos muros ou sob o dossel
Do quintal do castelo meio ao léu;
E quando ele encharca a terra, ao verão,
Ou torna os orvalhos mais vaporosos,
Com sonhos cheios de alegre irrisão
Eles murmuram seu gozo em sono; pois
Poucas fadas podem com potes tão novos!
Percy Bysshe Shelley
Ivan Justen Santana
[WINE OF THE FAIRIES]
A LUA: UMA FALENA
A lua desceu hoje na janela
aqui de casa. Tinha um halo: um "moonbow"
[que é quando a gente vê um arco-íris nela,
ou melhor, em volta dela]. Acabou
cedo demais aquele belo show...
A lua desceu hoje na janela
que é quando a gente vê um arco-íris nela
e é verdade mesmo que já acabou.
Mas aquela palavra, aquele nome
não era o de uma borboleta: letra
a mais faz muita diferença--- E sí-
laba a menos, então?! Até fome some.
E o poema enfeia. Perto dela. Aqui.
---cedo demais!---aquele belo show...
A lua desceu hoje na janela.
A lua parecia uma falena.
Sim... Falena: borboleta tão bela.
Mas até mesmo a lua e a borboleta
ficariam feias perto dela.
O:) O:)
aqui de casa. Tinha um halo: um "moonbow"
[que é quando a gente vê um arco-íris nela,
ou melhor, em volta dela]. Acabou
cedo demais aquele belo show...
A lua desceu hoje na janela
que é quando a gente vê um arco-íris nela
e é verdade mesmo que já acabou.
Mas aquela palavra, aquele nome
não era o de uma borboleta: letra
a mais faz muita diferença--- E sí-
laba a menos, então?! Até fome some.
E o poema enfeia. Perto dela. Aqui.
---cedo demais!---aquele belo show...
A lua desceu hoje na janela.
A lua parecia uma falena.
Sim... Falena: borboleta tão bela.
Mas até mesmo a lua e a borboleta
ficariam feias perto dela.
O:) O:)
sábado, junho 30, 2012
NOSSO PRIMEIRO BEIJO
[de IJS a FFR]
foi tenso. E sim, eu adoro um sim,
e sim, nossos sins são do bem,
e sim, eles não são sinsalabins,
mas
sim
sala
bens.
Vem
e vai e vai e vem:
maremotos pervagando os mares,
ondas leviatânicas elevando os oceanos,
submergindo as ilhas, devastando os bos-
ques, desbastando as árvores---
e nós?
Procuramos um só refúgio juntos,
só para modos de o primeiro beijo festejar:
eu e você e você e eu e os nossos assuntos,
a sua nota fá, o meu deslize em I
[sem pingo nem rima, mas agora com par:]
ambos em busca de nosso lugar,
mesmo que hoje este seja apenas
um lar doce bar.
<3
foi tenso. E sim, eu adoro um sim,
e sim, nossos sins são do bem,
e sim, eles não são sinsalabins,
mas
sim
sala
bens.
Vem
e vai e vai e vem:
maremotos pervagando os mares,
ondas leviatânicas elevando os oceanos,
submergindo as ilhas, devastando os bos-
ques, desbastando as árvores---
e nós?
Procuramos um só refúgio juntos,
só para modos de o primeiro beijo festejar:
eu e você e você e eu e os nossos assuntos,
a sua nota fá, o meu deslize em I
[sem pingo nem rima, mas agora com par:]
ambos em busca de nosso lugar,
mesmo que hoje este seja apenas
um lar doce bar.
<3
segunda-feira, junho 25, 2012
ENTRE MIM E ELA
entre mim e ela é muito mais que sex
nossa alegria é muito mais que tétrica:
provei-lhe com sabor uva e tex mex
e ela me revelou que eu ronco em métrica
* * * * * * * * * *
nossa alegria é muito mais que tétrica:
provei-lhe com sabor uva e tex mex
e ela me revelou que eu ronco em métrica
* * * * * * * * * *
quinta-feira, junho 21, 2012
OS AMIGOS
No rapé, no café, e também no vinho,
ao limiar da noite eles se levantam
como as vozes que à distância cantam
sem que se saiba o quê, pelo caminho.
Levemente irmãos de igual destininho,
dióscuros, sombras pálidas, me espantam
as moscas das rotinas, me adiantam
a seguir à tona no redemoinho.
Os mortos falam mais alto: ao ouvido,
e os vivos são mão fraca, teto, jeito,
soma do que é ganho e do que é perdido.
Assim, um dia, sombra em barca cheia,
de tanta ausência abrigará meu peito
essa ternura antiga que os nomeia.
Julio Florencio Cortázar
versão curitibana:
Ivan Justen Santana
ao limiar da noite eles se levantam
como as vozes que à distância cantam
sem que se saiba o quê, pelo caminho.
Levemente irmãos de igual destininho,
dióscuros, sombras pálidas, me espantam
as moscas das rotinas, me adiantam
a seguir à tona no redemoinho.
Os mortos falam mais alto: ao ouvido,
e os vivos são mão fraca, teto, jeito,
soma do que é ganho e do que é perdido.
Assim, um dia, sombra em barca cheia,
de tanta ausência abrigará meu peito
essa ternura antiga que os nomeia.
Julio Florencio Cortázar
versão curitibana:
Ivan Justen Santana
quarta-feira, junho 20, 2012
Duas parcerias a seis mãos, neste Bloomsday passado
CANTO MÍTICO
Entre o fato e a dança
Como a criança
Chupeta teta valeta
Cavo sombria bonança
Mal da nau catarineta
No cabo da boa esperança
* * *
EIS EINSTEIN
Na prática, a teoria é relativa:
Somos fruto da engrenagem que nunca para--
Universo em curva---uno verso e cura.
O suco é gástrico---ponta da saliva--
O som só uma nota: a mais rara:
Sol sou luar---realidade pura.
Cristiano Farias
Ivan Justen Santana
Juliano Samways Petroski
Curitiba, Villa Bambu, noite de 16 de junho de 2012.
terça-feira, junho 12, 2012
A TELA TREME BEM DE LEVE
A tela treme bem de leve, porém treme:
tremem com ela a mesa e o teclado--
pronto: acendo um cigarro e logo o apago--
o movimento todo faz uma letra ême:
feito funis em ritmo sincopado
ou feito os seis remos de uma mesma trirreme--
de fato, não adianta comparar, já geme
o fim do quarteto em tom de prelado--
E agora, nos tercetos, quem serei?
Um fã dessas sereias que me encantam?
Ou só mais um naufrágio? Outra manhã?
Ao fim e à nota fá, não sei nem sei.
As outras notas todas já me cantam,
já chegam solfejando: Ivan, Ivan, Ivan...
{{{{{{{{{{{{{{{{{{{{{__{{}}}}}}}}}}
tremem com ela a mesa e o teclado--
pronto: acendo um cigarro e logo o apago--
o movimento todo faz uma letra ême:
feito funis em ritmo sincopado
ou feito os seis remos de uma mesma trirreme--
de fato, não adianta comparar, já geme
o fim do quarteto em tom de prelado--
E agora, nos tercetos, quem serei?
Um fã dessas sereias que me encantam?
Ou só mais um naufrágio? Outra manhã?
Ao fim e à nota fá, não sei nem sei.
As outras notas todas já me cantam,
já chegam solfejando: Ivan, Ivan, Ivan...
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segunda-feira, junho 11, 2012
sábado, junho 09, 2012
VIRAM MEU CORAÇÃO
Viram meu coração virar por água abaixo.
Ou viram apenas um rim, amigo escuso?
Na caixa dela exatamente não me encaixo:
Uso ou abuso? Abuso ou uso? Uso? Uso.
Viram meu coração saindo aos sete mares.
Seriam mais? Oito? Dezoito? Setecentos?
E quantas seriam as ilhas? E os lugares?
Havia de haver mais: e vieram rebentos.
Viram meu coração depois de três batalhas.
De seis, de nove, dezenove vezes mil:
façam as suas apostas, teçam as mortalhas,
o que ontem sempre foi já vai ao fundo rio.
____________________________________
Ou viram apenas um rim, amigo escuso?
Na caixa dela exatamente não me encaixo:
Uso ou abuso? Abuso ou uso? Uso? Uso.
Viram meu coração saindo aos sete mares.
Seriam mais? Oito? Dezoito? Setecentos?
E quantas seriam as ilhas? E os lugares?
Havia de haver mais: e vieram rebentos.
Viram meu coração depois de três batalhas.
De seis, de nove, dezenove vezes mil:
façam as suas apostas, teçam as mortalhas,
o que ontem sempre foi já vai ao fundo rio.
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domingo, junho 03, 2012
PARA CELEBRAR
Lutando com chuvas, combatendo tempestades,
ao menos um bom banho vou tomar---
decifrando infernos, comovendo Plutos e Hades,
tocando corações de lar em lar.
Batalhas e batalhas e batalhas:
gemendo a Grécia, geme Gibraltar---
cangalhas gralhas tralhas que atrapalhas:
diversas razões para celebrar.
____________________________________________________
ao menos um bom banho vou tomar---
decifrando infernos, comovendo Plutos e Hades,
tocando corações de lar em lar.
Batalhas e batalhas e batalhas:
gemendo a Grécia, geme Gibraltar---
cangalhas gralhas tralhas que atrapalhas:
diversas razões para celebrar.
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segunda-feira, maio 28, 2012
ESSE PERFUME...
Emiliano Perneta
Esse perfume – sândalo e verbenas –
De tua pele de maçã madura,
Sorvi-o quando, ó deusa das morenas!
Por mim roçaste a cabeleira escura.
Mas ó perfídia negra das hienas!
Sabes que o teu perfume é uma loucura:
– E o concedes; que é um tóxico: e envenenas
Com uma tão rara e singular doçura!
Quando o aspirei – as minhas mãos nas tuas –
Bateu-me o coração como se fora
Fundir-se, lírio das espáduas nuas!
Foi-me um gozo cruel, áspero e curto...
Ó requintada, ó sábia pecadora,
Mestra no amor das sensações de um furto!
* * *
Esse perfume – sândalo e verbenas –
De tua pele de maçã madura,
Sorvi-o quando, ó deusa das morenas!
Por mim roçaste a cabeleira escura.
Mas ó perfídia negra das hienas!
Sabes que o teu perfume é uma loucura:
– E o concedes; que é um tóxico: e envenenas
Com uma tão rara e singular doçura!
Quando o aspirei – as minhas mãos nas tuas –
Bateu-me o coração como se fora
Fundir-se, lírio das espáduas nuas!
Foi-me um gozo cruel, áspero e curto...
Ó requintada, ó sábia pecadora,
Mestra no amor das sensações de um furto!
* * *
segunda-feira, maio 21, 2012
NA RUA DOS CHORÕES
Na rua dos chorões
os lamentos brotam.
São tantas situações
que as fomes notam.
"Não consigo pensar
pois sinto tudo:
as pessoas no ar
e o absurdo mudo."
Devorada por vozes
ela sonha que pensa.
Eu como minhas nozes.
A matéria é densa.
Ivan Justen Santana
em parceria com Ana Paula
* * * * * * * * * * * * *
os lamentos brotam.
São tantas situações
que as fomes notam.
"Não consigo pensar
pois sinto tudo:
as pessoas no ar
e o absurdo mudo."
Devorada por vozes
ela sonha que pensa.
Eu como minhas nozes.
A matéria é densa.
Ivan Justen Santana
em parceria com Ana Paula
* * * * * * * * * * * * *
quinta-feira, maio 17, 2012
ELA ESTAVA ESTUPIDAMENTE
Ela estava estupidamente linda,
o cabelo penteado, liso, brilhoso--
eu estava estupidamente seboso,
como nunca estive ainda.
Ela estava estupidamente bela
as mãos cálidas, as faces pálidas,
os sorrisos dela eram crisálidas,
as frases, as de uma inseta amarela--
e eu, estupidamente, sem o pi da mente,
a considerei bem-vinda--
foi, é, e sempre será,
seja esta ou até se for como aquela.
_(_!_)_
o cabelo penteado, liso, brilhoso--
eu estava estupidamente seboso,
como nunca estive ainda.
Ela estava estupidamente bela
as mãos cálidas, as faces pálidas,
os sorrisos dela eram crisálidas,
as frases, as de uma inseta amarela--
e eu, estupidamente, sem o pi da mente,
a considerei bem-vinda--
foi, é, e sempre será,
seja esta ou até se for como aquela.
_(_!_)_
terça-feira, maio 15, 2012
Amanhã, no Palladium
Amanhã, na megaloja Curitiba do Palladium:
recital e noite de autógrafos do livro:
ESSÊNCIAS TRANSFIGURADAS
TRANSFIGURED ESSENCES
de Chloris Casagrande Justen
em tradução de Ivan Justen Santana
ilustrado com as gravuras de
Gianna Nadolny Roland
às 19h30
não percam (nem se não puderem).
:P
recital e noite de autógrafos do livro:
ESSÊNCIAS TRANSFIGURADAS
TRANSFIGURED ESSENCES
de Chloris Casagrande Justen
em tradução de Ivan Justen Santana
ilustrado com as gravuras de
Gianna Nadolny Roland
às 19h30
não percam (nem se não puderem).
:P
domingo, maio 13, 2012
EXISTE AMOR EM CURITIBA
Existe amor em Curitiba:
nos bares cheios de ilusões
e em necas de pitibiriba --
nas tão vazias estações
e nos contratos dessas tribos --
nos ônibus e nas mansões,
nesses lugares sem estribos.
Existe algo até além mais mesmo:
mais que as fatais Paramaribos.
Um restaurante sem torresmo,
uma avenida de uma pista,
e o esposo da lesma: sim: lesmo.
Mas não é ponto pra turista:
pois mesmo sem Sernamentiba
existe amor em Curitiba
e a quem nem sempre tem seu clima.
ijs
nos bares cheios de ilusões
e em necas de pitibiriba --
nas tão vazias estações
e nos contratos dessas tribos --
nos ônibus e nas mansões,
nesses lugares sem estribos.
Existe algo até além mais mesmo:
mais que as fatais Paramaribos.
Um restaurante sem torresmo,
uma avenida de uma pista,
e o esposo da lesma: sim: lesmo.
Mas não é ponto pra turista:
pois mesmo sem Sernamentiba
existe amor em Curitiba
e a quem nem sempre tem seu clima.
ijs
terça-feira, maio 08, 2012
CERIMÔNIA
Cerimônia
É por isso que eventos me enervam,
Acham todos uma história diferente
Perceba para quem as rodas giram,
Gire de novo e gire adiante dessa vez,
Tudo que ela pede é a força pra me abraçar,
Ainda assim a mesma velha história,
Os telefones vão tocar, rapidamente,
Chegue antes e se debruce adiante dessa vez.
Ah, eu os quebro, sem dó nem piedade,
Os céus sabem, tem que ser dessa vez,
Assistindo a ela, as coisas que ela disse,
As vezes em que ela chorou,
Frágil demais pra acordar agora
Ah, vou quebrá-los, impiedosamente,
Os Céus sabem, tem que ser agora,
As avenidas em fileiras de árvores,
Me fotografam e você começa a ver,
A assistir eternamente
O amor crescer, eternamente
Me fazendo saber, para sempre
Ian Curtis
versão brasileira curitibana:
Ivan Justen Santana
quinta-feira, maio 03, 2012
BEM MENOS MUITO MAIS
A chuva lava as ruas e as calçadas.
O amigo diz preferir toddy ao tédio.
Ouço canções de Lívia & os Piá de Prédio
e em versos deixo meus tudos e nadas.
Um dia os tudos vão ser mais além
das noites quando os nadas eram sós.
O que hoje falta para todos nós:
bem menos de mal, muito mais de bem.
________________________________
O amigo diz preferir toddy ao tédio.
Ouço canções de Lívia & os Piá de Prédio
e em versos deixo meus tudos e nadas.
Um dia os tudos vão ser mais além
das noites quando os nadas eram sós.
O que hoje falta para todos nós:
bem menos de mal, muito mais de bem.
________________________________
quinta-feira, abril 26, 2012
NEM UM (POEMADEAUTOAJUDA)
Nenhum erro
de qualquer outra
pessoa
pode provocar
qualquer sombra
de culpa ou tristeza em nós.
Nunca mais
é uma frase mais ou menos
e o papagaio diz: sempre menos
principalmente
quando estamos sós.
de qualquer outra
pessoa
pode provocar
qualquer sombra
de culpa ou tristeza em nós.
Nunca mais
é uma frase mais ou menos
e o papagaio diz: sempre menos
principalmente
quando estamos sós.
terça-feira, abril 24, 2012
FLÂMULAS CAMPÂNULAS
Mergulho em tuas almas amorosas.
Engoles os meus sangues rutilantes.
Ouço os teus gritos. Lês as minhas glosas.
Depois será pra sempre o que foi antes.
Regamos rosas. Dálias. Cravos brancos.
Crisântemos crescentes nas janelas.
Teus parapeitos dão pros meus barrancos.
Tuas sacadas dizem sim, singelas.
Já fui abismo noutras quedas, tantas.
Me ladrilhaste em flamas titilantes,
Nas flâmulas campânulas que implantas.
Depois será pra sempre o que foi antes.
(((((( _ _ _ _ _ _ ))))))
Engoles os meus sangues rutilantes.
Ouço os teus gritos. Lês as minhas glosas.
Depois será pra sempre o que foi antes.
Regamos rosas. Dálias. Cravos brancos.
Crisântemos crescentes nas janelas.
Teus parapeitos dão pros meus barrancos.
Tuas sacadas dizem sim, singelas.
Já fui abismo noutras quedas, tantas.
Me ladrilhaste em flamas titilantes,
Nas flâmulas campânulas que implantas.
Depois será pra sempre o que foi antes.
(((((( _ _ _ _ _ _ ))))))
domingo, abril 22, 2012
ONIROFAGIA
Sem paz, sem vez, sem triz, sem nós, compus
um sonho só pra escapar do incomum.
Num tom inescapável, sim, comum,
um show de chavões, pás, pés, pis, pós, pus.
Um sonho bom daqueles tempos nus,
quando chamavam bunda de bumbum
e todo desespero era nenhum,
e mesmo as sombras pareciam luz.
Contudo o sonho se tornou minúsculo,
restrito ao coração. E a realidade
veio apertando mais. Até que, em vão,
frenético, mas sem mexer um músculo,
numa ânsia de terror e de piedade,
sonhei que devorei meu coração.
______________________________________________
um sonho só pra escapar do incomum.
Num tom inescapável, sim, comum,
um show de chavões, pás, pés, pis, pós, pus.
Um sonho bom daqueles tempos nus,
quando chamavam bunda de bumbum
e todo desespero era nenhum,
e mesmo as sombras pareciam luz.
Contudo o sonho se tornou minúsculo,
restrito ao coração. E a realidade
veio apertando mais. Até que, em vão,
frenético, mas sem mexer um músculo,
numa ânsia de terror e de piedade,
sonhei que devorei meu coração.
______________________________________________
sexta-feira, abril 20, 2012
EM FEITIÇO
Você deixou aqui seu cinto de esqueleta,
Seu beijo quente encaixotado no meu queixo,
O olhar ardente feito olhar de gata preta,
Pupila arisca me arriscando mais que eu deixo...
Você enfaixou meu pé qual me enfaixasse inteiro,
Qual me amarrasse nas enxárcias de um veleiro
Pra velejar comigo ao lago do seu gozo:
Musgoso e perigoso e seu meu nosso gozo...
Você vem caixa de Pandora e me diz: abra!
Luz câmera tensão numa trama macabra
E eu falo candelabro à cara candelabra:
Fiduscapiscapiscassimteabracadabra!!!
(((((( _ _ _ _ _ _ ))))))
Seu beijo quente encaixotado no meu queixo,
O olhar ardente feito olhar de gata preta,
Pupila arisca me arriscando mais que eu deixo...
Você enfaixou meu pé qual me enfaixasse inteiro,
Qual me amarrasse nas enxárcias de um veleiro
Pra velejar comigo ao lago do seu gozo:
Musgoso e perigoso e seu meu nosso gozo...
Você vem caixa de Pandora e me diz: abra!
Luz câmera tensão numa trama macabra
E eu falo candelabro à cara candelabra:
Fiduscapiscapiscassimteabracadabra!!!
(((((( _ _ _ _ _ _ ))))))
quinta-feira, abril 19, 2012
UM ÊMBOLO DE SIMBOLISMO
Vento -- um vento te aflige --
Te castiga bem ou mal;
Olhos -- olhos de esfinge --
Numa brisa de metal;
Cinto de flor te cinge:
Um precipício afinal;
Terror te regozije --
Tua exigência é mental;
Range, ruge, atinge:
Cada qual teu catatau --
A vertigem da vertigem
Te viu, te veio e crau!
______________________________
Te castiga bem ou mal;
Olhos -- olhos de esfinge --
Numa brisa de metal;
Cinto de flor te cinge:
Um precipício afinal;
Terror te regozije --
Tua exigência é mental;
Range, ruge, atinge:
Cada qual teu catatau --
A vertigem da vertigem
Te viu, te veio e crau!
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terça-feira, abril 17, 2012
VERSOS DE SURTO: ME SAQUEIO MAS NUNCA ME FURTO
demonstro afeição: a feição de monstro
plante no pé: espalme na mão: molhe no molhe
console no solo: cole: decole: cair de maduro nunca é mole
grave todo grão: acrisole cada cristal: divida as meias
sem as ampulhetas ficam só os sóis: arados de areias
arranhe a champanhe: chape um sanduíche
para amplos os sexos: no fim que se lixe
todos os rabos de todas as tantas sereias
mudas: mudas: metamorfo-me-sei-a-as
chocolate não: dispara jatos de serotonina
alegria é só impressão: menos pior azarar a mina
cada neurônio com a sua terminação
fibras nervosas que carregam informação
eletricidade que ultrapassa todo o espaço
nossa intenção é a mesma do joão: sem braço
sinapses: ápices: bainhas de mielina
estrépitos: colapsos: rejeitos de dopamina
tudo num mundo de veludo azul: mas muito curto
solto santo surto: assim me saqueio mas nunca me furto
_____________________________________
plante no pé: espalme na mão: molhe no molhe
console no solo: cole: decole: cair de maduro nunca é mole
grave todo grão: acrisole cada cristal: divida as meias
sem as ampulhetas ficam só os sóis: arados de areias
arranhe a champanhe: chape um sanduíche
para amplos os sexos: no fim que se lixe
todos os rabos de todas as tantas sereias
mudas: mudas: metamorfo-me-sei-a-as
chocolate não: dispara jatos de serotonina
alegria é só impressão: menos pior azarar a mina
cada neurônio com a sua terminação
fibras nervosas que carregam informação
eletricidade que ultrapassa todo o espaço
nossa intenção é a mesma do joão: sem braço
sinapses: ápices: bainhas de mielina
estrépitos: colapsos: rejeitos de dopamina
tudo num mundo de veludo azul: mas muito curto
solto santo surto: assim me saqueio mas nunca me furto
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segunda-feira, abril 16, 2012
TODA MINHA
("All Mine" -- Portishead)
All the stars may shine bright
Todas as estrelas podem reluzir brilhantes
All the clouds may be white
Todas as nuvens podem ser brancas
But when you smile
Mas quando você sorri
Ohh how I feel so good
Ahh como eu me sinto tão bem
That I can hardly wait
Que eu mal posso esperar
To hold you
Pra te abraçar
Enfold you
Te envolver
Never enough
Nunca o bastante
Render your heart to me
Renda o teu coração para mim
All mine.......
Toda minha........
You have to be
Você tem que ser
From that cloud, number nine
Daquela nuvem, número nove
Danger starts the sharp incline
O perigo inicia a inclinação aguda
And such sad regrets
E tais tristes arrependimentos
Ohh as those starry skies
Ahh feito aqueles céus estrelados
As they swiftly fall
No que rapidamente caem
Make no mistake
Não tenha dúvida
You shan't escape
Você não escapará
Tethered and tied
Presa e amarrada
There's nowhere to hide from me
Não há como se esconder de mim
All mine....
Toda minha....
You have to be
Você tem que ser
Don't resist
Sem resistir
We shall exist
Vamos existir
Until the day I die
Até o dia em que eu morra
Until the day I die
Até o dia em que eu morra
All mine.......
Toda minha.......
You have to be
Você tem que ser
___________________________________
versão brasileira toda minha:
IJS
All the stars may shine bright
Todas as estrelas podem reluzir brilhantes
All the clouds may be white
Todas as nuvens podem ser brancas
But when you smile
Mas quando você sorri
Ohh how I feel so good
Ahh como eu me sinto tão bem
That I can hardly wait
Que eu mal posso esperar
To hold you
Pra te abraçar
Enfold you
Te envolver
Never enough
Nunca o bastante
Render your heart to me
Renda o teu coração para mim
All mine.......
Toda minha........
You have to be
Você tem que ser
From that cloud, number nine
Daquela nuvem, número nove
Danger starts the sharp incline
O perigo inicia a inclinação aguda
And such sad regrets
E tais tristes arrependimentos
Ohh as those starry skies
Ahh feito aqueles céus estrelados
As they swiftly fall
No que rapidamente caem
Make no mistake
Não tenha dúvida
You shan't escape
Você não escapará
Tethered and tied
Presa e amarrada
There's nowhere to hide from me
Não há como se esconder de mim
All mine....
Toda minha....
You have to be
Você tem que ser
Don't resist
Sem resistir
We shall exist
Vamos existir
Until the day I die
Até o dia em que eu morra
Until the day I die
Até o dia em que eu morra
All mine.......
Toda minha.......
You have to be
Você tem que ser
___________________________________
versão brasileira toda minha:
IJS
TUDO QUE AFRODITE
Tudo que Afrodite Dite.
Tudo que Ártemis Prometeu.
Tudo sim sem Medos de Medusa
que numa fusa cheia
nos confunda numa veia
direto do meu coração Proteu.
(((((( _ _ _ _ _ _ ))))))
Tudo que Ártemis Prometeu.
Tudo sim sem Medos de Medusa
que numa fusa cheia
nos confunda numa veia
direto do meu coração Proteu.
(((((( _ _ _ _ _ _ ))))))
quinta-feira, abril 12, 2012
NUMSEMPRINSTANTÂNEO
Os pés que se torcem.
As mãos que se dão.
Braçadas vão longas
Nos sins de condão.
Infantes falantes.
Perebas mancebas.
As asas às asas
Abriram Abril.
Sem mais hermetismo
Me abismo em teu cio
Até um verde scismo.
Se a pele transpira
Tira tira a tira:
Teu mar me cobriu.
(((((( _ _ _ _ _ _ ))))))
As mãos que se dão.
Braçadas vão longas
Nos sins de condão.
Infantes falantes.
Perebas mancebas.
As asas às asas
Abriram Abril.
Sem mais hermetismo
Me abismo em teu cio
Até um verde scismo.
Se a pele transpira
Tira tira a tira:
Teu mar me cobriu.
(((((( _ _ _ _ _ _ ))))))
segunda-feira, abril 09, 2012
QUARTO CHEIO DE ESPELHOS
Room Full Of Mirrors
I used to live in a room full of mirrors
Eu costumava viver num quarto cheio de espelhos
All I could see was me
Tudo que eu podia ver era a mim mesmo
Then I took my spirit and I smash my mirrors
Então peguei meu espírito e estilhacei meus espelhos
And now the whole world is here for me to see
E agora o mundo inteiro está aqui para eu ver
And now the whole world is here for me to see
E agora o mundo inteiro está aqui para eu ver
Now Im searching for my love to be
Agora estou em busca de meu amor para ser
A broken glass was solvin my brain
Um vidro quebrado dissolvia meu cérebro
Cuttin and screamin crowdin in my head
Cortando e gritando e me tumultuando na cabeça
A broken glass was loud in my brain
Um vidro quebrado fazia barulho no meu cérebro
It used to fall on my dreams and cut me in my bed
Ele costumava cair nos meus sonhos e me cortar na cama
It used to fall on my dreams and cut me in my bed
Ele costumava cair nos meus sonhos e me cortar na cama
I say making love was strange in my bed
Eu digo: fazer amor era estranho na minha cama
jmh
versão brasileira espelhada:
ijs
I used to live in a room full of mirrors
Eu costumava viver num quarto cheio de espelhos
All I could see was me
Tudo que eu podia ver era a mim mesmo
Then I took my spirit and I smash my mirrors
Então peguei meu espírito e estilhacei meus espelhos
And now the whole world is here for me to see
E agora o mundo inteiro está aqui para eu ver
And now the whole world is here for me to see
E agora o mundo inteiro está aqui para eu ver
Now Im searching for my love to be
Agora estou em busca de meu amor para ser
A broken glass was solvin my brain
Um vidro quebrado dissolvia meu cérebro
Cuttin and screamin crowdin in my head
Cortando e gritando e me tumultuando na cabeça
A broken glass was loud in my brain
Um vidro quebrado fazia barulho no meu cérebro
It used to fall on my dreams and cut me in my bed
Ele costumava cair nos meus sonhos e me cortar na cama
It used to fall on my dreams and cut me in my bed
Ele costumava cair nos meus sonhos e me cortar na cama
I say making love was strange in my bed
Eu digo: fazer amor era estranho na minha cama
jmh
versão brasileira espelhada:
ijs
4 PÊSSANKAS
qua
tropeços
cá
e ela
me esgoela
na pascoela
*
hoje
é segun-
da:
gunda gunda gunda
* *
Ovos de respeito:
peito peito peito
* * *
Nunca não se ofenda:
______, ______, ______-----
* * * *
tropeços
cá
e ela
me esgoela
na pascoela
*
hoje
é segun-
da:
gunda gunda gunda
* *
Ovos de respeito:
peito peito peito
* * *
Nunca não se ofenda:
______, ______, ______-----
* * * *
domingo, abril 08, 2012
PARA EFEITO DE COM TRASTE
Eu disse: pare -- e ela, siga--
eu fui jotaésse -- e ela, sigma --
Ela veio para minha vila --
assim como ovinha
como vinha
e como via
com o sol
ela ia
vinha e voltava --
e comia manga ----
comigo
............................
eu fui jotaésse -- e ela, sigma --
Ela veio para minha vila --
assim como ovinha
como vinha
e como via
com o sol
ela ia
vinha e voltava --
e comia manga ----
comigo
............................
quinta-feira, abril 05, 2012
VIDA APÓS MARTE?
[canção original: LIFE ON MARS]
É um velho e chato namorado
Pra garota com o velho topete ondulado
Mas mamãe botou ela de castigo por um mês
E papai disse pra ela se arrancar duma vez
Mas o chato resolveu lhe dar um cano
E agora ela anda por seu desengano
Pro lugar mais claro da plateia
Onde espera ser agarrada pela tela
Mas o filme é um tédio deprimente
Do tipo que ela vive repetitivamente
Ela podia cuspir nas estúpidas faces
Que lhe solicitam: vejam as imagens
Mais de mil marinheiros no salão
Olha só aonde aqueles trogloditas vão
Neste estúpido espetáculo tresloucado
Olhem bem pro homem da lei
Espancando o sujeito errado
Imagine se ele ao menos suspeitasse
Do comercial sensacional de que faz parte
Haverá vida após Marte?
Está na testa torturada da América
Que Clarabela era só uma vaca histérica
Agora voltaram à greve os operários
"Lennon morto fatura todo nosso salário"
Vejam milhões de hordas de ratos impertinentes
Varrendo de costa a costa os continentes
Governar o Reino Unido não vale a pena
Nem pra minha mãe nem pruma cadela chilena
Mas o filme é um tédio deprimente
Do tipo que passa comigo e roteirizo, inocente
Está prestes a passar às suas faces
No que solicito: vejam as imagens
Mais de mil marinheiros no salão
Olha só aonde aqueles trogloditas vão
Neste estúpido espetáculo tresloucado
Olhem bem pro homem da lei
Espancando o sujeito errado
Imagine se ele ao menos suspeitasse
Do comercial sensacional de que faz parte
Haverá vida após Marte?
David Bowie
versão brasileira e marciana:
Ivan Justen Santana
É um velho e chato namorado
Pra garota com o velho topete ondulado
Mas mamãe botou ela de castigo por um mês
E papai disse pra ela se arrancar duma vez
Mas o chato resolveu lhe dar um cano
E agora ela anda por seu desengano
Pro lugar mais claro da plateia
Onde espera ser agarrada pela tela
Mas o filme é um tédio deprimente
Do tipo que ela vive repetitivamente
Ela podia cuspir nas estúpidas faces
Que lhe solicitam: vejam as imagens
Mais de mil marinheiros no salão
Olha só aonde aqueles trogloditas vão
Neste estúpido espetáculo tresloucado
Olhem bem pro homem da lei
Espancando o sujeito errado
Imagine se ele ao menos suspeitasse
Do comercial sensacional de que faz parte
Haverá vida após Marte?
Está na testa torturada da América
Que Clarabela era só uma vaca histérica
Agora voltaram à greve os operários
"Lennon morto fatura todo nosso salário"
Vejam milhões de hordas de ratos impertinentes
Varrendo de costa a costa os continentes
Governar o Reino Unido não vale a pena
Nem pra minha mãe nem pruma cadela chilena
Mas o filme é um tédio deprimente
Do tipo que passa comigo e roteirizo, inocente
Está prestes a passar às suas faces
No que solicito: vejam as imagens
Mais de mil marinheiros no salão
Olha só aonde aqueles trogloditas vão
Neste estúpido espetáculo tresloucado
Olhem bem pro homem da lei
Espancando o sujeito errado
Imagine se ele ao menos suspeitasse
Do comercial sensacional de que faz parte
Haverá vida após Marte?
David Bowie
versão brasileira e marciana:
Ivan Justen Santana
quarta-feira, abril 04, 2012
AMORTE DOS AMANTES
Nossos leitos plenos, leves odores,
Divans abissais, fundos como criptas,
Sobre aparadores estranhas flores
Abrir-se-nos-ão, auras não descriptas.
Ardentes, rivais, últimos calores,
Nossos corações, duas vastas flamas,
Que refletirão suas duplas cores,
Nosso gêmeo espectro espelhando os dramas.
Uma noite azul cor de rosa mística,
Trocaremos cintilação magnífica,
Qual longo soluço do adeus final;
E mais tarde um Anjo, entreabrindo as portas,
Virá reanimar, feliz e fatal,
Os espelhos foscos e as chamas mortas.
texto original: La mort des amants-- Charles Baudelaire
reversão brasileira: O tradutor anônimo encabulado
* * * * * * * * * * *
AGIGANTA
Nos tempos em que a Verve natural com tanta
Potência concebia infantes cabulosos,
Quem dera que eu morasse junto a uma giganta,
Como aos pés de uma Dama um gato, dos dengosos.
Eu amava ver-lhe em corpo e alma florescendo,
Se avolumando livre em seus terríveis jogos;
Sacar o que o seu peito incuba, percebendo
Pelas neblinas do olhar úmido atros fogos;
Percorrer por lazer formas magnas, modernas;
Trepar sobre a vertente das imensas pernas;
E às vezes, no verão, quando os sóis insalubres,
Lassa, a prostram deitada ao longo da campanha,
Dormir com indolência à sombra dos seus úberes,
Como um pacato rancho ao pé de uma montanha.
texto original: La géante
Charles Baudelaire
perversão brasileira:
Anônimo Encarapuçado
**************************************
Divans abissais, fundos como criptas,
Sobre aparadores estranhas flores
Abrir-se-nos-ão, auras não descriptas.
Ardentes, rivais, últimos calores,
Nossos corações, duas vastas flamas,
Que refletirão suas duplas cores,
Nosso gêmeo espectro espelhando os dramas.
Uma noite azul cor de rosa mística,
Trocaremos cintilação magnífica,
Qual longo soluço do adeus final;
E mais tarde um Anjo, entreabrindo as portas,
Virá reanimar, feliz e fatal,
Os espelhos foscos e as chamas mortas.
texto original: La mort des amants-- Charles Baudelaire
reversão brasileira: O tradutor anônimo encabulado
* * * * * * * * * * *
AGIGANTA
Nos tempos em que a Verve natural com tanta
Potência concebia infantes cabulosos,
Quem dera que eu morasse junto a uma giganta,
Como aos pés de uma Dama um gato, dos dengosos.
Eu amava ver-lhe em corpo e alma florescendo,
Se avolumando livre em seus terríveis jogos;
Sacar o que o seu peito incuba, percebendo
Pelas neblinas do olhar úmido atros fogos;
Percorrer por lazer formas magnas, modernas;
Trepar sobre a vertente das imensas pernas;
E às vezes, no verão, quando os sóis insalubres,
Lassa, a prostram deitada ao longo da campanha,
Dormir com indolência à sombra dos seus úberes,
Como um pacato rancho ao pé de uma montanha.
texto original: La géante
Charles Baudelaire
perversão brasileira:
Anônimo Encarapuçado
**************************************
terça-feira, abril 03, 2012
UM POETA DESFOLHA A BANDEIRA
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
não tem mais eu
não tem mais eu
não tem mais eu
não tem mais eu
não tem mais eu
não tem mais
não tem
não
sim
_______________________________
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
eu só quero amar se a mulher me amar exatamente como a amo
não tem mais eu
não tem mais eu
não tem mais eu
não tem mais eu
não tem mais eu
não tem mais
não tem
não
sim
_______________________________
sexta-feira, março 30, 2012
O AMOR & A MORTE
O Amor e a Morte resolveram fazer sexo,
mas decidiram que seria sexo livre:
modalidade semi-inédita de sexo
na qual dá até pra usar vestido azul e chifre.
A Morte lhe indagou: "No plexo ou nu complexo?"
O Amor obtemperou: "Contanto que eu me livre..."
Então ela entoou O côncavo e o convexo
("Nossa! Amor, é demais!") e fez menção de um drible,
enquanto o Amor piscava ao seu (dela) reflexo
dentro do espelho onde ambos, sem roupas de grife,
destrinchavam-se em estripulias com nexo
inéditas até que alguém chegue e as decifre.
* * * * * * * * * * * *
mas decidiram que seria sexo livre:
modalidade semi-inédita de sexo
na qual dá até pra usar vestido azul e chifre.
A Morte lhe indagou: "No plexo ou nu complexo?"
O Amor obtemperou: "Contanto que eu me livre..."
Então ela entoou O côncavo e o convexo
("Nossa! Amor, é demais!") e fez menção de um drible,
enquanto o Amor piscava ao seu (dela) reflexo
dentro do espelho onde ambos, sem roupas de grife,
destrinchavam-se em estripulias com nexo
inéditas até que alguém chegue e as decifre.
* * * * * * * * * * * *
sábado, março 24, 2012
ERAM UMAS VEZES
Era uma vez um palhaço:
curtia um estardalhaço.
Foi muita vez um canalha:
gralha que espalha mais tralha.
Seria às vezes tristonho:
pisoteando o próprio sonho.
É vez por vez seu carrasco:
óbvio rasgo escarro de asco.
Será talvez não se sabe:
móbile dique de Ahabe.
Seja outra vez tu o que fores:
vinho daninho das flores.
_________________________________
curtia um estardalhaço.
Foi muita vez um canalha:
gralha que espalha mais tralha.
Seria às vezes tristonho:
pisoteando o próprio sonho.
É vez por vez seu carrasco:
óbvio rasgo escarro de asco.
Será talvez não se sabe:
móbile dique de Ahabe.
Seja outra vez tu o que fores:
vinho daninho das flores.
_________________________________
sexta-feira, março 23, 2012
PRA? QUÊ?
Pra? Quê? Mais? Um? Pô? Ema?
Pra? Quê? Por? Quê? Pra? Quem?
Um? Só? Nem? Som? Com? Sem?
Sei? Lá? Diz? Trai? A? Gema?
Não? Sobre? Nada? Tema?
É? Assim? Um? Nhenhenhém?
Rima? Fácil? Também?
Palavrão? Sem? Problema?
Põe? Paca? Com? Cacaca?
Sai? Peca? Na? Peteca?
Tira? Põe? Racha? Achaca?
Coragem? Brio? Babieca?
Por? Tu? Tu? Pi? Ni? Quim?
Num? Fim? Tem? Tom? Bom? Sim.
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Pra? Quê? Por? Quê? Pra? Quem?
Um? Só? Nem? Som? Com? Sem?
Sei? Lá? Diz? Trai? A? Gema?
Não? Sobre? Nada? Tema?
É? Assim? Um? Nhenhenhém?
Rima? Fácil? Também?
Palavrão? Sem? Problema?
Põe? Paca? Com? Cacaca?
Sai? Peca? Na? Peteca?
Tira? Põe? Racha? Achaca?
Coragem? Brio? Babieca?
Por? Tu? Tu? Pi? Ni? Quim?
Num? Fim? Tem? Tom? Bom? Sim.
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quinta-feira, março 22, 2012
EU, ALIÁS, NÓS
se de todos os meus dias
um só dia fosse tirado
e para sempre apagado
não seja o dia, por favor,
em que senti que seria
um mensageiro cantor
lembro do papel em branco
a mão tremendo vazia
e uma rima pronta: pranto
pelos olhos escorria
só por tirar da caneta
meu destino no planeta
foi nesse dia que nasci
andando sobre duas pernas
vi que eu não era um saci
nem o homem das cavernas
no espelho que estava à frente
havia um ser diferente
não era forte nem fraco
mas sensível parecia
dele a poesia se erguia
sem precisar de macaco
e hoje, justo hoje, é o dia
em que ele aniversaria
...
este poema foi escrito por Antonio Thadeu Wojciechowski, o qual mo enviou hoje, de presente (sim: é meu aniversário:) -- só posso postar o poema aqui, assinar embaixo, e agradecer, de poeta discípulo para poeta mestre: obrigado, polaco! Evoé!
Ivan Justen Santana
Acrescento aqui agora o poema que recebi do grande jornalista (e também poeta) Luiz Oliveira:
O verso é a vela e o bolo do poeta
O brigadeirinho que adoça a dieta
A bexiga que explode e assusta a criança
O pedaço de bolo dançando na pança
De festa, o poeta não cansa
Se o dia resume a vida e o instante
Se o futuro é meta ausente
Se o passado pesa distante
O verso é sempre presente
...
um só dia fosse tirado
e para sempre apagado
não seja o dia, por favor,
em que senti que seria
um mensageiro cantor
lembro do papel em branco
a mão tremendo vazia
e uma rima pronta: pranto
pelos olhos escorria
só por tirar da caneta
meu destino no planeta
foi nesse dia que nasci
andando sobre duas pernas
vi que eu não era um saci
nem o homem das cavernas
no espelho que estava à frente
havia um ser diferente
não era forte nem fraco
mas sensível parecia
dele a poesia se erguia
sem precisar de macaco
e hoje, justo hoje, é o dia
em que ele aniversaria
...
este poema foi escrito por Antonio Thadeu Wojciechowski, o qual mo enviou hoje, de presente (sim: é meu aniversário:) -- só posso postar o poema aqui, assinar embaixo, e agradecer, de poeta discípulo para poeta mestre: obrigado, polaco! Evoé!
Ivan Justen Santana
Acrescento aqui agora o poema que recebi do grande jornalista (e também poeta) Luiz Oliveira:
O verso é a vela e o bolo do poeta
O brigadeirinho que adoça a dieta
A bexiga que explode e assusta a criança
O pedaço de bolo dançando na pança
De festa, o poeta não cansa
Se o dia resume a vida e o instante
Se o futuro é meta ausente
Se o passado pesa distante
O verso é sempre presente
...
quarta-feira, março 21, 2012
PUDIM DE IMPUDICÍCIAS
(falsa tradução de um libertino francês do século meianove)
As carnes de um amor sangrento mas batuta
____no início são primícias;
são Carmens, nomes com sabor de boa conduta,
____são Paulos, Joãos, Patrícias.
Todos os charmes são jogados nesta luta,
____na busca por carícias;
a caça e o caçador -- gozo que a si se imputa
____aceitando as sevícias.
Por mais que nas teorias muito se discuta
____de pureza e malícias,
a língua serve mais às seduções, na gruta
____das melífluas blandícias.
Assim o humano vira um ser que se disputa,
____pudim de impudicícias,
querendo desfrutar sempre outra e melhor fruta
____no jardim das delícias.
As carnes de um amor sangrento mas batuta
____no início são primícias;
são Carmens, nomes com sabor de boa conduta,
____são Paulos, Joãos, Patrícias.
Todos os charmes são jogados nesta luta,
____na busca por carícias;
a caça e o caçador -- gozo que a si se imputa
____aceitando as sevícias.
Por mais que nas teorias muito se discuta
____de pureza e malícias,
a língua serve mais às seduções, na gruta
____das melífluas blandícias.
Assim o humano vira um ser que se disputa,
____pudim de impudicícias,
querendo desfrutar sempre outra e melhor fruta
____no jardim das delícias.
* * *
terça-feira, março 20, 2012
OS POETAS PÓS-CONTEMPORÂNEOS & AS POETISAS ORGIÁSTICAS
Possuíam seu destino os poetas pós-contemporâneos,
providos de um bom senso imenso, lenço e documento:
tiveram tristes fins mais que escabrosos, tão estranhos
que os descrever todos eu aqui nervoso não aguento.
Rememoro em mais detalhes apenas aquelas meninas serenas,
delicadas em seus talhes, sofrendo suas medidas drásticas:
poetisas orgiásticas, encomiásticas, sarcásticas, de antenas
fantásticas: mais belas do que todas as artes plásticas.
________________________________________________________
providos de um bom senso imenso, lenço e documento:
tiveram tristes fins mais que escabrosos, tão estranhos
que os descrever todos eu aqui nervoso não aguento.
Rememoro em mais detalhes apenas aquelas meninas serenas,
delicadas em seus talhes, sofrendo suas medidas drásticas:
poetisas orgiásticas, encomiásticas, sarcásticas, de antenas
fantásticas: mais belas do que todas as artes plásticas.
________________________________________________________
domingo, março 18, 2012
O AMOR VAI NOS DILACERAR
Quando a rotina morde forte
e as ambições estão em baixa
e o ressentimento vai a galope
mas as emoções não germinarão
e estamos mudando nossos modos
pegando diferentes estradas
então o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
Por que a cama está tão fria
tão afastada do seu lado?
Será meu senso de tempo falho?
Nosso respeito mútuo esgotado
ainda assim existe esse apelo
que mantivemos por nossas vidas
então o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
Você grita no seu sono
todas as minhas falhas expostas
fica um gosto na minha boca
o desespero toma conta
por que é que algo tão bom
já não mais funciona?
Então o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
(Love Will Tear Us Apart, Joy Division)
Ian Curtis
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
link pro videoclipe: clique aqui
___________________________________________
e as ambições estão em baixa
e o ressentimento vai a galope
mas as emoções não germinarão
e estamos mudando nossos modos
pegando diferentes estradas
então o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
Por que a cama está tão fria
tão afastada do seu lado?
Será meu senso de tempo falho?
Nosso respeito mútuo esgotado
ainda assim existe esse apelo
que mantivemos por nossas vidas
então o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
Você grita no seu sono
todas as minhas falhas expostas
fica um gosto na minha boca
o desespero toma conta
por que é que algo tão bom
já não mais funciona?
Então o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
o amor
o amor vai nos dilacerar
de novo
(Love Will Tear Us Apart, Joy Division)
Ian Curtis
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
link pro videoclipe: clique aqui
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sexta-feira, março 16, 2012
Minha orelha numa Piada Louca
(tente entender clicando aqui)
Pra quem ainda pensa que poesia
é coisa de mané desavisado —
quem até saca de entropia (e dentro pia)
mas nem assim desmarca a própria touca —
depois de lerem a piada louca
talvez percebam quem não pia errado,
pois pra mais que chimpanzés e bonobos
são os versos do Sérgio Viralobos.
Pra quem ainda pensa que poesia
é coisa de mané desavisado —
quem até saca de entropia (e dentro pia)
mas nem assim desmarca a própria touca —
depois de lerem a piada louca
talvez percebam quem não pia errado,
pois pra mais que chimpanzés e bonobos
são os versos do Sérgio Viralobos.
quinta-feira, março 15, 2012
A POESIA & O Π [π = PI]
O π topou com a poesia
num paralelo meridiano:
ele era belo, e ela, fria.
Num plano ingênuo, em pleno engano:
“Olá, meu π — és belo assim?”
disse a poesia, já esquentando.
Porém o π partiu sem quando,
pois nenhum deles viu seu fim.
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num paralelo meridiano:
ele era belo, e ela, fria.
Num plano ingênuo, em pleno engano:
“Olá, meu π — és belo assim?”
disse a poesia, já esquentando.
Porém o π partiu sem quando,
pois nenhum deles viu seu fim.
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PAN NUM TUM
_______I
E finalmente a chuva veio,
Lavando todo o teu torpor.
Veio no meio do teu seio,
Sabendo assim onde se por.
Lavando todo o teu torpor,
Avarandando feito esteio,
Sabendo assim onde se por,
Preenchendo um cio vazio tão cheio.
Avarandando feito esteio
Numa varanda, em vaga cor,
Preenchendo um cio vazio tão cheio,
Chovendo um vinho vingador.
Numa varanda, em vaga cor,
A chuva veio como veio,
Chovendo um vinho vingador,
Receio em meio do teu seio.
Sem finalmente a chuva veio.
_______II
Neste pantum tão tentador,
Tua vontade, mais que rima,
Vem de um desejo que este amor
Percorra em baixo e siga em cima.
Tua vontade mais que rima
Com teu amor amando o amor.
Percorra em baixo e siga em cima,
Diga o que faz ser tua a flor,
Com teu amor amando o amor,
Faz-se o poema arder no clima.
Diga o que faz ser tua a flor,
A flor que fende a dobra prima.
Faz-se o poema arder no clima
Do teu pantum tão tentador.
A flor que fende a dobra prima
Vem de um desejo, deste amor.
Deste pantum tão tentador.
_______III
Vem de um desejo deste amor.
Veio no meio do teu seio.
Neste pantum tão tentador.
E finalmente a chuva veio.
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E finalmente a chuva veio,
Lavando todo o teu torpor.
Veio no meio do teu seio,
Sabendo assim onde se por.
Lavando todo o teu torpor,
Avarandando feito esteio,
Sabendo assim onde se por,
Preenchendo um cio vazio tão cheio.
Avarandando feito esteio
Numa varanda, em vaga cor,
Preenchendo um cio vazio tão cheio,
Chovendo um vinho vingador.
Numa varanda, em vaga cor,
A chuva veio como veio,
Chovendo um vinho vingador,
Receio em meio do teu seio.
Sem finalmente a chuva veio.
_______II
Neste pantum tão tentador,
Tua vontade, mais que rima,
Vem de um desejo que este amor
Percorra em baixo e siga em cima.
Tua vontade mais que rima
Com teu amor amando o amor.
Percorra em baixo e siga em cima,
Diga o que faz ser tua a flor,
Com teu amor amando o amor,
Faz-se o poema arder no clima.
Diga o que faz ser tua a flor,
A flor que fende a dobra prima.
Faz-se o poema arder no clima
Do teu pantum tão tentador.
A flor que fende a dobra prima
Vem de um desejo, deste amor.
Deste pantum tão tentador.
_______III
Vem de um desejo deste amor.
Veio no meio do teu seio.
Neste pantum tão tentador.
E finalmente a chuva veio.
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terça-feira, março 13, 2012
CHARLES, CHARLES...
Charles, Charles, caro Charles:
com piedade hoje te entendo,
sem sezões de nojo horrendo,
sem mugido a avacalhar-lhes,
tuas flores — acochar-lhes,
nestes tempos que vêm sem do
teu estilo o dividendo,
brindes caros quero, Charles —
são o Abismo, a Morte, o Vinho;
racham pedras no caminho;
dão o Ideal a quem as lê.
Assim, assim, simplesinho,
brindo a ti, meu bom “Baudinho”,
traduzindo Mallarmé:
LE TOMBEAU DE CHARLES BAUDELAIRE
THE TOMB OF CHARLES BAUDELAIRE
O TÚMULO DE CHARLES BAUDELAIRE
Le temple enseveli divulgue par la bouche
The buried shrine shows at its sewer-mouth’s
O templo amortalhado mostra pela boca
Sépulcrale d’égout bavant boue et rubis
Sepulchral slobber of mud and rubies
Sepulcral do esgoto a babar lama e rubis
Abominablement quelque idole Anubis
Some abominable statue of Anubis,
Abominavelmente algum ídolo Anúbis
Tout le museau flambé comme un aboi farouche
The muzzle lit like a ferocious snout
A fuça toda em flama qual ganido atroz
Ou que le gaz récent torde la mèche louche
Or as when a dubious wick twists in the new gas,
Ou que ao recente gás se torce a dúbia rosca
Essuyeuse on le sait des opprobres subis
Wiping out, as we know, the insults suffered
Raspando ao que se sabe os sofridos opróbrios
Il allume hagard un immortel pubis
Haggardly lighting an immortal pubis,
Ele incendeia esgazeado um imortal púbis
Dont le vol selon le réverbère découche
Whose flight roosts according to the lamp
Cujo voo de acordo com o lampião decola
Quel feuillage séché dans les cités sans soir
What votive leaves, dried in cities without evening
Ao qual folhas secas nas cidades sem treva
Votif pourra bénir comme elle se rasseoir
Could bless, as she can, vainly sitting
Votivas abençoariam no que se assentam
Contre le marbre vainement de Baudelaire
Against the marble of Baudelaire
Contra o mármore vãmente de Baudelaire
Au voile qui la ceint absente avec frissons
Shudderingly absent from the veil that clothes her
Do véu que a circunda ausente com calafrios
Celle son Ombre même un poison tutélaire
She, his Shade, a protective poisonous air
Ela a própria Sombra um veneno tutelar
Toujours à respirer si nous en périssons
Always to be breathed, although we die of her.
Sempre a o inspirarmos apesar de mortífero
Stéphane Mallarmé
A. S. Kline
Ivan Justen Santana
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com piedade hoje te entendo,
sem sezões de nojo horrendo,
sem mugido a avacalhar-lhes,
tuas flores — acochar-lhes,
nestes tempos que vêm sem do
teu estilo o dividendo,
brindes caros quero, Charles —
são o Abismo, a Morte, o Vinho;
racham pedras no caminho;
dão o Ideal a quem as lê.
Assim, assim, simplesinho,
brindo a ti, meu bom “Baudinho”,
traduzindo Mallarmé:
LE TOMBEAU DE CHARLES BAUDELAIRE
THE TOMB OF CHARLES BAUDELAIRE
O TÚMULO DE CHARLES BAUDELAIRE
Le temple enseveli divulgue par la bouche
The buried shrine shows at its sewer-mouth’s
O templo amortalhado mostra pela boca
Sépulcrale d’égout bavant boue et rubis
Sepulchral slobber of mud and rubies
Sepulcral do esgoto a babar lama e rubis
Abominablement quelque idole Anubis
Some abominable statue of Anubis,
Abominavelmente algum ídolo Anúbis
Tout le museau flambé comme un aboi farouche
The muzzle lit like a ferocious snout
A fuça toda em flama qual ganido atroz
Ou que le gaz récent torde la mèche louche
Or as when a dubious wick twists in the new gas,
Ou que ao recente gás se torce a dúbia rosca
Essuyeuse on le sait des opprobres subis
Wiping out, as we know, the insults suffered
Raspando ao que se sabe os sofridos opróbrios
Il allume hagard un immortel pubis
Haggardly lighting an immortal pubis,
Ele incendeia esgazeado um imortal púbis
Dont le vol selon le réverbère découche
Whose flight roosts according to the lamp
Cujo voo de acordo com o lampião decola
Quel feuillage séché dans les cités sans soir
What votive leaves, dried in cities without evening
Ao qual folhas secas nas cidades sem treva
Votif pourra bénir comme elle se rasseoir
Could bless, as she can, vainly sitting
Votivas abençoariam no que se assentam
Contre le marbre vainement de Baudelaire
Against the marble of Baudelaire
Contra o mármore vãmente de Baudelaire
Au voile qui la ceint absente avec frissons
Shudderingly absent from the veil that clothes her
Do véu que a circunda ausente com calafrios
Celle son Ombre même un poison tutélaire
She, his Shade, a protective poisonous air
Ela a própria Sombra um veneno tutelar
Toujours à respirer si nous en périssons
Always to be breathed, although we die of her.
Sempre a o inspirarmos apesar de mortífero
Stéphane Mallarmé
A. S. Kline
Ivan Justen Santana
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segunda-feira, março 12, 2012
VOCÊ AGORA É UMA GAROTA CRESCIDA
(You're A Big Girl Now, de Bob Dylan)
Nossa conversa foi curta e doce
Quase fui ao chão, foi como se fosse
Volto pra chuva mais cedo
E você fica em terreno seco
Você conseguiu isso na vida
Você agora é uma garota crescida
Um pássaro no horizonte, sentado numa cerca
Ele canta pra mim, às suas próprias expensas
E eu sou feito aquele pássaro
Só pra você aqui cantando
Espero que esteja escutando
Eu cantando aqui meu pranto
O tempo é um jato, vai rápido demais
Mas é uma vergonha, se o que temos não durar
Eu posso mudar, eu juro
Veja o que vai fazer no futuro
Eu consigo superar
Você também conseguirá
O amor é tão simples, pra citar uma frase
Ainda estou aprendendo, o que você já sabe
Eu sei onde a achar
Dormindo noutro lugar
É o preço que eu pago
Você está crescida, de fato
Mudanças no clima podem ser extremas
Mas saltar do cavalo em face dos problemas?
Garota, estou saindo de giro
Agora só dói quando respiro
Feito um saca-rolha no meu peito
Desde que nosso lar foi desfeito
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
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Nossa conversa foi curta e doce
Quase fui ao chão, foi como se fosse
Volto pra chuva mais cedo
E você fica em terreno seco
Você conseguiu isso na vida
Você agora é uma garota crescida
Um pássaro no horizonte, sentado numa cerca
Ele canta pra mim, às suas próprias expensas
E eu sou feito aquele pássaro
Só pra você aqui cantando
Espero que esteja escutando
Eu cantando aqui meu pranto
O tempo é um jato, vai rápido demais
Mas é uma vergonha, se o que temos não durar
Eu posso mudar, eu juro
Veja o que vai fazer no futuro
Eu consigo superar
Você também conseguirá
O amor é tão simples, pra citar uma frase
Ainda estou aprendendo, o que você já sabe
Eu sei onde a achar
Dormindo noutro lugar
É o preço que eu pago
Você está crescida, de fato
Mudanças no clima podem ser extremas
Mas saltar do cavalo em face dos problemas?
Garota, estou saindo de giro
Agora só dói quando respiro
Feito um saca-rolha no meu peito
Desde que nosso lar foi desfeito
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
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A ALMA INVENCÍVEL
Na mais violenta e agra agrura;
no pesadelo mais pesado;
na óbvia e ululante tortura
da dor doída do adoidado;
na sociedade absurda e crua;
na estupidez vil, chã, banal;
no crasso espaço da hora nua;
no traço lasso em todo mal;
no fel do sal do sofrimento
que te atropela e não tem fim;
grita, alma poética: eu aguento!
Batam mais! Errem mais! Sim! Sim!
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no pesadelo mais pesado;
na óbvia e ululante tortura
da dor doída do adoidado;
na sociedade absurda e crua;
na estupidez vil, chã, banal;
no crasso espaço da hora nua;
no traço lasso em todo mal;
no fel do sal do sofrimento
que te atropela e não tem fim;
grita, alma poética: eu aguento!
Batam mais! Errem mais! Sim! Sim!
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sexta-feira, março 09, 2012
A LUA CHEIA
Sinto muito
Por ter alvejado
Belo pássaro raro
Você tinha
Vinte vezes com o olhar
Me fuzilado
Sinto muito
Sua arma colocada
Sobre a mesa do lavabo...
Mas que ideia!
Nunca se deve
Tentar atentar o diabo...
Nunca se deve rasgar seda
Nem mostrar dentes langues
Às noivas quando a lua cheia
Metamorfoseia os sangues...
Legítima defesa
Por que tanto ódio e insolência?
Legítima demência
Será presunção de inocência...
A morte lhe cai bem
Eu até vislumbraria
Com você um pouco de
Necrofagia...
Nunca se deve voar nas plumas
Nem contar os momentos
Das noivas em crise quando a lua
Acelera os batimentos...
Legítima defesa
Por que tanto ódio e insolência?
Legítima demência
Será presunção de inocência...
Sinto muito
Você estava tão mudado
Tão imoral
Sinto muito
Eu realmente não queria
Lhe fazer algum mal...
Eu falo e falo
Você surdo e mudo com esse olhar
Estranhamente pálido...
Você nunca vai mudar?
Françoise Hardy
Versão brasileira:
Ivan Justen Santana
Por ter alvejado
Belo pássaro raro
Você tinha
Vinte vezes com o olhar
Me fuzilado
Sinto muito
Sua arma colocada
Sobre a mesa do lavabo...
Mas que ideia!
Nunca se deve
Tentar atentar o diabo...
Nunca se deve rasgar seda
Nem mostrar dentes langues
Às noivas quando a lua cheia
Metamorfoseia os sangues...
Legítima defesa
Por que tanto ódio e insolência?
Legítima demência
Será presunção de inocência...
A morte lhe cai bem
Eu até vislumbraria
Com você um pouco de
Necrofagia...
Nunca se deve voar nas plumas
Nem contar os momentos
Das noivas em crise quando a lua
Acelera os batimentos...
Legítima defesa
Por que tanto ódio e insolência?
Legítima demência
Será presunção de inocência...
Sinto muito
Você estava tão mudado
Tão imoral
Sinto muito
Eu realmente não queria
Lhe fazer algum mal...
Eu falo e falo
Você surdo e mudo com esse olhar
Estranhamente pálido...
Você nunca vai mudar?
Françoise Hardy
Versão brasileira:
Ivan Justen Santana
quinta-feira, março 08, 2012
EU QUERO SER O TEU TEXUGO
eternamente a S.L.C.T.
Eu quero ser o teu texugo,teu monstro da lagoa negra:
antipasticamente al sugo,
constitucionalmente em regra.
Farei pra ti meu verso crebro,
mais caudaloso que o rio Ebro,
e rezar-te-ei qual persa guebro,
fiel à deusa que celebro.
Serei pra ti mais que canção:
exemplo a amantes que virão,
teu templo ao tempo far-te-ei eu.
O teu maior amor, mulher,
quero servir, ser, ver, sorver,
quero ser teu, teu, teu: só teu.
_______________________________________
quarta-feira, março 07, 2012
A BIBLIOTECA, A POESIA E O TREM
Todo mundo adora a biblioteca.
Todo mundo adora a poesia.
Contudo, notar isso não breca
o trem-bala da esquizofrenia.
Que trem é esse?, indaga uma mineira,
Sabe lá..., responde um paranaense,
enquanto o vagão de ambos, à beira
da catástrofe, inda em pé mantém-se.
______________________________________
(homenagem aos 155 anos, hoje, da Biblioteca Pública do Paraná -- por sinal, saiu hoje o número 8 do jornal Cândido [clique pra ler], publicado pela BPP -- matérias sobre a literatura em Curitiba, e na contracapa um poema adivinhem de quem?)
________________________________________
Todo mundo adora a poesia.
Contudo, notar isso não breca
o trem-bala da esquizofrenia.
Que trem é esse?, indaga uma mineira,
Sabe lá..., responde um paranaense,
enquanto o vagão de ambos, à beira
da catástrofe, inda em pé mantém-se.
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(homenagem aos 155 anos, hoje, da Biblioteca Pública do Paraná -- por sinal, saiu hoje o número 8 do jornal Cândido [clique pra ler], publicado pela BPP -- matérias sobre a literatura em Curitiba, e na contracapa um poema adivinhem de quem?)
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terça-feira, março 06, 2012
Um Madrigal de Petrarca
52
LII
CINQUENTA E DOIS
Non al suo amante piú Dïana piacque,
quando per tal ventura tutta ignuda
la vide in mezzo de le gelide acque,
Diana was not more pleasing to her lover,
when by chance he saw her all naked
in the midst of icy waters,
Não é mais bela Diana ao seu amante,
quando em total ventura toda nua
nas águas gélidas a vê por diante,
ch'a me la pastorella alpestra et cruda
posta a bagnar un leggiadretto velo,
ch'a l'aura il vago et biondo capel chiuda,
than, to me, the fresh mountain shepherdess,
set there to wash a graceful veil,
that ties her vagrant blonde hair from the breeze,
que a mim esta pastora alheia em sua
tarefa de lavar gracioso véu,
que a laura e vaga trança ata e insinua,
tal che mi fece, or quand'egli arde 'l cielo,
tutto tremar d'un amoroso gielo.
so that she makes me, now that the heavens burn,
tremble, wholly, with the chill of love.
e assim me faz, quando incendeia o céu,
gelar tremendo de amor fogaréu.
Francesco Petrarca
A. S. Kline
Ivan Justen Santana
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LII
CINQUENTA E DOIS
Non al suo amante piú Dïana piacque,
quando per tal ventura tutta ignuda
la vide in mezzo de le gelide acque,
Diana was not more pleasing to her lover,
when by chance he saw her all naked
in the midst of icy waters,
Não é mais bela Diana ao seu amante,
quando em total ventura toda nua
nas águas gélidas a vê por diante,
ch'a me la pastorella alpestra et cruda
posta a bagnar un leggiadretto velo,
ch'a l'aura il vago et biondo capel chiuda,
than, to me, the fresh mountain shepherdess,
set there to wash a graceful veil,
that ties her vagrant blonde hair from the breeze,
que a mim esta pastora alheia em sua
tarefa de lavar gracioso véu,
que a laura e vaga trança ata e insinua,
tal che mi fece, or quand'egli arde 'l cielo,
tutto tremar d'un amoroso gielo.
so that she makes me, now that the heavens burn,
tremble, wholly, with the chill of love.
e assim me faz, quando incendeia o céu,
gelar tremendo de amor fogaréu.
Francesco Petrarca
A. S. Kline
Ivan Justen Santana
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quinta-feira, março 01, 2012
TUDO & NADA
Tudo e Nada eram amigos bastante íntimos
que contavam um ao outro as aventuras
amorosas, as agruras e as loucuras.
Inventavam às palavras novos ritmos,
refaziam seus percursos, longos, ínfimos:
Tudo era dos cortes; Nada, das suturas;
Nada era das puras; Tudo, das misturas;
Tudo era dos máximos; Nada, dos mínimos.
Certo dia decidiram rir das dores.
Só que o resto, aos dois amigos controverso,
não queria nem ouvir tudos nem nadas,
e os ouvidos se taparam com horrores.
Mas nem todos os horrores do universo
conseguiram abafar as gargalhadas.
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que contavam um ao outro as aventuras
amorosas, as agruras e as loucuras.
Inventavam às palavras novos ritmos,
refaziam seus percursos, longos, ínfimos:
Tudo era dos cortes; Nada, das suturas;
Nada era das puras; Tudo, das misturas;
Tudo era dos máximos; Nada, dos mínimos.
Certo dia decidiram rir das dores.
Só que o resto, aos dois amigos controverso,
não queria nem ouvir tudos nem nadas,
e os ouvidos se taparam com horrores.
Mas nem todos os horrores do universo
conseguiram abafar as gargalhadas.
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terça-feira, fevereiro 28, 2012
UM CASO DE VIDA OU ARTE
Arte e Vida se veem dividindo a mesma toalha
no piquenique organizado pelo chefe, o Tempo,
o qual adora dar tais festinhas nas horas vagas
e sempre as convida pra fruir estes bons momentos.
Começa a Arte: “Dizem que sou longa e você breve.”
“Mas se não fosse por mim você sequer nascia!”,
retruca ríspida a Vida, e em seguida, mais leve:
“Como vai aquela sua filha linda, a Poesia?”
“Ah, aquela uma parece que vai superar a mãe!
Vive arquitetônica, imitando Pintura e Música.”
E a Vida segue bela e expectativa: “Não estranhe,
mas sempre vi a sua Poesia assim, quase medúsica...”
A Arte vem de novo com o papo de breve e longa
e a Vida, lívida e bandida, por dentro se torce,
até que, ávida e sacuda e já farta da delonga,
gesticula ao Tempo um S.O.S. em código Morse.
______________________________________________________
no piquenique organizado pelo chefe, o Tempo,
o qual adora dar tais festinhas nas horas vagas
e sempre as convida pra fruir estes bons momentos.
Começa a Arte: “Dizem que sou longa e você breve.”
“Mas se não fosse por mim você sequer nascia!”,
retruca ríspida a Vida, e em seguida, mais leve:
“Como vai aquela sua filha linda, a Poesia?”
“Ah, aquela uma parece que vai superar a mãe!
Vive arquitetônica, imitando Pintura e Música.”
E a Vida segue bela e expectativa: “Não estranhe,
mas sempre vi a sua Poesia assim, quase medúsica...”
A Arte vem de novo com o papo de breve e longa
e a Vida, lívida e bandida, por dentro se torce,
até que, ávida e sacuda e já farta da delonga,
gesticula ao Tempo um S.O.S. em código Morse.
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sábado, fevereiro 25, 2012
DOIS JOGOS
O amor é um peixe com asas:
as asas do amor são as rosas,
e as rosas são ganhas ou perdidas.
O xadrez é luta em casas:
em casas, em lances, em prosas,
as prosas às vezes divididas.
Mas são mais que só dois jogos:
são brasas, são brasões, são fogos
combinando mortes, sortes, vidas.
Peças. Entradas. Estradas. Saídas.
* * *
as asas do amor são as rosas,
e as rosas são ganhas ou perdidas.
O xadrez é luta em casas:
em casas, em lances, em prosas,
as prosas às vezes divididas.
Mas são mais que só dois jogos:
são brasas, são brasões, são fogos
combinando mortes, sortes, vidas.
Peças. Entradas. Estradas. Saídas.
* * *
sábado, fevereiro 18, 2012
A MINHA GATA PRIMATA
Tive uma vez um gato cinza:
era um filhote muito esperto.
Tive também gatas ranzinzas:
choravam longe, riam perto.
Mas nunca tive gata alguma
como você, gata primata:
sonho seus lábios numa espuma,
beijo seu beijo de acrobata.
Seres humanos são estranhos
alguns praticam sodomia,
degustam ralos, raspas, ranhos--
enquanto a mim você só mia,
só me na pele acaricia,
some não some, amor de gata,
morde de leve, alonga e guia,
gata primata que me mata...
__________________________________
era um filhote muito esperto.
Tive também gatas ranzinzas:
choravam longe, riam perto.
Mas nunca tive gata alguma
como você, gata primata:
sonho seus lábios numa espuma,
beijo seu beijo de acrobata.
Seres humanos são estranhos
alguns praticam sodomia,
degustam ralos, raspas, ranhos--
enquanto a mim você só mia,
só me na pele acaricia,
some não some, amor de gata,
morde de leve, alonga e guia,
gata primata que me mata...
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quinta-feira, fevereiro 16, 2012
JORGE IVAN LUIS JUSTEN BORGES SANTANA
ao Rodolfo Jaruga
[veja antes a explicação entre colchetes ao final da postagem, ou tente solucionar este problema-poema sem usar qualquer colher de chá]
I
II
Num ringue muito grave, jogadores
Frágil Rei, vesgo Bispo, encarniçada
Regem as lentas peças: tabuleiro
Dama, reta Torre, Peão espertinho
E dois detentos, sério picadeiro
Sobre o preto e branco de seu caminho
Onde se odeiam--dançam duas cores.
Buscam e travam a batalha armada.
Dentro brilham os mágicos rigores
Não sabem que uma mão assinalada
Das formas: Torre homérica, ligeiro
De um jogador governa seu destino,
Cavalo, Dama armada, Rei matreiro,
Não sabem que um rigor adamantino
Oblíquo Bispo e Peões violentadores.
Sujeita seus desejos na jornada.
Quando o par de adversários for partido,
O jogador também é um prisioneiro
Quando já o tempo os tenha consumido,
(Frase de Omar) mas noutro tabuleiro
Por certo não terá cessado o rito.
De negras noites e de brancos dias.
No Oriente pegou fogo esta guerra
Deus move o jogador, que move a peça.
Cujo anfiteatro é hoje toda a Terra,
Que Deus por trás de Deus o ardor começa
Como o outro, este jogo é infinito.
De poeira e tempo e sonhos e agonias?
[intercalados aqui acima estão os dois sonetos de Jorge Luis Borges sobre o jogo de xadrez, ambos em versão brasileira de Ivan Justen Santana]
* * *
terça-feira, fevereiro 14, 2012
DENTRO WITHIN DE YOU VOCÊ WHITOUT SEM YOU VOCÊ
WITHIN YOU WITHOUT YOU
DENTRO DE VOCÊ SEM VOCÊ
We were talking—about the space between us all
Estávamos falando—do espaço entre nós todos
And the people—who hide themselves behind a wall of illusion
E das pessoas—que se escondem atrás duma parede de ilusão
Never glimpse the truth—then it's far too late
Nunca vislumbram a verdade—então é mais que tarde demais
—when they pass away.
—quando elas falecem.
We were talking—about the love we all could share
Estávamos falando—do amor que todos podíamos compartilhar
—when we find it
—quando o descobrirmos
To try our best to hold it there—with our love
Pra tentar nosso melhor pra o manter lá—com nosso amor
With our love—we could save the world
Com nosso amor—poderíamos salvar o mundo
—if they only knew.
—se ao menos eles soubessem.
Try to realise it's all within yourself
Tente perceber que tudo está dentro de você mesmo
no-one else can make you change,
ninguém mais pode fazer você mudar,
And to see you're really only very small,
E ver que você é realmente apenas muito pequeno,
and life flows on within you and without you.
e a vida segue fluindo dentro de você e sem você.
We were talking—about the love that's gone so cold
Estávamos falando—do amor que ficou tão frio
And the people
E das pessoas
Who gain the world and lose their soul—
Que ganham o mundo e perdem a alma delas—
they don't know—they can't see—are you one of them?
elas não sabem—elas não conseguem ver—você é uma delas?
When you've seen beyond yourself—
Quando você tiver visto além de si mesmo—
then you may find peace of mind is waiting there—
então você talvez descubra que a paz da mente lhe espera lá—
And the time will come when you see
E o tempo chegará quando você vir que
we're all one and life flows on within you and without you.
todos somos um e a vida segue fluindo dentro de você e sem você.
George Harrison
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
DENTRO DE VOCÊ SEM VOCÊ
We were talking—about the space between us all
Estávamos falando—do espaço entre nós todos
And the people—who hide themselves behind a wall of illusion
E das pessoas—que se escondem atrás duma parede de ilusão
Never glimpse the truth—then it's far too late
Nunca vislumbram a verdade—então é mais que tarde demais
—when they pass away.
—quando elas falecem.
We were talking—about the love we all could share
Estávamos falando—do amor que todos podíamos compartilhar
—when we find it
—quando o descobrirmos
To try our best to hold it there—with our love
Pra tentar nosso melhor pra o manter lá—com nosso amor
With our love—we could save the world
Com nosso amor—poderíamos salvar o mundo
—if they only knew.
—se ao menos eles soubessem.
Try to realise it's all within yourself
Tente perceber que tudo está dentro de você mesmo
no-one else can make you change,
ninguém mais pode fazer você mudar,
And to see you're really only very small,
E ver que você é realmente apenas muito pequeno,
and life flows on within you and without you.
e a vida segue fluindo dentro de você e sem você.
We were talking—about the love that's gone so cold
Estávamos falando—do amor que ficou tão frio
And the people
E das pessoas
Who gain the world and lose their soul—
Que ganham o mundo e perdem a alma delas—
they don't know—they can't see—are you one of them?
elas não sabem—elas não conseguem ver—você é uma delas?
When you've seen beyond yourself—
Quando você tiver visto além de si mesmo—
then you may find peace of mind is waiting there—
então você talvez descubra que a paz da mente lhe espera lá—
And the time will come when you see
E o tempo chegará quando você vir que
we're all one and life flows on within you and without you.
todos somos um e a vida segue fluindo dentro de você e sem você.
George Harrison
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
VOCÊ VEM ME... VÊ COMO TU... ME DÁ ME DÊ MEDI ME DOU
Em estado de Happy Valentine,
for my beloved querida y amada S.L.C.T
Você vem me montando em peças e aos pedaços--
Me peça o que quiser, pedaço do meu céu--
Você montando em mim, pés, pernas, risos, braços,
Mãos, dedos, seios, cóccix, cócegas, babel
De frases soltas-- junto a nossa língua os traços
De ostras já fósseis, dóceis, gráceis-- mais o mel
Que lambo e lembro ao limbo em lombo e me deslumbro
Num ressumbro umbrófilo dum falar osco-umbro--
Vê como tu me impões que te ponha em meu sonho--
Numa língua desnuda, articulada em sons
Que nem me conto, tonto estonteio, bisonho,
Esculturando pouco a pouco os loucos tons
Daquelas tardes sem sorver fado enfadonho,
Só sorvendo o que é teu, meu, nossas multidões
De dons de bons ronrrons e ardores e os amores
Que tu colores, flor mais flor de todas flores--
Sim: fiz assim pra nós um multilíngue show:
Desmontável, montable, un travel to Moscou--
Eu say: ficou incompreensível mas foi gol:
Como você me dá me dê medi me dou...
________________________________________________
for my beloved querida y amada S.L.C.T
Você vem me montando em peças e aos pedaços--
Me peça o que quiser, pedaço do meu céu--
Você montando em mim, pés, pernas, risos, braços,
Mãos, dedos, seios, cóccix, cócegas, babel
De frases soltas-- junto a nossa língua os traços
De ostras já fósseis, dóceis, gráceis-- mais o mel
Que lambo e lembro ao limbo em lombo e me deslumbro
Num ressumbro umbrófilo dum falar osco-umbro--
Vê como tu me impões que te ponha em meu sonho--
Numa língua desnuda, articulada em sons
Que nem me conto, tonto estonteio, bisonho,
Esculturando pouco a pouco os loucos tons
Daquelas tardes sem sorver fado enfadonho,
Só sorvendo o que é teu, meu, nossas multidões
De dons de bons ronrrons e ardores e os amores
Que tu colores, flor mais flor de todas flores--
Sim: fiz assim pra nós um multilíngue show:
Desmontável, montable, un travel to Moscou--
Eu say: ficou incompreensível mas foi gol:
Como você me dá me dê medi me dou...
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segunda-feira, fevereiro 13, 2012
PRA QUE É QUE SERVE O AMOR?
A QUOI ÇA SERT L'AMOUR
PRA QUE É QUE SERVE O AMOR
A quoi ça sert l'amour?
On raconte toujours
Des histoires insensées.
A quoi ça sert d'aimer?
Pra que é que serve o amor?
Pergunta sempre em flor
Nos contos mais surreais
Pra que é que serve amar?
L'amour ne s'explique pas!
C'est une chose comme ça,
Qui vient on ne sait d'où
Et vous prend tout à coup
O amor é irracional!
É coisa assim que tal
Vinda de onde nem sei
Pega você de vez
Moi, j'ai entendu dire
Que l'amour fait souffrir,
Que l'amour fait pleurer.
A quoi ça sert d'aimer?
Até já ouvi dizer
Que o amor só faz sofrer
Que o amor só faz chorar
Pra que é que serve amar?
L'amour ça sert à quoi?
A nous donner d' la joie
Avec des larmes aux yeux...
C'est triste et merveilleux!
O amor serve pra quê?
Pra nos dar mais prazer
Mais choro em nossos olhos
Tristes, maravilhosos
Pourtant on dit souvent
Que l'amour est décevant,
Qu'il y en a un sur deux
Qui n'est jamais heureux...
Mas sempre vem à tona
Que o amor decepciona
Que em dois um geralmente
Acaba descontente
Même quand on l'a perdu,
L'amour qu'on a connu
Vous laisse un goùt de miel.
L'amour c'est éternel!
Mesmo quando perdemos
O amor que conhecemos
Fica um sabor tão terno
O amor é mesmo eterno!
Tout ça, c'est très joli,
Mais quand tout est fini,
Il ne vous reste rien
Qu'un immense chagrin...
Tudo isso é bem bonito
Mas não sobra um palito
Quando um amor acaba
Só resta imensa mágoa...
Tout ce qui maintenant
Te semble déchirant,
Demain, sera pour toi
Un souvenir de joie!
Tudo que neste instante
Nos é dilacerante
Depois será saudoso
Um suvenir de gozo!
En somme, si j'ai compris,
Sans amour dans la vie,
Sans ses joies, ses chagrins,
On a vécu pour rien?
Em suma, se entendi
Sem o amor por aqui
Sem mais dor nem prazer
Viver não tem porquê
Mais oui! Regarde-moi!
A chaque fois j'y crois
Et j'y croirai toujours...
Ça sert à ça, l'amour!
Assim! Olhe pra mim!
Sim, acredito enfim
Sempre com todo o ardor
Pra isso que serve o amor!
Mais toi, t'es le dernier,
Mais toi, t'es le premier!
Avant toi, 'y avait rien,
Avec toi je suis bien!
Você será pra sempre
Você que é diferente!
Antes de ti ninguém
Contigo eu fico bem!
C'est toi que je voulais,
C'est toi qu'il me fallait!
Toi qui j'aimerai toujours...
Ça sert à ça, l'amour!
Você que eu mais queria
Luz que faltava ao dia!
Eu te amo com ardor
Pra isso que serve o amor!...
Letra e música: Michel Emer
Versão brasileira:
Ivan Justen Santana
Cliquem aqui e assistam a essa animação imperdível,
ao som da canção interpretada
por Edith Piaf & Théo Sarapo:
PRA QUE É QUE SERVE O AMOR
A quoi ça sert l'amour?
On raconte toujours
Des histoires insensées.
A quoi ça sert d'aimer?
Pra que é que serve o amor?
Pergunta sempre em flor
Nos contos mais surreais
Pra que é que serve amar?
L'amour ne s'explique pas!
C'est une chose comme ça,
Qui vient on ne sait d'où
Et vous prend tout à coup
O amor é irracional!
É coisa assim que tal
Vinda de onde nem sei
Pega você de vez
Moi, j'ai entendu dire
Que l'amour fait souffrir,
Que l'amour fait pleurer.
A quoi ça sert d'aimer?
Até já ouvi dizer
Que o amor só faz sofrer
Que o amor só faz chorar
Pra que é que serve amar?
L'amour ça sert à quoi?
A nous donner d' la joie
Avec des larmes aux yeux...
C'est triste et merveilleux!
O amor serve pra quê?
Pra nos dar mais prazer
Mais choro em nossos olhos
Tristes, maravilhosos
Pourtant on dit souvent
Que l'amour est décevant,
Qu'il y en a un sur deux
Qui n'est jamais heureux...
Mas sempre vem à tona
Que o amor decepciona
Que em dois um geralmente
Acaba descontente
Même quand on l'a perdu,
L'amour qu'on a connu
Vous laisse un goùt de miel.
L'amour c'est éternel!
Mesmo quando perdemos
O amor que conhecemos
Fica um sabor tão terno
O amor é mesmo eterno!
Tout ça, c'est très joli,
Mais quand tout est fini,
Il ne vous reste rien
Qu'un immense chagrin...
Tudo isso é bem bonito
Mas não sobra um palito
Quando um amor acaba
Só resta imensa mágoa...
Tout ce qui maintenant
Te semble déchirant,
Demain, sera pour toi
Un souvenir de joie!
Tudo que neste instante
Nos é dilacerante
Depois será saudoso
Um suvenir de gozo!
En somme, si j'ai compris,
Sans amour dans la vie,
Sans ses joies, ses chagrins,
On a vécu pour rien?
Em suma, se entendi
Sem o amor por aqui
Sem mais dor nem prazer
Viver não tem porquê
Mais oui! Regarde-moi!
A chaque fois j'y crois
Et j'y croirai toujours...
Ça sert à ça, l'amour!
Assim! Olhe pra mim!
Sim, acredito enfim
Sempre com todo o ardor
Pra isso que serve o amor!
Mais toi, t'es le dernier,
Mais toi, t'es le premier!
Avant toi, 'y avait rien,
Avec toi je suis bien!
Você será pra sempre
Você que é diferente!
Antes de ti ninguém
Contigo eu fico bem!
C'est toi que je voulais,
C'est toi qu'il me fallait!
Toi qui j'aimerai toujours...
Ça sert à ça, l'amour!
Você que eu mais queria
Luz que faltava ao dia!
Eu te amo com ardor
Pra isso que serve o amor!...
Letra e música: Michel Emer
Versão brasileira:
Ivan Justen Santana
Cliquem aqui e assistam a essa animação imperdível,
ao som da canção interpretada
por Edith Piaf & Théo Sarapo:
sexta-feira, fevereiro 10, 2012
L'AMITIÉ [A AMIZADE]
Beaucoup de mes amis sont venus des nuages
Avec soleil et pluie comme simples bagages
Ils ont fait la saison des amitiés sincères
La plus belle saison des quatre de la terre
Muitas das minhas amizades vêm dos ares
Junto com o sol e a chuva e os sutis luares
Fazendo da sinceridade uma estação tão prima
Mais bela que as quatro estações de todo o clima
Ils ont cette douceur des plus beaux paysages
Et la fidélité des oiseaux de passage
Dans leurs cœurs est gravée une infinie tendresse
Mais parfois dans leurs yeux se glisse la tristesse
Possuem a doçura das belas paisagens
Mais a fidelidade de aves em viagem
Nos corações gravada uma eterna ternura
E às vezes por seus olhos passa uma amargura
Alors, ils viennent se chauffer chez moi
Et toi aussi tu viendras
Então
Elas vêm
Se aquecer
Em meu lar
E assim
Tu também
Chegarás
Tu pourras repartir au fin fond des nuages
Et de nouveau sourire à bien d'autres visages
Donner autour de toi un peu de ta tendresse
Lorsqu'un autre voudra te cacher sa tristesse
Tu poderás partir de novo rumo a outros ares
E sorrir novamente aos sóis, às chuvas e aos luares
Compartilhar ao teu redor tua ternura
Enquanto alguém te esconderá sua amargura
Comme l'on ne sait pas ce que la vie nous donne
Il se peut qu'à mon tour je ne sois plus personne
S'il me reste un ami qui vraiment me comprenne
J'oublierai à la fois mes larmes et mes peines
Conforme não se sabe o que essa vida traz
Talvez me veja um dia só como jamais
Mas se então me restar uma amizade fiel
Esquecerei as lágrimas, a dor e o fel
Alors, peut-être je viendrai chez toi
Chauffer mon cœur à ton bois
Então
Eu talvez
Chegarei
Em teu lar
E o meu
Coração
Tu aquecerás
Letra de Jean-Max Rivière
Música de Gérard Bourgeois
Versão brasileira:
Ivan Justen Santana
quarta-feira, fevereiro 08, 2012
NOSSO AMOR FAZ O AMOR AMAR FAZER AMOR
com S.L.C.T., de novo e de novo
Não é pelo exagero o que eu aqui exagero
pois zero vezes infinito é igual a zero.
Na matemática o primeiro é o número um
mas sei: sozinho eu valho menos do que um pum.
Somado a ti valemos mais que qualquer soma.
Até a potenciação encolhe, empaca e embroma.
Nosso amor faz o amor amar fazer amor.
Amor feliz se em nós é cada vez maior.
Talvez alguém nos ache assim: estão se achando.
Talvez ninguém em nosso voo enxergue o chão do.
Nosso calor inflama a chama quando afago-a.
Nosso licor a encharca e até dá banho n'água.
____________________________________________
Não é pelo exagero o que eu aqui exagero
pois zero vezes infinito é igual a zero.
Na matemática o primeiro é o número um
mas sei: sozinho eu valho menos do que um pum.
Somado a ti valemos mais que qualquer soma.
Até a potenciação encolhe, empaca e embroma.
Nosso amor faz o amor amar fazer amor.
Amor feliz se em nós é cada vez maior.
Talvez alguém nos ache assim: estão se achando.
Talvez ninguém em nosso voo enxergue o chão do.
Nosso calor inflama a chama quando afago-a.
Nosso licor a encharca e até dá banho n'água.
____________________________________________
A ARTE DA RECUSA
[em parceria com
Fernando de Oliveira Sikorski
Mario Henrique Domingues
Octavio Camargo
numa mesa do Café Parangolé]
a poesia é a arte da recusa
não ser descarte de quem o acusa
não virar pedra em frente à medusa
ser estandarte pra plebe obtusa
paredro que medra na fusa confusa
parte pelo todo
troiano negro
grego ostrogodo
lua em marte sua em vênus
nua ao menos
língua lusa seios plenos
braços pernas descruza
usa abusa hipotenusa
lambe alisa chupa alaga aleita e goza a
musa
_____________________________________________
Fernando de Oliveira Sikorski
Mario Henrique Domingues
Octavio Camargo
numa mesa do Café Parangolé]
a poesia é a arte da recusa
não ser descarte de quem o acusa
não virar pedra em frente à medusa
ser estandarte pra plebe obtusa
paredro que medra na fusa confusa
parte pelo todo
troiano negro
grego ostrogodo
lua em marte sua em vênus
nua ao menos
língua lusa seios plenos
braços pernas descruza
usa abusa hipotenusa
lambe alisa chupa alaga aleita e goza a
musa
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terça-feira, fevereiro 07, 2012
UM ANO, UM MÊS, UMA SEMANA E UM DIA
declaro nestes quatro versos um pouco escassos
a idade com que o Ian ergueu-se e andou de alegria:
filho de poeta completa seus primeiros passos
ao fazer um ano, um mês, uma semana e um dia:
clique aqui pra ver esse momento histórico
a idade com que o Ian ergueu-se e andou de alegria:
filho de poeta completa seus primeiros passos
ao fazer um ano, um mês, uma semana e um dia:
clique aqui pra ver esse momento histórico
segunda-feira, fevereiro 06, 2012
CONTRA DESALMADOS E IMBECIS, O ANTÍDOTO: GARIBALDIS & SACIS
Quem tem medo de alegria e carnaval?
Quem detesta diversão e encampa o mal?
Tinha uma cidade: já vai tarde e rosna.
Tinha elite amarga feito chá de losna.
Tem ainda gente que cultiva o ódio:
corações de cloreto arrotando sódio.
A brutalidade policial nem sonha,
mas ouçam, parvos do comando sem mando:
logo verga e cai sua pose na vergonha,
e a nossa alegria só está começando...
Pré-Carnaval de 2010, em Curitiba
Quem detesta diversão e encampa o mal?
Tinha uma cidade: já vai tarde e rosna.
Tinha elite amarga feito chá de losna.
Tem ainda gente que cultiva o ódio:
corações de cloreto arrotando sódio.
A brutalidade policial nem sonha,
mas ouçam, parvos do comando sem mando:
logo verga e cai sua pose na vergonha,
e a nossa alegria só está começando...
Pré-Carnaval de 2010, em Curitiba
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
NÃOS NENS ...
Caos e cosmos o ensinaram a versar tão bem
que agora você vai inventar tridecassílabos,
e vai alternar as rimas do jeito que vêm,
em acentos ímpares, em tons de monossílabos.
Você vai chutar os baldes só depois de enchê-los,
tendo em vista os poucos a lhe dar atenção,
vai tirar escalpos sem arrancar os cabelos,
vai pedir licença poética e saber que são:
são da sua turma ricos, pobres, mais ou menos.
Não adiantam raivas, uivos, ais, gritos a Deus.
São do seu terreno grilos grandes e pequenos,
erros, quedas, mortes, sortes, cortes: todos seus.
Toda sua é esta humanidade apatetada.
Todos seus estes contrastes, trastes, som e luz.
Neste instante já notou que fez um quase nada?
Que esses versos se revelam nãos, nens, nis, nós, nus?
_____________________________________________________
que agora você vai inventar tridecassílabos,
e vai alternar as rimas do jeito que vêm,
em acentos ímpares, em tons de monossílabos.
Você vai chutar os baldes só depois de enchê-los,
tendo em vista os poucos a lhe dar atenção,
vai tirar escalpos sem arrancar os cabelos,
vai pedir licença poética e saber que são:
são da sua turma ricos, pobres, mais ou menos.
Não adiantam raivas, uivos, ais, gritos a Deus.
São do seu terreno grilos grandes e pequenos,
erros, quedas, mortes, sortes, cortes: todos seus.
Toda sua é esta humanidade apatetada.
Todos seus estes contrastes, trastes, som e luz.
Neste instante já notou que fez um quase nada?
Que esses versos se revelam nãos, nens, nis, nós, nus?
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quinta-feira, fevereiro 02, 2012
Hoje é aniversário...
Hoje é aniversário,
aniversário de Joyce,
James Joyce: um gênio,
que fornece oxigênio,
oxigênio ao cérebro,
que é feito a marmota,
marmota que é esperta,
e o clima ela acerta,
o clima é sagrado,
nem sempre é do agrado,
do agrado dos chatos,
irmãos dos carrapatos,
que Joyce não encheu,
quem encheu fui eu.
* * *
aniversário de Joyce,
James Joyce: um gênio,
que fornece oxigênio,
oxigênio ao cérebro,
que é feito a marmota,
marmota que é esperta,
e o clima ela acerta,
o clima é sagrado,
nem sempre é do agrado,
do agrado dos chatos,
irmãos dos carrapatos,
que Joyce não encheu,
quem encheu fui eu.
* * *
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
O QUE MAIS QUERO O QUE MAIS FAÇO O QUE MAIS TEU
a S.L.C.T., novamente e sempre
Mais uma vez o mundo inteiro se enganou.
Mais uma vez quem ler sequer pode sacar.
Não vão notar nem pois nem mas nem só nem ou.
Talvez só peçam pra sair tomar um ar.
Não vão nem comentar. Não querem compreender.
Perder seu tempo é o mais que sabem como, qual,
por que, quem, onde, quando, em quê. Dar dor se der.
Sem ceder. Sem ousar dizer se é bom, se é mau.
Só nós, é sim, só nós notamos a ironia
de tentar resolver na base da porrada.
Só nosso maior gozo em falas na poesia
expressa mais como é querer bem tudo ou nada.
E assim eu te amo como teu bem mais queria,
minha primeira, grande e verdadeira amada.
___________________________________________________
Mais uma vez o mundo inteiro se enganou.
Mais uma vez quem ler sequer pode sacar.
Não vão notar nem pois nem mas nem só nem ou.
Talvez só peçam pra sair tomar um ar.
Não vão nem comentar. Não querem compreender.
Perder seu tempo é o mais que sabem como, qual,
por que, quem, onde, quando, em quê. Dar dor se der.
Sem ceder. Sem ousar dizer se é bom, se é mau.
Só nós, é sim, só nós notamos a ironia
de tentar resolver na base da porrada.
Só nosso maior gozo em falas na poesia
expressa mais como é querer bem tudo ou nada.
E assim eu te amo como teu bem mais queria,
minha primeira, grande e verdadeira amada.
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segunda-feira, janeiro 30, 2012
NO INÍCIO DO CAMINHO
No início do caminho tinha:
uma gata de olhos verdes,
um tabuleiro e peças de xadrez,
uma taça de vinho tinto de Falerno,
uma edição autografada do Inferno,
um disco de vinil dos Saltimbancos
e um CD do Wandula --
súbito a gata de olhos verdes pergunta:
"Por que é que sempre dizem o Wandula,
e não a Wandula?" --
prontamente as peças de xadrez
começam a cantar e a dançar
uma complexa coreografia sobre o tabuleiro,
enquanto as palavras da edição do Inferno
entram em combustão espontânea
provocando silenciosas explosões policromáticas
na taça de vinho,
quando então os quatro Saltimbancos
saem de dentro do encarte do disco
e atabalhoadamente apagam as chamas das palavras,
após o quê a gata dos Saltimbancos
diz à gata de olhos verdes:
"Miéé: eu também sempre achei isso muito estranho,
porque Wandula é o diminutivo em polonês de Wanda...
Mas talvez fosse ainda mais estranho
se em vez disso dissessem a Wandula..."
Nisso todos se entreolham
com as pupilas ardendo em mistério:
ouve-se um grito vindo da esquina do cemitério
e...
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uma gata de olhos verdes,
um tabuleiro e peças de xadrez,
uma taça de vinho tinto de Falerno,
uma edição autografada do Inferno,
um disco de vinil dos Saltimbancos
e um CD do Wandula --
súbito a gata de olhos verdes pergunta:
"Por que é que sempre dizem o Wandula,
e não a Wandula?" --
prontamente as peças de xadrez
começam a cantar e a dançar
uma complexa coreografia sobre o tabuleiro,
enquanto as palavras da edição do Inferno
entram em combustão espontânea
provocando silenciosas explosões policromáticas
na taça de vinho,
quando então os quatro Saltimbancos
saem de dentro do encarte do disco
e atabalhoadamente apagam as chamas das palavras,
após o quê a gata dos Saltimbancos
diz à gata de olhos verdes:
"Miéé: eu também sempre achei isso muito estranho,
porque Wandula é o diminutivo em polonês de Wanda...
Mas talvez fosse ainda mais estranho
se em vez disso dissessem a Wandula..."
Nisso todos se entreolham
com as pupilas ardendo em mistério:
ouve-se um grito vindo da esquina do cemitério
e...
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sexta-feira, janeiro 27, 2012
CARTA DE OBSTINADOS EXERCÍCIOS LITERÁRIOS, PLÁSTICOS, PAISAGÍSTICOS E MUSICAIS, PARA TENTAR CONVENCER A MULHER AMADA A VIR MORAR COM O AUTOR
Foi numa fria, alegre e triste madrugada,
daquelas que um Camões casmurro cantaria.
Foi numa quente, triste e alegre pós-noitada,
das que um Cervantes antes rindo choraria.
Foi quando, farto já de prosa e de poesia,
eu quis versar nós dois em artes de outra alçada,
pois, em contraste, a falta que você fazia
virou imagem, cor, flor, nota assim tocada:
você posava aqui comigo o tempo todo
sendo pra mim tela e jardim que pinto e podo
e deixo livre, abstrata, clássica, como é.
Eu pra você sou todo um naipe de metais:
trompa, trompete, clarinete, flauta. E mais:
sax alto...sax tenor...flautim...fagote...oboé...
_____________________________________________________
daquelas que um Camões casmurro cantaria.
Foi numa quente, triste e alegre pós-noitada,
das que um Cervantes antes rindo choraria.
Foi quando, farto já de prosa e de poesia,
eu quis versar nós dois em artes de outra alçada,
pois, em contraste, a falta que você fazia
virou imagem, cor, flor, nota assim tocada:
você posava aqui comigo o tempo todo
sendo pra mim tela e jardim que pinto e podo
e deixo livre, abstrata, clássica, como é.
Eu pra você sou todo um naipe de metais:
trompa, trompete, clarinete, flauta. E mais:
sax alto...sax tenor...flautim...fagote...oboé...
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quinta-feira, janeiro 26, 2012
Mais um sonho de Edgar Allan Poe, em duas versões
UM SONHO
Nas visões da noite escura
Eu sonhei do amor partido--
Mas um sonho de luz pura
Deixou meu peito perdido.
Não é o sonho complicado
A quem cujo olhar se molda
Nas coisas à sua volta
E em raio voltado ao passado?
Aquele sonho sagrado,
Enquanto o mundo zombava,
Me alegrou qual adorável
Alma-guia solitária.
Que importam luz, tempestade,
Noite trêmula à distância--
Haveria mais radiância
Que o dia-estrela da Verdade?
Edgar Allan Poe
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
* * *
UM SONHO
Andando às cegas pelas ruas, eu vi
Visões do amor, tateando às escuras,
Mas um sonho de luz, sem amarguras,
Desviou meu coração e eu me perdi.
Que sonho eu não teria se em meus olhos,
Em vez de escuridão e passado,
Visse meu ser pulsando feito um raio
Ressuscitando meus próprios miolos?
Aquele sonho, como por encanto,
Alegrou-me e deixou-me vigilante,
Enquanto zombava toda a humanidade.
Que importa o relâmpago ofuscar tanto?
O que poderia ser mais brilhante
Se em plena luz luzia a Verdade?
Edgar Allan Poe
versão brasileira:
Antonio Thadeu Wojciechowski
Ivan Justen Santana
para confrontar com o texto original, clique aqui
Nas visões da noite escura
Eu sonhei do amor partido--
Mas um sonho de luz pura
Deixou meu peito perdido.
Não é o sonho complicado
A quem cujo olhar se molda
Nas coisas à sua volta
E em raio voltado ao passado?
Aquele sonho sagrado,
Enquanto o mundo zombava,
Me alegrou qual adorável
Alma-guia solitária.
Que importam luz, tempestade,
Noite trêmula à distância--
Haveria mais radiância
Que o dia-estrela da Verdade?
Edgar Allan Poe
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
* * *
UM SONHO
Andando às cegas pelas ruas, eu vi
Visões do amor, tateando às escuras,
Mas um sonho de luz, sem amarguras,
Desviou meu coração e eu me perdi.
Que sonho eu não teria se em meus olhos,
Em vez de escuridão e passado,
Visse meu ser pulsando feito um raio
Ressuscitando meus próprios miolos?
Aquele sonho, como por encanto,
Alegrou-me e deixou-me vigilante,
Enquanto zombava toda a humanidade.
Que importa o relâmpago ofuscar tanto?
O que poderia ser mais brilhante
Se em plena luz luzia a Verdade?
Edgar Allan Poe
versão brasileira:
Antonio Thadeu Wojciechowski
Ivan Justen Santana
para confrontar com o texto original, clique aqui
quarta-feira, janeiro 25, 2012
SONHOS DENTRO DE SONHOS
Toma este beijo na testa!
Em despedida me resta
Te compor esta seresta:
Pois bem certa me dizias
Serem sonhos os meus dias;
Porém se a esperança foi-se
Num só dia ou numa noite,
Numa só visão, ou não,
Aumenta assim a ilusão?
Se só vemos ou supomos
Sonhos dentro de outros sonhos.
Fico aqui em meio aos rugidos
De oceanos enfurecidos,
Só retenho em minhas mãos
Das areias de ouro os grãos--
Poucos são, porém escorrem
Dos meus dedos sem socorro
Com meu choro-- com meu choro!
Ó Deus! Não posso detê-los
Apertando mais os dedos?
Ó Deus! Não posso salvar
Só um grão das ondas do mar?
Ou só vemos, só supomos,
Sonhos dentro de outros sonhos?
Texto original:
A Dream Within A Dream
Edgar Allan Poe
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
________________________________
Em despedida me resta
Te compor esta seresta:
Pois bem certa me dizias
Serem sonhos os meus dias;
Porém se a esperança foi-se
Num só dia ou numa noite,
Numa só visão, ou não,
Aumenta assim a ilusão?
Se só vemos ou supomos
Sonhos dentro de outros sonhos.
Fico aqui em meio aos rugidos
De oceanos enfurecidos,
Só retenho em minhas mãos
Das areias de ouro os grãos--
Poucos são, porém escorrem
Dos meus dedos sem socorro
Com meu choro-- com meu choro!
Ó Deus! Não posso detê-los
Apertando mais os dedos?
Ó Deus! Não posso salvar
Só um grão das ondas do mar?
Ou só vemos, só supomos,
Sonhos dentro de outros sonhos?
Texto original:
A Dream Within A Dream
Edgar Allan Poe
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
________________________________
domingo, janeiro 22, 2012
UMA FÁBULA ALADA
Depois de uma noite saltando sozinho
topou o Grilinho sutil Borboleta
que linda lhe disse: “Pequeno Grilinho,
notei tua angústia, tão branca e tão preta...”
“Então, Borboleta, que devo eu fazer?
Não tenho mais gostos, não vejo mais graças...”
“Sossega, Grilinho, pois grande prazer
teremos nós juntos: te mostro o que faças...”
E assim ambos juntos voltaram ao sonho
que os dois despertaram na mente de um poeta,
o qual com saudades da Musa, tristonho,
criou esse amor: Grilinho & Borboleta...
* * *
topou o Grilinho sutil Borboleta
que linda lhe disse: “Pequeno Grilinho,
notei tua angústia, tão branca e tão preta...”
“Então, Borboleta, que devo eu fazer?
Não tenho mais gostos, não vejo mais graças...”
“Sossega, Grilinho, pois grande prazer
teremos nós juntos: te mostro o que faças...”
E assim ambos juntos voltaram ao sonho
que os dois despertaram na mente de um poeta,
o qual com saudades da Musa, tristonho,
criou esse amor: Grilinho & Borboleta...
* * *
DOMINGO DE SOL, NUM JARDIM (ou: UM CASO DE FUNGOS E RESMUNGOS)
Depois de beber aquele chá de flores astrais,
o cogumelo decidiu não desabrochar mais.
Já a minhoca, após meditar com seus anéis,
assim discursou às cinzas de seu caro caracol:
“Eu já ouvi que o verme passeia na lua cheia!
Nossos colegas só queriam seu lugar ao sol...”
Enquanto isso, as lesmas, lerdas porém espertas,
descartam uma excursão com as lagartas
e permanecem debaixo das cobertas
das mesmas merdas.
* * *
o cogumelo decidiu não desabrochar mais.
Já a minhoca, após meditar com seus anéis,
assim discursou às cinzas de seu caro caracol:
“Eu já ouvi que o verme passeia na lua cheia!
Nossos colegas só queriam seu lugar ao sol...”
Enquanto isso, as lesmas, lerdas porém espertas,
descartam uma excursão com as lagartas
e permanecem debaixo das cobertas
das mesmas merdas.
* * *
sábado, janeiro 21, 2012
COMUM DE DOIS EM DOIS QUARTETOS: UM TERCEIRO POEMA
Novamente a S.L.C.T.
Um grilinho bateu as asas neste quarto.
Faltavam vinte para a meia-noite em ponto.
O céu, um coração que não sofreu infarto.
A lua, oculta ao olho tonto pronto monto.
Eu quis sofrer mas não assim sem ver você.
Ouvi feliz você dizer que me relê.
Você percebe a quantas vai nosso prazer.
Você comigo. Eu com você. Nós dois. Um ser.
____________________________________________
Um grilinho bateu as asas neste quarto.
Faltavam vinte para a meia-noite em ponto.
O céu, um coração que não sofreu infarto.
A lua, oculta ao olho tonto pronto monto.
Eu quis sofrer mas não assim sem ver você.
Ouvi feliz você dizer que me relê.
Você percebe a quantas vai nosso prazer.
Você comigo. Eu com você. Nós dois. Um ser.
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sexta-feira, janeiro 20, 2012
O CASAL IMAGINÁRIO: SÃO DE VERDADE
para S.L.C.T. (nosso opus dois)
Ele era um palhaço que não apavorava.
Ela havia sido astronauta plástica.
Ele tinha um lindo vulcão sem lava.
Ela tolerava até medida drástica.
Nos tempos de ontem em dia eles
amanheciam com as bocas cheias
dos gostos das próprias peles
dos rostos das mãos das meias.
Um romance datado mas sem fim.
Um épico tântrico: basta um minuto.
Uma horta trepando em seu jardim.
É só recordar e eu já me desemputo.
A felicidade dura uma eternidade.
Vontade e verdade: meu rubi & teu jade.
* * *
Ele era um palhaço que não apavorava.
Ela havia sido astronauta plástica.
Ele tinha um lindo vulcão sem lava.
Ela tolerava até medida drástica.
Nos tempos de ontem em dia eles
amanheciam com as bocas cheias
dos gostos das próprias peles
dos rostos das mãos das meias.
Um romance datado mas sem fim.
Um épico tântrico: basta um minuto.
Uma horta trepando em seu jardim.
É só recordar e eu já me desemputo.
A felicidade dura uma eternidade.
Vontade e verdade: meu rubi & teu jade.
* * *
quinta-feira, janeiro 19, 2012
ASSIMETRIA ASSIM
assimetria assim
tria em si
sim
ria
ser me ti
missa trai miss
assim assimetria
trem sitia
rim
ter
ias sem mim
ser saci mia a si
assimetria
assim
tri
sim
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tria em si
sim
ria
ser me ti
missa trai miss
assim assimetria
trem sitia
rim
ter
ias sem mim
ser saci mia a si
assimetria
assim
tri
sim
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quarta-feira, janeiro 18, 2012
A UNIÃO LIVRE
Minha mulher com a cabeleira de fogo de madeira
Com pensamentos de relâmpagos de calor
Com o talhe de ampulheta
Minha mulher com o talhe de lontra entre os dentes do tigre
Minha mulher com a boca de roseta e de buquê de estrelas de última grandeza
Com dentes de rastro de camundongo branco sobre a terra branca
Com a língua de âmbar e de vidro lixados
Minha mulher com a língua de hóstia apunhalada
Com a língua de boneca que abre e fecha os olhos
Com a língua de pedra incrível
Minha mulher com cílios de lápis de escrita de criança
Com sobrancelhas de borda de ninho de andorinha
Minha mulher com têmporas de ardósia de teto de estufa
E com vapor nas vidraças
Minha mulher com ombros de champanhe
E de fonte com cabeças de golfinhos sob o gelo
Minha mulher com punhos de fósforos
Minha mulher com dedos de acaso e de ás de copas
Com dedos de feno ceifado
Minha mulher com axilas de marta e de faia
Da noite de São João
De ligustro de ninho de acarás
Com braços de espuma de mar e de eclusa
E de mistura de trigo e de moinho
Minha mulher com pernas de foguete
Com movimentos de relojoaria e de desespero
Minha mulher com panturrilhas de fibra de sabugueiro
Minha mulher com pés de iniciais
Com pés de chaveiros com pés de pardais que bebem
Minha mulher com pescoço de cevada perolada
Minha mulher com a garganta de Vale d’ouro
De encontros no próprio leito da torrente
Com seios de noite
Com seios de toupeira marinha
Minha mulher com seios de cadinho de rubi
Com seios de espectro de rosa sobre o orvalho
Minha mulher com ventre de desdobra de leque dos dias
Com ventre de garra gigante
Minha mulher com dorso de ave que foge vertical
Com dorso de mercúrio
Com dorso de luz
Com a nuca de pedra rolada e de giz molhado
E de queda de um copo do qual se acaba de beber
Minha mulher com ancas de barquilha
Com ancas de candelabro e de penas de flechas
E de hastes de pluma de pavão branco
De balanço insensível
Minha mulher com nalgas de arenito e de amianto
Minha mulher com nalgas de dorso de cisne
Minha mulher com nalgas de primavera
Com sexo de gladíolo
Minha mulher com sexo de mina aurífera e de ornitorrinco
Minha mulher com sexo d’algas e de bombons antigos
Minha mulher com sexo de espelho
Minha mulher com olhos cheios de lágrimas
Com olhos de panóplia violeta e de agulha imantada
Minha mulher com olhos de savana
Minha mulher com olhos d’água para beber na prisão
Minha mulher com olhos de madeira sempre sob o machado
Com olhos de nível d’água de nível do ar da terra e de fogo
André Breton
Tradução:
Monica Berger
Ivan Justen Santana
Suzel
Barbara Skolimowska
Raquel Frotta
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Com pensamentos de relâmpagos de calor
Com o talhe de ampulheta
Minha mulher com o talhe de lontra entre os dentes do tigre
Minha mulher com a boca de roseta e de buquê de estrelas de última grandeza
Com dentes de rastro de camundongo branco sobre a terra branca
Com a língua de âmbar e de vidro lixados
Minha mulher com a língua de hóstia apunhalada
Com a língua de boneca que abre e fecha os olhos
Com a língua de pedra incrível
Minha mulher com cílios de lápis de escrita de criança
Com sobrancelhas de borda de ninho de andorinha
Minha mulher com têmporas de ardósia de teto de estufa
E com vapor nas vidraças
Minha mulher com ombros de champanhe
E de fonte com cabeças de golfinhos sob o gelo
Minha mulher com punhos de fósforos
Minha mulher com dedos de acaso e de ás de copas
Com dedos de feno ceifado
Minha mulher com axilas de marta e de faia
Da noite de São João
De ligustro de ninho de acarás
Com braços de espuma de mar e de eclusa
E de mistura de trigo e de moinho
Minha mulher com pernas de foguete
Com movimentos de relojoaria e de desespero
Minha mulher com panturrilhas de fibra de sabugueiro
Minha mulher com pés de iniciais
Com pés de chaveiros com pés de pardais que bebem
Minha mulher com pescoço de cevada perolada
Minha mulher com a garganta de Vale d’ouro
De encontros no próprio leito da torrente
Com seios de noite
Com seios de toupeira marinha
Minha mulher com seios de cadinho de rubi
Com seios de espectro de rosa sobre o orvalho
Minha mulher com ventre de desdobra de leque dos dias
Com ventre de garra gigante
Minha mulher com dorso de ave que foge vertical
Com dorso de mercúrio
Com dorso de luz
Com a nuca de pedra rolada e de giz molhado
E de queda de um copo do qual se acaba de beber
Minha mulher com ancas de barquilha
Com ancas de candelabro e de penas de flechas
E de hastes de pluma de pavão branco
De balanço insensível
Minha mulher com nalgas de arenito e de amianto
Minha mulher com nalgas de dorso de cisne
Minha mulher com nalgas de primavera
Com sexo de gladíolo
Minha mulher com sexo de mina aurífera e de ornitorrinco
Minha mulher com sexo d’algas e de bombons antigos
Minha mulher com sexo de espelho
Minha mulher com olhos cheios de lágrimas
Com olhos de panóplia violeta e de agulha imantada
Minha mulher com olhos de savana
Minha mulher com olhos d’água para beber na prisão
Minha mulher com olhos de madeira sempre sob o machado
Com olhos de nível d’água de nível do ar da terra e de fogo
André Breton
Tradução:
Monica Berger
Ivan Justen Santana
Suzel
Barbara Skolimowska
Raquel Frotta
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terça-feira, janeiro 17, 2012
ÓBVIOS HAICAIS PARANAENSES
araucária
não dá
bonsai
pois aqui
quem é bom
também fica
quem sabe
esse estado
fica não fica
nos significa
* * *
(créditos a Bárbara Kirchner, do blogue Curitiba é um copo vazio cheio de frio, pelo texto do primeiro haicai acima)
* * *
não dá
bonsai
pois aqui
quem é bom
também fica
quem sabe
esse estado
fica não fica
nos significa
* * *
(créditos a Bárbara Kirchner, do blogue Curitiba é um copo vazio cheio de frio, pelo texto do primeiro haicai acima)
* * *
domingo, janeiro 15, 2012
DELÍRIOS SEXOPORÍFEROS
para (e com) S.L.C.T.
vontade de fazer tudo de novo:
chamar você rumo a melhor prazer;
bem zen qual tao no dharma alma a benzer;
o como topo o pomo o sorvo provo:
no corpo corvo o domo forço colombo ovo:
enchente embevecer em breve ser;
demente se embeber sem se perder;
voltar à tara quando em gozo chovo:
na sua nua lua atua a pluma:
aquela luz a qual das duas uma:
em dança em transe em tantra a ensandecer;
a gente sua junta massa e povo:
vontade de fazer tudo de novo:
ir com você de novo a mais prazer;...
...
vontade de fazer tudo de novo:
chamar você rumo a melhor prazer;
bem zen qual tao no dharma alma a benzer;
o como topo o pomo o sorvo provo:
no corpo corvo o domo forço colombo ovo:
enchente embevecer em breve ser;
demente se embeber sem se perder;
voltar à tara quando em gozo chovo:
na sua nua lua atua a pluma:
aquela luz a qual das duas uma:
em dança em transe em tantra a ensandecer;
a gente sua junta massa e povo:
vontade de fazer tudo de novo:
ir com você de novo a mais prazer;...
...
quarta-feira, janeiro 11, 2012
OS TEMPOS SIM TÃO MUDANDO
Cheguem pessoas
De todas as tribos
E admitam que as águas
Em volta subiram
E aceitem que logo
Estarão encharcadas
Se o seu tempo vale algum plano
Então comecem a nadar ou afundem na barca
Pois os tempos sim tão mudando
Cheguem os críticos
Profetas que escrevem
Abram bem os seus olhos
Chances não se repetem
Não falem tão cedo
Pois a roda a girar
Inda não apontou quem nem quando
E o vencido de agora amanhã vencerá
Pois os tempos sim tão mudando
Cheguem políticos
Atendam a chamada
Não parem na porta
Não obstruam a entrada
Pois quem sai ferido
É aquele que para
Tem uma guerra lá fora rondando
Logo quebra a janela e sacode a sua casa
Pois os tempos sim tão mudando
Cheguem as mães
Os avós, tios e pais
Não queiram provar
O que não entendem mais
Seus filhos e filhas
Tão além das suas leis
Sua velha estrada já vai definhando
Liberem caminho e respeitem a vez
Pois os tempos sim tão mudando
A linha traçada
A praga no ar
Quem hoje se arrasta
Amanhã vai voar
Este hoje presente
Logo fica pra trás
Esta ordem já vai se esgotando
E os que agora vão amanhã vão ficar
Pois os tempos sim tão mudando
canção original:
The Times They Are A-Changin'
Bob Dylan
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
* * *
De todas as tribos
E admitam que as águas
Em volta subiram
E aceitem que logo
Estarão encharcadas
Se o seu tempo vale algum plano
Então comecem a nadar ou afundem na barca
Pois os tempos sim tão mudando
Cheguem os críticos
Profetas que escrevem
Abram bem os seus olhos
Chances não se repetem
Não falem tão cedo
Pois a roda a girar
Inda não apontou quem nem quando
E o vencido de agora amanhã vencerá
Pois os tempos sim tão mudando
Cheguem políticos
Atendam a chamada
Não parem na porta
Não obstruam a entrada
Pois quem sai ferido
É aquele que para
Tem uma guerra lá fora rondando
Logo quebra a janela e sacode a sua casa
Pois os tempos sim tão mudando
Cheguem as mães
Os avós, tios e pais
Não queiram provar
O que não entendem mais
Seus filhos e filhas
Tão além das suas leis
Sua velha estrada já vai definhando
Liberem caminho e respeitem a vez
Pois os tempos sim tão mudando
A linha traçada
A praga no ar
Quem hoje se arrasta
Amanhã vai voar
Este hoje presente
Logo fica pra trás
Esta ordem já vai se esgotando
E os que agora vão amanhã vão ficar
Pois os tempos sim tão mudando
canção original:
The Times They Are A-Changin'
Bob Dylan
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
* * *
terça-feira, janeiro 10, 2012
UM PAR DE PARCERIAS PORNOAMOROSAS
com a bela Kaley Michelle
minha verdade não me tira: fica
a tua pista doa a própria dica
o beijo dela na boca dele: cuíca
a nossa bola já são duas quando quica
vosso expoente radicaliza a raiz rica
plural deles-delas: soma, subtrai e mica
toda paixão em dividir se multiplica
* * *
quero sacanagem e amor
quero putaria com paixão
quero carinho mais malícia
sem ter que rimar amor e dor
sem se pautar só pelo tesão
sem precisar ligar para a polícia
* * *
minha verdade não me tira: fica
a tua pista doa a própria dica
o beijo dela na boca dele: cuíca
a nossa bola já são duas quando quica
vosso expoente radicaliza a raiz rica
plural deles-delas: soma, subtrai e mica
toda paixão em dividir se multiplica
* * *
quero sacanagem e amor
quero putaria com paixão
quero carinho mais malícia
sem ter que rimar amor e dor
sem se pautar só pelo tesão
sem precisar ligar para a polícia
* * *
segunda-feira, janeiro 09, 2012
O AMOR IMPOSSÍVEL: REALIZADO
O choro que me veio veio como veio
E aí passei de mim para todos, todas
As canções feito aquela, a que ouvi no passeio
De táxi ao Lago Azul, a uma festa entre rodas.
A verdadeira descoberta foi o amor
Impossível tornado possível, irreal
Realizado sabe-se lá como for,
Como foi, como flor, como vem, como qual.
O que achei que entendi foi mais que só o amor:
Foi feito entendesse a natureza felina,
A flora e fauna, o tom do ronronar, a cor,
Aquilo que é dela, bem dela, bem ali na...
Enfim: não sós. Assim: sem nós. Por mim: nem pós.
O que antes sempre vou amar agora e após.
____________________________________________________
E aí passei de mim para todos, todas
As canções feito aquela, a que ouvi no passeio
De táxi ao Lago Azul, a uma festa entre rodas.
A verdadeira descoberta foi o amor
Impossível tornado possível, irreal
Realizado sabe-se lá como for,
Como foi, como flor, como vem, como qual.
O que achei que entendi foi mais que só o amor:
Foi feito entendesse a natureza felina,
A flora e fauna, o tom do ronronar, a cor,
Aquilo que é dela, bem dela, bem ali na...
Enfim: não sós. Assim: sem nós. Por mim: nem pós.
O que antes sempre vou amar agora e após.
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sábado, janeiro 07, 2012
PORTÕES DO ÉDEN
(Gates Of Eden, de Bob Dylan)
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
De guerra e paz a verdade contrai-se
Desliza e recolhe as asas
Nas nuvens-bosques de quatro patas
O anjo caubói cavalga
Empunha uma vela acesa ao sol
E ela brilha em cera negra
Sempre exceto entre os troncos do Éden
O poste estaca de braços cruzados
Suas garras de ferro atadas
A guias rachadas onde bebês gemem
Embora oculte insígnias metálicas
Tudo e todos só levam seus tombos
Com ruídos vazios de estrondos
Não vem nenhum som dos Portões do Éden
O atroz soldado enfia a cabeça na areia
E então se queixa
Ao caçador descalço que mesmo já surdo
Ainda espreita
Na praia onde cães de caça ladram
Aos navios de velas tatuadas
Que rumam aos Portões do Éden
Com uma agulha de bússola oxidada
Aladim com a lâmpada mágica
Abanca-se junto a eremitas utópicos
Acavalados num Bezerro Dourado
E às promessas deles quanto ao céu
Não se ouve qualquer gargalhada
Nunca exceto além dos Portões do Éden
Relações de sujeições
Sussurram em ruflares de asas
Aos condenados a agir de acordo
E a esperar sucessivos monarcas
E eu tento em canto harmonizar
Um solitário pardal
Não há monarcas além dos Portões do Éden
Madona negra de motocicleta
Rainha cigana sobre rodas
Com sua causa de espectrais pratas
Que o duende de terno brada
Chorando às bicadas das aves malvadas
Que caçam o pecado em migalhas
Não há pecados além dos Portões do Éden
Os reinos das Experiências
Ao vento precioso apodrecem
E os pobres seguem fazendo trocas
Querendo uns o que outros querem
Enquanto princesa e príncipe discutem
O que é real e o que não procede
E que pouco importa além dos Portões do Éden
O sol forasteiro olha de soslaio
Uma cama que nunca é minha
Enquanto amigos e outros estranhos
Procuram livrar-se das sinas
Deixando os humanos totalmente livres
A tudo exceto o final da vida
E não há tribunais além dos Portões do Éden
E a minha amante ao amanhecer
Me conta sobre seus sonhos
Não tenta cobrir vislumbres ali
Nas valas em que estão postos
Às vezes eu penso que não há outras
Frases verdadeiras a não ser essas
E não há verdades aquém dos Portões do Éden
_________________________________________________
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
De guerra e paz a verdade contrai-se
Desliza e recolhe as asas
Nas nuvens-bosques de quatro patas
O anjo caubói cavalga
Empunha uma vela acesa ao sol
E ela brilha em cera negra
Sempre exceto entre os troncos do Éden
O poste estaca de braços cruzados
Suas garras de ferro atadas
A guias rachadas onde bebês gemem
Embora oculte insígnias metálicas
Tudo e todos só levam seus tombos
Com ruídos vazios de estrondos
Não vem nenhum som dos Portões do Éden
O atroz soldado enfia a cabeça na areia
E então se queixa
Ao caçador descalço que mesmo já surdo
Ainda espreita
Na praia onde cães de caça ladram
Aos navios de velas tatuadas
Que rumam aos Portões do Éden
Com uma agulha de bússola oxidada
Aladim com a lâmpada mágica
Abanca-se junto a eremitas utópicos
Acavalados num Bezerro Dourado
E às promessas deles quanto ao céu
Não se ouve qualquer gargalhada
Nunca exceto além dos Portões do Éden
Relações de sujeições
Sussurram em ruflares de asas
Aos condenados a agir de acordo
E a esperar sucessivos monarcas
E eu tento em canto harmonizar
Um solitário pardal
Não há monarcas além dos Portões do Éden
Madona negra de motocicleta
Rainha cigana sobre rodas
Com sua causa de espectrais pratas
Que o duende de terno brada
Chorando às bicadas das aves malvadas
Que caçam o pecado em migalhas
Não há pecados além dos Portões do Éden
Os reinos das Experiências
Ao vento precioso apodrecem
E os pobres seguem fazendo trocas
Querendo uns o que outros querem
Enquanto princesa e príncipe discutem
O que é real e o que não procede
E que pouco importa além dos Portões do Éden
O sol forasteiro olha de soslaio
Uma cama que nunca é minha
Enquanto amigos e outros estranhos
Procuram livrar-se das sinas
Deixando os humanos totalmente livres
A tudo exceto o final da vida
E não há tribunais além dos Portões do Éden
E a minha amante ao amanhecer
Me conta sobre seus sonhos
Não tenta cobrir vislumbres ali
Nas valas em que estão postos
Às vezes eu penso que não há outras
Frases verdadeiras a não ser essas
E não há verdades aquém dos Portões do Éden
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quinta-feira, janeiro 05, 2012
UM POEMA DE QUALQUER DIA DE REIS OU NEM SEQUER DIA SEIS PARA TODOS E TODAS VOCÊS
Não. Pois então. Hoje não é Dia de Reis.
Nem é o dia da canção Dia 36.
Porém os versos estão aqui pra vocês:
a quem me lê não por eu ser bola da vez,
nem graças a algum interesse em português,
nem pra saber mais sobre esse ano ou sobre o mês.
Por que me leem? Não sei. Sei é que ainda por cima
poesia não se faz só em função duma rima.
Por isso mesmo então: resolvi fazer este
pra entregar a vocês o que talvez nem preste,
mas que justifico aqui em si Justenmente
numa Santana vontade de Ivan ser gente,
compartilhar com tudo e todos essa simples
condição que sim vai vir com rima bem simples,
e me identificar assim sim com vocês:
quem vê em nunca quem sabe e em sempre até talvez.
...
Nem é o dia da canção Dia 36.
Porém os versos estão aqui pra vocês:
a quem me lê não por eu ser bola da vez,
nem graças a algum interesse em português,
nem pra saber mais sobre esse ano ou sobre o mês.
Por que me leem? Não sei. Sei é que ainda por cima
poesia não se faz só em função duma rima.
Por isso mesmo então: resolvi fazer este
pra entregar a vocês o que talvez nem preste,
mas que justifico aqui em si Justenmente
numa Santana vontade de Ivan ser gente,
compartilhar com tudo e todos essa simples
condição que sim vai vir com rima bem simples,
e me identificar assim sim com vocês:
quem vê em nunca quem sabe e em sempre até talvez.
...
quarta-feira, janeiro 04, 2012
GUARATUBA. CAIEIRAS. 4/1/2012.
Esta vontade de fazer versinhos
não terminou nem quando eu disse: "Sim, os
versinhos são dispensáveis na praia."
Senti que tinha fugido da raia,
como quem vaia a própria vaia e vai à
praia só porque precisa ir à praia.
Mas é verão. Verei. Preciso ver
no fim da dor o abismo do prazer
(e esta vontade de fazer versinhos...)
...
não terminou nem quando eu disse: "Sim, os
versinhos são dispensáveis na praia."
Senti que tinha fugido da raia,
como quem vaia a própria vaia e vai à
praia só porque precisa ir à praia.
Mas é verão. Verei. Preciso ver
no fim da dor o abismo do prazer
(e esta vontade de fazer versinhos...)
...
terça-feira, janeiro 03, 2012
PRA VOCÊ TER MEU AMOR
Quando a chuva sopra em sua face
E este mundo lhe parece de aço
Posso oferecer o meu abraço
Pra você ter meu amor
Quando as sombras e as estrelas vêm
E você chora mas não vem ninguém
Posso lhe abraçar pra sempre e além
Pra você ter meu amor
Sei que você inda não se decidiu
Mas nunca vou lhe embaraçar
Eu soube desde que a gente se viu
Onde é que seria o seu lugar
Triste e faminto eu não me abalaria
Eu me arrastava de noite e de dia
Nada nesse mundo eu não faria
Pra você ter meu amor
As tempestades vão varrendo o mar
Varrem a rua da amargura
Os ventos das mudanças vão soprar
Você vai ver que me procura
Posso fazer você feliz enfim
Os sonhos verdadeiros vêm assim
E eu voaria só pra ouvir seu sim
Pra você ter meu amor
canção original: Make You Feel My love,
de Bob Dylan
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
clique aqui para conferir a belíssima interpretação
da cantora Adele
E este mundo lhe parece de aço
Posso oferecer o meu abraço
Pra você ter meu amor
Quando as sombras e as estrelas vêm
E você chora mas não vem ninguém
Posso lhe abraçar pra sempre e além
Pra você ter meu amor
Sei que você inda não se decidiu
Mas nunca vou lhe embaraçar
Eu soube desde que a gente se viu
Onde é que seria o seu lugar
Triste e faminto eu não me abalaria
Eu me arrastava de noite e de dia
Nada nesse mundo eu não faria
Pra você ter meu amor
As tempestades vão varrendo o mar
Varrem a rua da amargura
Os ventos das mudanças vão soprar
Você vai ver que me procura
Posso fazer você feliz enfim
Os sonhos verdadeiros vêm assim
E eu voaria só pra ouvir seu sim
Pra você ter meu amor
canção original: Make You Feel My love,
de Bob Dylan
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
clique aqui para conferir a belíssima interpretação
da cantora Adele
segunda-feira, janeiro 02, 2012
GAROTA DO SUL DO PAÍS
(para Camila Melara)
Se você for à feira do sul
Onde os ventos castigam a fronteira
Dê lembranças àquela pessoa
Que foi minha paixão verdadeira
E se neve ou granizo caírem
Nos rios onde os verões são só instantes
Veja se ela veste um bom abrigo
Que a proteja dos ventos uivantes
Veja os cabelos dela, se longos
Se ao seu seio enrolando eles vêm
Veja os cabelos dela, tão longos
Da maneira que eu lembro tão bem
Imagino se ela ainda se lembra
Tantas vezes rezando eu pedia
Nessas trevas da minha noite
Nesses clarões do meu dia
Então se for até a feira do sul
Onde os ventos castigam a fronteira
Dê lembranças àquela pessoa
Que foi minha paixão verdadeira
inspiração e texto orginal:
Girl From The North Country,
de Bob Dylan
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
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Se você for à feira do sul
Onde os ventos castigam a fronteira
Dê lembranças àquela pessoa
Que foi minha paixão verdadeira
E se neve ou granizo caírem
Nos rios onde os verões são só instantes
Veja se ela veste um bom abrigo
Que a proteja dos ventos uivantes
Veja os cabelos dela, se longos
Se ao seu seio enrolando eles vêm
Veja os cabelos dela, tão longos
Da maneira que eu lembro tão bem
Imagino se ela ainda se lembra
Tantas vezes rezando eu pedia
Nessas trevas da minha noite
Nesses clarões do meu dia
Então se for até a feira do sul
Onde os ventos castigam a fronteira
Dê lembranças àquela pessoa
Que foi minha paixão verdadeira
inspiração e texto orginal:
Girl From The North Country,
de Bob Dylan
versão brasileira:
Ivan Justen Santana
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domingo, janeiro 01, 2012
PROMESSA É DÚVIDA?
exorcizando tudo que é mau
e exercendo só o que me faz bem
quero passar o próximo carnaval
e prosseguir ainda mais além
fazendo aos outros o que queremos
sendo do jeito que eu quero ser eu
trocando figuras com as irmãs Lemos
e uns versos e prosas com o Thadeu
assim soltinho feito arroz com bosta
prometo blogar sem fazer muita pose
e desejo hoje até a quem nem me gosta
feliz entrada em dois mil e doze!
Ivan, num improviso de primeiro de janeiro
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e exercendo só o que me faz bem
quero passar o próximo carnaval
e prosseguir ainda mais além
fazendo aos outros o que queremos
sendo do jeito que eu quero ser eu
trocando figuras com as irmãs Lemos
e uns versos e prosas com o Thadeu
assim soltinho feito arroz com bosta
prometo blogar sem fazer muita pose
e desejo hoje até a quem nem me gosta
feliz entrada em dois mil e doze!
Ivan, num improviso de primeiro de janeiro
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